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sábado, 29 de março de 2025

Perfil da Prefeita Emília Corrêa

Legenda da foto: Emília Corrêa em seu gabinete na Prefeitura de Aracaju

Perfil compartilhado do site F1 FAN, de 24 de março de 2025

De Perfil > Das linhas de Pirro para a linha do tempo: o perfil da primeira mulher eleita prefeita de Aracaju

Por Larissa Gaudêncio*

Em uma das linhas que Pirro* desenhou, o calor não deixava o sol escaldante das 10h30 passar despercebido, mas à sombra da casa do povo, alguns se sentiram à vontade para dizer palavras afetuosas à nova prefeita. 

Um homem de camisa xadrez atravessou a barreira humana de seguranças, esticando o braço para capturar o momento com o celular. “Quero fazer mais vídeos para distribuir na comunidade”, disse, sorrindo, ao lado de uma Emília Corrêa também sorridente. Uma mulher de roupa florida e alegria no rosto dispensou formalidades: “Como é que você está, menina?”, perguntou a Emília.

Esse gesto simples veio depois de uma cerimônia  formal. Antes, quando os ponteiros marcavam 8 horas e 57 minutos do dia 4 de fevereiro de 2025, Emília chegou à Câmara de Vereadores, no Centro de Aracaju, para marcar o início dos trabalhos legislativos.

No plenário, a primeira mulher eleita prefeita de uma capital chegando aos seus 170 anos saudou colegas vereadores reeleitos e parlamentares de primeira viagem. Mais uma vez, pisava no lugar onde tanto debateu e fez cobranças durante oito anos, mas agora com uma responsabilidade diferente.

“Vereador Levi, o senhor está sentado onde eu costumava me sentar”, disse saudosamente na tribuna. Esse aceno ao Legislativo, posteriormente afirmou em entrevista para a construção do perfil, mostra o tipo de relação que pretende ter com os parlamentares. 

Em um momento em que a imagem da “Emília prefeita” ainda não está consolidada completamente em sua mente, afirma que a experiência de ter sido vereadora não permite que compactue com a hierarquização dos poderes.  

“Não é bom isso, medir força com o poder, até porque são poderes diferentes [pelo] que a Constituição diz. Independentes, mas harmônicos para governar”

– Emília Corrêa sobre relação entre o Executivo e o Legislativo

Relembrando o passado e mirando as incertezas e os desafios que o futuro impõe, se coloca como um ponto de encontro, uma chave que pretende abrir a porta de Aracaju e revelar “uma nova cidade”. 

A mulher que o voto segue

No gabinete da prefeita, ainda há resquícios da campanha de saldo vitorioso. Na ponta da língua, o grito de afirmação: “É desse jeito”, e uma resposta ao passado que a trouxe até esse posto: “Eis-me aqui”. No pulso, pulseiras de miçanga que foram feitas à mão por crianças e entregues a ela durante os atos que realizou na capital.

Sentada em uma cadeira à frente de um quadro imenso que ilustra a praça Fausto Cardoso, quase parece pequena, e confirma essa percepção na própria fala.

“Todo dia eu me sinto desse tamanhinho, carregando esse monte de responsabilidades sobre os meus ombros, mas não tenho parado de trabalhar”

Por outro lado, quando é hora de fazer uma autodescrição, já parece grande. Emília Corrêa Santos Bezerra destaca que é mãe de Rodrigo e Lara, avó de June, esposa, advogada e defensora pública por essência. Nascida e criada em Lagarto, recebeu em 2006 o título de cidadã aracajuana. 18 anos depois, se tornou prefeita desta mesma cidade, em 27 de outubro de 2024, com 165.924 votos, o equivalente a 57,46% dos eleitores.

Confirmou o que a maioria das pesquisas de intenção de voto já apontava na época, após se comprometer em “furar a bolha do sistemão”. Mas nem sempre foi assim. No início da carreira política, não enxergava em si as virtudes que pudessem justificar a confiança que a população lhe deu. 

