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segunda-feira, 15 de maio de 2023

Como Mauro Cid compromete Jair Bolsonaro?


Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 11 de maio de 2023

Como Mauro Cid compromete Jair Bolsonaro?

A proximidade entre Mauro Cid e Bolsonaro é inconteste e cristalina, ainda mais pelo cargo que este ocupava. Guilherme Macalossi para a Gazeta do Povo:

O tenente-coronel Mauro Cid virou personagem recorrente nos escândalos da era Bolsonaro. Ele foi preso preventivamente no último dia 3, acusado de fraudar dados no sistema de registro de vacinação do Ministério da Saúde. A adulteração incluía certificados falsos atribuídos ao ex-presidente e também a sua filha. Alvo de uma penca de inquéritos, fica cada vez mais claro, a cada nova linha investigativa que se desdobra, que Cid era menos um ajudante de ordens e mais um ajudante de tramoias, participando de conspiratas das mais variadas.

O primeiro caso envolvendo o militar é de 2021, quando, por meio de quebra de sigilo telemático ordenado pela Justiça, se descobriu que teria vazado para Jair Bolsonaro o teor do inquérito que apurava a invasão hacker ao sistema do Tribunal Superior Eleitoral. De posse das informações sigilosas de uma apuração inconclusa, o então presidente fez uma live falsificando a natureza do ataque, sua abrangência e usando isso para questionar a segurança das urnas eletrônicas.

Mas não apenas. Foi o mesmo Mauro Cid quem, ao final de 2022, protagonizou a derradeira tentativa de resgatar as joias árabes dadas de presente por um príncipe saudita a Bolsonaro. Os bens, avaliados em mais de R$ 16 milhões, estavam retidos na alfândega do aeroporto de Guarulhos desde que foram flagrados escondidos na mochila de Marcos André dos Santos Soeiro, assessor do ex-ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque.

Mauro Cid foi responsável por montar uma verdadeira força tarefa para obter os objetos, inclusive despachando um subordinado ao local e fazendo ligações de maneira a pressionar os servidores da Receita Federal. As informações sobre o papel do ajudante de ordens de Bolsonaro constam no depoimento de Clóvis Félix Curado Júnior, da Secretaria Especial de Administração da Presidência da República.

Outras revelações devem surgir nas próximas semanas, à medida em que as autoridades tiverem acesso a todo o conteúdo constante no celular apreendido do tenente-coronel. Já se sabe, por exemplo, de trocas de mensagens sobre remessas de dinheiro para fora do país. No dia em que foi preso, a Polícia Federal identificou US$ 35 mil e R$ 16 mil em espécie em sua casa. O montante teria sido sacado de uma conta bancária em Miami. Por isso, ele também é suspeito do crime de lavagem de dinheiro.

A proximidade entre Mauro Cid e Bolsonaro é inconteste e cristalina, ainda mais pelo cargo que este ocupava. Tinha acesso direto ao presidente da República. Foi, portanto, figura central no governo durante quatro anos. E, como resta evidente, não era apenas um mero coordenador da burocracia palaciana. Tratava dos assuntos de interesse pessoal do seu senhorio. A transversalidade de sua atuação nebulosa é reveladora do que se passava no núcleo duro do bolsonarismo e até mesmo do eventual envolvimento direto do ex-presidente em todos esses casos.

Texto reproduzido do blog: otambosi.blogspot.com

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Ex-Comandante do Exército sabia do plano de golpe bolsonarista

Publicação compartilhada do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 9 de maio de 2023

Ex-Comandante do Exército sabia do plano de golpe bolsonarista

Foi o que revelaram assessores do governo Jair Bolsonaro em gravações reportadas pela polícia ao Supremo Tribunal Federal. José Casado para a Veja:

Em meados de dezembro, dias antes da posse do novo governo, o então comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, conhecia o plano bolsonarista e estava sob pressão para assumir a liderança de um golpe de estado.

Foi o que revelaram assessores do governo Jair Bolsonaro em gravações telefônicas reportadas pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal.

O tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid, ajudante de ordens de Bolsonaro, e o coronel (na reserva) Antonio Élcio Franco Filho, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde e assessor especial na Casa Civil, são personagens da investigação sobre a invasão do STF, do Congresso e do Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro.

Eles deixaram o ex-comandante do Exército exposto nas conversas que mantiveram com Ailton Gonçalves Moraes Barros, retratado pela polícia como aliado de Bolsonaro, com laços no crime organizado de Duque de Caxias (RJ), na Baixada Fluminense.

Paraquedista, Barros era capitão e atuava no serviço de Inteligência quando foi expulso do Exército, em 2006, depois de acusado de negociar com traficantes da Rocinha, na zona sul do Rio, a devolução de armas roubadas num quartel da Força em São Cristovam, na zona norte. As armas foram recuperadas.

Nas conversas relatadas pela polícia ao STF há indícios de envolvimento de Freire Gomes, então comandante do Exército, na trama golpista. Parte das gravações foram divulgadas nesta segunda-feira (8) pela repórter Daniela Lima, da CNN.

“Tem que continuar pressionando o Freire Gomes para que ele faça o que tem que fazer” — disse Barros ao tenente-coronel Mauro Cid, ajudante de ordene Bolsonaro, na quinta-feira 15 de dezembro.

Dois dias antes, acontecera a diplomação de Lula e seu vice Geraldo Alckmin no TSE, que terminou com episódios de violência e vandalismo no centro de Brasília. Empresários relataram depois à Polícia Militar que alguns dos participantes haviam se hospedado na região hoteleira da capital, com diárias pagas.

Barros prosseguiu na conversa com Mauro Cid: “Nos decretos e nas portarias que tiverem que ser assinadas, tem que ser dada a missão ao comandante da brigada de operações especiais de Goiânia de prender o [juiz do STF] Alexandre de Moraes no domingo [18 de dezembro], na casa dele.” Não se conhecem as respostas do ajudante de ordens de Bolsonaro.

Barros também discutiu o planejamento de um golpe com Antonio Élcio Franco Filho, coronel na reserva desde 2019, assessor na Casa Civil. “É preciso convencer o comandante da Brigada de Operações Especiais de Goiânia a prender o Alexandre de Moraes” — disse. “Vamos organizar, desenvolver, instruir e equipar 1.500 homens.”

Élcio Franco Filho, como é conhecido, comentou sobre a posição do então comandante do Exército: “Essa enrolação vai continuar acontecendo. O Freire não vai [liderar]. Você não vai esperar dele que ele tome à frente nesse assunto, mas ele não pode impedir de receber a ordem [de mobilização para o golpe].”

Especulou sobre a reação do general Freire Gomes às pressões:”Ele tá com medo das consequências, pô. Medo das consequências é o quê? Ele ter insuflado? (…) Ah, deu tudo errado, o presidente foi preso e ele tá sendo chamado a responder (…) Depois que ele me deu a ordem por escrito, eu, comandante da Força, tive que cumprir. Essa é a defesa dele, entendeu?”

Evidências disponíveis sobre aqueles dias de dezembro convergem para uma insurreição estimulada, coordenada e financiada com intenção golpista. O objetivo era reverter o resultado eleitoral, impedir a posse de Lula e Alckmin e garantir a continuidade de Bolsonaro no poder.

Um rascunho de “decreto de estado de defesa no âmbito do Tribunal Superior Eleitoral” foi encontrado pela polícia entre documentos pessoais na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, que está preso.

Entre outras coisas, previa: junta de oito militares, designada pelo Ministério da Defesa, para intervenção na Justiça Eleitoral; quebra do “sigilo de correspondência e de comunicação telemática e telefônica dos membros do TSE, durante o período que compreende o processo eleitoral até a diplomação do presidente e vice-presidente eleitos”; e, também, a prisão de juízes “por crime contra o Estado”.

O Comando do Exército, o Ministério da Defesa e o ex-comandante general Freire Gomes mantiveram-se em silêncio.

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* O coronel (na reserva) Antonio Élcio Franco Filho não foi assessor especial na Casa Civil na gestão do general Walter Braga Netto, como publicado aqui anteriormente. Ele serviu no período do ministro Ciro Nogueira.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com

quinta-feira, 16 de março de 2023

Bolsonaro e a posse ilegal das joias milionárias

Publicação compartilhada do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 15 de março de 2023

Bolsonaro e a posse ilegal das joias milionárias

Os depoimentos contraditórios apenas demonstram que nenhuma justificativa se sustenta, e que as coisas vão se complicando com as gritantes inconsistências. Guilherme Macalossi para a Gazeta do Povo:

Quando Jair Bolsonaro vai entregar as joias que recebeu do príncipe saudita Mohammed bin Salman bin Abdulaziz Al Saud? A pergunta, mais do que lançar a dúvida, evidencia o fato de que estão sob sua posse ilegal, é necessário ressaltar. Havia a expectativa de que isso ocorresse na terça-feira (14), mas, ao que consta, a intenção é fazê-lo apenas após a decisão do Tribunal de Contas da União, que se reúne essa quarta (15) para deliberar o que fazer no caso. Se a corte seguir sua jurisprudência, obrigará Bolsonaro, ainda homiziado na Flórida, a devolver bens milionários que pertencem ao patrimônio da União e que ele continua retendo.

