Publicado originalmente no site JLPOLÍTICA, em 28 de março
de 2020
Opinião - Pelo Covid-19, nem falecer nem falir
Por Juliano Cesar Faria Souto
Gostaria de dar aqui um depoimento pessoal. Estava em férias
com a família em Roma no período de 22 a 29 fevereiro e vivi uma cidade que
“apostou” que o “corona”, que tinha iniciado há uma semana em Milão e região,
não chegaria e estava deslumbrante e alegre. Tudo cheio.
Hoje, sabemos: deu no que deu. Ao retornar ao Brasil,
observei, com certo espanto, que havia uma preocupação e que medidas
preventivas estavam sendo tomadas.
Isso sinalizava que, através da liderança competente do
ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, nosso país fosse trilhar por um
caminho fundamentado na ciência e, especialmente, ajustando suas políticas de
saúde e mitigação de danos econômicos nas experiências exitosas dos outros
países.
Em Sergipe, como um membro convidado do Condem - Conselho de
Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Aracaju -, pude certificar que
existe um plano bem estruturado e diálogo com lideranças para que as medidas
fossem compartilhadas. Para espanto geral, de um momento para o outro estamos
assistindo a uma escalada de aberrações. Quais são?
Uma - O nosso presidente fala em “gripezinha”, diz que a CLT
manda que estados e municípios paguem os salários dos empregados das empresas
privadas etc.
Duas - O que era para ser uma reunião de alinhamento entre o
Governo Federal e os Estaduais, vira um palanque político eletrônico.
Três - A transferência de responsabilidade e interferência
em atos entre os diversos níveis de poder.
Quatro - Membros do próprio Governo nacional cada um com
ações e opiniões diferentes.
Cinco - Uma profusão de decretos e medidas, alguns até
justos, mas sem qualquer diálogo com a sociedade.
Seis - Anúncios de medidas pirotécnicas, ou no mínimo
inacabadas, que não são implementadas, muitas canceladas e nenhuma até o
momento efetivada.
Sete - Um total desencontro entre as informações científicas
e as atitudes práticas.
Oito - Carreatas, guerra nos grupos de zap, medidas
judiciais contra ou a favor do isolamento social e do fechamento dos negócios.
Enfim, um verdadeiro e indesejável Fla-Flu. Como pano de fundo de tudo isso,
perplexidade e temor generalizado.
Mas, mesmo apesar de tudo, tenho esperança sim. Vi, na noite
da última quinta-feira, 27, o “explosivo” e competente ministro da Economia do
Brasil, Paulo Guedes, prestar um esclarecimento à nação, desta vez técnico, com
anúncio claro de medidas mitigadoras das consequências econômicas nas pessoas e
nas empresas.
Em Sergipe, também como um convidado, vi o deputado federal
Laércio Oliveira reunir mais 20 lideranças empresariais para formatar um plano
emergencial e agendar reabertura de diálogo com os Governo de Sergipe e de
Aracaju.
Esperamos que, a partir desta próxima segunda-feira, 30, os
empresários e a população brasileira possam, ao ligar a televisão - o Jornal
Nacional voltou a ser atividade obrigatória -, e ao acessar as redes sociais
ser bombardeados pela efetivação das medidas já anunciadas e outras tantas que
se fazem necessárias.
Porque nestas semanas vindouras teremos folha de pagamento,
fatura de cartão de crédito, fornecedores impacientes pelo pagamento dos
boletos, mensalidades das crianças nas escolas, compras no supermercado para
fazer, IPTU, ICMS, INSS etc., e tudo isto, obviamente, só se revolve com
dinheiro.
E, para dinheiro, só tem e duas fontes: da retomada com
segurança de nossas atividades econômicas, ou ser ressarcido pelo erário
público. Assim, cabe a nós cidadãos tentarmos, cada um a seu modo, demonstrar
que o momento é de união e, corretamente colocar a saúde das pessoas em
primeiro lugar, mas, por certo, haveremos de ter urgentemente um conjunto de
medidas efetivas.
Não bastam só os anúncios dessas medidas. Precisamos de
apoio para nossas empresas e para os empregos ou renda informal, pois entre
falecer ou falir, esperamos que nenhuma das duas opções prevaleça nem nos
alcance.
Por fim, nós brasileiros esperamos contar com lideranças
sensatas, competentes e comprometidas com o bem-comum pois, como dizem os mais
antigos, são nas tormentas que conhecemos o verdadeiro capitão que nos conduz a
um porto seguro ou o pirata cujo objetivo é assaltar o porto mais próximo – as
eleições 2022. Mas, com fé em Deus, tudo vai se ajustar.
* É empresário e mantenedor do Grupo Fasouto, genuinamente
sergipano.
Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica.com.br
