Mostrando postagens com marcador - CARLOS BRICKMANN. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador - CARLOS BRICKMANN. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

O que dizem, o que fazem

Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de30 de agosto de 2022

O que dizem, o que fazem.

Coluna de Carlos Brickmann, a ser publicada na quarta-feira, 31 de agosto:

Perguntem a qualquer dos participantes do debate quem foi o vencedor. Cada um garantirá, com firmeza, que foi ele. Ninguém admitirá que não foi tão bem assim, ninguém fará autocrítica. E não adianta pesquisar: sempre a pesquisa indicará que o eleitor de cada candidato o considera vitorioso.

Mas, se não há maneira objetiva de indicar quem ganhou, há indícios mais que suficientes para saber quem perdeu. A reação das equipes de campanha é imediata e as providências são tomadas com a urgência possível. Vejamos, por exemplo, a reação das equipes de Lula e Bolsonaro. Ambas resolveram restringir ao máximo a participação nos próximos debates. Lula pretende ir somente a mais um, o da Rede Globo.

Dizem que o tema da corrupção será levantado em todos eles e o pessoal da campanha prefere que o candidato aborde o assunto só em redes sociais e entrevistas – menos audiência, menos repercussão. Não é bem assim: Lula, num dia ruim, estava longe de sua fama de debatedor. A equipe de Bolsonaro se preocupa com seus arroubos, Ele usa o tempo de que dispõe para atacar “a mídia” e repórteres como Vera Magalhães - ótima jornalista, mas que não provoca emoções no eleitor que o levem a preferir o presidente. O fato é que Bolsonaro parecia irritado quando o confrontavam, mexia-se sem parar, envolveu-se na política interna de outros países – outro tema que não emociona muita gente.

Bolsonaro só irá ao debate da Globo por medo do significado da cadeira vazia.

A grande evidência

E há ainda um indício fatal de que a candidatura de Bolsonaro está longe do sucesso: o marqueteiro da campanha, Duda Lima, próximo ao presidente do partido de Bolsonaro, Valdemar Costa Neto, não foi ao debate. Apareceu outro, ligado à ala ideológica do bolsonarismo, que abomina o Centrão, mas não pode fazer nada porque sem o Centrão o governo não anda: é Sérgio Lima. Não se discute aqui a qualidade do trabalho de ambos, mas o fato de o Centrão não ter enviado seu homem de marketing para o debate indica o suficiente: Bolsonaro e o Centrão estão afastados, ou se afastando. Como o Centrão não larga o poder, talvez esteja trocando o poder atual pelo próximo.

Os favoritos

Em resumo, os dois favoritos foram mal. Quem apareceu bem foram Ciro, Simone e Soraya. Ciro fala bem, é experiente em debates, não foi surpresa: onde ele costuma dizer coisas difíceis de explicar é em entrevistas. Soraya mostrou ousadia e coragem e disse a Bolsonaro aquilo que Lula não disse. E Simone, que já vinha aparecendo bem, confirmou sua boa imagem, batendo em Bolsonaro e dizendo que não tem medo de suas ameaças.

As duas, Soraya e Simone, tiveram ainda a chance extra (que aproveitaram) de defender as mulheres, citando os inúmeros casos em que Bolsonaro atacou repórteres por serem mulheres e defendeu teses como as de que mulheres devem mesmo ganhar menos quando desempenham o mesmo cargo que colegas homens.

Juca já previa...

Num bom artigo, o colunista Juca Kfouri disse, no UOL, que Lula perdeu a chance de ouro de atacar Bolsonaro por corrupção. Quando Bolsonaro, na primeira pergunta a Lula, perguntou sobre casos de corrupção, Lula deu uma resposta burocrática – o que é imperdoável, já que até as garrafinhas de água mineral do estúdio já sabiam que esse tema seria abordado.

Juca escreveu que Lula deveria ter respondido algo como “Bolsonaro, e você vem falar nisso? Você com as rachadinhas, as rachadinhas dos filhos, o Queiroz, todos os casos da vacina?” – e daí por diante. Pois o Juca escreveu num dia; e no dia seguinte estourou o caso da compra de imóveis pela família Bolsonaro. De 1990 até hoje, como comprova reportagem no UOL de Thiago Herdy e Juliana dal Piva, jornalistas muito bons, foram comprados 107 imóveis. Sim, 107 imóveis em 32 anos. Ou R$ 19,5 milhões em valor histórico. Corrigidos pelo IPCA, R$ 25,6 milhões. Os salários no Legislativo devem ser ótimos!

...mas havia mais!

Desses 107, houve 51 com pagamento em dinheiro vivo. Isso não é ilegal: dinheiro vivo é moeda de curso corrente no país e de uso forçado. Mas é estranho. Uma comparação: digamos que alguém ande na rua com um facão nas mãos. Não, não é ilegal. Digamos que o facão esteja pingando sangue. Não, não é ilegal: o portador do facão pode ter ido matar alguns frangos para ajudar no churrasco do vizinho. Digamos que a tal pessoa tenha uma tatuagem no braço com uma caveira e dois ossos cruzados. Não, não é ilegal. Tatuagem, seja do que for, está dentro da lei.

Mas o caro leitor preferiria ou não atravessar a rua e ficar longe do facão?

Que maldade!

Bolsonaro não quis falar sobre o tema imobiliário aos repórteres Thiago Herdy e Juliana dal Piva. O colunista Chico Alves, também do UOL, estranha essa posição do presidente da República, justo ele, que sempre citou o versículo bíblico “conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com

quarta-feira, 27 de julho de 2022

Tudo doido, liberou geral

 Publicado originalmente no BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 26 de julho de 2022

Tudo doido, liberou geral.

Coluna de Carlos Brickmann, a ser publicada nos jornais de quarta-feira, 27 de julho:

Há aproximadamente quatro anos, Adélio Bispo esfaqueou o candidato Jair Bolsonaro em Juiz de Fora, atingindo-lhe gravemente o abdômen. Há três anos, a Justiça o considerou portador de transtorno delirante permanente paranoide; por isso, foi considerado inimputável. Em palavras simples, era maluco e não podia ser punido criminalmente. Agora, Adélio passa por perícia psiquiátrica que pode levá-lo a ser solto. Se o laudo concluir que ele desmaluqueceu, pode sair livre. Tente uma pessoa normal esfaquear alguém na multidão, ainda mais um candidato. Será presa, julgada, irá para o xadrez. Mas, sendo maluco, fica num hospício até desendoidar. Aí pode ir para casa.

Entretanto, o caso Adélio não é o único que parece coisa de doido. Ciro Nogueira, chefe do Centrão, ministro-chefe da Casa Civil e, como operador do orçamento secreto, o presidente de fato da República, andou atacando os banqueiros. Inacreditável. Em seis mensagens, disse que os banqueiros só criticam o Governo porque Bolsonaro deu independência ao Banco Central – como se hoje em dia, após a independência do BC, os banqueiros tenham perdido a influência. Engraçado: não é bem isso que a gente nota.

Melhor ainda é uma frase de Ciro Nogueira segundo a qual os banqueiros hoje podem assinar cartas, “inclusive contra o presidente da República”, em vez de se calarem “com medo dos congelamentos de câmbio do passado”.

Pois é: em 1964 houve farta entrega de malas. O dinheiro era a mensagem.

Simone, bem de audiência

Os dados são do excelente colunista Lauro Jardim, de “O Globo”. Durante a entrevista ao vivo de Simone Tebet, na estreia da Central das Eleições, a pré-candidata do Centro fez sucesso. A GloboNews teve 80% a mais de audiência do que a soma de todos os concorrentes na TV por assinatura (CNN, Band News, Record News e Jovem Pan). A audiência da GloboNews foi 47% maior que sua média para a faixa de horário, entre 19h e 22h23, em relação às últimas quatro segundas-feiras. Em São Paulo o sucesso foi ainda maior: 86% acima de todos os outros canais de notícias somados. São Paulo é o Estado com maior número de eleitores do país.

Perspectivas

E daí? Daí, por enquanto, nada. Simone Tebet teve audiência, repercussão boa entre os espectadores que comentaram a entrevista, mas para multiplicar suas intenções de voto para uns 30% é preciso fazer um trabalho impecável. E fica difícil quando um bom pedaço de seu próprio partido, o MDB, está disposto a sabotar sua candidatura para apoiar Lula no primeiro turno.

A posição militar

Realiza-se agora a 15ª Conferência de Ministros da Defesa das Américas, em Brasília. É uma reunião robusta: os EUA, que costumam enviar algum representante da Secretaria da Defesa, desta vez enviaram o secretário Lloyd Austin em pessoa, refletindo a posição do Governo americano de apoio ao resultado das eleições, sem mimimi de urna feia ou de ministro chato do STF.

Está marcada para amanhã, 28, a assinatura que reafirma o compromisso de todos os participantes com a Carta da OEA, Organização dos Estados Americanos, firmemente contrária a golpes e ditaduras.

O representante do Brasil, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, ministro da Defesa, disse ontem que respeita a Carta Democrática Interamericana. “Os povos da América têm direito à democracia e seus governos têm a obrigação de promovê-la e defendê-la", disse o general.