O ex-presidente foi beneficiado por uma inacreditável decisão do ministro Augusto Nardes, que lhe permitiu permanecer com os presentes, mas o impedindo de usá-los ou vendê-los. Tornou Bolsonaro uma espécie de fiel depositório, ignorando o próprio histórico de decisões da corte. Em 2016 foi publicado o Acordão 2255, determinando ao Gabinete Pessoal da Presidência da República que incorporasse “todos os documentos bibliográficos e museológicos recebidos pelos presidentes da República, nas denominadas cerimônias de troca de presentes, bem assim todos os presentes recebidos, nas audiências com chefes de Estado e de governo, por ocasião das visitas oficiais ou viagens de estado ao exterior, ou das visitas oficiais ou viagens de estado de chefes de Estado e de governo estrangeiros ao Brasil, excluídos apenas os itens de natureza personalíssima ou de consumo direto pelo presidente da República”. Joias da marca Chopard, por óbvio, não se enquadram em tal categoria.

Cumpre perguntar, aliás, o que Augusto Nardes ainda faz no TCU. Deveria ter sido permanentemente afastado de suas funções depois de se envolver, ao final do ano passado, numa tramoia de natureza golpista. Divulgou para amigos informações de bastidores sobre um suposto “movimento muito forte nas casernas” que resultaria num “desenlace forte na nação”. Até hoje a história não foi explicada, mas deveria ser o suficiente para, no mínimo, torná-lo suspeito de julgar ações relativas a Bolsonaro.

Ainda ontem, o ex-ministro Bento Albuquerque prestou depoimento à Polícia Federal. E mudou novamente sua versão dos fatos. Agora as joias seriam entregues à União. Isso contraria o que havia dito anteriormente. Quando foi a alfândega do aeroporto de Guarulhos buscar os itens apreendidos, disse aos servidores públicos que era tudo para a primeira-dama. Tal fala consta em gravação divulgada pela mídia. A manifestação no âmbito da investigação também colide com dito pela defesa de Bolsonaro. Segundo o advogado Frederico Wasseff são itens personalíssimos, e que por isso deveriam ficar com seu cliente.

Na nova versão há a confissão explicita de uma ilegalidade. Se as joias seriam para o patrimônio da União, por que uma parte delas, avaliada em R$ 400 mil ficou com Bolsonaro (ainda está), e o restante foi apreendido ao chegar no Brasil moqueadas na bagagem do assessor Marcos André dos Santos Soeiro, que tentou passar sem declará-las? Se o intento era agregá-las ao patrimônio estatal, por que a burocracia não foi cumprida desde o início? Era só preencher os devidos formulários e fazer o registro. O que se sabe é que, tanto para a parte que ficou com Bolsonaro quanto para a que ficou no aeroporto, se buscou omitir os bens da autoridade alfandegária. E a isso popularmente se chama de contrabando.

Desde outubro de 2021 o governo de Bolsonaro buscou resgatar as joias no aeroporto, sempre se valendo de subterfúgios suspeitíssimos. Uma verdadeira força-tarefa, inclusive com a participação de figuras do 1° escalão. Por que uma autoridade como Bento Albuquerque iria pessoalmente ao local senão para pressionar os funcionários pela força de seu status hierárquico? As carteiradas foram muitas, ainda que, felizmente, nenhuma tenha sido efetiva. A última se deu nos estertores do governo, no dia 29 de dezembro, quando o sargento da Marinha, Jairo Moreira da Silva, fez a tentativa derradeira.

As tipificações penais possíveis vão se ampliando na medida em que a materialidade se avoluma. Estamos a falar crimes como advocacia administrativa, descaminho e, a depender de outras investigações, até mesmo peculato. Os depoimentos contraditórios apenas demonstram que nenhuma justificativa se sustenta, e que as coisas vão se complicando com as gritantes inconsistências. Para Bolsonaro e sua turma já se foram as joias, e agora também podem se ir os dedos.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com

sábado, 31 de dezembro de 2022

Na véspera do fim do mandato, Bolsonaro deixa o Brasil e viaja para a Flórida


Texto publicado originalmente no site G1 GLOBO, em 30 de dezembro de 2022 

Na véspera do fim do mandato, Bolsonaro deixa o Brasil e viaja para a Flórida

Bolsonaro deve passar o mês de janeiro na Flórida. Nesta sexta-feira (30), ele fez a última live do mandato, na qual condenou atos terroristas e disse que não se envolveu com acampamentos golpistas na frente de QGs do Exército.

Por Kellen Barreto, TV Globo — Brasília

O presidente Jair Bolsonaro deixou o Palácio da Alvorada nesta sexta-feira (30), na véspera do fim do seu mandato, e embarcou no avião presidencial rumo aos Estados Unidos. O avião decolou no início da tarde e deixou Brasília.

Por volta das 17h, a aeronave pousou no Aeroporto Internacional de Boa Vista, em Roraima, para abastecer. Pouco depois das 19h, já havia deixado o espaço aéreo do Brasil, com destino a Orlando, na Flórida, onde aterrissou por volta das 23h.

O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tomará posse no domingo (1º). Com a viagem, Bolsonaro deixa claro que não vai passar a faixa presidencial para Lula no evento da posse.

Na manhã desta sexta, no "Diário Oficial da União", o governo publicou uma autorização para que servidores públicos que vão ser assessores de Bolsonaro quando ele deixar a Presidência acompanhem o presidente na viagem aos Estados Unidos.

Última live

Mais cedo, nesta sexta, Bolsonaro fez a última live do mandato. O presidente passou as últimas semanas, desde que perdeu a eleição, recluso no Palácio da Alvorada e longe das transmissões que costumava fazer nas redes sociais.

Na última transmissão ao vivo do mandato, Bolsonaro condenou atos de terrorismo cometidos por apoiadores dele e fez um balanço dos quatros anos de sua gestão.

Logo no início de sua fala, ele comentou o caso do homem que plantou um explosivo em um caminhão de combustível perto do aeroporto da capital federal.

O presidente se queixou de que atitudes de violência política no país são sempre atribuídas a "bolsonaristas".

No entanto, George Washington, o homem preso pela bomba, relatou à polícia que participou de atos antidemocráticos realizados por apoiadores do presidente. Disse ainda que sua intenção era iniciar o "caos" e que agiu por motivação política. A bomba não chegou a explodir.

"Hoje em dia, se alguém comete, um erro é bolsonarista. Nada justifica, aqui em Brasília, essa tentativa de ato terrorista na região do aeroporto", afirmou o presidente.

"O elemento que foi pego, graças a Deus, que não coaduna com nenhuma situação, mas classificam como bolsonarista. É o modo de tratar", completou.

O presidente também comentou os acampamentos de apoiadores em frente a quartéis-generais do Exército em cidades do país. Os acampamentos fazem pedidos inconstitucionais, como intervenção militar e reversão do resultado das eleições.

Para Bolsonaro, as manifestações são espontâneas e não são lideradas por ninguém. Ele afirmou que não tem participação nos atos.

"Eu não participei desse movimento. Eu me recolhi", afirmou Bolsonaro.

Voz embargada

Ao longo da transmissão, o presidente chegou a embargar a voz algumas vezes e a fazer pausas prolongadas na fala. Um desses momentos foi quando ele lembrou os "sacrifícios" de quem esteve ao seu lado no mandato, e citou a primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

Outra ocasião foi quando disse que o Brasil "não acaba em 1º de janeiro".

Texto reproduzido do site: g1.globo.com

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Bagunça golpista exige punição

Publicação copartilhada do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 28 de dezembro de 2022

Bagunça golpista exige punição

Bolsonaro deve zelar pela ordem jurídica e pela paz social no País. Seu silêncio e meias palavras soam como autorização para seguidores cometerem sandices antidemocráticas. Editorial do Estadão:

O presidente Jair Bolsonaro chega ao final do mandato como o grande responsável pelo clima de tensão e desordem que se instalou em Brasília desde o resultado das eleições. Agora, às vésperas da posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, os brasileiros assistem ao ápice dessa bagunça alimentada pelo mesmo governo que prometeu ao País “a lei e a ordem”.

Tão absurdo tem sido o desenrolar dos acontecimentos na capital federal – mas não apenas lá – que a Polícia Federal (PF) recomendou que Lula não desfile no Rolls-Royce presidencial no dia da posse, como é tradição há 70 anos, por risco de atentado contra a sua vida.

Não se sabe se Lula acatará a recomendação. O automóvel não só é um símbolo da autoridade do chefe de Estado e de governo, como, em alguma medida, é uma das representações da própria República no imaginário da Nação. Mas o temor dos agentes da PF responsáveis pela segurança do presidente eleito não é infundado. Existem indícios, por exemplo, de que há pessoas armadas no acampamento golpista em frente ao Quartel-General do Exército. Não existe liberdade de se manifestar armado.

Além disso, como se não bastasse, na véspera do Natal um seguidor bolsonarista tentou explodir uma bomba sob um caminhão de querosene de aviação nos arredores do Aeroporto Internacional de Brasília. O objetivo de George Washington de Oliveira Sousa, gerente de um posto de combustíveis no interior do Pará, era “criar o caos” na capital federal para que Bolsonaro decretasse “estado de sítio” e as Forças Armadas, por sua vez, interviessem para impedir a posse de Lula. Em depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal, o bolsonarista afirmou que agiu “inspirado” por palavras do presidente. Em novo depoimento, retirou a menção a Bolsonaro.

É lamentável que haja pessoas dispostas a urdir uma trama golpista e rocambolesca desse naipe. De toda forma, trata-se da expressão fidedigna de um governo conduzido durante quatro anos sob o signo de Tânatos, o deus da morte na mitologia grega, como já destacamos nesta página.

Até perder a eleição, Bolsonaro agiu pela destruição pura e simples – destruição dos avanços civilizatórios trazidos pela Constituição de 1988, das instituições republicanas, da moralidade pública, da tradição diplomática do País, de políticas públicas bem-sucedidas, de adversários políticos. Agora, derrotado nas urnas, omite-se com o mesmo desiderato. Seu silêncio e suas meias palavras soam como autorização para que seguidores mais radicalizados cometam sandices criminosas e antidemocráticas.

Convém lembrar às autoridades, aí incluídas o senhor presidente da República e o ministro da Justiça, Anderson Torres, que elas, enquanto estiverem em seus cargos públicos, têm o dever de garantir a ordem jurídica e a paz social no País. Eventuais omissões e cumplicidades podem gerar graves responsabilidades penais. No caso de Jair Bolsonaro, existem obrigações constitucionais bem precisas, que valem até o último minuto do mandato.

Diante da baderna promovida por seus apoiadores, Jair Bolsonaro não é assistido pelo direito ao silêncio e à inação. Anderson Torres, por sua vez, diminui o cargo quando, diante de tão sérias ameaças, se limita a dizer que o Ministério da Justiça está “acompanhando” as investigações da Polícia Civil do Distrito Federal. Eis o final do governo que prometia “a lei e a ordem”: com bagunças e desordens até então inéditas no atual regime constitucional. Vista em Brasília e em outras cidades, a insurgência de bolsonaristas contra o resultado da eleição ocorre sob o beneplácito de autoridades que, tendo o dever de zelar pela Constituição e pela paz, responderão por tão perigosa passividade.

Reafirmando a Constituição e a vontade popular, o presidente eleito tomará posse no dia 1.º de janeiro. Mas isso não significa que o País esteja livre das ameaças dos arruaceiros que não se conformam com o resultado da eleição. Se lhes faltam razão e civismo, que sobre eles recaia todo o peso da lei. É assim que a democracia se defende.

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2 comentários

Anonymousquarta-feira, dezembro 28, 2022 

Está para nascer um presidente igual a Bolsonaro novamente: quando o Mito abre a boca, só diz besteira; quando fica calado, só acontece besteira. Não é à toa que não se reelegeu. Ou é muito azarado, ou muito ruim mesmo!

Anonymousquarta-feira, dezembro 28, 2022 

"Como se vê, nosso leque de excepcionalidades é amplo: golpeados, golpistas, patetas, interinos, malucos e eleitos que não governaram ou porque morreram ou porque depostos antes da posse. Mas é, definitivamente, a primeira vez que um presidente, no exercício do cargo, decide se mandar do país sem renunciar, assistindo, no exterior, ao fim do próprio mandato. Isso expõe a degradação a que Bolsonaro conduziu a República e se torna um emblema de sua escandalosa irresponsabilidade. Nunca houve ninguém tão vil, tão covarde, tão desprezível. Aliás, consta que nem Michelle, sua mulher, vai acompanhá-lo. Não obstante, fanáticos continuarão por aqui atentos ao apito do cachorro."

Artigo e dois comentários reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

A tentativa terrorista em Brasília tem cúmplices morais e intelectuais

Publicação compartilhada do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 26 de dezembro de 2022

A tentativa terrorista em Brasília tem cúmplices morais e intelectuais

Quem diria que o discurso golpista, a contestação permanente da eleição e a linguagem de extremismo político resultariam numa tentativa de atentado com artefato explosivo, não é mesmo? Guilherme Macalossi para a Gazeta do Povo:

É preciso, desde já, reforçar a segurança do ato de posse de Lula. Além da presença das autoridades políticas e institucionais e de delegações de dezenas de outros países, é previsto um contingente muito grande de pessoas na capital federal já antes do dia 1º de janeiro. O ocorrido no final de semana, quando se desarmou um artefato explosivo acoplado em um caminhão de combustível próximo ao aeroporto de Brasília demonstra que há quem não meça as consequências para impedir o ato de transmissão da faixa presidencial. Nem que para isso se faça um banho de sangue.

O responsável pela tentativa de atentado é o bolsonarista George Washington Sousa, que atua como empresário no ramo do gás no estado do Pará. Desde novembro ele se mudou para o Distrito Federal para participar dos atos antidemocráticos que se concentram impunemente na frente dos quartéis pelo país. Foi nesse ambiente golpista que ele, e, segundo o próprio relato que teria dado para a polícia, mais uma pessoa, articularam a ação criminosa. Na tarde desta segunda-feira (26), a investigação do caso identificou o outro suspeito. Seria um indivíduo chamado Alan Diego dos Santos.

Estamos diante de um caso clássico de terrorismo doméstico, ainda que os responsáveis venham a responder somente por crimes contra o Estado Democrático de Direito. A legislação antiterrorismo do Brasil é insuficiente ao não tipificar crimes dessa categoria que tenham sido praticados por motivação política.

Fato é que o tal Washington Souza tinha posse de um verdadeiro arsenal, que incluía escopeta, revólver, bananas de dinamite e um fuzil Spriengfild. Gastou mais de 170 mil reais em armamentos e munições, levando tudo para Brasília dentro de uma caminhonete. Sua intenção manifesta era “criar o caos” de maneira a servir de parâmetro para atos semelhantes e, com isso, motivar uma intervenção das Forças Armadas. Segundo bolsonaristas, não passa de outro desses “infiltrados de esquerda” a tentar prejudicar a reputação dessa boa gente patriota que só deseja um golpe de Estado. Acredite se quiser.

Em julho deste ano, Jair Bolsonaro disse em uma de suas lives que “sabemos o que temos que fazer antes das eleições”. Nunca especificou o que deveria ser feito. Ainda em abril, por conta de um encontro de Lula com empresários, o ainda presidente disse, num evento com supermercadistas, que “uma granadinha mata todo mundo”. É “força de expressão”, dirá o passador de pano.

Até quando vai se ignorar o impacto e a relevância desse tipo de declaração?

Quem diria que o discurso golpista, a contestação permanente da eleição e a linguagem de extremismo político resultariam numa tentativa de atentado com artefato explosivo, não é mesmo? Há um ambiente de estimulo para a ação desses elementos, que são insuflados pelo discurso de políticos e influenciadores.

Quem plantou a bomba não agiu sozinho. É preciso apurar a cadeia hierárquica moral e intelectual dos incentivadores do radicalismo, responsáveis por criar o clima em que militantes se sentem livres para botar em prática a violência política.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

Um plano terrorista...

Publicação compartilhada do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 26 de dezembro de 2022 

ilitar

Complô armado contra o Estado, com explosões para interditar o aeroporto de Brasília e impedir posse de Lula, foi organizado em área sob jurisdição militar. José Casado para a Veja:

Brasília tem um bairro militar, onde se encontra o Quartel-General e a maior parte das organizações da hierarquia do Exército. No entorno ajardinado do QG vivem cerca de mil famílias de militares, abrigadas em 800 residências.

A vida no Setor Militar Urbano mudou desde o fim da eleição presidencial, em outubro, quando uma população flutuante de quase duas mil pessoas se instalou diante do Quartel-General, em manifestação organizada e financiada para apelar a uma intervenção armada que impeça a posse do presidente eleito, Lula.

Jair Bolsonaro, o vice Hamilton Mourão, o ministro da Defesa e comandantes militares atravessaram os últimos 55 dias defendendo, em declarações e notas públicas, o direito de manifestação e a liberdade de expressão dos “patriotas” — é como se autoproclamaram.

O local do acampamento dos bolsonaristas radicais não foi escolhido ao acaso: o bairro do Quartel-General do Exército integra o mapa da jurisdição do Serviço de Fiscalização de Produtos Controlados da 11ª Região Militar, assim como a sede da presidência, o Palácio do Planalto, e a residência presidencial, o Palácio da Alvorada.

Nessas áreas, a competência ou capacidade para atuação é exclusivamente do Exército. Qualquer iniciativa policial, por exemplo, precisa de combinação prévia.

Um mês antes da eleição a 11ª Região Militar passou ao comando do general de brigada Ricardo de Castro Trovizo. No organograma da caserna ele está subordinado ao comandante militar do Planalto, general de divisão Gustavo Henrique Dutra de Menezes.

Na noite de Natal, sábado (24), a polícia prendeu e indiciou George Washington Oliveira Sousa, 54 anos, como responsável pela tentativa de explodir um caminhão-tanque de querosene de aviação no aeroporto de Brasília.

No início de novembro ele subiu numa camionete, saiu de Xinguara, no sudoeste do Pará, viajou 1,2 mil quilômetros até Brasília.

Na bagagem trouxe armas, munições e uniformes militares de camuflagem. Alugou um apartamento no entorno do QG do Exército e passou a frequentar o acampamento de bolsonaristas radicais.

Entre a segunda quinzena de novembro e o início de dezembro, ele recebeu de aliados — ainda não se sabe se do Pará ou de Brasília —um conjunto de seis explosivos, do tipo emulsão, que necessitam de acessórios para detonação remota. Têm alguma sofisticação tecnológica e são usados na mineração.

Na noite de segunda-feira 12, dia em que a Justiça Eleitoral certificou a eleição de Lula e do vice Geraldo Alckmin, um dos radicais saiu da Palácio da Alvorada e voltava para o acampamento diante do QG quando foi preso, por ordem judicial. Um grupo de manifestantes saiu da área do QG, tentou invadir a sede da Polícia Federal, incendiou meia dúzia de ônibus e destruiu propriedades no centro de Brasília.

Dez dias depois, confessou George Washington à polícia, houve uma reunião no acampamento e decidiu-se realizar atentados numa subestação de energia e no aeroporto de Brasília “durante a madrugada”. O plano era iniciar um apagão na cidade interditar toda a área do aeroporto, eventualmente com bombas na áreas internas, de embarque e desembarque.

Não importavam eventuais vítimas. A explosão de um caminhão-tanque de combustível (o explosivo chegou a ser acionado mas “falhou”, segundo versões policiais) tinha o objetivo, segundo a confissão, de provocar caos e levar à “decretação de estado de sítio”. Interditaria a capital, com óbvias consequências sobre a posse do novo governo, cuja lista de convidados tem 43 representantes estrangeiros.

George Washington deixou claro que não estava só. Além da reunião no acampamento diante do Quartel-General, do “investimento” em armas e uniformes (R$ 160 mil), e da cumplicidade nos explosivos, contou à polícia que havia “entrado em contato com um importante general do Exército”. A esse personagem, cujo nome não foi divulgado, teria avisado sobre “um grande derramamento de sangue se nada fosse feito” contra a posse de Lula e Alckmin.

As investigações prosseguem, agora com George Washington em prisão preventiva. Mais armas e explosivos foram apreendidos no domingo na periferia de Brasília.

O repórter Alceu Castilho, do Blog Gerson Nogueira, de Xinguara, mapeou negócios dele e familiares: figuram como sócios numa complexa rede de empresas controladoras de postos de combustíveis no Pará, Maranhão, Roraima e Tocantins.

Também são donos de transportadoras no mercado do Arco do Desmatamento, onde proliferam a grilagem de terras públicas e os garimpos ilegais financiados por máfias do crime organizado de São Paulo e do Rio.

George Washington integra um grupo de empresários-ativistas do sul do Pará cujos interesses têm sido defendidos pela bancada do garimpo e do desmatamento na Câmara e no Senado. A maioria desses parlamentares atuou na campanha presidencial. Alguns, se mantém alinhados a Bolsonaro e contribuem na organização de apoio logístico e financeiro aos radicais acampados diante do QG, em Brasília.

George Washington se identificou à polícia como um ex-paraquedista. Justificou-se com a necessidade de “impedir a instauração do comunismo”.

O nome disso é terrorismo, um complô armado contra o Estado organizado dentro de uma área urbana sob jurisdição militar. Para realizar um atentado, ele conseguiu infiltrar armas, munição, uniformes e explosivos na zona supostamente mais protegida de Brasília, a do Quartel-General do Exército.

Numa ironia, o Serviço de Fiscalização de Produtos Controlados da 11ª Região Militar mantém emoldurado o seguinte slogan: “Você pode confiar!”

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com

Fanatismo traz o risco de novos atentados em Brasília

Publicação compartilhada do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 26 de dezembro de 2022

Fanatismo traz o risco de novos atentados em Brasília

História do terrorismo mostra como o extremismo abandona a palavra pela ação; inteligência militar trabalhava com essa hipótese desde 2021. Marcelo Godoy para o Estadão:

Caro leitor,

Goethe fez Fausto exasperar-se ao traduzir o Novo Testamento em seu quarto de trabalho. O personagem se rebela logo no primeiro versículo do Evangelho de São João: “No começo era o Verbo”. “Como dar ao verbo tão alto apreço?”, questiona. Após várias tentativas, em que o verbo é substituído por “sentido” e por “energia”, finalmente, Fausto chega à conclusão: “Im Anfang war die Tat!” No Princípio era a Ação. A ação fala mais alto do que a palavra, interrompida na tragédia pelo latido de um cão.

O extremista que escolhe a ação e abandona a palavra nega a própria natureza da política, que está em dizer as coisas oportunas. Não é à toa que Mefistófeles, o inimigo da luz, diz, ao se mostrar a Fausto pela primeira vez, em meio à tradução do texto bíblico: “O gênio sou que sempre nega”. A ação faz a revolução, pensava a esquerda armada dos anos 1960. E é a ação que a extrema-direita dos anos 2020 quer usar para criar e impor a sua visão de mundo, como fizera no passado. Quando isso acontece, a porta para o uso da violência na política se abre. E uma de suas manifestações é o terrorismo.

Não se trata de fenômeno desconhecido. Muitos já o estudaram, como o historiador Walter Laqueur, autor de Uma História do Terrorismo. O uso da violência na política esteve no centro da atuação do squadrismo fascista na Itália dos anos 1920. Foram neofascistas que colocaram a bomba que matou 85 e feriu 200 na estação de Bolonha, em 1980. Também foram responsáveis nos anos 1960 e 1970 pelas bombas em Piazza Fontana, em Milão, em Piazza della Loggia, em Brescia, e no trem Italicus.

Extremistas de direita alemães fuzilaram em 1922 o ministro das relações exteriores Walter Rathenau. A Guarda de Ferro romena assassinou dois primeiros-ministros – em 1933 e em 1939 – enquanto um simpatizante do Narodowa Demokracja matou o presidente polonês Gabriel Narutowicz, em 1922. A Cruz Flechada húngara, a Ustase crota e o IMRO, da Macedônia, também se envolveram em atentados. Em 1995, Timothy McVeigh explodiu um carro-bomba em Oklahoma City, nos EUA, matando 168 pessoas.

Para Laqueur, que trabalhou no Centro de Estudos Estratégicos, em Washington, o jurista alemão Carl Schmitt foi quem expressou de forma mais sucinta os pensamentos dos extremismo de direita em seus escritos sobre o soldado político. A ética do Sermão da Montanha se aplicaria somente ao inimigo privado, o inimicus, e não ao hostis, o inimigo público. A política, para Schmitt, dizia respeito à distinção entre amigos e inimigos. Sua república iliberal tinha como pressuposto a exclusão e não a igualdade.

“Já se apontaram as semelhanças entre a inspiração subjacente ao terrorismo da direita e da esquerda: a suposição de que os feitos são mais importantes do que as palavras; a crença de que qualquer mudança seria para melhor; o desprezo ao liberalismo e à democracia burguesa e um sentido de missão histórica de uns poucos eleitos”, apontou Laqueur. Em outro livro – The future of terrorism: Isis, Al-Qaeda, and the Alt-Right – , ele escreveu que o terrorismo não é produto de psicoses ou de irracionalidade; na verdade, é uma forma extremamente lógica e razoável de violência política que produz resultados. Ao mesmo tempo, a presença de agressões e do fanatismo eram de longe os principais estímulos ao aparecimento do fenômeno.

A obra de Laqueur pode ajudar a entender como situar historicamente a ação do grupo que orbita a porta do quartel-general do Exército, em Brasília. A prisão do empresário George Washington de Oliveira Sousa mostra que ele e seus comparsas acreditam que a ação é mais importante do que a palavra. Não é o bem comum que se busca, mas o dos poucos que atenderam ao chamado de Jair Bolsonaro. Foi em defesa de um mito que Sousa deixou o Pará em uma picape L200 e rumou com um arsenal para o Distrito Federal.

Ali alugou um apartamento no edifício Saint-Tropez, em Brasília, e escondeu um fuzil calibre 308, duas escopetas calibre 12, três pistolas, dois revólveres, gás, detonadores, cordel e emulsão. Gastou R$ 160 mil. E foi frequentar o acampamento dos “patriotas”. Nas palavras do delegado-geral da Polícia Civil do DF, Robson Cândido, o extremista queria explodir instalações elétricas para provocar falta de energia e dar “início ao caos que levaria à decretação do estado de sítio”. O plano envolvia ainda a bomba no estacionamento do aeroporto. O objetivo final era impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Para membros do futuro governo, não há mais como, após a baderna e o vandalismo na capital, com a tentativa de invasão da sede da Polícia Federal – e, agora, com a preparação de atentados terroristas contra o aeroporto e a rede elétrica, aceitar a manutenção do acampamento em frente ao Forte Apache. Não haveria espaço para a leniência com o esbulho do espaço público para abrigar extremistas que planejam matar, depredar e subverter a ordem pública.

No passado, o poeta Laurent Tailhade teve comportamento semelhante ao comentar a bomba do anarquista Émile Henry, lançada no Café Terminus, na Gare Saint-Lazare, em Paris. “Qu’importe les victimes si le geste est beau.” Que importam as vítimas, se o gesto é bonito. Henry acabou guilhotinado meses depois do atentado, em 1894, que deixou um morto e 20 feridos, o primeiro a produzir vítimas aleatórias na história. Seu rosto no patíbulo despertou a comoção de George Clemenceau, que viu nele a imagem de um “Cristo atormentado”.

No Brasil, os que defendem a legalidade da ocupação da frente dos quartéis são os mesmos que lembram que, em 1966, a Ação Popular explodiu uma bomba no Aeroporto de Guararapes, matando duas pessoas e ferindo outras 14. O alvo era o ministro do Exército, Arthur da Costa e Silva, então candidato à Presidência da República. Naquele tempo, não faltavam agressões, tirania e fanatismo no Brasil. E os atentados se multiplicaram, à direita e à esquerda

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Vândalos não têm lugar na democracia

Publicação compartilhada do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 14 de dezembro de 2022

Vândalos não têm lugar na democracia.

Eis o final do governo Bolsonaro: manifestantes bolsonaristas incendiando ônibus e depredando prédios públicos. Que a lei prevaleça, assim como prevaleceu em todo o processo eleitoral. Editorial do Estadão:

Na sexta-feira passada, o presidente Jair Bolsonaro disse que as manifestações contrárias ao resultado das eleições, alegando supostas fraudes, eram organizadas por “cidadãos de bem” e estavam “de acordo com as nossas leis”. Anteontem, em Brasília, alguns desses “cidadãos de bem”, acampados desde o fim das eleições presidenciais diante do Quartel-General do Exército para pedir que os militares impeçam a posse do vencedor, o petista Lula da Silva, mostraram que a única lei que respeitam é a da selva.

Horas depois da diplomação de Lula da Silva e de seu vice, Geraldo Alckmin, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ato que encerrou o processo eleitoral, os vândalos, a pretexto de protestar contra uma ordem de prisão temporária de um de seus líderes, incendiaram ônibus e carros, depredaram prédios públicos e privados e tentaram invadir a sede da Polícia Federal.

Não há argumento retórico que faça dessa barbárie uma maneira legítima de manifestação. Não faz muito tempo, nos idos do governo da petista Dilma Rousseff, parlamentares que hoje se identificam com o bolsonarismo pugnaram pela aprovação de uma lei que enquadrasse como terroristas os manifestantes que incendiassem veículos e depredassem prédios públicos. O objetivo, claro, era constranger os movimentos sociais. Mas eis que, quando é a extrema direita que reivindica o direito à truculência, os “terroristas” se transformam em “patriotas”.

Não podia acabar em outra coisa um governo que começou sob o signo da divisão e da violência retórica. É quase natural que apoiadores do presidente instaurem o caos na capital do País porque não se conformam nem com o resultado das eleições nem com decisões da Justiça – sejam as que permitiram a candidatura de Lula, sejam as que tolheram o golpismo bolsonarista no processo eleitoral. No caso da prisão contestada pelos baderneiros, a ordem, do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi dada depois de pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) justamente por indícios de crimes contra a democracia. A violência dos manifestantes confirmou o acerto da decisão da Justiça.

Mas os atos de vandalismo em Brasília revelam mais do que o desprezo de bolsonaristas pela lei e pela democracia. Eles evidenciam que a contínua confrontação de Jair Bolsonaro contra o sistema eleitoral e o Judiciário produziu e continua a produzir danos inéditos sobre o País. Antes de Bolsonaro empreender sua campanha contra as urnas eletrônicas, nunca tinha havido nada minimamente parecido em termos de resistência e de violência contra o resultado de uma eleição.

Vale lembrar que, na sexta-feira passada, Jair Bolsonaro voltou a fazer declarações golpistas, instigando apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada. “Quem decide para onde eu vou são vocês. Quem decide para onde as Forças Armadas vão são vocês. Quem decide para onde o Congresso vai são vocês”, disse o presidente, como se estivesse numa anarquia, e não num Estado Democrático de Direito. Os atos de vandalismo em Brasília explicitaram a gravidade das palavras irresponsáveis de Bolsonaro.

Perante um presidente da República que ignora solenemente a Constituição, é possível entender o motivo pelo qual foi dada tanta solenidade ao ato de diplomação da chapa presidencial no TSE. Não eram circunstâncias normais. Não era apenas diplomar os ganhadores das eleições, reconhecendo oficialmente a regularidade e a legitimidade da vitória. Neste ano, por força dos ataques e ameaças praticados contra a democracia, a diplomação representou uma celebração do regime democrático. Foi o reconhecimento de que, apesar de todas as dificuldades, o processo eleitoral funcionou. “Essa diplomação atesta a vitória plena e incontestável da democracia e do Estado de Direito contra os ataques antidemocráticos”, disse o presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes.

A especial solenidade do ato de diplomação foi também um importante alerta em defesa da democracia. As instituições estão atentas e vigilantes. No Estado Democrático de Direito, não há espaço para o golpismo, para a violência ou para a barbárie. Aos que trilham esse caminho, a lei prevê punição – a inelegibilidade é uma delas.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com

sábado, 10 de dezembro de 2022

Bolsonaro reaparece

Legenda da foto: Jair Bolsonaro - (Crédito da foto: Reprodução de vídeo).

Publicado originalmente no site SRZD, em 9 de dezembro de 2022 

Bolsonaro reaparece após derrota do Brasil e acende chama golpista: ‘Nada está perdido’

Por Redação SRzd 

O presidente Jair Bolsonaro (PL) saiu no jardim do Palácio do Planalto, logo após a derrota do Brasil na Copa do Mundo do Catar, nesta sexta-feira (9), e fez discurso para golpistas em frente ao quartel general do Exército em Brasília.

É a primeira vez que ele encontra os manifestantes desde que foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas urnas.

Ao lado do general Braga Netto, seu vice na campanha, disse; “Quem decide meu futuro são vocês. Fiquei quase 40 dias calado. Dói, dói na alma. Nunca vi no mundo o povo ir à rua para um presidente ficar. Só vi o povo ir à rua para tirar presidente. Vamos acreditar. Vamos nos unir e buscar alternativas. Algumas pessoas aqui na frente já perderam e poderão perder mais ainda. Esse é o temor de muitos de vocês. Não podemos esperar chegar lá na frente, olhar pra trás e dizer: o que eu não fiz lá atrás para chegarmos a essa situação de hoje em dia? Nada está perdido. Ponto final somente com a morte. Vamos vencer” 

Assista ao vídeo*

* Clique Link para ver postagem original > https://bit.ly/3Pi1DXX

Texto e imagem reproduzidos do site: srzd.com

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Relatório do PL quer apenas alimentar a esperança das hordas de fanáticos...

Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 23 de novembro de 2022

Relatório do PL quer apenas alimentar a esperança das hordas de fanáticos que cercam os quarteis

A única fraude explícita é no argumento usado para questionar o resultado das urnas. A coletiva do PL é pura cloroquina técnica. Guilherme Macalossi para a Gazeta do Povo:

Valdemar da Costa Neto, esse patrimônio nacional, foi até onde nem o Ministério da Defesa ousou ir para promover a arruaça contra o processo eleitoral. Na tarde da última terça-feira (23) o PL, partido que ele comanda com mão de ferro, fez uma coletiva de imprensa para detalhar a representação que fez ao Tribunal Superior Eleitoral pedindo a invalidação dos resultados de mais de 250 mil urnas usadas no 2º turno das eleições presidenciais. O total corresponde a 59% delas e um montante de votos que pode chegar a 73 milhões. A alegação para tanto é que as urnas dos modelos de 2009, 2010, 2013 e 2015 apresentam falha no log, o que, supostamente, impediria sua devida identificação. O que se tem é uma chicana contestatória.

Um mero cruzamento de dados bastaria para resolver o problema. Os arquivos de log têm outros mecanismos que possibilitam saber qual a origem dos votos e de que urna vieram. Constam também informações como código do município, zona eleitoral e seção eleitoral.

Em entrevista ao site Poder 360, o professor do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da Escola Politécnica da USP, Marcos Simplicio contestou a afirmação de que não é possível aferir a autenticidade dos logs porque eles “não dizem qual o ID da urna correspondente”. Segundo Simplicio, “não é o ID de urna que confere autenticidade ao arquivo de log, mas sim a assinatura digital feita pela urna sobre aquele arquivo de log”.

A única fraude explícita é no argumento usado para questionar o resultado das urnas. A coletiva do PL é pura cloroquina técnica. Requentou informações falsas difundidas na live do influenciar argentino Fernando Cerimedo e adicionou outros elementos de maneira a subsidiar influenciadores que, por sua vez, tratam de traduzir isso em narrativa para um público mais amplo. O procedimento é conhecido e foi usado na pandemia para difundir as teses negacionistas.

