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quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Democracia sob ameaça: minoria insiste em tentativa de melar as eleições

Publicação compartilhada do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 8 de novembro de 2022

Democracia sob ameaça: minoria insiste em tentativa de melar as eleições.

Coluna de Merval Pereira para O Globo:

A democracia brasileira vive seu mais longo período de existência contínua, de apenas 34 anos, está sob ataque, mas resiste. Para tanto, está sendo preciso utilizar a força da lei no seu limite, para que os que querem feri-la de morte não encontrem ambiente propício a seus avanços. Nesse período eleitoral, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que inexiste na maioria dos países e era tido como mais uma das jabuticabas de nossa legislação, mostrou-se essencial para o controle dos antidemocratas que, vencidos nas urnas, tentam ainda tumultuar o país depois do jogo jogado.

Tivemos sorte de que tenha caído nas mãos do ministro Alexandre de Morais o rodízio da presidência do TSE no exato período da eleição presidencial. Moraes forçou os limites da legislação eleitoral, mas sem isso a eleição poderia ter descambado para a desordem por meio do incitamento pelas redes sociais dos radicais, que se transformaram em instrumento político da extrema direita não apenas no Brasil, mas no mundo.

Foi preciso ser duro não poucas vezes, foram questionáveis algumas de suas decisões, mas sempre mostraram-se acertadas. Exatamente o que aconteceu no início do combate às fake news e aos ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão do então presidente do Supremo, Dias Toffoli, de entregar diretamente a Moraes a coordenação dos inquéritos foi a escolha certa por linhas tortas, erro depois corrigido com a entrada da Procuradoria-Geral da República na investigação.

Esse, aliás, é exemplo claro do que poderia acontecer se o procurador-geral Augusto Aras estivesse desde o início nesse processo de combate às fake news. Do jeito como tem se mostrado leniente em relação ao Palácio do Planalto, as investigações não andariam. Elas revelaram um esquema de financiamentos de atos antidemocráticos que, se não tivessem sido coibidos, poderiam ter ido mais longe, culminando com o bloqueio das rodovias do país contra o resultado da eleição presidencial.

Impressionante como a minoria da minoria continua insistindo em tentar melar as eleições. O nível de fake news distribuída pelos novos meios de comunicação digital é impressionante. Não param de enviar mensagens mentirosas e ainda reclamam quando o TSE manda parar, manda tirar do ar. Não é censura, mas a única maneira de controlar esses irresponsáveis. O mais preocupante é que pessoas qualificadas, educadas, que têm história, como o ex-secretário da Receita Federal Marcos Cintra, entrem nessa histeria.

Uma coisa é correta: é possível reclamar das urnas, desde que haja uma razão técnica para tal reclamação. Mas ele coloca dúvidas absurdas, como “não acredito que Bolsonaro possa ter tido zero voto em algumas seções”. Por que não acredita ? Com base em quê? O contrário também aconteceu. Houve 147 seções no Brasil em que ou Lula ou Bolsonaro tiveram 100% dos votos. Por que não reclama disso também? Porque não tem sentido a reclamação.

O prosseguimento, por uma minoria, da tentativa de criar fatos que tumultuem a transição será superado, como foram os bloqueios das estradas, mas é sinal de que temos um tipo de eleitor, um tipo de cidadão, que não convive com a democracia e quer tumultuar o processo eleitoral. Essa é uma situação para a qual temos de ficar atentos, e devemos tentar de todos os meios possíveis, dentro da lei, bloquear esses militantes, porque só fazem mal ao país.

Agora é oposição e situação, e vamos em frente. Democracia é assim mesmo. Não é surpreendente, num ambiente de tensão política alimentada pelo próprio presidente da República, que ainda existam pessoas empenhadas em espalhar boatos para tumultuar. Agora mesmo estão levando a Elon Musk, o novo proprietário do Twitter, reclamações sobre suposta censura no Brasil.

Musk, eleitor do Partido Republicano nos Estados Unidos, quer fazer de seu novo brinquedo um instrumento de ação política. A ação global da direita extremista tem nos novos meios digitais sua maior arma, e é previsível que a nova administração do aplicativo tenha um embate com as autoridades reguladoras no Brasil.

Será preciso que as instituições estejam atentas e fortalecidas para que não se transformem numa arma letal contra a democracia, o que já ocorre até nos Estados Unidos, onde, segundo o presidente Joe Biden, ela já está ameaçada. Especialmente a democracia brasileira, tão recente e já submetida a ataques incessantes nos últimos anos.

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UM COMENTÁRIO:

Anônimo disse...

E para esta fatídica quarta-feira, nosso glorioso Ministério da Defesa para Questões Eleitorais vai anunciar seu relatório sobre as urnas. A tal comissão criada para fazer um auditoria nas eleições não vai apontar fraude nenhuma, é claro, porque fraude inexiste. Mas é evidente que também não vai endossar inteiramente o sistema. Podem apostar dinheiro: os militares vão lançar alguma dúvida, ainda que em tese e ainda que estúpida, para fazer a vontade do "capetão" e para alimentar por mais algum tempo os delírios dos lunáticos que estão por aí a pregar golpe de Estado. Que sentido faz anunciar no dia 7 o relatório a ser divulgado no dia 9? Então já se sabia na segunda o que se vai divulgar na quarta? Torço muito para estar errado!

terça-feira, novembro 08, 2022 12:24:00 PM

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com

Vizinhos do 28BC relatam incômodo e ‘discursos que assustam’, em Aracaju/SE.


Créditos das fotos: Reprodução/Twitter

Publicação compartilhada do site AJU NEWS, de 9 de novembro de 2022

Vizinhos do 28BC relatam incômodo e ‘discursos que assustam’; manifestantes fazem ato há 8 dias

Por Dhenef Andrade      

Vizinhança próxima ao 28 Batalhão de Caçadores (28 BC), na Zona Norte de Aracaju, reclama das manifestações que um grupo de bolsonaristas inconformados com o resultado das urnas promove há mais de sete dias.

Desde o fim das eleições que conduziram o petista Lula a um terceiro mandato inédito, pessoas acampam apoiadas por uma estrutura que conta com banheiros químicos e barracas, por exemplo.

Uma das moradoras da região reclama que acionou a Polícia Militar (PM) de Sergipe, mas que não houve sucesso na dispersão dos manifestantes. Além do sossego perturbado, ela alega que o trânsito também está prejudicado.

“Tocam vários hinos militares repetidamente durante o dia e abrem o microfone pra quem quiser falar, muitas vezes com discursos que assustam muito a vizinhança. Está insuportável, tá impossível ter sossego, estudar e trabalhar”, escreveu a moradora em uma rede social.

Outras denúncias foram relatadas por demais vizinhos insatisfeitos com a manifestação. Em vídeo que viralizou nas redes, nesta terça-feira (8), um grupo de civis marcha na rua paralela à Praça Quitéria, local de concentração dos manifestantes.

Clique no Link para ver vídeo: https://bit.ly/3NYrgwr

Texto e imagem reproduzidos do site: ajunews.com.br

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

O esperneio dos arruaceiros

Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 2 de novembro de 2022

O esperneio dos arruaceiros

Bolsonaro enfim se pronuncia sobre a eleição – para se queixar de ‘injustiça’ e justificar a baderna de bolsonaristas. Editorial do Estadão:

O presidente Jair Bolsonaro afinal se pronunciou, ontem, sobre as eleições em que perdeu para o petista Lula da Silva, no domingo passado. Fiel a seu espírito antidemocrático, não cumprimentou o vencedor. Ao contrário, sugeriu que foi derrotado pelo que chamou de “sistema”, que teria reservado a ele um tratamento “injusto”. Em outras palavras, não reconheceu a lisura do processo eleitoral – como, aliás, fez durante toda a campanha, sem apresentar provas.

Pior: com isso, justificou a baderna dos bolsonaristas golpistas que resolveram trancar estradas desde domingo para protestar contra a vitória de Lula. Segundo Bolsonaro, esses arruaceiros estão movidos por um “sentimento de indignação” – e se limitou a dizer que “os nossos métodos não podem ser os da esquerda, que sempre prejudicaram a população”. Não houve nenhum apelo explícito para que a baderna cessasse.

Esse pronunciamento tardio nem era necessário, pois a legitimidade da vitória de Lula não dependia da aceitação formal do presidente. E, a bem da verdade, Bolsonaro já havia se pronunciado sobre o resultado da eleição – não por meio de palavras, mas por intermédio desses camisas pardas que, com a omissão da Polícia Rodoviária Federal (PRF), devidamente cooptada pelo bolsonarismo, resolveram infernizar a vida dos brasileiros para manifestar sua insatisfação com a derrota de seu líder.

Essa crise foi diligentemente construída ao longo dos últimos quatro anos. Enquanto se dizia um herói da liberdade e da Constituição, farsa que só tapeou quem se deixou tapear, Bolsonaro disseminou um discurso golpista segundo o qual a sua derrota só poderia ter como causa um complô do tal “sistema” – isto é, as instituições que fizeram prevalecer a lei contra seu golpismo. Disso adveio a desqualificação da imprensa profissional e independente, das instituições republicanas e do sistema eleitoral. Aí estão as consequências.

Mas o País, a despeito de Bolsonaro, continua a ser um Estado Democrático de Direito, razão pela qual é absolutamente inaceitável que a PRF não tenha agido com o devido rigor para impedir que essa súcia de bolsonaristas bloqueasse estradas Brasil afora. Todos os responsáveis por esse levante contra a vontade da maioria dos eleitores declarada nas urnas devem ser severamente punidos na forma da lei, a começar pelo diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, apoiador declarado do presidente da República e, no mínimo, negligente em relação aos delinquentes.

Eis o grau de absurdo da situação: o Supremo Tribunal Federal (STF) teve de ser acionado para autorizar que as Polícias Militares nos Estados cumprissem a lei e liberassem as estradas, diante do que o ministro Alexandre de Moraes classificou, corretamente, como “omissão e inércia” da PRF.

Os bolsonaristas vivem a se queixar do suposto “ativismo” do Poder Judiciário, mas o STF só foi chamado para intervir na questão dos caminhoneiros porque o Poder Executivo se omitiu e porque o diretor-geral da PRF se comporta como chefe de uma milícia a serviço de Bolsonaro, e não como chefe de uma instituição armada do Estado brasileiro.

Por fim, mas não menos importante, o procurador-geral da República, Augusto Aras, inerte diante das flagrantes violações da ordem jurídica e dos direitos e garantias fundamentais ao longo do trevoso período bolsonarista, só agiu contra os baderneiros depois de notificado pelo STF, comprovando sua inaceitável subserviência ao presidente.

Felizmente, ao que parece, noves fora a pirraça de Bolsonaro e a baderna dos bolsonaristas, a transição seguirá seu curso. Logo depois do brevíssimo pronunciamento de Bolsonaro, o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, anunciou aos jornalistas que já havia começado as tratativas com a equipe do “presidente” (palavras dele) Lula. Desde domingo, aliás, vários outros políticos ligados ao atual presidente já tratam explicitamente o futuro governo como uma realidade. Ou seja, enquanto Bolsonaro e seus camisas pardas esperneiam contra “injustiças” delirantes, a transferência de poder, para quem interessa, já começou.

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2 COMENTÁRIOS:

Maquiavel Messias disse...

Traduzindo-se do "bolsonarês" para o português, o que Bolsonaro quis dizer na primeira frase do seu discurso pós-derrota é que ele não xinga quem preferiu votar em Lula para não ser antipático. Mas dá uma banana para os 60 milhões de eleitores que o privaram de desfrutar por mais 4 anos de todos os sacrifícios que o dinheiro —do contribuinte— pode comprar.

quarta-feira, novembro 02, 2022 

AHT disse...

Já é um absurdo inexplicável quando cidadãos se reunem para clamar por intervenção militar. Se não bastasse, também cometem crime ao saudar o nazismo. Isso ocorreu hoje, em São Miguel do Oeste - SC.

É evidente, esses grupos não desejam Democracia. Desejam outra coisa que somente Freud conseguiria explicar.

quarta-feira, novembro 02, 2022 

Texto, imagem e comentários reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com

“Problema surgiu quando aceitamos manobra que anulou condenação de Lula”

Publicação compartilhada do site CNN BRASIL, de 2 de novembro de 2022 

“Problema surgiu quando aceitamos manobra que anulou condenação de Lula”, diz Mourão

O vice-presidente disse que é preciso ter "altivez" e reconhecer a derrota na disputa presidencial

Da CNN

O vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos), eleito senador pelo Rio Grande do Sul, afirmou nesta quarta-feira (2) que um eventual golpe de Estado promovido pelas Forças Armadas colocaria o Brasil em uma “situação difícil” diante da comunidade internacional.

No Twitter, Mourão disse que a indignação dos manifestantes que protestam contra a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no pleito presidencial é legítima, mas que os atos precisam ocorrer de maneira pacífica. Para o vice-presidente, o problema foi o Brasil aceitar a anulação das condenações do petista, em março de 2021.

“Brasileiros, há hoje um sentimento de frustração, mas o problema surgiu quando aceitamos passivamente a escandalosa manobra jurídica que, sob um argumento pífio e decorridos 5 anos, anulou os processos e consequentes condenações do Lula”, disse.

“Agora querem que as Forças Armadas deem um golpe e coloquem o país numa situação difícil perante a comunidade internacional”, completou.

Mourão defendeu a divulgação de um manifesto em defesa de protestos pacíficos e que reafirme a capacidade da direita brasileira em barrar pautas “puramente esquerdistas” no Congresso. Segundo o vice-presidente, é possível “retornar muito mais forte em 2026”.

“Na derrota temos que ter altivez e sermos desafiadores”, disse Mourão, em referência à frase do ex-primeiro ministro britânico Winston Churchill.

Mais cedo nesta quarta, Mourão afirmou que “não há mais o que reclamar”: “Perdemos o jogo”.

*Publicado por Renan Porto

Texto e imagem reproduzidos do site: cnnbrasil.com.br

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Bloqueios em rodovias contra resultado das urnas...

Legenda da foto: Rodovia Castello Branco bloqueada na altura de Osasco, na manhã desta terça-feira (1º) — (Crédito da foto: Reprodução/TV Globo

Publicado originalmente no site G1 GLOBO, em 1 de novembro de 2022

Bloqueios em rodovias contra resultado das urnas entram no 2º dia; governadores mandam PM liberar vias

Atos com interdições começaram horas após o anúncio da vitória de Lula (PT); g1 apurou que foram mais de 400 bloqueios nesta terça. STF formou maioria para determinar que polícias ajam para desbloquear estradas, mas protestos continuam.

Por g1

Os bloqueios em rodovias por bolsonaristas que protestam contra o resultados das urnas na votação de domingo (30) para a Presidência da República entraram no segundo dia nesta terça-feira (1º). Após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), governadores começaram a mandar a PM agir para liberar as vias (leia mais abaixo).

Balanço da Polícia Rodoviária Federal (PRF) desta manhã indicava 271 pontos com vias federais obstruídas. Segundo o g1 apurou, por volta de 11h40 havia mais de 460 bloqueios, somando rodovias federais e estaduais, em 22 estados e no Distrito Federal.

A PM chegou a usar bomba de gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes, como ocorreu em Novo Hamburgo, na região metropolitana de Porto Alegre. No Rio Grande do Norte, houve uso de spray de pimenta. Em Campo Grande, a Tropa de Choque da PRF usou balas de borracha e bombas de efeito moral para dispersar protesto...

Trecho de notícia reproduzida do site: g1.globo.com

Atos bolsonaristas em frente a quartéis do Exército

Legenda da foto: Bandeira de Israel em ato de bolsonaristas em Juiz de Fora — (Crédito da foto: Fellype Alberto/g1

Publicado originalmente no site G1 GLOBO, de 2 de novembro de 2022

Atos bolsonaristas em frente a quartéis do Exército acontecem em todo o país

Os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) pedem intervenção militar, o que é inconstitucional, e "intervenção federal com Bolsonaro no poder".

Bolsonaristas contrários ao resultado da eleição presidencial realizam atos em frente a bases do Exército nesta quarta-feira (2), em pelo menos 24 estados e o Distrito Federal.

Os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) pedem intervenção militar, o que é inconstitucional, e "intervenção federal com Bolsonaro no poder". Nos estados onde foram registrados atos, a polícia segue acompanhando e, até o momento, não há registros de confusões.

Em Santa Catarina, o Grupo de Apoio ao Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) apura um vídeo em que bolsonaristas aparecem repetindo um gesto semelhante à saudação nazista "Sieg Heil", uma espécie de reverência, enquanto todos cantam o Hino Nacional...

Trecho de notícia reproduzida do site: g1.globo.com

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Bem vinda de volta, sua majestade a Democracia

Crédito da foto: Divulgação/Ricardo Stuckert

Coluna compartilhada do site METRÓPOLE, de 1 de novembro de 2022

Ricardo Noblat Perfil 

Só Lula 

Por Tânia Fusco

Só Lula, seu carisma e sua história teriam força e prestígio para trazer para um centro comum gente de polos opostos

De Guga Noblat

Lula não venceu – nem venceria – sozinho. Mas só ele seria capaz da façanha de reunir frente plural e real a favor da democracia no sentido mais amplo e precioso do termo. A vitória – apertada em números e gigante em significados – ensina, até pra incrédulos, que, à beira do abismo, nada é irreconciliável.

Depois de tanto sufoco, deu bom nas urnas. Bem vinda de volta, sua majestade a Democracia.

Ganhou o Brasil dos brasileiros que compreenderam a ameaça de um segundo governo dos que pretendiam refazer o país segundo sua cartilha de costumes antagônicos aos bons costumes – de respeito às leis e às diversidades todas e, principalmente, de intolerância a distancia social que permite a uns poucos comer à vontade, dormir em cama boa, trabalhar e descansar, estudar e aprender, pensar e sonhar com futuro, enquanto, nas calçadas da sua vizinhança, milhares catam descartes de ossos para aplacar um pouco da fome diária, cotidiana, renitente.

Em 20 anos o Brasil viu envelhecer, morrer, ser sufocada, desmilinguir-se ou desfazer-se grandes lideranças da política nacional. Sem substitutos. Entre outras vitórias, a campanha de Lula tem também o mérito de revelar sangue novo no fundamental cenário da política nacional – Simone Tebet é a mais evidente dessas revelações.

Mais do que menção como uma revelação, Simone merece reconhecimento pelo seu corajoso timing de, derrotada nas urnas, dizer a que veio. Ao fim do primeiro turno, foi clara e contundente: “Eu tenho lado”. Respeitosamente, demarcou tempo de decisão ao seu partido – 48 horas. Não deixou dúvida. Com ou sem seu PMDB, faria parte da Frente de luta contra um ameaçador obscurantismo nunca vivido no país.

Simone entrou pequena e desconhecida no processo eleitoral deste 2022, sai grande, conhecida e respeitada. Participando ou não do governo Lula – e será um desperdício não incluí-la -, está posta como forte nova liderança – feminina e pra além disso – da política nacional.

Hora de tirar o chapéu também pro Geraldo Alckmin e pra Marina Silva. Geraldo tem histórico de respeito e lealdade aos seus pares, como fez com Mario Covas, por exemplo. Mostrou-se parça, resistente até aos narizes tortos das internas do PT, que não foram poucos. Discreto, o futuro morador do Palácio Jaburu, foi relevante na construção da vitória, será também na construção da governabilidade para Lula.

Marina, diferente de Ciro Gomes, deixando rancores de lado, não fez figuração, mas participação efetiva na campanha da Frente-Lula. Retoma seu lugar de respeitosa e venerável figura da esquerda brasileira, fiadora das causas de proteção e boa convivência com a natureza do planeta, que vão para além da defesa do meio ambiente.

Visíveis ou invisíveis, linha de frente ou suporte, a campanha vencedora de Lula foi construída por muitos, tijolo a tijolo, contra a SS nazi do Jair – agressiva, violenta, sem pudores nem limites de grana e de ética. Foi guerra. Como os bons comandantes, Lula cresce na adversidade.

Sobreviventes do terra arrasada promovida na política brasileira pela Lavajato e seus demônios, Lula e seus apoiadores marcaram nesta campanha a importância da luta política no campo democrático.

Política não é religião de prática cega. Política é exercício de achar convergências entre divergentes. Convergências de propósitos e de princípios. Se nem sempre é assim, não significa que não deva ser assim. Sem idealização, a Frente que elegeu Lula foi assim. Juntou brasileiros e seus votos na convergência de propósitos e princípios.

Só Lula, seu carisma e sua história teriam força e prestígio para, com os tais princípios e propósitos, trazer para um centro comum gente de polos opostos. Adversários não são inimigos. Assim, em determinados momentos e circunstâncias históricas, devem estar juntos. Sempre dá certo.

“A política se baseia no fato da pluralidade humana. Deus criou o homem, mas os homens são um produto humano, terreno, um produto da natureza humana”. A definição é de Hannah Arendt, na abertura de um ensaio sobre “O que é a política”. (Passeia sobre diferenças que marcam religião, filosofia, teologia, biologia, zoologia e, claro, política. Leitura boa para os dias de hoje).

Suportando trancos, superando barrancos, o bom senso venceu a eleição mais importante da História da República brasileira. Não é pouco, não foi fácil. O país – ufa! – deve retomar o caminho de consolidar a paz e a democracia – desde 2014, tão atropeladas.

Fazendo política, na seara da política, começamos a refazer o caminho quase desandado da via democrática. Só a via política é capaz de expor coragem, corretas condutas, e revelar lideranças políticas. Simone Tebet, de voz firme e pensamento claro, hoje, espelha isso.

Lula credita a vitória ao povo brasileiro. Promete trabalhar, sem pausas, para levar comida aos pratos dos milhares de brasileiros famintos. Lula conhece de muito perto a indignidade da fome. Passou por ela.

Depois de reunir tantos, de superar barbaridades na sua vida pessoal, de driblar e derrotar demônios, em seu terceiro governo, se só conseguir reduzir a fome e encurtar (um pouco) nossas tenebrosas distâncias sociais, já valeu a luta, o choro, o sufoco. Vencemos!

Ensaios de Golpe.

Sobre caminhoneiros e a chefia da PRF. Dá um Google. Nos idos de 1955/56, milicos rebelados e seus comparsas de sempre fizeram um-de-tudo para impedir a posse de JK. O legalista General Lott, na autoridade moral, prendeu, botou pra correr e desmontou o golpe. Será Xandão o Lott de agora?

Tânia Fusco é jornalista

Texto e imagem reproduzidos do site metropolis.com.br

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Lula tem o dever de arrefecer os ânimos

Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 31 de outubro de 2022

Lula tem o dever de arrefecer os ânimos

Vitória do petista está longe de representar uma solução. Trata-se de um novo desafio, a exigir vigilância e participação democrática. Oposição responsável é imprescindível. Editorial do Estadão:

Jair Bolsonaro é o primeiro presidente da República que, tendo disputado a reeleição, não foi reconduzido ao cargo. A maioria do eleitorado rejeitou neste domingo um governo que se mostrou, desde o primeiro momento, conflituoso, desumano e assustadoramente destrutivo. Eleito em 2018 sob a bandeira do antipetismo e do combate à corrupção, Jair Bolsonaro mostrou-se incapaz não apenas de cumprir minimamente um programa de governo, mas de se portar como presidente da República em suas mais básicas exigências legais e cívicas.

Se é um imenso alívio pensar que o Brasil não terá, pelos próximos quatro anos, Jair Bolsonaro na Presidência da República, é preciso reconhecer que o resultado das eleições deste domingo está longe de desanuviar o horizonte nacional. Em primeiro lugar, o próximo governo de Luiz Inácio Lula da Silva é ainda uma imensa incógnita. A campanha eleitoral foi toda baseada em desqualificar o adversário. Mesmo os mais fiéis apoiadores petistas não sabem como será o novo governo do PT.

Em segundo lugar, a derrota de Jair Bolsonaro nas urnas não significa que o bolsonarismo acabou. Se essa campanha eleitoral serviu para algo, foi para mostrar como a mensagem de Bolsonaro continua tendo ressonância em muitos corações. Há parcela relevante da população que, por diferentes motivos, vê Jair Bolsonaro – o omisso na pandemia, o desprovido de programa de governo, o arruaceiro das eleições, o comprador de votos – como solução para o País.

A partir de janeiro de 2023, Jair Bolsonaro não estará na Presidência da República, mas o País continuará tendo de lidar com ele e seus apoiadores. Entre outros aspectos, isso traz enormes desafios para o debate público e para a composição de uma efetiva e responsável oposição ao PT, que será mais necessária do que nunca.

Depois de quatro anos de Jair Bolsonaro e de uma virulenta campanha eleitoral, o País precisa urgentemente de união e pacificação. Lula da Silva tem o dever de arrefecer os ânimos, de respeitar os vencidos e, sobretudo, de transmitir confiança a todos os brasileiros. Se há alguma dose de responsabilidade no PT, agora é a hora de mostrar ao País que os temores levantados por Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral – a respeito, por exemplo, de liberdade religiosa e de imprensa, de responsabilidade fiscal, de respeito aos reais interesses e valores das famílias, de proximidade com regimes autoritários – eram mentirosos.

A tarefa de pacificação nacional não começa no dia 1.º de janeiro de 2023. Começou domingo à noite. Esse dever inclui palavras respeitosas e serenas, mas envolve, sobretudo, ações. Muito da tão necessária paz virá quando o País souber qual será o plano de governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Ou seja, são necessários gestos e palavras, mas, sobretudo, é essencial responsabilidade, uma efetiva responsabilidade com o País.

Depois de seu partido ter se envolvido nos maiores escândalos de corrupção da história recente nacional, Lula da Silva – este é o grande resultado do governo Bolsonaro – ganhou um novo mandato. Não há dúvida de que essa constatação desperta imediato desânimo, como se o País se mostrasse incapaz de andar para a frente, enredado nas mesmas questões e nos mesmos nomes do passado. Eis o paradoxo das eleições de 2022: para resolver os problemas nacionais, o eleitor elegeu aquele que é um dos grandes artífices da atual crise social, política, econômica e moral.

A vitória de Lula está longe de representar uma solução para o País. Trata-se, na verdade, de um novo desafio, a exigir especial vigilância e renovada participação democrática. O PT tem um histórico marcadamente antirrepublicano, com aparelhamento político-ideológico da máquina estatal, conivência – para dizer o mínimo – com práticas de corrupção e negacionismo na condução de suas políticas públicas. Nesse cenário, a oposição responsável e democrática tem um importantíssimo papel a cumprir. E não nos enganemos: o bolsonarismo é incapaz de fazer isso. É preciso urgentemente um centro democrático e responsável.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com

sábado, 29 de outubro de 2022

Lula, Alckmin, Tebet e uma Frente Ampla para soerguer o Brasil

Legenda da foto: Imagem postada pelo blog 'Ideias e Lideranças' para simples ilustração do presente artigo

Texto publicado originalmente no site INFONET, em 28 de outubro de 2022

Lula, Alckmin, Tebet e uma Frente Ampla para soerguer o Brasil

Por Cláudio Nunes (blog infonet)

 No próximo domingo, 30, o titular deste espaço vai votar com uma certeza: o voto não será ideológico e muito menos partidário. Será um voto pelo Brasil! Para que devolvam a Paz e que a democracia não seja ameaçada diariamente. Que os poderes sejam respeitados. E, infelizmente, que a Bandeira do Brasil volte a ser de todos. Que ela seja devolvida para os brasileiros do bem.

Governar com pluralidade – Quando Lula for eleito no próximo domingo será necessário referenciar algumas pessoas. São muitas, mas o blog citará apenas duas:

Geraldo Alckmin – Que foi fundamental no início da campanha ao aceitar ser o candidato a vice e mostrando espirito público e o desprendimento pensando no coletivo, já que era o principal colocado nas pesquisas para governar São Paulo. Alkmin pensou na necessidade urgente de reforçar a democracia e acabar com a intolerância em várias áreas;

Simone Tebet – A grande novidade do 2º turno eleitoral. Surpreendeu no 1º turno e se tivesse sido lançada antes teria muito mais voto. Os discursos e ações de Tebet neste 2º turno mostram não apenas uma política, mas uma mulher e mãe de família preocupada com o futuro do país. Não se esquivou, arregaçou as mangas e foi para todo o País em defesa da candidatura de Lula e sendo uma das lideranças da Frente Ampla pela democracia. Entendeu que os interesses partidários devem estar acima dos interesses do Brasil. O momento não é de omissão. E de participação ativa. Uma mulher corajosa que ainda prestará um grande serviço ao País.

Faltam apenas 3 dias para o brasileiro de bem ter de volta não só a bandeira do Brasil, mas a certeza que a democracia não será atacada. Que o homofóbico, genocida e filhote de ditador será defenestrado da vida pública.

Para acabar com o ódio e a intolerância disseminados por Bolsonaro será preciso um governo amplo, objetivo e sem perseguições. A maior parte do eleitorado que vota hoje em Bolsonaro não é extremista. O percentual da extrema-direita que segue cegamente Bolsonaro não chega a 10%.

Não bastará apenas vencer a eleição. Será preciso que a Frente Ampla seja consolidada no governo que não será do PT, mas de restauração da Paz no Brasil e que mostre a parte não extremista do eleitorado de Bolsonaro que o País é todos que querem o Bem.

Normalidade nos lares, estabilidade, segurança, comida para 33 milhões e paz social! São as metas principais para o início do governo da Frente Ampla comandada por Lula.

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Em Sergipe Em Sergipe o blog tem uma posição clara: Rogério Carvalho não representa o pensamento do professor Marcelo Déda e dos petistas históricos. Não é um líder é um chefe imposto por ele mesmo. O voto decisivo no orçamento secreto está aí. Sem contar a influência do pior governador da História de Sergipe, Jackson Barreto. Sergipe precisa de paz e prosperidade e não de arrogância e soberba.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br

Prepare-se para o terceiro turno

Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI,de 28 de outubro de 2022

Prepare-se para o terceiro turno

Na rota final da campanha, Bolsonaro retoma o discurso de que há fraude nas eleições e pavimenta o caminho para contestar o resultado em caso de derrota. Carlos Graieb para a revista Crusoé:

Se você aguarda ansiosamente pelo término, neste domingo, de uma campanha vazia de ideias e repleta de carluxos e janones, de violência retórica e baixaria, respire fundo e prepare-se: o terceiro turno das eleições já está encomendado, caso Jair Bolsonaro saia derrotado das urnas por uma margem estreita (e todas as pesquisas sugerem que a margem será exatamente assim, bastante apertada).

Na quarta-feira, 26, o presidente disse em dois momentos que sua candidatura foi prejudicada pela não exibição sistemática de propagandas de rádio, o que teria desequilibrado a disputa em favor de Lula, seu adversário.

Na primeira fala, em cima de um palanque em Minas Gerais, ele acusou o PT e o TSE de terem agido em conluio para prejudicá-lo. Na segunda, uma entrevista coletiva diante do Palácio da Alvorada, Bolsonaro foi mais comedido, mas prometeu ir “até as últimas consequências” no questionamento do caso.

A nova polêmica não significa que as velhas queixas sobre as urnas eletrônicas e a “falta de transparência” na apuração de votos tenham sido deixadas de lado. No último fim de semana, o comentarista político americano Ben Shapiro exibiu em seu programa uma conversa com Bolsonaro, na qual o presidente afirmou que, depois de participarem da fiscalização do primeiro turno, as Forças Armadas lhe teriam comunicado ser “impossível dar um selo de credibilidade” ao processo eleitoral.

Não é a primeira vez que Bolsonaro dá a entender que as Forças Armadas têm críticas ao sistema de votação. Questionados, os militares negam ter feito qualquer relatório sobre o tema. Não há nada de bom nessa ambiguidade – e na maneira como Bolsonaro usa os militares, sem nenhuma cerimônia, como bucha de canhão na sua cruzada política.

Bolsonaro tem armas jurídicas e políticas para prolongar a guerra depois da votação. Ele já começou a usá-las de maneira combinada – a questão é até que ponto ele está disposto a ir em caso de fracasso eleitoral.

O “radiogate” começou na segunda-feira, 24, quando a campanha do presidente protocolou no TSE a denúncia de que rádios do Norte e do Nordeste teriam veiculado 154.000 peças publicitárias de Lula a mais do que de Bolsonaro. O presidente do TSE e ministro do STF Alexandre de Moraes (a besta-fera do bolsonarismo) considerou que as alegações estavam mal embasadas e deu 24 horas para que novas provas e argumentos fossem apresentados.

Dentro do prazo, a equipe de Bolsonaro detalhou o processo tecnológico utilizado para varrer a programação das rádios e verificar se o número de inserções coincidia com o do planejamento oficial. Também encaminhou ao tribunal um arquivo digital onde seria possível constatar, em tese, a “sonegação” da propaganda.

Enquanto isso, no TSE, acontecia a demissão de um servidor diretamente ligado às tarefas de receber as peças eleitorais das campanhas e inseri-las num sistema eletrônico de onde elas podem ser baixadas pelas emissoras de rádio e televisão. Alexandre Gomes Machado, o funcionário demitido, foi à Polícia Federal e registrou um depoimento, afirmando que já em 2018 havia alertado o tribunal sobre falhas na fiscalização e veiculação de propaganda eleitoral.

O discurso enraivecido de Bolsonaro em Minas Gerais, alegando ser vítima de uma conspiração com as digitais do PT e do TSE, aconteceu depois desses dois eventos – a entrega do segundo relatório por seus advogados e a demissão do funcionário do TSE (que Bolsonaro pintou como tentativa de “pôr uma pedra” sobre irregularidades no interior do tribunal).

As peripécias seguintes nesse enredo atribulado foram a divulgação de uma nota pela corte eleitoral e a sentença expedida por Alexandre de Moraes. O TSE disse que Alexandre Gomes Machado havia sido desligado por episódios de assédio moral e negou que ele jamais tivesse alertado seus superiores sobre problemas nos sistemas de distribuição de propaganda. Moraes considerou inconsistente, mais uma vez, o material encaminhado pelo time de Bolsonaro. Mandou arquivar a denúncia, que qualificou de tentativa de “tumultuar as eleições“, e despachou toda a papelada para o inquérito das fake news, que ele mesmo comanda no STF.