Os negócios

Fora a política, discute-se muito a compra de armas. Há possibilidades boas de venda do cargueiro KC 390 e do caça subsônico Super Tucano; e dos blindados Guarani. O ministro Paulo César se reúne separadamente com os representantes de dez países: Uruguai, Suriname, Paraguai, México, Haiti, Honduras, Estados Unidos, Equador, Argentina e Colômbia.

Porta-voz

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, disse que é necessário que os militares estejam sempre sob firme controle civil. Aqui era assim, desde a criação do Ministério da Defesa: houve ministros como Raul Jungman, Nelson Jobim, Aldo Rebelo, Celso Amorim, sempre civis.

Bolsonaro fez questão de entregar a pasta a militares.

A lei do ex

Política às vezes é como futebol: o ex-aliado vira o maior dos inimigos. Abraham Weintraub, depois de ver Bolsonaro se aliar ao Centrão abriu fogo: “Uma pessoa honesta não anda abraçada com o Collor, gente. Uma pessoa honesta não anda abraçada com o Arruda [ex-governador do DF]. Não anda abraçado com essa súcia de que ele se cercou. Se você estiver num chiqueiro, não vai encontrar ganso; vai encontrar porco. Bolsonaro podia ter escolhido vários caminhos, ele escolheu o caminho do chiqueiro. Se ele escolheu o caminho do chiqueiro, ele é porco. Não tem outra explicação pra isso.”

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com

quinta-feira, 14 de abril de 2022

A campanha desabrocha

Publicação compartilhada do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 13 de abril de 2022

A campanha desabrocha

Coluna de Carlos Brickmann, publicada nos jornais desta quarta-feira:

Stanislaw Ponte Preta foi um dos melhores e mais divertidos cronistas da nossa história. Fez de tudo – até mesmo a inesquecível música que hoje seria chamada de O Samba do Afrodescendente Portador de Problemas de Equilíbrio Mental. É o autor da frase que melhor explica o Brasil de hoje: estamos indo para o perigoso terreno da galhofa.

A turma de Lula nega corrupção, embora alguns já tenham até devolvido algum dinheiro. Lula não tem condenação, como Bolsonaro também não tem – tem apenas aquela coisa da empreiteira que ganha todas, tem as rachadinhas, tem apoio do Valdemar Costa Neto e o Ciro Nogueira é seu ministro. Mas o que leva ao perigoso terreno da galhofa é a maciça compra de genéricos de Viagra para as Forças Armadas. Para que 35 mil comprimidos de Viagra genérico? Marinha e Aeronáutica informam que é para tratar Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP), "uma síndrome clínica e hemodinâmica que resulta no aumento da resistência vascular na pequena circulação, elevando os níveis de pressão na circulação pulmonar”. Beleza!

Mas em dosagens de 25 e 50 mg? Nessas dosagens, indica a bula, e especialistas confirmam, o produto é indicado apenas para aquilo que todos imaginam. Preço? Uma compra indica R$ 3,65 por comprimido de 25 mg. Outra, R$ 1,50. Numa grande rede de farmácias de São Paulo, a caixa de Citrato de Sildenafila Sandoz, com oito comprimidos de 50 mg, custa R$ 15,17. Sem negociação prévia e no varejo.

Pura maldade

Depois do Mensalão, Petrolão, Bolsolão, o Escândalo do Apontaochão.

Divergências

É curioso como um governo consegue ter políticas divergentes conforme o setor em que atua. Quem acompanha a política oficial de afrouxar todos os controles sobre o desmatamento da Amazônia seria capaz de garantir que a orientação governamental é permitir a derrubada de tudo que é pau em pé.

Tucanos depenados

Um dos mais tradicionais políticos tucanos, Aloysio Nunes Ferreira Filho, que foi chanceler de Michel Temer (e candidato a vice de Aécio, em 2014), diz que o PSDB pode estar em fase terminal. Não é a favor nem contra Bolsonaro; não se manifestou quando o presidente se revelou uma ameaça real à democracia; deixou de se preocupar com as grandes questões nacionais e permitiu que boa parte de seus parlamentares se achegasse ao Governo, “para participar de um pedaço das emendas de relator, uma nomeaçãozinha aqui, uma nomeaçãozinha ali”. Aloysio, em entrevista à CNN, disse que não vai deixar o partido, “embora o PSDB tenha ficado inerte diante de fatos gravíssimos que ocorreram na política brasileira e no Governo Bolsonaro”.

Aloysio vem conversando com Lula desde janeiro e provavelmente irá apoiá-lo, porque, a seu ver, não representa qualquer ameaça à democracia.