A auditoria do PL não faz qualquer consideração sobre o resultado das demais eleições, ainda que as urnas contestadas tenham recebido votos também para os governos estaduais que tiveram disputas de 2º turno. Isso sem mencionar o uso delas também no 1º turno, o que foi lembrado pelo ministro Alexandre de Moraes no despacho em que responde à representação do partido. O questionamento apresentando é exclusivamente sobre a vitória de Lula. É curioso, e também conveniente, que não existam dúvidas sobre a eleição de 99 parlamentares do partido, de seus governadores, senadores ou até de aliados do presidente Bolsonaro em outras agremiações.

Segundo Thais Oyama, do UOL, o presidente vinha ligando todos os dias para Valdemar Costa Neto de modo a fazê-lo tomar medidas judiciais contra a eleição. O tal relatório estava sendo preparado para apresentação apenas em dezembro, mas, aparentemente, o Palácio do Planalto forçou sua antecipação de maneira a engrossar o tensionamento político nas ruas.

Desde que o sistema de votação digital foi implementado, nenhuma entidade fiscalizadora, nem mesmo as Forças Armadas, identificaram elementos que pudessem sustentar uma acusação de fraude. Os patriotas do PL, entretanto, querem ser corregedores da democracia, virando a mesa com base em uma fundamentação esdrúxula para fazer a vontade de Jair Bolsonaro e manter acesa a esperança de quem está pegando chuva fazendo vigília na frente dos quartéis.

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TRÊS COMENTÁRIOS: 

Anônimo disse...

Do bolsonarismo ao boçalismo bastou a apuração dos votos.

quarta-feira, novembro 23, 2022 

Maquiavel Messias disse...

Me lembrei da frase dita por um grande estadista: "Nada não está tão ruim que não possa piorar." Aliás, é muito difícil que alguém considerado "Mito" perca uma reeleição, que ninguém havia perdido antes, para um ex-presidiário.

A trapaça é tão mal feita que Valdemar pede apenas a invalidação dos votos do segundo turno - o que beneficiaria Jair Bolsonaro —, não do primeiro turno, que garantiu ao PL a maior bancada do Congresso. Aí, veio a resposta de Xandão, o terror das tchutchukas do Centrão: ou a demanda inclui os dois turnos, ou nada feito. Espera resposta em 24 horas.

quarta-feira, novembro 23, 2022 

Anônimo disse...

Para a volta do Lula/PT ao governo, só há um responsável: Bolsonaro.

Bolsonaro conseguiu ser mais nefasto do que o Lula. Isso explica porque nas eleições de 2022 muitos optaram "pelo menos pior". Absurdo, mas essa é a desastrosa realidade que, há decadas, vem sendo imposta aos brasileiros.

quarta-feira, novembro 23, 2022 

Artigo, imagem e comentários reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

O silêncio é de ouro

Publicação compartilhada do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 18 de novembro de 2022

O silêncio é de ouro

Bolsonaro completou 17 dias sem compromissos externos desde que perdeu a eleição presidencial. Mais ainda, abandonou a rotina frenética de comunicação. Natália Lázaro para a Crusoé:

Jair Bolsonaro completou, nesta quinta-feira (17), 17 dias sem compromissos externos desde que perdeu a eleição para Lula, do PT. Nesse período, sua agenda oficial registrou quatro audiências com Renato de Lima França, o Subchefe para Assuntos Jurídicos da Presidência, e com Célio Faria Júnior, da Secretaria de Governo. Também ficaram anotadas duas reuniões com o Ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira; com Wagner Rosário, da Controladoria-Geral da União (CGU); e com Bruno Bianco, da Advocacia Geral da União. Além desses auxiliares próximos, ele se encontrou com alguns políticos, como o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP/AL), e o vice-líder do Progressistas no Senado Federal, Luis Carlos Heinze (PP/RS). A reclusão, em parte, pode ser explicada pelo fato de Bolsonaro ter sido acometido por uma erisipela nas pernas. Mais surpreendente é o silêncio do político. Durante o seu mandato, ele produziu polêmicas em sequência, postou incansavelmente nas redes sociais e tornou a live semanal no YouTube um ritual quase sagrado. A interrupção dessa rotina frenética de comunicação, que conduziu o país a diversas crises, mostra como foi duro para Bolsonaro tornar-se o único mandatário a não alcançar a reeleição no período pós-redemocratização. Quem trabalha perto dele, diz que ele tem demonstrado uma certa apatia e que os silêncios se repetem também dentro do Palácio da Alvorada.

Durante o mês de novembro, Bolsonaro falou apenas duas vezes em público. A primeira, 48 horas depois de ter saído o resultado das urnas. Antes de fazer um pronunciamento em que não reconheceu a derrota, ele procurou as Forças Militares e indagou sobre a possibilidade de ir à Justiça contra o resultado. Consultou-se, além disso, com o ministro da Defesa, Paulo Sérgio de Oliveira, com o ministro da Segurança-Pública, Anderson Torres e com o advogado-geral Bruno Bianco. A segunda fala aconteceu no dia seguinte. Nesse momento, caminhoneiros bolsonaristas que protestavam contra a vitória de Lula já fechavam rodovias por todo o país havia quase três dias. Como os piquetes ameaçavam provocar desabastecimento em alguns estados, além de atrapalhar a vida de muita gente, Bolsonaro gravou um vídeo pedindo que eles desbloqueassem as estradas.

Os piquetes de caminhoneiros não foram a única reação ao resultado das eleições. Há quinze dias, eleitores de direita mantém acampamentos em frente aos quartéis das Forças Armadas de diversas cidades. Eles pedem uma intervenção dos militares, que impeça a posse de Lula e mantenha Bolsonaro no poder até a realização de novas eleições, em data incerta. Sobre essas vigílias, o presidente não disse nada.

O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu inquérito e convocou todas as forças policiais para investigar a organização e estrutura dos acampamentos. Já surgiram indícios de que existe uma “organização piramidal” por trás delas. Os cidadãos comuns são convocados por líderes locais, que respondem a organizadores maiores, como grandes empresários, em especial dos do agronegócio. Entre os nomes encontrados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), está Emilio Dalçoquio, empresário de Santa Catarina e amigo pessoal de Bolsonaro.

Para a oposição, no topo da pirâmide há membros do governo fazendo contato discreto com os líderes, trocando informações sobre as mobilizações e estabelecendo regras e limites para os atos. Uma dessas regras seria não mencionar Bolsonaro nas manifestações, com o intuito de blindá-lo. De fato, não são vistas nas ruas faixas ou cartazes com o nome do presidente. Segundo os manifestantes, isso demonstra que o inconformismo não se restringe ao resultado da eleição e está voltado para “o sistema como um todo”.

Também no Palácio do Planalto o assunto da eleição ainda não morreu. Como revelou O Antagonista nesta semana, uma consultoria contratada pelo PL para auditar as urnas produziu um relatório afirmando que modelos mais antigos do equipamento têm uma fragilidade grave, que tornaria inválidos milhões de votos. Seria causa suficiente para anular as eleições. A direção do partido de Bolsonaro diz que o relatório não é válido e que só em dezembro será apresentada a sua versão definitiva. Mas não se pode descartar neste momento a hipótese de que mais uma contestação da votação seja encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) antes do final do ano.

Outras ideias com chances nulas de sucesso têm sido levadas a Bolsonaro, como um novo pedido de impugnação da candidatura de Lula devido às acusações na Lava Jato. Aliados mais sensatos, no entanto, dizem que está na hora de aceitar o resultado das urnas e deixar o país seguir seu rumo. Essa seria a melhor maneira de o presidente manter sua influência nos próximos anos, valendo-se do fato de que sua distância em relação a Lula foi de apenas dois milhões de votos. Bolsonaro, que ajudou o PL a eleger a maior bancada na Câmara, deve receber o cargo de Conselheiro Nacional do partido. Seus gastos seriam bancados pela legenda a partir de 2023, incluindo moradia e advogados.

Dezembro dirá se o presidente vai ser fiel ao seu estilo até o último instante, e buscar mais um confronto, ou se ele vai optar por uma saída discreta. Enquanto isso, o silêncio é de ouro.

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Um Comentário:

Maquiavel Messias disse...

Nada disso importa mais. Bolsonaro acabou, virou passado. E o Mito é o maior culpado pela volta da petralhada, afora o SpTF! Até o Picolé de Chuchu, antes de se tornar petista, disse que esse desgoverno do Mito era um "passaporte para o PT rumo à vitória." Na verdade, Pinguço e Canibal se retroalimentam, isto é, quando um deles desistir ou morrer, o outro não se elege. Enquanto isso, o Brasil que se exploda!

sexta-feira, novembro 18, 2022 

Artigo, imagem e comentário reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com

Silêncio de Bolsonaro surpreende até aliados...

Legenda da foto: Bolsonaro chega para pronunciamento no Planalto, em 1º de novembro; foi uma das últimas aparições públicas do presidente, — (Crédito da foto: REUTERS/Adriano Machado).