“Nunca imaginei estar na política partidária, nunca planejei, nunca projetei isso”

Falando sobre sua entrada no jogo político, cita a influência do pai, José Corrêa Sobrinho, e a visão diferenciada da mãe, Orlette Corrêa Santos. Emília lembra que José era comunicativo e carismático, o que combinava mais com o viés político. Já Orlette, acreditava que ela era uma ótima defensora. 

“Ele [pai] foi vereador por três vezes em Lagarto. Foi até presidente da Câmara, mas no tempo em que não existia salário para vereador. Meu pai defendia a cidade, ele amava Lagarto, era impressionante isso. Ele viu isso em mim, eu não me vi em política partidária, mas ele viu isso em mim, como a minha mãe me viu uma advogada ou uma defensora”

O “estalo” para uma mudança de trajetória, na época em que ainda exercia a advocacia, veio de uma fala do pai sobre sua caminhada na política institucional. Candidata a conselheira e presidente da OAB Sergipe, além de pleiteante à vaga do Quinto Constitucional no Tribunal de Justiça, afirma ter sido descrita por José Corrêa como uma líder nata.

“Ele dizia isso para mim: ‘minha filha, tem políticos que têm que correr atrás do voto, outros que compram votos, negociam votos, e outros que o voto corre atrás, eu vejo que você é uma política que o voto corre atrás’”

De quem “desligava o telefone em época de eleição” para desviar dos convites de partidos para que se candidatasse, acolheu um pedido do pai e do ex-governador João Alves para que buscasse um espaço no Legislativo. 

Assim, em 2012, Emília concorreu ao cargo de vereadora de Aracaju pelo Democratas. Não recebeu os votos necessários para ser eleita, mas ficou como primeira suplente, e chegou a assumir a titularidade do mandato entre 2013 e 2014. Em 2016, concorreu novamente à vereança pelo Partido Ecológico Nacional (depois conhecido como Patriota) e, desta vez, foi eleita. Dois anos depois, saiu candidata a deputada federal e recebeu quase 53 mil votos, sendo 35 mil somente em Aracaju, mas não foi eleita por conta do sistema proporcional.

Diante dos números que alcançou na corrida por uma vaga na bancada federal, Emília afirma que chegou a ter o nome ventilado à Prefeitura de Aracaju em 2020, mas não foi a escolhida pelo seu grupo político, que utilizou como o critério o resultado de pesquisas eleitorais e, assim, escolheu Danielle Garcia (MDB) como candidata a prefeita.

“Ela ainda não tinha sido testada nas urnas. Eu já tinha sido testada nas urnas, aprovada, e a pesquisa deu que o nome dela era o melhor naquele momento. E havia um combinado, um acordo de que quem não fosse o escolhido do grupo, não sairia candidato para outro grupo”

Esse acordo, segundo Emília, foi seguido apesar de ter recebido convites de outras lideranças e de temer ser prejudicada politicamente. Optou, então, pela recondução à vereança, e, novamente, foi eleita.

“Com o mesmo tipo de campanha, com um partido pequeno, ou seja, sem a estrutura que tantos e a maioria dos políticos pensa que só vence eleição quem tem. Não é assim, quando tem que acontecer, vai acontecer”

Mas talvez tenha sido em 2022 que a anunciação de sua força política tenha ficado mais fácil de escutar. Candidata a vice-governadora na chapa encabeçada pelo atual prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho (PL), obteve 457.922 votos. 

No entanto, a condição de indeferimento que a candidatura do “pato” enfrentava à época fez os votos serem considerados nulos. O TSE referendou uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe, que condenou Valmir à inelegibilidade por oito anos, pela prática de abuso de poder econômico nas eleições de 2018. 

“Nós ganhamos, mas não levamos por tudo que você já sabe”

Havia grande apelo de uma parcela do eleitorado da chapa ‘Pato+Leoa’ (à época conhecida somente como Emília) para que, diante da insegurança jurídica que rondava a candidatura de Valmir, ela encabeçasse o grupo como candidata a governadora. Isso não chegou a ser feito, conforme a própria Emília, em respeito à decisão do grupo que coordenava a chapa. 

“Quando eu cheguei ali, aquele grupo já estava todo pronto. Eu cheguei apenas para compor, então não poderia eu chegar impondo alguma coisa naquele momento. O grupo entendeu que, se não fosse Valmir, não deveria ser ninguém, porque as pesquisas apontavam Valmir. E aí eu respeitei simplesmente isso”

Por esse motivo, ela especula que talvez sua chegada à prefeitura esteja relacionada a um desejo do povo, tantas vezes protelado, de que ela ocupasse um cargo majoritário. 

“É como se o povo tivesse esperando isso, porque vinha acompanhando a trajetória da gente. Eu já entendia que eu não tinha que permanecer na Câmara, já tinha contribuído com [a Câmara] naquele período, e a gente não tem que ser político permanente nos lugares”

O estouro da bolha 

A imagem da Emília combatente que discursava com altivez na tribuna da Câmara de Vereadores e aparecia em vídeos nas redes sociais fazendo denúncias sobre supostos problemas em diversas áreas em Aracaju ganhou mais uma camada na campanha de 2024. 

Nos mais diversos pronunciamentos, fazia questão de dizer que concorria sem o apoio de grandes lideranças políticas, como o governador, Fábio Mitidieri (PSD), e o então prefeito Edvaldo Nogueira (PDT), que apoiavam o candidato Luiz Roberto (PDT), e de não fazer parte de famílias tradicionais, com grande influência no estado. 

Daí, o argumento de que sua eleição estouraria a “bolha do sistemão”, ou o movimento de perpetuação de um mesmo grupo político no poder. Com essa e outras falas, passou a vestir ideais não somente apoiados em uma visão intelectual de que a renovação era necessária, mas também buscando fazer com que o fato de ser eleita se tornasse um desejo intenso do povo.

Desta vez, concorrendo pelo Partido Liberal (PL), fez um vídeo com o nome mais conhecido da sigla e talvez da própria direita: o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em sua rede social, alegava e agradecia o apoio espontâneo da população, inclusive de crianças, que faziam as já mencionadas pulseiras de miçangas para lhe entregar durante as agendas de campanha. 

Emília usa algumas pulseiras que recebeu durante os dias de campanha

Enfim, chegou ao Executivo. A esse fato, ela também atribui um sentimento de cansaço que, em suas palavras, permeava o eleitorado aracajuano. 

“Esse acolhimento veio do povo que cansou. O povo cansou de mentiras, de personagens que são produzidos. O povo cansou disso, o povo cansou de trocas, de vendas, de compras, de negócios”

Em um pleito marcado pela presença dominante, e até mesmo inédita, de mulheres como candidatas a prefeita, se colocou como uma figura “diferente”.

“Nessa história toda de se cansar e de querer o diferente, resolveram apostar em uma mulher. Mas veja, nós tivemos muitas candidatas mulheres, não que elas não tivessem preparadas, mas parece que eles não queriam só uma mulher, eles queriam uma mulher diferente, e isso não significa, volto a dizer, que eu sou melhor que ninguém”

A harmonia entre os poderes

Fazendo uma avaliação do início de gestão, Emília descreveu um “misto de tristezas, dores, alegrias, problemas e soluções”, e referenciando Juscelino Kubitschek, a percepção de que dois anos haviam se passado em apenas dois meses. 

Às palavras que utilizou, relacionou diversos fatos que se desenrolaram, como a suspensão da coleta de lixo no dia 30 de dezembro de 2024 e, logo depois, no início de janeiro, o anúncio da possibilidade de interrupção dos serviços prestados à Maternidade Lourdes Nogueira.

“À medida que a gente ia resolvendo [os problemas], outros iam se apresentando, ou seja, questões que na transição não foram visualizadas, porque não são mesmo, só quando a gente chega” 

A consciência de que mais adversidades serão enfrentadas durante toda a gestão, em suas palavras, também é uma constante. 

“A gente chegou enfrentando os problemas, e vamos enfrentar muito mais durante os 4 anos, com certeza, mas vamos resolvendo a cada um que vai chegar”

É dentro de um cenário com essas características que recupera na linha do tempo a experiência como vereadora e, agora como gestora, define o tipo de relação que pretende ter com os parlamentares. Emília condiciona a necessidade de uma harmonia entre os poderes. 

“Eu quero ter um relacionamento com a Câmara, se a Câmara assim quiser. Eu quero ter um relacionamento de respeito, de contribuição para a população de Aracaju, de escuta, de ação. Mas para que eu tenha esse relacionamento, a Câmara também tem que querer, para que a harmonia aconteça. Se essa harmonia não acontecer, sabe quem vai penar? O povo”

A leoa da tribo de Judá

Na selva digital, onde a imagem consolidada e o engajamento passaram a ser colocados em um patamar de destaque nas últimas eleições, Emília se assentou. Ela conta que esse movimento começou em 2018, quando concorreu ao cargo de deputada federal e não tinha condições financeiras de se deslocar a todos os municípios do interior para fazer atos de campanha. 

Em 2020, durante a pandemia, foi acometida pela Covid e, diante da impossibilidade de ir às ruas, intensificou o trabalho nas redes sociais.

Na campanha para prefeita, não foi diferente. Da oposição à colocação de cimento no Parque da Sementeira a vídeo com pulseiras da amizade ao som de Taylor Swift, todo conteúdo passível de gerar reações acabava no Instagram. 

A tentativa de reunir uma verdadeira “tribo” online se personificou no dia em que foi eleita prefeita. Em um vídeo publicado logo após a confirmação da vitória nas urnas, estava maquiada artisticamente como um leão, vestida com uma blusa estampada com o nome “escolhida” e fez lipsync da música ‘Leão’, de Gabriela Rocha.

A produção e o trecho “meu Deus é o leão da tribo de Judá” fizeram com que logo ficasse conhecida como a “prefeita leoa”. O apelido, conta Emília, além de não causar incômodo, também ganhou uma funcionalidade dentro de seu imaginário. 

“A leoa tem aquela coisa de proteger a prole, de guardar a prole. Essa prole hoje para mim é o povo de Aracaju. Eu quero proteger, eu quero guardar, eu quero dar para eles o que eles precisam”

Citando outro trecho da música: “E em seu nome os gigantes cairão”, fez alusão aos adversários que enfrentou no pleito.

“Os gigantes caíram. E missão é coisa difícil, é coisa árdua. E você, quando é escolhida para uma missão, é muita responsabilidade”

Viver no presente e seguir a missão à qual foi designada é o desejo que Emília revela para os próximos anos. Antecipando os questionamentos que com certeza virão sobre o ano eleitoral de 2026, destaca que ainda não teve conversas políticas.

“Eu vou trabalhar na missão que me foi dada para Aracaju, não tenho planos, pelo menos agora, não tenho planos para 2026, nem para outros anos. Eu deixo as coisas acontecerem”

Diante do passado de sua trajetória na Câmara, com histórias e experiências, ao futuro que pretende construir, o presente de Emília é um momento que se expande. A política pode não ser uma linha reta como a de Pirro, mas um campo onde as promessas de mudança podem transformar o curso, desde que colocadas em prática. Resta esperar. O tempo é soberano e permite todo tipo de realidade. 

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 * Sobre a coluna

De Perfil é uma nova coluna do Portal Fan F1, dedicada a perfis jornalísticos. Cada perfil narra a história de vida de uma pessoa, pública ou não, de maneira humanizada e subjetiva. Ao contrário de uma biografia, o perfil é mais conciso e foca em aspectos específicos da trajetória do personagem.