Cristianização

Simone Tebet é uma boa parlamentar, filha de um bom parlamentar, teve papel relevante na CPI da Covid. Pode até ser candidata da terceira via. Mas do MDB, seu partido, é que não será, mesmo que a convenção do partido a aclame. O MDB chegou duas vezes à Presidência, em ambas com a posse do vice. Com candidato próprio, perdeu com Ulysses, Quércia e Henrique Meirelles. Hoje, se divide entre bolsonaristas e lulistas, estes sob o comando de Sarney e Renan. Se Simone sair candidata, será cristianizada – como ocorreu com Cristiano Machado, candidato do PSD à Presidência, em 1950, que viu seu partido, o maior do país, largá-lo e migrar para Getúlio Vargas.

Terceira via?

Não há terceira via. Há um sonho que dificilmente dará certo. Pegue todos os candidatos de terceira via e tente descobrir por que querem chegar ao poder. Todos são contra Lula e Bolsonaro (embora, conforme as pesquisas, os eleitores de Moro estejam seguindo para Bolsonaro). Mas de que é que são a favor? Escolha um partido com tradição de estudos políticos, como por exemplo o PSDB. Está pelo menos tão rachado quanto o MDB (e, pior, virou bolsonarista sem se declarar a favor de Bolsonaro).

Teste pessoalmente: os tucanos votaram com Bolsonaro pelo menos tantas vezes quanto o Centrão. Se Doria for o candidato, se Leite for o candidato, ambos fecharam em 2018 com Bolsonaro, e deixaram o candidato do partido pendurado na brocha –sem alusão, respeitosamente, a qualquer compra feita pelo Governo.

Boa notícia

A Universidade de São Paulo teve onze de seus cursos incluídos na lista de 50 melhores do mundo. A classificação foi publicada nos últimos dia pela Quacquarelli Symonds, empresa do Reino Unido dedicada à análise de qualidade de ensino. O curso da USP com melhor classificação foi Odontologia, em 15º. Na classificação geral, a USP está em 121º lugar entre 1.500 universidades de 88 países. É a melhor universidade brasileira e a terceira da América Latina.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com

domingo, 27 de março de 2022

O lado errado do certo - Coluna de Carlos Brickmann

 

Publicado originalmente no BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, em 26 de março de 2022

O lado errado do certo

Coluna de Carlos Brickmann, publicada nos jornais de domingo, 27 de março:

A guerra já passa de um mês, os dois lados comemoram as mortes que impõem ao inimigo, a destruição sem sentido prossegue, aumenta os preços no mundo inteiro, reduz a produção agrícola, leva à fome populações que nada têm com a luta. A propósito: por que a guerra entre Rússia e Ucrânia?

Lembremos que Vladimir Putin foi criado como agente secreto, com treino e licença para matar. Mata há muito tempo, e agora em larga escala. Não precisaria demonstrar sua barbárie: pode ter saído do serviço secreto, mas o serviço secreto não saiu dele. E o Ocidente lhe ofertou as desculpas.

O fim da União Soviética, com Mikhail Gorbatchev, poderia ter levado à cooperação econômica. Prometeu-se à Rússia que a OTAN, o tratado militar ocidental, ficaria onde estava (mas a OTAN se expandiu, assustando Putin). Dois dos maiores especialistas dos EUA se manifestaram contra a expansão da OTAN: Henry Kissinger e George F. Kennan (este o ideólogo da doutrina de contenção do comunismo, na Guerra Fria). A OTAN trouxe de sua criação em 1949 um lema claro: “Manter os americanos dentro da Europa, os russos fora e os alemães em baixo”. Com o tempo, a Alemanha se tornou membro importante da OTAN, mas os russos foram mantidos fora. E por que a OTAN se expandiu? Porque outros países quiseram se sentir seguros: houve 14 que entraram, fora Bósnia-Herzegovina, Georgia e Ucrânia, que estão na fila.

A propósito, na dissolução da URSS, a Ucrânia entregou aos russos suas armas atômicas, com garantia de paz. Em troca, enfrenta 190 mil invasores.

Prevendo o passado

E se as opiniões de Kennan e Kissinger tivessem sido levadas em conta? Talvez nada fosse diferente: Putin já disse que a dissolução da URSS foi uma das maiores tragédias da História. Ele não tem nada de comunista: seu sonho é a volta do império que existia antes dos comunistas, tendo vizinhos bem obedientes. Isso consta nos textos de seu guru Aleksandr Durgin, uma espécie de Olavo de Carvalho que fala menos palavrões. Putin já invadiu a Georgia e a Ucrânia. Que faria com a pequena Letônia, que fechou seus portos, se os letões não tivessem entrado na OTAN? Olhando para trás, é fácil ver que as promessas não foram cumpridas. Se fossem, seria tudo igual.

Visão curta

Enquanto os líderes fazem besteiras que levam gente à morte, liderados se esmeram nas bobagens. Um restaurante se recusa a servir estrogonofe, os maestros russos Valery Gergiev e Pavel Sorokin ficam fora da programação em Paris e Londres. Imagine se os EUA, em guerra com Alemanha e Itália, tivessem afastado de suas universidades o professor alemão Albert Einstein e o físico italiano Enrico Fermi? Mas essas bobagens têm precedente: 1964, no Brasil, logo após a tomada de poder pelos militares. O Ballet Bolshoi não pôde se apresentar, nem a Seleção soviética. Parece que era tudo comunista!

Lendo pesquisas

Lula continua favorito, com 43% das intenções de voto, seguido por Jair Bolsonaro, com 26%. Os bolsonaristas ficaram eufóricos com o resultado do Datafolha, porque não indica vitória de Lula no primeiro turno. O resultado ainda pode mudar: em 1989, Collor estava disparado na frente, seguido por Lula e Brizola, praticamente empatados (Lula venceu Brizola e foi para o segundo turno, onde perdeu para Collor). Mas tudo poderia ter mudado: no meio da campanha, Sílvio Santos lançou sua candidatura, e em dois dias já estava disputando o primeiro lugar. Se não dessem um jeito de vetá-lo, Sílvio tinha boas probabilidades de ganhar. O problema é que, hoje, quem seria o Sílvio Santos?

Nenhum dos candidatos da “terceira via” alcançou a casa dos 10%. Todos, somados, não chegam à magra marca de Bolsonaro.

Belo futuro por trás

A situação do Brasil é complexa: o que há de opções é tão fraquinho que Bolsonaro quer que Damares seja candidata à Câmara, mas não sabe por qual Estado; e quer porque quer lançar seu ministro Tarcísio (sim, o que era autoridade na presidência de Dilma) para o Governo paulista. Lançou a confusão na cabeça do ministro: ele já cansou de circular pela Rodovia dos Bandeirantes e ainda não descobriu onde fica o tal Palácio dos Bandeirantes.

A coisa está tão pra trás que a grande novidade das eleições é o Alckmin.

Tico x Teco

De um lado, um cavalheiro inocente, acossado por denúncias de pessoas que confessaram crimes que certamente não cometeram, devolveram um dinheirão que não tinham roubado e até cumpriram pena, tudo pelo simples prazer de mentir. De outro lado, um cavalheiro que dedicou sua carreira à formação de famiglia, investigado (a contragosto) por manter fantasmas em sua folha de pagamento, para pegar a maior parte dos salários; criticadíssimo por enfiar a mão em rachadinhas; deixou pra lá o pessoal da propina na vacina, acha que não tem problema liberar pastores amigos para distribuir verbas na Educação. Este combate tanto a corrupção que até infiltrou gente sua entre os milicianos, certamente para apurar melhor o modus operandi.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Lições de um profissional > Coluna de Carlos Brickmann

Publicação compartilhada do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, em 15 de dezembro de 2021 


Lições de um profissional 

 
Coluna de Carlos Brickmann, publicada nos jornais... 

Bolsonaro e Moro fazem o mesmo tipo de campanha: ambos falam para seus eleitores cativos. Os discursos de Bolsonaro são perfeitos para agradar os bolsomínions: ele continua combatendo vacinas e o uso de máscaras, e defendendo as cloroquinas da vida. Os de Moro são ótimos para os lavajatistas convencidos de que ele extirpará o maior problema do Brasil, a corrupção. Como explicar que entrou num Governo preocupado apenas em salvar a família do chefe? Nenhum dos dois fala em fome, salário e emprego. 

 

Enquanto isso, Lula vai conquistando espaços. Vai para o Exterior e é bem recebido, enquanto Bolsonaro enfrenta resistências; diz-se de esquerda, sabendo que boa parte dos dirigentes da União Europeia se filia a partidos esquerdistas, e sem se dar ao trabalho de explicar que a esquerda em nosso continente nada tem a ver com socialistas, trabalhistas e social-democratas da Europa, mas está bem mais próxima de organizações criminosas como a Máfia e a N’Drangheta. Também não perde tempo falando mal da aparência das esposas dos dirigentes europeus. Apresenta-se como o reformista que vai lutar contra a fome. Amazônia? Isso é problema para Bolsonaro explicar. 

 

E, no Brasil, sabendo que a esquerda é monopólio seu, convida Alckmin para vice. Se aceita ou não, tudo bem: ele tentou. E avança numa região que seria de Moro, a de centro-direita. Este colunista nunca votou nem votará em Lula. Mas é um prazer assistir à atuação de um profissional entre amadores. 

 

O desempenho 

  

Lula se dá ao luxo de defender a censura à imprensa (com o codinome de “controle social da mídia”, mas não ataca diretamente nenhum empresário do setor. Controlar, sim. Destruir, não. Não há ameaças de fechar a Globo, ou bobagens desse tipo. Como Bolsonaro, Lula mente: diz que sofreu com processos injustos mas foi inocentado. Não foi: livrou-se das acusações por questões processuais, mas as acusações existem. Só que, com a demora da Justiça, dificilmente haverá tempo para que seja condenado de novo. Parte significativa da população está convencida de que ele se livrou por ser mesmo inocente. Já Bolsonaro periodicamente inventa coisas sobre covid, ou diz coisas que serão desmentidas em seguida sobre a Amazônia. E Lula, veja, não se move para conquistar o Centrão. Ele sabe que isso não lhe daria votos. E, ganhando a eleição, o Centrão cairá no seu colo, pronto para votar com o Governo, cheio de amor. Carinho para dar e vender. 

 

Fazendo inimigos 

 

Bolsonaro detesta a Globo e já anunciou que vai endurecer na hora de renovar as concessões. Não consta que tenha o mesmo ódio pelo SBT. Mas, no último fim de semana, seus seguranças e bolsomínions agrediram não só repórteres da Globo, mas também do SBT – e seu homem de comunicações, Fábio Faria, é casado com uma das filhas de Sílvio Santos. Foi na sua frente, mas Bolsonaro, impassível, assistiu às agressões. O espancamento não poupou as mulheres – como já tinha ocorrido em 31 de outubro, quando a repórter Ana Estela de Souza Pinto, da Folha de S.Paulo, foi agredida em Roma por alguns dos jagunços que acompanhavam o presidente. Em termos pessoais, talvez o presidente até goste desse tipo de cena, vingança contra os jornalistas que não seguem seu catecismo. Mas em campanha? Bolsonaristas que sejam, quantas pessoas ficam felizes ao ver que homens pesadamente armados, adestrados em artes marciais, não hesitam em agredir mulheres? 

 

Um manda, outros obedecem 

 

O ministro da Infraestrutura de Bolsonaro, Tarcísio Gomes de Freitas, deve se candidatar ao Governo de São Paulo. Sua explicação – ele não é de São Paulo, não morou em São Paulo, não conhece São Paulo – lembra a do ministro da Saúde, general Pazuello, que Bolsonaro chama de “nosso gordinho”: “O presidente quer, então serei candidato ao Governo paulista”. 

 

Tarcísio confirmou sua candidatura na festança de fim de ano oferecida pela ministra Flávia Arruda, e foi incentivado pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que garantiu que acredita no seu sucesso. 

 

Divertindo-se 


Campos Neto deve ter herdado do avô, que foi ministro do Planejamento, a capacidade de manter a aparência séria enquanto dá risadas por dentro. 


Estudos paulistas

 

Tarcísio Gomes de Freitas é carioca, fez carreira militar na Marinha e se reformou como capitão. Daí em diante, fez a vida em Brasília: antes de ser o fiel bolsonarista que é hoje, foi chefe do DNIT, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, nomeado pelo Governo Dilma. Já disseram a Bolsonaro que Tarcísio, profundo desconhecedor de São Paulo, será esmagado nos debates. Mas o ministro é estudioso: dentro de pouco tempo saberá ao menos qual é a capital do Estado que pretende governar, descobrirá que o Aeroporto de Viracopos não foi batizado em homenagem ao adversário e terá decorado direitinho o nome do Aeroporto das Cegonhas. 


Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com 

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Os sinais do naufrágio

Publicação compartilhada do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, em 4 de julho de 2021

Os sinais do naufrágio

Coluna de Carlos Brickmann, publicada nos jornais deste domingo:

Houve época, caro leitor, em que no Brasil havia mais técnicos de futebol do que especialistas em vacinas. Todos eram capazes de perceber quando um bom time, bem dirigido, bem colocado, tinha entrado em crise e de repente ninguém mais acertava um passe. Na frase de Vampeta, após uma temporada ruim no Flamengo, “eles fingem que pagam, nós fingimos que jogamos”.

Note quem cria problemas para Bolsonaro, na propina da vacina: os mais fiéis bolsonaristas. Luís Miranda, por exemplo, nunca fez política: era youtuber de sucesso nos EUA. Encantou-se por Bolsonaro, voltou ao Brasil e se elegeu deputado federal. Mas em poucos anos descobriu como as coisas funcionam. Seu irmão, servidor público de carreira, tomou uma prensa para liberar vacinas que ainda não tinham sido aprovadas, pagando antecipado, e sob ameaça de sofrer represálias se não concordasse. Não concordou e falou com o irmão, que foi a Bolsonaro. E daí? Nada. Revoltou-se, botou fogo na CPI. E já pensaram se ele tem a gravação da presidencial conversa?

O general Mourão é a chave da estabilidade do Governo. Sem que esteja de acordo, Bolsonaro pode até querer, mas golpe é difícil. Se topar, fica mais fácil o impeachment. Que disse Mourão para, digamos, defender Bolsonaro? “O Ministério da Saúde sempre foi um lugar onde a corrupção andou lá dentro, né? Então, eu vejo que isso é responsabilidade dos gestores que têm de estar atentos a isso o tempo todo”.

Ricardo Barros está sempre atento.

Questão de estilo

Mais Mourão: “Eu nunca soube que alguma coisa estivesse ocorrendo lá no Ministério da Saúde, né? Acredito que o presidente, quando tomou conhecimento, acionou o ministro, o Pazuello, para que investigasse o que estava acontecendo – que seria a mesma reação que eu teria, né?” Não é?

Cadê, cadê?

Por falar em gente do Governo que só atrapalha o Governo, por onde anda o Onyx Lorenzoni, gauchão bravo, de facão na bombacha, que ameaçou de perseguição o deputado Luís Miranda? Disse que a Polícia Federal, por ordem de Bolsonaro, vai investigá-lo – não o caso, mas só os denunciantes. Disse que ele terá de se haver com o Senhor. E também com o pessoal do Governo.

Em seguida, ocultou a roupa pichada e sumiu. Cadê?

Resumão

Escolha nas ruas de sua cidade um ônibus todo maltratado, pneus carecas, visivelmente inclinado para um lado, um rangido de ferro por freada, passageiros saindo irritados e xingando o motorista. É questão de tempo.

Vacina velha, vencida

O laboratório anglo-sueco AstraZeneca trabalha com o Instituto Karolinska, da Suécia, com o Imperial College de Oxford, Inglaterra, sempre acima de qualquer suspeita. Têm fama de negociantes corretos e sólidos. Não foram eles, portanto, que mandaram 26 mil vacinas fora de validade para o Brasil. Enviaram as vacinas, mas com certeza chegaram a tempo e perderam a validade sabe-se lá por que – talvez algum acerto impossível, né? Eles só vendem direto da empresa para o Governo brasileiro.

O mesmo que, faz alguns meses, deixou encalhados testes de Covid até que o tempo, implacável, os envelhecesse. Essas vacinas, lemos, não fazem mal, mas não geram imunidade. Quem as tomou terá de ser novamente vacinado. A dez dólares a dose, são US$ 260 mil. E esse desperdício é quase pequeno perto dos US$ 400 milhões envolvidos no pixuleco das vacinas indianas.

Deixa o homem trabalhar

Problemas no Ministério da Saúde, fogo amigo – não esquecer quem foi o primeiro a designar o filho 03 do presidente, Eduardo, de Bananinha. Sim, foi o general Mourão, sabe-se lá por que motivo. Há a ameaça permanente de que Luís Miranda apareça com a gravação de sua reunião com Bolsonaro. E, faça-se justiça, Bolsonaro não desiste e não para de trabalhar: agora festeja o que considera a inutilidade da CoronaVac.

Por algum motivo ele tem de ficar alegre, uai! “Abre logo o jogo. Eu estou aguardando aquele cara de São Paulo falar. Não deu certo essa vacina dele, infelizmente, no Chile. Aqui no Brasil também parece que está complicado. Torcemos para que essas notícias não estejam certas, parece que infelizmente não deu muito certo”.

O nome oculto nessas frases é o do governador João Doria, que trouxe ao Butantan a vacina chinesa CoronaVac. Só que não é o Butantan que fornece vacinas ao Chile, são os chineses. E, no Chile, houve alta de internações, só que basicamente entre não-vacinados. Lá, diz o Governo, falta vacinar mais.

A volta de Jade

Jade, nossa gata de estimação e analista política, volta de longa folga. Mas desta vez é para desabafar: está com nojo dessa gentalha que tenta enriquecer com a doença dos outros. Mil por cento a mais no preço da vacina, um dólar de pixuleco por dose.

Quem pode garantir que o inexplicável atraso na busca de vacinas não foi para garantir que haveria gente mais flexível nas ofertas?

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com

domingo, 28 de junho de 2020

Filhuxos, encolhi as ameaças!


Publicado originalmente no blog OTAMBOSI, em 27 de junho de 2020 

Filhuxos, encolhi as ameaças!

Coluna de Carlos Brickmann, publicada nos jornais deste domingo:

Talvez sejam os problemas judiciais, talvez a prisão de alguns dos devotos mais radicais, talvez a apreensão de arquivos virtuais – mas, seja qual for o motivo, o presidente Bolsonaro está em nova fase: a de Mito Paz e Amor. O novo ministro da Educação que escolheu pode ser bom ou ruim, mas é uma pessoa normal, que jamais chamaria a mãe de um crítico de “égua sarnenta”. Ministros seus fizeram gestos de paz a Supremo e Congresso, e – surpresa! – Bolsonaro até se mostrou solidário com os 50 mil mortos do coronavírus, e pediu ao presidente da Embratur, Gilson Machado, que tocasse na sanfona a belíssima Ave Maria, de Gounod. Está bem, Machado está longe de ser um Dominguinhos, não tem a voz de um Caruso, mas valeu pela homenagem.

Com Bolsonaro nunca se sabe, mas aparentemente optou pela suspensão das ameaças. Aproximou-se do Centrão, que prefere um ótimo acordo a uma boa briga, mantém-se mais afastado dos devotos do cercadinho, onde costumava fazer declarações explosivas. E, vários dias depois da prisão de Fabrício Queiroz, nada comentou – nem sobre o preso, nem sobre Frederick Wassef, ao mesmo tempo advogado de Flávio Bolsonaro, de Queiroz e do próprio Bolsonaro. Carluxo, o mais belicoso dos filhos, retornou às atividades na Câmara Municipal do Rio, longe do Planalto.

Os devotos continuam ferozes, pedindo briga, mas, sem apoio presidencial, até quando?

Conciliação

Os novos ministros são mais conciliadores que os anteriores. Fábio Farias, das Comunicações, tem ótimo relacionamento no Congresso. Carlos Alberto Decotelli, da Educação, deixou boa impressão no meio político, dos tempos em que esteve na presidência do FNDE, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – embora ainda não tenha explicado quem foi o responsável por uma concorrência que o Tribunal de Contas anulou, na qual seriam comprados vários computadores para cada aluno.

E, além de ter deixado boa impressão, tem outras vantagens: não é Weintraub nem olavista.

Um bom momento

A corda foi muito esticada, mas talvez ainda seja possível o retorno – se os filhos colaborarem, se o próprio presidente se contiver, se os inquéritos e ações judiciais não puserem seu mandato em risco. E há alguns pontos, neste momento, em favor de Bolsonaro: embora a pesquisa Datafolha indique que ampla maioria acha que ele sabia onde Queiroz estava, isso não abalou sua popularidade. Houve uma ligeira queda, de um ponto percentual, dentro da margem de erro. E, por esses dias, o presidente inaugurou o primeiro reservatório no Ceará que recebe água da transposição do rio São Francisco – obra que se arrastava desde D. Pedro 2º. Justo no Ceará, comandado pela família do adversário Ciro Gomes. Isso deve elevar seu índice nas pesquisas.

Uma vitória

O senador Flávio Bolsonaro ganhou no Tribunal de Justiça do Rio e terá direito a foro privilegiado, por ser deputado estadual na época do episódio das rachadinhas. A decisão permite que o julgamento ocorra em segunda instância, pulando a etapa do juiz único. Talvez essa vitória, que o afasta do juiz Flávio Itabaiana, leve também à anulação da prisão preventiva, ordenada pelo juiz, no mesmo processo, de Fabrício Queiroz. Mas a questão deve ser observada com cautela: o Supremo já decidiu várias vezes que, ao deixar o cargo que lhe dá direito ao foro especial, o cidadão passa a ser julgado em primeira instância (o que acontece, por exemplo, com o ex-presidente Michel Temer). Há uma diferença entre ambos: Temer não mais ocupa cargo público e Flávio passou de deputado estadual a senador, sendo que senador também tem foro especial. Mas o foro vale para problemas ocorridos em função do mandato. O caso de Flávio ocorreu em outro mandato. Que dirá o STF?

A marcha da gripezinha

Em Brasília, no dia 25 de maio, com tudo fechado, houve 6.930 casos de Covid, com 114 mortes. No dia 26 houve o afrouxamento das restrições, com abertura do comércio. Um mês depois, 24 de junho, houve 37.254 casos, com 495 mortes. As associações de comerciantes haviam prometido erguer um hospital de campanha com 300 leitos de UTI, o impacto previsível. O impacto foi pouco maior, porém os lojistas não cumpriram a promessa. No dia 25 de junho, havia 95 pessoas esperando lugar na UTI. Mas o problema não é apenas de promessas descumpridas: Israel, que havia levantado boa parte das restrições, fechou-se de novo; Portugal também; e, nos EUA, o número de casos e de mortes bateu recordes neste fim de semana.

O grande reinício

Se a questão do emprego é difícil para todos, imagine quem tem mais de 50 anos e já era discriminado antes da pandemia. Pois é: um grande evento de trabalho e reinvenção profissional para os maiores de 50 anos vai-se realizar de 6 a 9 de julho. São mais de 50 palestras ao vivo pelo Instagram, na Kaleydos.

Endereço https://bit.ly/MaturiFest2020. Tudo de graça.

Texto e imagem reproduzidos do blog otambosi.blogspot.com