Publicado originalmente no site G1 GLOBO, em 18 de novembro de 2022 

Silêncio de Bolsonaro surpreende até aliados, que veem presidente em 'mundo paralelo'

Por Andréia Sadi (blog da Sadi)

Além de quase não sair da residência oficial, chefe do Executivo deixou de falar regularmente via WhatsApp com os assessores, que atribuem postura a preocupação com o futuro parente a Justiça e inconformismo com a derrota nas eleições.

Desde que foi derrotado nas urnas, o presidente Jair Bolsonaro (PL) se recolheu e decidiu falar publicamente apenas após a pressão de aliados – ministros do Centrão e o governador eleito de São Paulo, Tarcisio de Freitas (Republicanos), fazem parte deste grupo.

Após fazer duas declarações curtas – uma, para reconhecer a derrota; outra, para pedir que bolsonaristas parassem de bloquear rodovias –, e participar de um encontro com o Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro voltou para o silêncio.

O presidente tem causado surpresa até no núcleo mais próximo, já que ao longo do mandato Bolsonaro transformou os palácios– principalmente o da Alvorada, residência oficial – em palcos para seus discursos barulhentos e conspiratórios.

Ministros do governo relataram ao blog que Bolsonaro diminuiu significativamente até mesmo as mensagens de WhatsApp – meio de comunicação preferido do presidente – a assessores e aliados.

Nos bastidores, além da dor na perna causada por uma inflamação, o recolhimento de Bolsonaro é atribuído por aliados a um inconformismo por ter perdido e à preocupação crescente com seu futuro e o dos aliados na Justiça.

Como tinha para si que ganharia a eleição, Bolsonaro não se preparou para um mundo sem foro privilegiado e sem poder e, relatam aliados, só se deu conta durante a apuração do domingo do 2º turno de que estaria descoberto juridicamente e politicamente. 

Bolsonaro quer manter viva a ideia de que foi injustiçado, mesmo que em voo solo, já que, nessa tática, foi abandonado por todos os aliados. Até porque, como afirmam, com ela o presidente coloca todas as eleições de bolsonaristas em suspeição, incluindo as de seus filhos, que vão continuar a gozar de foro privilegiado.

Como o blog revelou, na conversa que teve com ministros do STF na semana em que falou pela primeira vez após a derrota, Bolsonaro ouviu que os integrantes da Corte não tinham espírito de retaliação.

Mas Bolsonaro não se convenceu, e teme que a fala valha apenas para o que se sabe sobre possíveis omissões e irregularidades na superfície. Ou seja: Bolsonaro não tem garantias de que não será alvo da Justiça, assim como seus aliados como o ministro da Justiça Anderson Torres, os filhos e os empresários que patrocinaram atos golpistas. 

Ministros do STF consultados pelo blog reiteram que a ideia – revelada pelo blog em agosto – de um pacto de governabilidade entre Congresso, governo eleito, Judiciário e governo derrotado de se aprovar uma espécie de cargo de senador vitalício, o que beneficiaria Bolsonaro, "vai e vem".

Mas, diante da postura combativa e nada republicana de Bolsonaro com o resultado das eleições, líderes do Congresso têm dito ao Palácio do Planalto que não há clima nem ambiente para se aprovar uma tal proposta, e que ela depende de clima de pacificação.

Apoio do PL a Bolsonaro vai ser emprego, não golpismo

Enquanto Bolsonaro não define como atuará publicamente, o presidente ainda busca qualquer medida do PL para tentar impugnar as eleições. O partido tem dito o que Bolsonaro quer ouvir, mas, na prática, está no futuro: em 2023, no governo Lula, com quem o presidente da legenda, Valdemar da Costa Neto, não quer confusão.

Já que não vai entregar o combo golpista a Bolsonaro, o PL pretende entregar não só um conforto, mas um salário, um emprego mesmo, para que o presidente tenha como custear uma nova moradia em Brasília.

O blog apurou junto a fontes da transição de Lula que, até agora, não há nenhuma sinalização nem de Bolsonaro nem do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre a quando o presidente pretende desocupar o Palácio da Alvorada e a Granja do Torto. 

O PL informou ao blog que o partido ainda está procurando uma casa e que Valdemar ficou de conversar com Bolsonaro na semana que vem.

Dois mundos

Na visão de um dos mais próximos auxiliares de Bolsonaro, hoje, existem dois mundos para Bolsonaro. O real, que recebe Lula na COP-27, que tem os presidentes do Estados Unidos, Joe Biden, e da China, Xi Jinping, cumprimentando o presidente eleito em janeiro e que vai vestir a faixa presidencial em janeiro.

E tem o outro, o paralelo, dos "Allan dos Santos, das [Carla] Zambellis... que faz muito barulho dizendo que não vai deixar ninguém subir a rampa [do Planalto] mas que não leva a lugar algum. Talvez, na verdade, os leve para o banco dos réus", como diz ao blog um ministro do governo Bolsonaro.

É nesse segundo mundo, diz o auxiliar, que Bolsonaro parece querer viver.

Texto e imagem reproduzidos do site: g1.globo.com/politica/blog

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Nas sombras, Bolsonaro usa os militares para alimentar o conspiracionismo

Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 16 de novembro de 2022

Nas sombras, Bolsonaro usa os militares para alimentar o conspiracionismo.

O texto do Ministério da Defesa informa que o "acurado trabalho da equipe de técnicos militares" não apontou, mas "também não excluiu a possibilidade de existência de fraude". É um argumento que não para de pé. Guilherme Macalossi para a Gazeta do Povo:

Além de duas breves aparições públicas e de um número limitado de encontros oficiais com membros do governo, Jair Bolsonaro se recolheu desde que viu sepultado o sonho de um segundo mandato. Nos estertores de seu governo, vaga pelos palácios do poder como uma sombra dedicada a alimentar a instabilidade institucional usando sua influência sobre as Forças Armadas para manter sua militância ativa na esperança de que, por um ato discricionário, tropas marchem para invalidar o resultado da eleição.

O relatório do Ministério da Defesa sobre o sistema de votação era aguardado como instrumento derradeiro para justificar uma ação hipotética. Influenciadores se encarregaram de criar o clima entre os militantes, que se juntaram em multidões na frente dos quarteis. As imagens produzidas nos últimos dias foram do constrangedor ao grotesco. Senhoras e senhores claramente desesperados gritando e orando por uma intervenção militar que nos livrasse do comunismo em um verdadeiro muro das lamentações bolsonarista.

Eis que a divulgação do documento assinado pelo General Paulo Sérgio Nogueira pôs abaixo as expectativas. Nenhuma fraude ou irregularidade foi apontada. A consternação dos fanáticos foi suficientemente grande a ponto de o Ministério da Defesa ter de divulgar uma outra nota, daí explicativa, para fazer controle de narrativa e acalmar os ânimos. Como nada foi encontrado, restou divagar usando a insinuação por hipótese para dar margem aos conspiracionistas.

O texto do Ministério da Defesa informa que o "acurado trabalho da equipe de técnicos militares" não apontou, mas "também não excluiu a possibilidade de existência de fraude". É um argumento que não para de pé. Basta mudar o teor da frase para evidenciar o seu primarismo. Exemplo: o acurado trabalho da equipe de técnicos militares não apontou, mas também não excluiu a possibilidade de você ter sido traído. Ou ainda: o acurado trabalho da equipe de técnicos militares não apontou, mas também não excluiu que a Terra seja plana.

Na sexta-feira (11), as Forças Armadas voltaram a se manifestar, dessa vez sobre os grupos pedindo intervenção na frente dos quarteis. Em nota, a instituição se atribuiu um papel moderador que a Constituição não lhe confere, bem como fez uma avaliação jurídica sobre o teor das manifestações que também não é de sua alçada. Essa insistência em se intrometer nos assuntos que são de competência da sociedade civil é resultado da sujeição a que parte de seus integrantes se submetem de maneira a satisfazer os caprichos de um presidente não reeleito que insiste em incendiar o país.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com

Villas Bôas tenta constranger a imprensa

Publicação compartilhada do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 16 de novembro de 2022

Villas Bôas tenta constranger a imprensa

General Villas Bôas pretende constranger a “grande imprensa” a divulgar cada passo de um movimento golpista que ele elogia. Carlos Graieb para a Crusoé:

O ex-comandante do Exército Eduardo Villas Bôas foi às redes para enquadrar os meios de comunicação nesta terça-feira, 15. No feriado que celebra a proclamação da República, ele se utilizou do Twitter, como faz de vez em quando, para reclamar da “indiferença da imprensa” em relação às manifestações que ocorrem em frente a quartéis de diversas cidades, desde o fim das eleições, em 30 de outubro.

“Talvez nossos jornalistas acreditem que ignorando a movimentação de milhões de pessoas elas desaparecerão”, escreveu Villas Bôas. “Não se apercebem eles que ao tentar isolar as manifestações pode estar criando mais um fator de insatisfação. A mídia totalmente controlada pelos países da cortina de ferro não impediu a queda do Muro de Berlim. A história ensina que pessoas que lutam pela liberdade jamais serão vencidas.”

