Legenda da foto: Imagem postada pelo blog 'Ideias & Lideranças', para ilustrar o presente artigo - (Crédito da foto: NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)
Artigo publicado originalmente no Perfil do Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão, em 16 de dezembro de 2022
Por Paulo Roberto Dantas Brandão
“Contra Hitler, me alio até com o diabo”, disse Churchill quando da II Guerra, respondendo a pergunta se se aliaria aos Soviéticos. Churchill, Primeiro Ministro inglês no período, era conhecido por ser anticomunista. Mas tal aliança foi fundamental para vencer a guerra. E ele sabia disso, como sabia que não podia errar.
Faço como Churchill, contra Bolsonaro votaria até no diabo. Não só contra o que ele é pessoalmente, mas pelo que representa. Por sua política extremista, que chegou a envolver quase toda a classe média do país. Por sua tendência fascista, autoritária, atrasada e antidemocrática. Como Hitler, Bolsonaro é um mal que precisa ser tirado da política.
Votei em Lula, sem morrer de amores pelo PT. Mas era a opção que se apresentava. Meu único arrependimento em todo esse processo é que na eleição de 2018 votei em branco. Não quis dar meu voto a Haddad. Foi um erro. Vou começar a criticar Lula, sem arrependimento pelo meu voto. Dentro das mesmas condições, votaria outra vez nele. E nunca, nunca mesmo, votaria em Bolsonaro, ou em alguém que pense como ele.
Acredito que Lula tem uma missão acima de todas as outras: pacificar o país. Para isso tem que fazer política, como é natural. Começou bem ao ter Geraldo Alckmin como companheiro de chapa. E fez uma costura impecável para o Segundo Turno. Infelizmente está saindo do script na montagem do ministério.
Entendo a indicação de Fernando Haddad para a Fazenda. Não é o nome dos meus sonhos. Preferia alguém mais ligado a área econômica. Não um Paulo Guedes da vida, que se mostrou um destrambelhado boquirroto. Mas alguém mais ligado ao centro esquerdo, e um tanto fora da influência petista. Isso era difícil, não seria duradouro, e resultaria numa crise em pouco tempo. Lula optou por alguém que obedecesse, e pronto. Entendi. Nada satisfeito, mas compreensível.
Acho que acertou no dome do Flavio Dino para a Justiça e de José Múcio para a Defesa. Mauro Vieira para o Itamaraty não compromete. É um técnico da área. E Margareth Menezes para a Cultura mata diversos coelhos de um só golpe. Mulher, negra, artista, popular. Já o outro baiano, o ex-governador Ruy Costa na Casa Civil eu até entendo, mas não concordo. Além de um tanto inexpressivo, poderia ter um nome não muito petista.
O problema é a voragem do PT que não aceita ceder um naco do poder, e quer todos os espaços. Os petistas acham que foram eles que ganharam as eleições, o que não é verdade. E, portanto, poderiam fazer como nos governos anteriores, onde os aliados eram meros subservientes, ocupando pastas inexpressivas. Seriam aderentes e não aliados. Isso não poderia acontecer no presente, mas é o que se noticia. Por exemplo, Simone Tebet, que teve um papel fundamental para a vitória de Lula no Segundo Turno, está sendo rifada pelo PT que não aceita o seu nome para o Ministério do Desenvolvimento Social. O veto não é só um erro, que se confirmado vai prejudicar muito a principal missão do presidente eleito, mas uma demonstração clara da dificuldade que os aliados terão com os petistas.
Povoar o governo Lula, em todos os cargos importantes com petistas é repetir os erros dos governo anteriores, e dar munição aos bolsonaristas, na espreita por tais equívocos. Ou Lula reforça o seu arco de alianças, ou fracassa. Ele só tem uma bala para matar o monstro da extrema direita. Não pode errar. Não tem o direito de errar.
Texto reproduzido do Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão














