O rabino Henry Sobel, em 2011 (Mastrangelo Reino/Folhapress)
Publicado originalmente no site da revista VEJA, em 22 de
novembro de 2019
Rabino Henry Sobel morre aos 75 anos em Miami
Religioso teve forte atuação na ditadura militar e, segundo
a família, morreu em decorrência de complicações causadas por um câncer
Por Da Redação
O rabino Henry Sobel morreu nesta sexta-feira, 22, aos 75
anos, em Miami, nos Estados Unidos, onde vivia. Rabino emérito da Congregação
Israelita Paulista (CIP), destacou-se como uma “voz firme em defesa dos
direitos humanos no Brasil”, conforme destaca nota divulgada pela família. O
sepultamento ocorrerá no domingo, 24, em Nova York.
Os familiares informam que Sobel morreu em decorrência de
complicações causadas por um câncer. O rabino teve forte atuação na ditadura
militar pelo esclarecimento do assassinato do jornalista Vladimir Herzog,
também judeu. Junto a D. Paulo Evaristo Arns e ao reverendo James Wright, Sobel
celebrou um ofício inter-religioso em homenagem ao jornalista em 23 de outubro
de 1975.
A Federação Israelita do Estado de São Paulo transmite
condolências à família. A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) fez uma
postagem em homenagem ao rabino. “Sobel foi um grande líder espiritual e teve
forte atuação na luta pelos direitos humanos no Brasil. Mais do que isto, Sobel
uniu famílias”, afirmou a parlamentar.
Sobel nasceu em Lisboa, em Portugal, no dia 9 de janeiro de
1944. Em Nova York, onde a sua família se estabeleceu durante a sua infância,
ele se formou rabino em 1970. Ele foi convidado pela Congregação Israelita
Paulista para ser rabino no país. No Brasil, ele foi um defensor dos direitos
humanos e uma ponte entre as religiões cristãs e o judaísmo.
Em 1985, ao lado de D. Paulo Evaristo Arns e do reverendo
James Wright, Sobel publicou um livro após reunir grande parte da documentação
da ditadura militar brasileira, chamado “Brasil: Nunca Mais”. O livro expõe a
história da tortura no período. Em março de 2008, o rabino publicou um
auto-biografia com o título “Um homem, um rabino”. O prefácio é assinado pelo
ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
O rabino era divorciado e tem uma filha, Alisha Sobel,
nascida em 1983, em São Paulo. Sobel foi agraciado com a Ordem do Ipiranga,
grau Grande Oficial, pelo governo de São Paulo, em 2010. Quatro anos depois,
foi promovida ao grau de grã-cruz pela mesma ordem.
Texto e imagem reproduzidos do site: veja.abril.com.br

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