Bolsonaro convocou o núcleo de sua campanha e os comandantes das Forças Armadas para uma reunião. O uso de um tom mais contido em seu segundo pronunciamento, no começo da noite, foi decidido nesse encontro. Tratou-se de um recuo tático, para evitar que Bolsonaro pudesse parecer, aos olhos dos eleitores, um candidato já derrotado e desesperado, em busca de uma desculpa para o fracasso. Mas as críticas a Alexandre de Moraes, ao TSE e ao PT foram reiteradas, assim como a mensagem de que “a luta continua” – para começar, com a apresentação de um recurso ao STF.

Crusoé ouviu cinco especialistas em direito eleitoral: o ex-presidente do TSE Carlos Ayres Britto, o presidente da comissão eleitoral da OAB Ricardo Vita Porto, os advogados Rafael Mota, Isabel Mota e André Marsiglia. Existe consenso em torno de algumas ideias.

Primeiro, que fiscalizar a distribuição e a veiculação de propaganda eleitoral não é atribuição do TSE, mas das campanhas políticas, segundo uma resolução de 2019, da Justiça Eleitoral, que disciplina esse tema. “Os partidos ou coligações precisam montar uma estrutura para acompanhar a veiculação. Se perceberem que uma peça não foi exibida, podem pedir a restituição do tempo“, diz Ricardo Porto. “É preciso indicar, além disso, exatamente qual foi a emissora e qual foi o horário em que o problema ocorreu, para que haja a reparação.”

Um segundo consenso é que as reclamações devem ser feitas com a maior rapidez possível – segundo parte da jurisprudência, em no máximo 48 horas, desde que verificada a falta de veiculação. “Segundo um velho adágio, o direito não socorre quem dorme“, diz Rafael Mota. Uma das razões é impedir o represamento de reclamações, um artifício pelo qual uma campanha poderia tentar concentrar um grande volume de propagandas às vésperas da votação. “Há uma jurisprudência bem conhecida do TSE contra o ‘armazenamento tático’ de representações“, diz Isabel Mota (sem parentesco com Rafael).

Se a intenção de Bolsonaro era reaver o tempo de propaganda de que supostamente o privaram, a ferramenta jurídica que sua campanha utilizou foge completamente aos parâmetros já bem estabelecidos na Justiça eleitoral. Ainda que ele recorra ao STF, como prometeu fazer, suas chances de vencer não parecem muito boas – por razões técnicas, e não porque ele passou o mandato inteiro guerreando com a corte.

Mas, e se o propósito era revelar uma fraude? “Propaganda não ser exibida é algo mais comum do que se imagina“, diz André Marsiglia. “Isso pode acontecer por diversas razões, como erros e problemas técnicos, inclusive da equipe do próprio candidato. Não se pode partir do princípio de que houve uma conspiração, mesmo diante de um número elevado de propagandas não veiculadas. Para uma alegação desse tipo prosperar, é preciso que os indícios de fraude sejam muito fortes. Caso contrário, surgiria uma insegurança enorme no nosso sistema político.”

Segundo os juristas, se o presidente deseja argumentar que houve um conluio contra a sua candidatura, a denúncia apresentada ao TSE também não foi a ferramenta adequada. Ele tem dois tipos de ação à sua disposição: a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) e a Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME).

A primeira pode ser utilizada durante o processo eleitoral para investigar, justamente, condutas que possam ter criado um desequilíbrio entre candidatos. A segunda está prevista no artigo 14 da Constituição e pode ser ajuizada em até quinze dias depois da diplomação do candidato eleito, “com provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude“. É um remédio que Bolsonaro poderá usar se perder, de fato, as eleições.

O arquivamento sumário do processo do “radiogate” por Alexandre de Moraes não causou surpresa entre os especialistas do direito eleitoral. E poderia ter acabado aí. O ministro, no entanto, tomou uma medida mais drástica: decidiu incluir a denúncia no famigerado (e interminável) inquérito das fake news. Pode-se perguntar se isso não deu a Bolsonaro exatamente o que ele queria: a possibilidade de se apresentar, mais uma vez, como vítima de uma “sistema” que só pensa em prejudicá-lo.

Crusoé nunca acreditou na possibilidade de um golpe de estado conduzido por Bolsonaro, por várias razões: porque o resto do mundo trataria de isolar e penalizar o Brasil imediatamente; porque o país está literalmente rachado ao meio e nem direita, nem esquerda, predominam; porque os militares da ativa já deram inúmeros sinais de não estarem dispostos a participar de uma aventura desse tipo. A possibilidade de um terceiro turno, contudo, é real. Inclusive com agitação nas ruas, como houve várias vezes nos últimos anos, pedindo o fechamento de tribunais, intervenção das Forças Armadas, um novo AI-5 e outras feitiçarias.

Respire fundo. Bolsonaro não abandonou o discurso de que só aceitará o resultado de eleições “limpas e transparentes” – sendo que ele dá às duas palavras um sentido próprio, que não tem nada a ver com o senso comum. Se ele perder, o estado febril em que o Brasil se encontra pode se estender ainda por um bom tempo.

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PS: E o PT? O partido que comprou apoio político com o mensalão e o petrolão não tentaria recorrer ao tapetão caso perca no domingo? Dado o estágio de degradação do ambiente democrático, nada é impossível. Mas é fato que o partido, em nenhum momento da campanha ou da pré-campanha, procurou deslegitimar as urnas ou a Justiça Eleitoral. Se o fizer depois de domingo, será uma surpresa – ao passo que uma contestação desse tipo, vinda de Bolsonaro, será praticamente o cumprimento de uma promessa.

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UM COMENTÁRIO:

Maquiavel Messias disse...

Todos os países têm uma história de glórias e conquistas no capítulo das coisas que poderiam ter sido e que não foram... O que não se conseguiu operar em tempos de maior fartura democrática, convenham, realiza-se agora à beira do abismo.

O complô das rádios é um delírio. Aquilo a que chamam de prova é lixo. Empresa que monitora propaganda da Havan se mete a ser fiscal de horário eleitoral. Notem que a ideia é acusar complô do TSE com o PT. Mas o tribunal não fiscaliza execução de propaganda ainda que houvesse problemas.

A primeira bala de prata era Bob Jeff. Mas o aloprado exagerou na representação, e acabou dando tiro no pé de Bolsonaro. Aí veio a segunda, o "radiogate". É bem possível que tenham uma terceira (tentar adiar a votação etc).

Ocorre que todos os golpes legislativos dados no curso da eleição não garantiram a vitória de Bolsonaro. Então é preciso testar outras hipóteses. Para a festa de Ali Babá Lula e seus 40 ladrões!

sexta-feira, outubro 28, 2022

Texto, imagem e comentário reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Aliança com Alckmin e Tebet já empurrou eventual governo Lula para o centro

Foto reproduzida do site do PT e postada pelo blog 'Ideias & Lideranças',
para ilustrar o presente artigo

Texto publicado originalmente no Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão, em 12 de outubro de 2022

Aliança com Alckmin e Tebet já empurrou eventual governo Lula para o centro 

Quem vai às urnas para evitar suposta ameaça vermelha precisa procurar outro fantasma

Bruno Boghossian, na Folha

Os principais movimentos da campanha de Lula neste segundo turno foram dedicados a reforçar a mensagem de que um novo governo teria a influência de nomes de fora da esquerda. A esta altura, quem diz que pretende ir às urnas para evitar uma suposta ameaça vermelha precisa procurar outro fantasma para levar à cabine de votação.

O ex-presidente deu todos os sinais de que busca uma coalizão não só para vencer a corrida, mas para governar. Deixou claro que vai abrir espaço para Geraldo Alckmin e Simone Tebet, prometeu discutir com empresários mudanças na reforma trabalhista e, agora, estuda lançar uma carta que defende a participação de evangélicos numa eventual gestão.

Os acenos podem ser insuficientes para convencer eleitores que acreditam que Alckmin tenha se convertido ao socialismo ou suspeitam que Tebet esteja ligada a alguma célula comunista em Três Lagoas (MS), mas mostram que só um dos lados da disputa quer criar pontes com quem pensa diferente.

Lula tem um interesse político imediato quando indica que vai governar com Alckmin e Tebet. O ex-presidente aproveita a dupla como amuleto para tentar reduzir a resistência de eleitores sensíveis ao antipetismo. A própria senadora do MDB seguiu essa lógica ao sugerir que a campanha de Lula reduza o tom vermelho de seus comícios, argumentando que "o povo está votando contra Bolsonaro, e não no PT".

Mas a jogada vai além da estratégia eleitoral. Os gestos de Lula apontam que o PT e os partidos de esquerda de sua aliança não darão todas as cartas de um futuro governo —um preço que o ex-presidente se mostra disposto a pagar.

A maior concessão que Jair Bolsonaro fez neste segundo turno, por outro lado, foi fazer as pazes com um personagem que foi seu ministro e deixou o governo acusando o chefe de interferir na Polícia Federal. A reconciliação só foi possível porque tanto o presidente como Sergio Moro perceberam que ganhariam votos com a parceria.