Na estreia da coluna, apresentamos o perfil de Emília Corrêa, a primeira mulher eleita prefeita de Aracaju. A narrativa foi construída a partir da cobertura da cerimônia de início das atividades legislativas de 2025, realizada na Câmara de Aracaju no dia 4 de fevereiro, e de uma entrevista exclusiva com Emília, realizada em seu gabinete em 27 de fevereiro de 2025.

*Sebastião José Basílio Pirro foi o engenheiro que elaborou o primeiro projeto da então nova capital de Sergipe, Aracaju, em 1855. A Praça do Palácio (atual Praça Fausto Cardoso), foi o ponto de partida para o crescimento da cidade, com ruas ordenadas como um tabuleiro de xadrez, para terminar no Rio Sergipe.

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Texto e imagem reproduzidos do site: fanf1 com br

terça-feira, 12 de novembro de 2024

Histórico: após 169 anos, Aracaju elegeu a primeira prefeita

Legenda da foto: Emília se tornará a primeira mulher a comandar a capital do Estado

Artigo compartilhado do site JLPOLÍTICA, de 30 de outubro de 2024

Histórico: após 169 anos, Aracaju elegeu a primeira prefeita

Por Tanuza Oliveira* 

O tema de hoje não poderia ser outro além da eleição de Emília Corrêa para a Prefeitura de Aracaju. Ela será a primeira mulher a comandar a capital do Estado, após 169 anos de criação. É um feito. Um marco. E merece ser registrado. 

Emília chegou até aqui depois de três mandatos de vereadora e uma quase vitória para o parlamento federal - ela obteve mais de 50 mil votos, embora não tenha sido eleita. Além disso, é defensora pública há mais de 30 anos e comunicadora de Radio e TV desde 1998. 

Emília liderou as pesquisas durante todo o processo eleitoral e a vitória dela confirmou que os aracajuanos desejavam de fato ter, pela primeira vez, uma mulher prefeita.

Como dissemos na coluna passada, obviamente essa conquista perde um pouco de representatividade quando se trata de uma mulher bolsonarista, que até então não defendeu os direitos femininos.

Quando entrevistamos as então candidatas, Emília falou sobre esse processo. “Eu acredito que as mulheres têm uma representatividade numérica na população que nos respalda a ocupar qualquer espaço. Somos tão capazes quanto os homens, não é apenas por ser mulher que as pessoas devem eleger uma prefeita”, afirmou, à época. 

Isso porque, para a então vereadora, não bastava ser mulher, tinha que ser alguém que estivesse preparada, com história, reputação ilibada e sobretudo que pensasse no melhor para a sociedade e transformasse essas ações em prol do povo. 

“É essa mulher que torço que esteja à frente de qualquer espaço que leve a responsabilidade e o peso de representar a força da mulher”, disse Emília, que também afirmou que “mudaria esse modelo propagandista e resolveria de fato os problemas da saúde, educação, transporte público e, quanto às mulheres, buscaria a viabilidade de um programa específico para promoção da saúde feminina”. Agora é esperar pra ver. 

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* A articulista é jornalista profissional.

Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica com br

domingo, 10 de novembro de 2024

Para onde Emília Correa levará os aracajuanos?

Texto compartilhado do site DESTAQUE NOTÍCIAS, de 9 de novembro de 2024

Para onde Emília Correa levará os aracajuanos?

Por Afonso Nascimento*

Durante o regime militar, Aracaju teve sete (7) prefeitos, todos “biônicos” (não eleitos), todos de direita a serviço dos generais, todos da ARENA. Godofredo Diniz Gonçalves (sem formação superior, Atheneu, deposto pelos militares em março de 1964), João Alves Bezerra (escolaridade desconhecida), Gileno da Silveira Lima (dentista), José Teixeira Machado (escolaridade desconhecida), Cleovansóstenes P. Aguiar (médico), João Alves Filho (engenheiro civil), Heráclito Rollemberg (advogado) e José Carlos Teixeira (contador sem diploma superior). Esse último foi o Ulisses Guimarães sergipano. Defendeu o fim da ditadura e eleições diretas, até ter a chance de ser prefeito sem o voto popular.