Estou disposto a falar sobre as manifestações, mas desconfio que o general não vai gostar. Meu alcance é modesto. Não sou um canal apto a divulgar as tais vigílias de maneira que elas atraiam milhões de verdade, e não os milhares que têm comparecido. Além disso, não posso ratificar a visão edulcorada que o general apresenta do movimento.

Segundo descobri pelos jornais nesta quarta-feira, até a Jovem Pan, o veículo mais bolsonarista da imprensa brasileira, começou a ser hostilizada pelo público dos quartéis. No feriado, um repórter da emissora tentava cobrir os acontecimentos em frente ao Comando Militar do Sudeste, em São Paulo, quando foi acusado aos gritos de ser mentiroso. Ele dizia que os manifestantes pedem uma intervenção militar, mas foi obrigado a se “corrigir”: eles não desejam que as Forças Armadas assumam o poder, mas sim que impeçam a posse do presidente eleito (num pleito em que elas mesmas não identificaram fraudes) e garantam a permanência de Jair Bolsonaro na presidência até a realização de novas eleições, num dia qualquer do futuro.

Aí está a informação, precisa e direta da fonte. Vejam que a imprensa não está assim tão distraída.

Um número ínfimo de bolsonaristas hiperexcitados quer que as armas dos militares sejam usadas para impedir a transferência de poder de um presidente a outro, no momento previsto pelas leis. É preciso torcer a lógica, os fatos e as palavras para chamar isso de “luta pela liberdade”, como faz Villas Bôas. Não há “luta pela liberdade” quando uma ínfima minoria quer impor sua vontade na marra a 98 milhões de eleitores que não escolheram Bolsonaro. O nome correto disso é golpe de Estado. Ainda que os 58 milhões de eleitores de Bolsonaro decidissem ir às ruas, a conclusão seria a mesma.

O general Villas Bôas acredita há tempos que a participação dos militares no debate público deve ser naturalizada. Segundo ele, o fato de controlarem tanques e jatos de guerra não deve impedir os comandantes das Forças Armadas de se imiscuir na política quando acharem oportuno.

O problema dessa “doutrina” não está apenas no fato de países com tradição democrática muito mais consolidada que o Brasil jamais a terem adotado. O problema é também que o debate público pressupõe igualdade entre os participantes, ao passo que os militares brasileiros se enxergam como uma entidade “moderadora”, pairando acima dos cidadãos comuns. Vem daí o tom vagamente ameaçador de notas e mensagens públicas que os militares têm divulgado nos últimos meses. O tom do tuíte em que o general Villas Bôas pretende constranger a “grande imprensa” a divulgar cada passo de um movimento golpista que ele elogia.

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PS: Um Poder Moderador só existiu no Brasil durante a vigência da Constituição de 1824. Ele era atribuído ao imperador. Os militares tiveram papel central na proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, e também na promulgação da primeira constituição republicana, em 1891. Cinquenta e cinco integrantes das Forças Armadas participaram da elaboração da carta, que não traz menção nenhuma ao poder moderador, nem muito menos o atribui aos fardados. Na nota que divulgaram na semana passada, os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica mencionaram os “valores e tradições” das Forças Armadas, “sempre presentes e moderadoras nos mais importantes momentos de nossa história”. A tradição de que eles falaram certamente não é aquela dos que fundaram a República.

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UM COMENTÁRIO: 

Maquiavel Messias disse...

Decorridos 133 anos da proclamação da República, a história tem o mau gosto de se repetir — só que com os sinais trocados. A diferença é que, agora, militares como Villas Bôas não querem depor, mas coroar um imperador.

quarta-feira, novembro 16, 2022 

Texto, imagem e comentário reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Bolsonaro tentou cooptar os militares para seu projeto político - e fracassou

Publicação compartilhada do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 13 de novembro de 2022

Bolsonaro tentou cooptar os militares para seu projeto político - e fracassou

Bolsonaro fez mal às Forças Armadas, tentando transformá-las de instituição de Estado em instituição de governo. Diogo Schelp para a Gazeta do Povo:

A nota conjunta dos comandantes das Forças Armadas, divulgada no último dia 11, motivou interpretações díspares de observadores do processo político brasileiro e de especialistas na caserna. Direcionada "às Instituições e ao Povo Brasileiro", a nota foi vista por uns como um recado duro ao Judiciário, mais precisamente ao ministro do STF Alexandre de Moraes, por decisões contrárias ao manifestantes que bloquearam estradas e estão nas portas de quartéis pedindo um golpe aos militares (reivindicação escamoteada sob a figura jurídica da "intervenção federal", que está na Constituição para outros fins, não para reverter resultados eleitorais); e por outros como um atestado da postura legalista dos atuais comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

É um pouco dos dois. Mas o mais relevante é que a nota enterra de vez qualquer esperança que alguns poderiam ter de que as Forças Armadas pudessem entrar em alguma aventura para desrespeitar o resultado das urnas e dar suporte ao presidente Jair Bolsonaro em um auto-golpe.

"A solução a possíveis controvérsias no seio da sociedade deve valer-se dos instrumentos legais do estado democrático de direito", afirma um dos trechos da nota, depois de exigir respeito ao direito da população de se manifestar. Ou seja, as pessoas que ficaram insatisfeitas com a vitória de Lula nas eleições podem até pedir aos militares que façam alguma coisa para impedir que o petista chegue ao poder, mas não vão conseguir nada com isso. Os comandantes das Forças Armadas não estão dispostos a atuar fora das suas atribuições constitucionais, primando pela "Legalidade, Legitimidade e Estabilidade" e transmitindo aos "subordinados serenidade".

Nas entrelinhas da nota fica claro que os chefes das Forças Armadas apreciam que a instituição seja vista por uma parcela da população (os manifestantes pró-Bolsonaro) como uma tábua de salvação para a pátria. Apreciam a deferência, mas param por aí. Entendem as consequências de promover uma ruptura institucional, da forma como é exigida pelos manifestantes.

Uma nota como essa é algo fora do comum para uma democracia. Nesse sistema político, os militares representam uma instituição de Estado, e apenas cumprem as determinações, dentro de suas atribuições constitucionais, que são dadas pelo Poder Executivo. Não é normal que os comandantes militares se posicionem em uma controvérsia política, como são, por exemplo, as decisões judiciais que censuram críticos do processo político ou que procuram coibir as manifestações de cunho golpista.

Um posicionamento desse tipo se tornou possível porque os militares ganharam, nos últimos anos, um protagonismo político que não tinham desde o fim da ditadura militar. Esse protagonismo foi resultado da tentativa de Jair Bolsonaro de cooptar as Forças Armadas para o seu projeto de poder.

O presidente começou a cooptação dando cargos aos fardados. No governo Bolsonaro, o número de militares em cargos civis, por indicação política, mais do que dobrou. Depois, começou uma estratégia de associação imediata entre o seu governo e as Forças Armadas, tentando borrar as linhas que separam a política da caserna. Um exemplo: ele chamava o Exército Brasileiro de "meu Exército" e ameaçava usá-lo para impedir governadores de impor medidas restritivas contra a pandemia.

O momento crítico, em que o Exército balançou, deixando a política contaminar suas fileiras em prol de um projeto político específico, foi quando seu comando deixou de punir o então ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello por ter participado de um ato político em favor de Jair Bolsonaro. Pazuello, como general da ativa, havia violado um regramento disciplinar que proíbe esse tipo de participação. Mas o Exército deixou para lá.

Depois de episódios como esse, em que o comando do Exército sinalizou leniência com as tentativas de cooptação política por parte de Bolsonaro, a nota da semana passada pode ser até considerada positiva, servindo de alento para quem espera que as Forças Armadas voltem a serem respeitadas por suas atuações dentro das quatro linhas da Constituição, e não como um instrumento político — como ocorreu nas tentativas de Bolsonaro de usar os militares para atestar que houve fraude nas eleições deste ano.

É dessa forma, respeitando o resultado das urnas, recusando-se a atuar contra a vontade da maioria da população (ainda que por uma margem apertada, e gostando-se ou não do vitorioso) e atuando estritamente dentro das suas atribuições constitucionais, que as Forças Armadas irão recuperar a sua imagem arranhada junto ao povo.

Sim, há uma imagem a ser recuperada. Pesquisa PoderData realizada no ano passado mostrou que a proporção dos brasileiros que considerava a atuação das Forças Armadas ruim ou péssima havia aumentado de 18% para 29% em poucos meses. Pesquisa XP/Ipespe, por sua vez, mostrou que o nível de confiança dos brasileiros nos militares havia caído de 70% para 58%.

Bolsonaro fez mal às Forças Armadas, tentando transformá-las de instituição de Estado em instituição de governo. Mas fracassou.

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UM COMENTÁRIO:

Anônimo disse...

A nossa sorte foi que o Capetao não conseguiu cooptar os generais de quatro estrelas, então passou a dar poder a militares de baixa patente e generais da reserva no Planalto, que enfiaram os pés pelas mãos, como Pazuello etc!

segunda-feira, novembro 14, 2022 

Artigo, imagem e comentário reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com