Texto reproduzido de post no Facebook de Paulo Roberto Dantas Brandão 

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Presidente Bolsonaro "mexeu nos brios de uma região inteira"

OAB-MG exonera advogada bolsonarista após fala xenofóbica...

Legenda da foto: Advogada da OAB de Uberlândia ataca nordestinos em vídeo - (Crédito da foto: Reprodução/Redes Sociais)

Publicação compartilhada do site NOTÍCIAS YAHOO, de 7 de outubro de 2022 8:36 AM

OAB-MG exonera advogada bolsonarista após fala xenofóbica contra nordestinos em vídeo

Redação Notícias

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Uberlândia (MG), José Eduardo Batista, informou na noite desta quinta-feira (6) que o órgão exonerou a advogada Flávia Aparecida Rodrigues Moraes por causa de xenofobia contra à população nordestina, propagada em um vídeo que circula nas redes sociais.

No vídeo Flávia, agora ex-vice-presidente da Comissão da Mulher Advogada, afirmou em referência aos nordestinos que “não vai mais alimentar quem vive de migalhas”.

Por conta dessas falas, a OAB Uberlândia optou por exonerar Flávia do cargo. Ela já havia pedido licença do posto após o vídeo circular nas redes sociais.

"Reiteramos que não compactuamos com os lamentáveis fatos veiculados nas redes sociais, nem com as expressões usadas pela advogada", declarou José Eduardo Batista.

Além disso, a Defensoria Pública de Minas Gerais propôs uma ação civil pública contra Flávia. O órgão pede que a advogada pague R$ 100 mil em danos morais.

Por meio de uma assessora de imprensa, ao portal G1 Flávia declarou, que se arrepende do que disse, mas que a conduta, embora reprovável, "não se encontra tipificada como crime em qualquer dispositivo legal vigente".

O que diz a OAB

Em nota, a OAB Uberlândia afirmou que além da exoneração de Flávia, também determinou a abertura de processos éticos-disciplinares pelo Conselho de Ética e Disciplina da Subseção e pelo Tribunal de Ética Regional, em atenção aos pedidos de representação disciplinar protocoladas por advogados e autoridades de Uberlândia e região.

"Apresentamos nossas sinceras desculpas ao povo nordestino e em especial à advocacia nordestina e advocacia brasileira pelas manifestações ofensivas da referida advogada, postadas nas redes sociais", informou o órgão em nota.

Defensoria Pública

O defensor público Evaldo Gonçalves da Cunha, enviou uma nota à imprensa onde afirmou que a indenização será destinada a entidades de combate ao preconceito, racismo e xenofobia. A advogada também deverá se retratar das declarações pelas vias adequadas.

"A ré propaga falas preconceituosas e discriminatórias, causando um constrangimento ao povo nordestino de magnitude imensurável", destacou.

Ainda no texto da ação, a Defensoria Pública declara que o objetivo do processo é "o reconhecimento dos direitos de milhões de brasileiros nordestinos, sejam os lá residentes ou os que de lá se originam, de terem respeitada a sua identidade, como corolário da dignidade da pessoa humana".

O órgão salienta ainda que a advogada teria explicitamente incitado a discriminação do povo nordestino, o que configura o crime de "praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional".

Além disso, quando cometido em um meio de comunicação social, como a internet, a pena prevista para o crime é reclusão de dois a cinco anos e multa.

"Em que pese o direito de liberdade de expressão ser constitucionalmente garantido, tal direito não é absoluto e deve ser exercido em observância à proteção à dignidade da pessoa humana", aponta a ação.

O caso

Na última quarta-feira (5), um vídeo de uma advogada Flavia Aparecida Moraes ofendendo nordestinos viralizou na internet. A advogada era vice-presidente da Comissão da Mulher Advogada da Ordem dos Advogados do Brasil em Uberlândia.

O vídeo foi publicado após o resultado do 1º turno das eleições presidenciais do Brasil em uma rede social, e mostra a advogada falando: “não vai mais alimentar quem vive de migalhas”, se referindo aos moradores da região Nordeste do Brasil.

Ela e mais duas mulheres fazem um brinde enquanto deixam claro que não irão mais àquela região turística do Brasil e que preferem gastar o dinheiro no Sul e Sudeste ou até fora do país.

"A gente não vai mais alimentar quem vive de migalhas. Vamos gastar o nosso dinheiro aqui no Sudeste, ou no Sul, ou fora do Brasil, que inclusive é muito mais barato. Um brinde a nós que deixamos de ser palhaças a partir de hoje", disse a advogada.

Texto e imagem reproduzidos do site: br.noticias.yahoo.com

Brasil e a cansativa xenofobia contra os nordestinos

Publicação compartilhada do site JLPOLÍTICA, de 7 de outubro de 2022

Coluna APARTE

Brasil e a cansativa xenofobia contra os nordestinos

A xenofobia não é novidade para quem vive ou vem do Nordeste do Brasil, principalmente neste período eleitoral. Foi ocorrer o primeiro turno, neste último domingo, 2, e a enxurrada de preconceito começou a aparecer com força nas redes sociais. A maioria das mensagens preconceituosas são de perfis de apoiadores do presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro, PL.

O motivo de tanto ódio? O Nordeste foi fundamental para a virada de Lula, PT, no primeiro turno da disputa presidencial, terminado na frente de Bolsonaro. Até a metade da apuração dos votos no domingo, o atual presidente seguia líder, contudo, o petista virou o jogo às 20h02, quando começaram entrar as votações da região no sistema da Justiça Eleitoral.

Lula ganhou em todos os nove estados do Nordeste. Ninguém tem dúvidas, aqui é um grande reduto eleitoral do ex-presidente. Ele teve 76% dos votos contra 27% de Bolsonaro na região.

Mas nada justifica tamanha aversão à população do Nordeste, como fez uma advogada mineira ao afirmar em vídeo nas redes sociais que "não vai mais alimentar quem vive de migalhas", se referindo à população nordestina. Afinal de contas, vivemos numa democracia onde os cidadãos têm liberdade de escolher seus candidatos.

Em repúdio às manifestações xenófobas e covardes feitas contra os nordestinos – que associam a população do Nordeste ao analfabetismo e baixa renda –, sobretudo vindo de uma advogada, o presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB – e presidentes de todas as seccionais da instituição no Nordeste emitiram nota, nesta quarta-feira, 5, e esta Coluna Aparte reproduz abaixo.

Confira a nota na íntegra:

"O Presidente do Conselho Federal da OAB e os Presidentes de todas as Seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil no Nordeste vêm, por meio desta, manifestar o seu veemente repúdio às manifestações xenófobas e covardes perpetradas contra os nordestinos, notadamente após a divulgação dos resultados das eleições ocorridas no último dia 02 de outubro.

Nordeste representa cerca de 25% do total do Brasil, o que o coloca como a segunda região mais populosa do Brasil, com mais de 53 milhões de habitantes. Para além de sua importância econômica, riquezas naturais e diversidade cultural, aqui nasce um povo trabalhador e orgulhoso de suas origens.

Embora legítima a pluralidade de ideias e de projetos políticos que expressem os diversos anseios e ideais da nossa população, é inadmissível, nos dias de hoje, convivermos com manifestações que buscam agredir e diminuir a importância de brasileiros e brasileiras que exercem sua cidadania.

As agressões não se coadunam com os ideais de solidariedade, serenidade, civilidade e bom senso que deveriam orientar a sociedade para a construção de um país fraterno, justo e inclusivo.

Os representantes da advocacia nordestina manifestam, pois, seu permanente e intransigente compromisso com os valores democráticos e com o combate a todas as formas de discriminação!

Parabenizamos, ainda, a declaração do Presidente da OABMG, Sérgio Leonardo, de repúdio às manifestações xenófobas perpetrada por advogada vinculada àquela seccional.

05 de outubro de 2022

Ordem dos Advogados do Brasil 

José Alberto Simonetti

Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Bahia

Daniela Lima de Andrade Borges

Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Sergipe

Danniel Alves Costa

Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Alagoas

Vagner Paes Cavalcanti Filho

Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Pernambuco

Fernando Jardim Ribeiro Lins

Ordem dos Advogados do Brasil Seccional  Paraíba

Harrison Targino

Ordem dos Advogados do Brasil Seccional  Rio Grande do Norte

Aldo de Medeiros Lima Filho

Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Ceará 

José Erinaldo Dantas Filho

Ordem dos Advogados do Brasil Seccional  Piauí

Celso Barros Coelho Neto

Ordem dos Advogados do Brasil Seccional  Maranhão 

Kaio Vyctor Saraiva Cruz"

Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica.com.br

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

O rugido do 'Brasil profundo'

Publicação compartilhada do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, 6 de outubro de 2022

O rugido do 'Brasil profundo'

O país fica inviável se não for superado o choque Lula-Bolsonaro. William Waack:

Confirmou-se no domingo que Lula é maior que a esquerda e Bolsonaro, menor que a direita. Tanto nas eleições proporcionais quanto nas diretas o avanço de nomes ligados à “esquerda” foi menor do que Lula conseguiu para si mesmo. Da mesma maneira, Bolsonaro ficou menor no primeiro turno do que a projeção alcançada pela “centro-direita”.

Claro que isso tem a ver diretamente com os dois personagens. Lula continua sendo para uma expressiva camada do eleitorado o “pai dos pobres” – algo só comparável ao que foi o getulismo, e igualmente irreversível como fenômeno de massas.

Bolsonaro é considerado um “mito” por outro fenômeno também irreversível, o bolsonarismo. Ocorre que dentro da demanda geral do eleitorado, que é claramente de centro-direita, Bolsonaro não é unanimidade e angariou forte rejeição mesmo entre os que detestam Lula.

Caso se confirme seu favoritismo atual, Lula terá de lidar com dois amplos problemas políticos que, se não forem resolvidos, tornam o País inviável. O primeiro é a herança da Lava Jato. Ao contrário do que diz Lula, parcela significativa do eleitorado não acha que a operação anticorrupção foi um erro, e o enxerga apenas como um ladrão.

O segundo é a amplitude eleitoral da demanda de “centro-direita”, que não pode ser igualada a “bolsonarismo” (entendido como adesão cega ao líder populista). Mas é o que fez a estratégia petista quando buscou o voto útil dizendo que ajuda o fascismo e a barbárie quem não vota no Lula. O Congresso eleito é um banho de realidade (e uma dura resposta) para a campanha petista.

É uma espécie de “Brasil profundo” que saiu rugindo das urnas, e que dificilmente se enquadra nas convenções da Ciência Política sobre o que seja direita ou esquerda. Talvez a antropologia cultural seja a melhor disciplina para se tentar entender. Há nessa ampla corrente traços de arraigada boçalidade política (incluindo todo tipo de preconceito), aversão às elites e à ciência, aos princípios democráticos e instituições em geral (Judiciário e imprensa, entre outros).

Mas também apego à liberdade do indivíduo, disposição de empreender, necessidade de segurança jurídica, simplificação de regras, solidariedade com os mais vulneráveis, valores religiosos e de família. E uma forte identificação com a difusa ideia (que a figura de Bolsonaro capturou lá atrás) de que os sistemas político, eleitoral e de governo atuam contra o Brasil “que trabalha e produz”.

Lula não indicou claramente como pretende superar o quadro acima caso volte ao Planalto. Bolsonaro, se reeleito, não poderá contar com o apelo que já representou. Não serão tempos fáceis.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com

Nem social, nem democrata

Publicação compartilhada do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 6 de outubro de 2022

Nem social, nem democrata.

A ascensão e queda dos tucanos é um retrato em miniatura da tragédia política nacional. O PSDB se putrefaz quando a República mais precisa de uma social-democracia responsável. Editorial do Estadão:

Parte considerável do eleitorado irá às urnas constrangida a escolher o mal menor entre o que há de mais retrógrado na direita e na esquerda. A guerra entre os populismos lulopetista e bolsonarista estava contratada desde 2018. Nunca como nesses quatro anos e nos próximos quatro foi tão importante mobilizar uma coalizão centrista, agregando o melhor à esquerda e à direita em nome da defesa da democracia; da descentralização política e administrativa; do Estado a serviço do povo e não de privilegiados; e do crescimento sustentável com distribuição de renda e educação de qualidade. Com essas premissas, nascia com a Constituição, em 88, um partido, o PSDB, voltado a concretizar seu ideário, invocando uma luta por “mudanças com energia redobrada, através da via democrática e não do populismo personalista”. Sua ascensão e queda é um retrato da tragédia política contemporânea.

O Partido da Social Democracia Brasileira nasceu de dissidências progressistas do PMDB insatisfeitas com o reacionarismo, o fisiologismo e a corrupção. Renegando o sectarismo classista de partidos trabalhistas como o PT ou PDT e a amorfia ideológica das oligarquias do Centrão, os tucanos abrigaram sob a social-democracia influxos ideológicos como o liberalismo econômico e a democracia cristã. Assimilando dos trabalhistas a primazia do trabalho sobre o capital, e dos personalistas católicos a ética e a participação comunitária, ele conquistou massas de eleitores, de progressistas a liberais e conservadores.

Em oposição responsável ao governo Collor, apoiou a modernização econômica, mas se engajou em seu impeachment. No governo Itamar Franco, engendrou o fim de 20 anos de crise inflacionária. A gestão FHC promoveu privatizações, programas sociais e marcos de governança pioneiros, elevando o País na vitrine global.

Mas já nos anos de ouro do partido estavam entranhados os vermes que hoje o devoram. Quadros inteiros repudiaram o Plano Real e apoiaram a candidatura de Lula em 1994. Candidatos pós-FHC trataram seu legado como a vergonha da família. Quem dera sua mácula maior fosse estar sempre “em cima do muro”. O partido que nasceu para destruir os muros que separam esquerda e direita, ricos e pobres, frequentemente se pôs do lado errado. Quando no certo, foi errático: na oposição ao PT, foi complacente com seus desmandos, e no governo Temer, recalcitrante com suas reformas. Caciques regionais traíram e foram traídos, preferindo ceder o poder a adversários a dividi-lo com correligionários.

Na “oposição” ao governo Bolsonaro, a crise de identidade virou esquizofrenia: seus parlamentares se alinharam a 8 em 10 pautas do governo, inclusive as que violentaram a ordem constitucional, fiscal e judicial. Muitos se refestelaram com migalhas do mercadão de emendas. O partido que se prestava a ser espantalho do PT agora se reduziu a fantoche de Bolsonaro.

As bandeiras se esgarçaram, e os laços com a população também. Nas eleições de domingo passado, virou nanico. São Paulo é paradigmático. Após 28 anos de governo do PSDB, esse bastião da responsabilidade fiscal e social está à mercê do saque bolsolulista. Dos ex-governadores tucanos – todos digladiaram entre si –, Geraldo Alckmin compõe a chapa petista, José Serra não se elegeu à Câmara, João Doria abandonou a vida pública. O atual, o tucano neófito Rodrigo Garcia, não passou para o segundo turno. Se o PSDB seguir sua rota suicida, o vergonhoso apoio “incondicional” de Garcia a Bolsonaro, que passou quatro anos a demonizar o governo paulista, passará à história como um epitáfio infame.

Convém lembrar que o PSDB foi formado por quadros do MDB que consideravam que o partido havia se tornado uma máquina eleitoreira amoral e carcomida a serviço de enclaves paroquiais. Foi exatamente no que se tornou o PSDB – que, entre a derrota e a desonra, escolheu a desonra, e ainda foi estrepitosamente derrotado. Mas em política não há determinismos. A Nação precisa de uma social-democracia responsável e se arranjará com ou sem o PSDB. Cabe ao que restou do partido decidir: ou se regenera bebendo de suas fontes ou vagará como um morto-vivo, mais um dos vermes políticos que degeneram a sociedade e a democracia.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Simone Tebet leva a melhor em um debate pautado por Vera Magalhães

Publicação copartilhada do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, 29 de agosto de 2022

Simone Tebet leva a melhor em um debate pautado por Vera Magalhães

Os dois favoritos saíram menores do debate, mas não o suficiente para não estarem no 2º turno, e Tebet pode ter crescido entre indecisos, mas não a ponto de realmente quebrar a polarização. Pelo menos não por enquanto. Guilherme Macalossi para a Gazeta do Povo:

Vence debate o candidato favorito que não perde votos ou o candidato que precisa aparecer para ser percebido pelo eleitor. Por isso é fácil dizer que se alguém ganhou no primeiro encontro de presidenciáveis, esse alguém foi Simone Tebet, do MDB. Mas não imediatamente. Só a partir da intervenção da jornalista Vera Magalhães, que, ao questionar Ciro Gomes sobre a queda da cobertura vacinal no Brasil, tirou Jair Bolsonaro dos eixos ao mencionar suas falas espalhando receio da imunização contra a Covid. Ao tomar a palavra, o presidente atacou a jornalista, que nem pôde se defender.

Até aquele momento, era Bolsonaro quem tinha vantagem, e com sobras. Abriu o debate emparedando Lula com o assunto corrupção. Grudou nele a delação de Antonio Palocci e foi firme com Ciro Gomes na oportunidade em que o respondeu sobre pobreza. Calibrou bem a narrativa com as ações de seu governo e muitos números.