Em seguida vieram os dez (10) prefeitos eleitos pelo voto popular, todos de esquerda moderada. Com a exceção de João Alves (filhote da ditadura), eles pertenceram aos grupos de Jackson Barreto, Marcelo Déda e Edvaldo Nogueira (que tem uma fase de esquerda e outra fase de direita). Aqui estão eles: Jackson Barreto (PMDB), Viana de Assis (PMDB), Wellington Paixão (PSB), Jackson Barreto (PDT), José Almeida Lima (PDT), João Augusto Gama (PMDB), Marcelo Déda (PT), Marcelo Déda (PT), Edvaldo Nogueira (PCdoB), João Alves Filho (DEM), Edvaldo Nogueira (PCdoB) e Edvaldo Nogueira (PDT).

É a fase de ouro dos prefeitos formados em Direito pela Universidade Federal de Sergipe, excluídos o engenheiro João Alves e Edvaldo Nogueira, o único com educação secundária. Alguns com histórico de luta contra a ditadura militar e ligações com o PCB. Marcelo Déda e Edvaldo Nogueira tiveram dois mandatos incompletos de prefeito.

E, agora, pela primeira vez, os aracajuanos elegeram uma prefeita bolsonarista e evangélica. Emília Correa, defensora pública e advogada, graduada pela UNIT. Será neoliberal na economia e extremista de direita na política. O desafio de Emília Correia é provar que não é extrema-direita. Minha “previsão” é a seguinte. O seu secretariado será recheado de bolsonaristas civis e militares, egressos da UNIT, pastores, empresários da política. Fará um governo sem maioria na Câmara de Vereadores? Firmará acordo com a UNIT para oferecer cursos de qualificação para funcionários públicos municipais; acordo com o hospital da UNIT para prestação de serviços médicos à prefeitura. Construirá várias escolas cívico-militares. As emissoras de TV e rádios e jornalistas “amigos” receberão boas verbas de publicidade. Dará cargos a cabos eleitorais do interior em Aracaju ou não, em preparação para a eleição de 2026. Estudantes de Direito da UFS dizem que é impossível ela cumprir a sua “proposta” sobre o IPTU. Os quadros técnicos da UFS não serão aproveitados, talvez exceto alguém na procuradoria-geral de Aracaju.

Fonte: Wikipedia

* É professor de direito da Universidade Federal de Sergipe.

Texto reproduzido do site: www destaquenoticias com br

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Emília Corrêa (PL) é eleita prefeita de Aracaju

Publicação compartilhada do site INFONET, de 27 de outubro de 2024

Emília Corrêa (PL) é eleita prefeita de Aracaju

A candidata Emília Corrêa é a primeira mulher eleita prefeitura de Aracaju. A apuração dos votos foi concluída pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), às 18h15, indicando que a candidata do PL conquistou 165.924 votos (57,46% dos votos válidos).

A informação de que Emília seria a nova prefeitura de Aracaju foi confirmada inicialmente às 18h53, quando os números indicavam que ela estava matematicamente eleita. Emília Corrêa disputou a Prefeitura de Aracaju contra o candidato Luiz Roberto (PDT), que conquistou 122.842 votos (42,54% dos votos válidos).

Trajetória política

Nascida em Lagarto, Emília iniciou na política no ano de 2012, quando foi eleita suplente para o cargo de vereadora por Aracaju. Em 2016, a advogada foi eleita vereadora da capital e em 2018 tentou o cargo de Deputada Federal, mas não foi eleita.

