sábado, 3 de janeiro de 2026

Trump anuncia que Maduro foi ‘capturado’ e levado para fora do país


Publicação compartilhada do site ICL NOTÍCIAS, de 3 de janeiro de 2026 

Trump anuncia que Maduro foi ‘capturado’ e levado para fora do país

Por Jamil Chade (Colunista do ICL)

Venezuelano deve ser levado à Justiça nos EUA. Caracas promete resistir e pede reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a captura de Nicolas Maduro, depois de meses de pressão militar, política e econômica. O venezuelano deve ser levado à Justiça nos EUA. Já o governo em Caracas promete resistir e pede uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, enquanto a Rússia condenou o ataque.

Em suas redes sociais, o presidente americano afirmou:

Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque em larga escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado e levado para fora do país juntamente com sua esposa. Esta operação foi realizada em conjunto com as forças de segurança dos EUA.

Mais detalhes em breve. Haverá uma coletiva de imprensa hoje, às 11h, em Mar-a-Lago.

Obrigado pela sua atenção!

Presidente Donald J. Trump

Em entrevista ao jornal The New York Times, Trump afirmou que se tratou de uma “operação brilhante”.

“Muito bom planejamento, tropas excelentes e pessoas incríveis. Foi uma operação brilhante, na verdade”, disse.

Christopher Landau, vice-secretário de Estado norte-americano, comemorou uma “nova era para a Venezuela”. “O tirano se foi e ele finalmente vai enfrentar a Justiça por seus crimes”, escreveu. Nos EUA, Maduro é alvo de processos por participação no narcotráfico.

O senador Mike Lee confirmou que Maduro será levado à Justiça e que teria conversado com o secretário de Estado Marco Rubio.

“Ele (Rubio) me informou que Nicolás Maduro foi preso por agentes americanos para ser julgado por acusações criminais nos Estados Unidos, e que a ação cinética que vimos esta noite foi empregada para proteger e defender aqueles que executavam o mandado de prisão”, publicou o senador Mike Lee, de Utah, no Facebook na manhã de sábado.

“Essa ação provavelmente se enquadra na autoridade inerente do presidente, prevista no Artigo II da Constituição, para proteger agentes americanos de um ataque real ou iminente”, acrescentou Lee.

Resistência

Delcy Rodriguez, vice-presidente venezuelana, confirmou que se “desconhece o paradeiro do presidente Maduro”. “Exigimos que Trump dê prova de vida de Maduro. Povo às ruas”, disse.

Já o ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Patrino, afirmou que vai resistir à presença de tropas estrangeiras e que não entregará o poder.

Neste sábado, a Venezuela solicitou uma reunião urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas em resposta ao ataque dos EUA ao país, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Yván Gil Pinto. “Nenhum ataque covarde prevalecerá contra a força deste povo, que sairá vitorioso”, disse ele no Telegram, compartilhando a carta enviada à ONU.

Rússia condena interferências externas

O gesto foi condenado pelo governo de Vladimir Putin, que chamou de “ato de agressão armada contra a Venezuela” pelos Estados Unidos, considerando “insustentáveis” quaisquer “desculpas” dadas para justificar tais ações.

“Reafirmamos nossa solidariedade com o povo venezuelano e nosso apoio à linha de ação da liderança bolivariana, que visa proteger os interesses nacionais e a soberania do país”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores. Para Moscou, a América Latina deve “permanecer uma zona de paz”.

“Na situação atual, é fundamental, antes de tudo, evitar uma escalada do conflito e concentrar esforços na busca de uma solução por meio do diálogo”, afirmou o Kremlin. “A Venezuela deve ter garantido o direito de determinar seu próprio destino sem qualquer interferência externa destrutiva, muito menos militar.”

Se confirmada, essa é a primeira ação militar direta dos EUA para derrubar um líder sul-americano. Nos anos 60 e 70, o apoio foi real. Mas tropas ou armas americanas não foram usadas nos golpes pela região.

A operação ocorre depois de ataques aéreos no país sul-americano, os primeiros em décadas por parte dos EUA na região. A ameaça era uma realidade desde outubro, quando a Casa Branca liderou ataques contra barcos de supostos narcotraficantes e colocou no Caribe mais de 12 mil soldados. O confisco de cargas e de petroleiros, nas últimas semanas, também indicou uma escalada na tensão.

O governo Trump havia ainda prometido uma recompensa de US$ 50 milhões para quem capturasse Maduro ou desse informações sobre o venezuelano.

Ataque ocorre horas depois de encontro de enviado da China para América Latina

No dia 2 de janeiro, Maduro recebeu o enviado chinês para a região, Qiu Xiaoqi. No encontro, Pequim insistiu que sua aliança com Caracas seria para “todo o tempo”. No encontro, o enviado chinês ainda criticou as sanções.

Brasil preocupado, Colômbia convoca Conselho da ONU

O ICL apurou com diplomatas que o governo brasileiro está consultando aliados e colhendo informações antes de reagir à notícia. Mas Brasília considera que se trata de um cenário “extremamente grave” e teme por um conflito armado dentro da Venezuela.

Há poucas semanas, o embaixador Celso Amorim chegou a alertar sobre o risco de uma guerra no país sul-americano repetir o cenário do Vietnã.

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, anunciou que está pedindo uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.

“Acabamos de concluir a reunião do Conselho de Segurança Nacional, que começou às 3h da manhã.

Forças de segurança pública estão sendo mobilizadas para a fronteira, juntamente com todos os recursos de assistência disponíveis, em caso de um fluxo maciço de refugiados”, disse.

“A Embaixada da Colômbia na Venezuela está respondendo ativamente aos pedidos de ajuda de colombianos na Venezuela. Como membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, já estamos buscando aqueles que desejam nos ajudar a convocar o Conselho”, afirmou.

“O governo colombiano repudia a agressão contra a soberania da Venezuela e da América Latina. Conflitos internos entre povos são resolvidos pacificamente pelos próprios povos. Este é o princípio da autodeterminação dos povos, que é o fundamento do sistema das Nações Unidas”, completou.

Cuba condena: “ataque criminoso”

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, emitiu uma dura condenação nas redes sociais, acusando Washington de realizar um “ataque criminoso” contra a Venezuela e exigindo uma resposta internacional urgente.

Em uma publicação no X, Díaz-Canel afirmou que a chamada “zona de paz” de Cuba estava sendo “brutalmente atacada”, descrevendo a ação dos EUA como “terrorismo de Estado” direcionado não apenas ao povo venezuelano, mas à “Nossa América” ​​em geral.

O governo do Irã também condenou os ataques contra a Venezuela. Para Teerã, trata-se de uma “flagrante violação da soberania nacional e da integridade territorial do país”.

Milei comemora

As informações foram imediatamente comemorada pela extrema direita americana e líder sul-americanos aliados ao governo de Trump. Javier Milei, presidente da Argentina, foi um dos primeiros a ir às redes sociais. “A Liberdade avança”, escreveu o argentino.

Nos EUA, parlamentares republicanos também saudaram à queda de Maduro. Maria Elvira Salazar, congressista da Flórida e aliada de Eduardo Bolsonaro, também comemorou a ação militar dos EUA.

Mais informações em instantes.

Texto e imagens reproduzidos do site: iclnoticias com br

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