Lula esteve apenas de corpo presente, aparecendo mesmo só ao final, quando era tarde demais. Evitar a discussão o colocou numa defensiva insana, sendo bombardeado incessantemente, principalmente pelo seu principal adversário, que o chamou de “ex-presidiário” em duas oportunidades. Parecia pouco inspirado, cansado e repetitivo. Subestimou o estrago que as denúncias dos escândalos de seu governo poderiam lhe infligir. Afinal, mesmo anulados pelo STF, seus processos também têm uma dimensão política, que é mais ampla do que o mundo do direito.

Afiado desde o início, Bolsonaro expôs o flanco apenas quando vociferou contra Vera Magalhães. Foi traído pelo instinto. As pesquisas mostram que ele tem enorme dificuldade com o eleitorado feminino. Ao responder de forma irascível com uma, permitiu o momento da virada da discussão, fazendo a temática social das mulheres assumir o centro da discussão. E foi ali que Tebet cresceu. Primeiro por se solidarizar com Vera Magalhães, e, segundo, por ter assumido uma posição de confrontação menos relacionada com sua campanha “coração de mãe”, e mais com a atuação que teve na CPI da Covid.

Em dado momento do debate, os líderes das pesquisas enfrentavam dificuldades objetivas. Lula, que começou mal, agonizava numa estratégia que o deixava permanentemente contra a parede. E, apesar de ser natural que o líder das pesquisas evite a confrontação, é impensável que fuja ao ser confrontado. Foi o que fez. Bolsonaro, que começou muito bem, enfrentava, por sua vez, dificuldades para sair da temática que representa sua fraqueza. Em dado momento, voltou a falar de mulheres questionando Ciro e preterindo as candidatas que também poderiam responder. Um erro elementar que simboliza bem a dificuldade que ele tem em tratar do assunto.

Ainda que a média de audiência do debate tenha sido elevada, é improvável que se altere o rumo da disputa. A cristalização do voto, e, principalmente, do voto útil, parece ser inexpugnável, ainda mais faltando tão pouco para o pleito. Os dois favoritos saíram menores do debate, mas não o suficiente para não estarem no 2º turno, e Tebet pode ter crescido entre indecisos, mas não a ponto de realmente quebrar a polarização. Pelo menos não por enquanto.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com

Comentário de Anônimo Anônimo disse...

Bolsonaro, a Tchutchuka do Centrão, foi ao debate para produzir lacração para a sua turma. Seus seguidores certamente deliraram com os ataques a Lularápio e com a estupidez contra Simone Tebet, uma jornalista etc. É desse cara que os tios do ZAP gostam, não daquele que fingiu civilidade no "Jornal Nacional". Como disse Tebet: Triste o Brasil que tem que escolher entre o petrolão e o orçamento secreto. E tudo isso para o "menos ruim" entregar a presidência para o "mais pior". #elasimelesnao

segunda-feira, agosto 29, 2022

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Debate da Band tem troca de acusações de corrupção e defesa da mulher


Publicado originalmente no site do Portal da BAND, em 28 de agosto de 2022 

Debate da Band tem troca de acusações de corrupção e defesa da mulher

Pool com Band, UOL, Folha de S.Paulo e TV Cultura contou com as presenças de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Jair Bolsonaro (PL), Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (PMDB), Felipe D’Avila (Novo) e Soraya Thronicke (União Brasil).

Da redação

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domingo, 28 de agosto de 2022

Debate Band: encontro de Lula e Bolsonaro terá polarização em destaque


Legenda da foto: A polarização, protagonizada pelo petista e o candidato à reeleição, devem marcar o debate, segundo especialistas -  (Crédito da foto: Ricardo Stuckert/Alan Santos/Flickr)

Publicação compartilhada do site da revista EXAME, de 28 de agosto de 2022 

Debate Band: encontro de Lula e Bolsonaro terá polarização em destaque

Estadão Conteúdo

O primeiro debate na TV entre candidatos ao Palácio do Planalto será promovido neste domingo, 28, na Band, em parceria com a TV Cultura, o portal UOL e o jornal Folha de S.Paulo. Com início previsto para as 21h e sem a presença de plateia, o encontro deve contar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente Jair Bolsonaro (PL), Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB), Felipe D’Avila (Novo) e Soraya Thronicke (União Brasil). A polarização, protagonizada pelo petista e o candidato à reeleição, devem marcar o debate, segundo especialistas ouvidos pelo jornal O Estado de S.Paulo.

Dentre os convidados, a presença do ex-presidente Lula e a do presidente Bolsonaro eram as mais incertas até este sábado, 27. No entanto, o petista, por meio de uma rede social, confirmou presença; a participação do chefe do Executivo foi confirmada ao Estadão pelo ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira.

Cientistas políticos ouvidos pelo Estadão disseram que o encontro deve ser marcado por uma atenção polarizada entre os principais adversários que lideram as pesquisas - Lula e Bolsonaro. A performance e desenvoltura dos dois candidatos será um dos focos do debate, uma vez que o petista não participa de eventos semelhantes desde 2006, enquanto o atual chefe do Executivo participou apenas de dois debates em 2018 antes do atentado que sofreu.

Para o professor de Ciência Política da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Cloves Oliveira, o debate funcionará como uma espécie de grande duelo. "Finalmente, teremos um encontro entre os dois principais competidores das eleições, como se fosse um grande duelo no qual cada um vai tentar apresentar os seus trunfos: um para tentar ganhar no primeiro turno, caso do ex-presidente Lula, e ou para tentar diminuir a intenção de votos do oponente, caso do presidente Bolsonaro", afirmou Oliveira.

Os organizações do encontro afirmaram que Lula e Bolsonaro foram sorteados para ficar lado a lado na disposição dos candidatos no estúdio. A performance e desenvoltura dos dois principais adversários serão analisadas de perto durante o debate. Para Oliveira, o ex-presidente petista tem vantagem nessa situação por estar na liderança nas pesquisas e ter técnicas de comunicação e posicionamento já conhecidas pelo eleitorado. "Lula tem condições de se posicionar como acima da briga, de ser mais propositivo e de se esquivar, de maneira mais efetiva, dos ataque dos seus oponentes", disse.

O cientista político Marco Antônio Carvalho Teixeira, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), explica que essa atenção polarizada será feita de duas formas, por meio dos questionamentos e provocações: direcionada a Lula e Bolsonaro por parte dos outros candidatos que ainda buscam tentar se posicionar em uma melhor condição e por parte dos próprios adversários principais, na tentativa de mirar no outro.

Já, para o presidente, estar em um debate televisivo pode ser mais desconfortável, segundo o cientista político Rodrigo Prando professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. "Bolsonaro fica muito mais confortável no ambiente seguro das redes sociais em que controla as variáveis que podem influenciar", disse.

Oliveira, da UFBA, afirmou, ainda, que a tendência do candidato à reeleição é permanecer na defensiva. "Na ausência de argumentos para defender o legado do seu governo, a solução será desqualificar o seu opositor e também sempre que possível transferir essa responsabilidade sobre a gestão dos temas das políticas públicas para terceiros."

Ciro e Tebet

Os especialistas defendem que o esperado do candidato do PDT é que ele mantenha a mesma estratégia utilizada na entrevista do Jornal Nacional, que foi a de tecer crítica aos dois mais bem colocados nas pesquisas - Lula e Bolsonaro - e de se vender como uma alternativa para aqueles que não querem a continuidade de um ou a volta de outro. "A estratégia mais recomendada para Ciro é atacar o presidente Bolsonaro para buscar votos em um espaço do eleitorado mais de centro-direita que está flertando com o eleitorado de Bolsonaro", afirmou Oliveira.

A candidata Simone Tebet (MDB), assim como Ciro, deve se apresentar como uma terceira via. "A grande questão é que qualquer um ali que não seja Lula e Bolsonaro, portanto, qualquer representante da terceira via, vai ter de fazer todo um esforço discursivo de oratória no debate, mas sabe que a polarização os constrange. Ou seja, o corredor em que eles passar, especialmente Ciro e e Simone, é um corredor cada vez mais apertado pela dimensão da força dos dois candidatos", afirmou Prando.

Para Teixeira, pelo espaço televisivo ser bastante importante para o grande público, temas "espinhosos" podem vir à tona como corrupção, para o Lula, e a questão da gestão da covid-19, para o Bolsonaro. "Certamente volta também para o Bolsonaro o tema da corrupção e talvez um outro tema que seja a questão dos próprios filhos." O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos) e até o próprio presidente tiveram seus nomes envolvidos em investigações de rachinhas em seus gabinetes.

Segundo os cientistas políticos ouvidos pelo Estadão, outros temas podem ser esperados como economia, meio ambiente, educação e fome.

Texto e imagem reproduzidos do site: exame.com