Já no ano de 2020, a candidata disputou novamente para o cargo de vereadora de Aracaju, sendo reeleita. Em 2022, ela foi candidata à vice-governadora do estado de Sergipe, com o titular Valmir de Francisquinho (PL).

Com a vitória nas eleições municipais, Emília será a primeira mulher a comandar a Prefeitura de Aracaju.

Por Carol Mundim e Verlane Estácio

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet com br

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Entrevista com a vereadora Emília Correia

Vereadora teve quase 53 mil votos para o cargo de deputada federal,
mas não se elegeu por causa da legenda
Foto: Divulgação/Gilton Rosas

Texto publicado originalmente no site do CINFORM, em 26 de dezembro de 2018

Emília Correia: “o número de votos que tive faz a minha responsabilidade aumentar na Câmara”

Por Julia Freitas

Em entrevista exclusiva ao CINFORM, a vereadora Emília Correia (PATRIOTA) falou sobre como os quase 53 mil votos que recebeu nas últimas eleições para o cargo de deputada federal influenciarão nos seus dois últimos anos de trabalho na Câmara Municipal de Aracaju (CMA). Com a saída de Kitty Lima (PPS), que se elegeu como deputada estadual, a partir de 2019, Emília será a única vereadora mulher da Casa, e da oposição.

CINFORM: Vereadora, a partir do próximo ano, a senhora será a única vereadora da Casa. O que a Casa perde com essa pequena representatividade, uma vez que as mulheres são a maioria da população?

EMÍLIA CORREIA: A Câmara, em 2019, perde um pouco, pelo menos em termos de representatividade feminina, principalmente com a saída da vereadora Kitty Lima. Agora vou conduzir os trabalhos sozinha, meio como que em carreira solo. Mas eu acredito que as mulheres que eu vou estar representado naquele lugar terão uma representatividade séria, forte e destemida, como sempre foi. O número foi reduzido. Mas a qualidade de representar principalmente as mulheres, a gente não vai perder. Inclusive a nossa responsabilidade vai aumentar.

Alguns vereadores muito atuantes se elegeram para outros cargos e os seus suplentes assumirão a partir de 2019. Já houve uma conversa com eles sobre como eles irão se posicionar na Casa?

EC: Nós não conversamos com os suplentes que irão assumir o cargo de vereador em 2019, eu não sei como será, como eles irão se comportar. A gente espera que eles cheguem verdadeiramente para defender o povo. Porque nós estamos ali para representar toda a população aracajuana, então esse tem que ser o nosso objetivo. Eu espero que os novos vereadores venham para juntar forças, para defender os interesses da população, independentemente de partidos políticos.

No início de novembro deste ano a Prefeitura anunciou que a vigilância presencial seria retirada das unidades de saúde da capital e no lugar dela seriam instaladas câmeras de videomonitoramento. O que a senhora pensa dessa ação da gestão do prefeito Edvaldo Nogueira?

EC: Seria perfeito casar a vigilância eletrônica com a presença física de um vigilante, porque não tem sentido o monitoramento sem a presença física. Até que a Guarda chegue, não vai dar para resolver certas coisas. Por isso, nós pedimos um requerimento para saber os valores e gastos com relação ao monitoramento, porque não tem sentido passar para a população que há uma economia e uma eficiência. Eu acredito que não houve nenhuma, nem outra. Pelo contrário! Nós pedimos informações sobre este contrato, mas veio o recesso e não tivemos resposta. Em nenhum lugar, até na mesmo na casas destes políticos, quem sabe, só tem câmeras. Eles têm câmeras, vigias, cachorros, acesso automático a empresas de segurança que vão chegar rapidamente. E as pessoas nos postos de saúde ou em escolas não têm. Eu achei essa mais uma ação irresponsável, negativa, não explicada e sem transparência dessa gestão.

A senhora teve quase 53 mil votos para o cargo de deputada federal nas últimas Eleições, mas não se elegeu. Como a senhora vê essa situação?

EC: A quantidade de votos que tive para deputada federal aumenta e muito a minha responsabilidade na Câmara. Só em Aracaju eu tive quase 35 mil votos, a mesma quantidade de votos que o Fábio Henrique teve e ele se elegeu. Então, veja como a legenda frustrou a vontade do povo. Esse número de votos em Aracaju mostra que o aracajuano aprova o meu trabalho e eu quero corresponder a esta confiança nos meus últimos dois anos de mandato.

O Patriota, assim como outros partidos, não conseguiu atingir o número mínimo de representantes e foi enquadrado na cláusula de barreira. Já há uma conversa no partido sobre o futuro? A senhora permanecerá no Patriota?

EC: Dentro do partido nós já temos uma conversa de fusão, mas nada foi definido ainda. As conversas já começaram e devem ser definidas no início do ano, até porque devemos ver como as coisas vão caminhar. Eu, particularmente, preciso estar em um partido que não se quebre os meus princípios e que me permita agir, lógico que dentro de um contexto partidário, mas com uma certa independência. Antes de definir se vou ficar no Patriota, preciso saber se ele vai ficar robusto. Já tive convites para outros partidos, mas só vou definir em 2019.

Nos últimos anos, as mulheres ganharam força na política e muitas foram eleitas para os mais diversos cargos políticos. Como a senhora vê o machismo na política e sociedade brasileiras, principalmente na Câmara Municipal de Aracaju?

EC: Eu fui atingida por colegas vereadores e por secretários pelo simples fato de ser mulher. Agora mesmo, durante a votação da Lei Orçamentária, o vereador Vinícius Porto falou que eu precisava de remédios e que deveriam chamar o Dr. Façanha. Esse tipo de coisa acontece porque quando um homem se perde um pouco e fala alto é porque ele é destemido e valente, mas quando é uma mulher, ela é chamada de desequilibrada. Eu passei por isso e chamo a atenção das mulheres, que inclusive represento na Câmara, porque elas passam por isso. Somos interrompidas enquanto falamos porque isso é da cultura deles, apesar de não admitirem.

Na última semana, O Ministério Público Estadual e a Polícia realizaram mais uma etapa da Operação Metástase, que investiga irregularidades no Hospital de Cirurgia – um dos objetos de CPI na Câmara – mas que teve diversas interrupções por causa da Situação. Como a senhora vê esse desenrolar?

EC: É uma vergonha para a Câmara, porque ela tem o dever de investigar as ações da Prefeitura, mas não quer fazer e ainda justifica de uma forma triste, dizendo que “(…) mas a Polícia e o Ministério Público já estão investigando”. Quanto mais investigação, melhor. Principalmente porque uma instituição ajuda a outra a limpar a sujeira. Eu fico triste quando vejo a Câmara se esquivar de cumprir com o seu dever de fiscalizar e investigar, porque CPI é para isso, não para condenar. Seja na CPI da Saúde ou na do Lixo, que até na Justiça foi parar.

Nas últimas Eleições políticos influentes e com história na política sergipana não conseguiram se reeleger ou se eleger para os cargos que almejavam. A senhora acredita que o eleitorado está mudando o pensamento e se conscientizando do seu papel como cidadão?

EC: Eu começo a ver que tem uma turma boa no eleitorado que já começou a enxergar que o voto não é um negócio de compra e venda. Eu peço a Deus que seja tirada a venda das pessoas e que elas percebam o porquê das coisas que elas passam, porque não tem medicamento ou médicos nos postos, porque não temos seguranças. Nós levamos décadas para chegar neste lamaçal, mas podemos levar menos tempo para sair dele. Nessas eleições a limpeza foi muito grande, mas poderia ter sido maior se a abstenção não tivesse sido tão alta, por exemplo. Talvez eu não veja essa mudança porque a nossa vida é muito curta, mas se eu plantar essa semente eu vou ficar muito feliz.

Texto e imagem reproduzidos do site: cinform.com.br