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segunda-feira, 4 de novembro de 2024

O eleitorado consolida sua preferência à direita

Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 29 de outubro de 2024

O eleitorado consolida sua preferência à direita

O Brasil sai das urnas com uma política mais pragmática e menos polarizada, uma esquerda em crise e dependente de Lula e uma direita fortalecida em busca de um líder para 2026. Editorial do Estadão:

Sem grandes surpresas, o segundo turno das eleições municipais consolidou o cenário político desenhado no primeiro: a revitalização da política tradicional; uma direita robustecida, mas fracionada; uma esquerda em crise; e o desgaste das duas lideranças dominantes em âmbito nacional, o presidente Lula da Silva e, sobretudo, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

No cômputo geral, candidatos radicais foram rechaçados, interesses locais e referendos sobre gestão prevaleceram e o centro, tanto em sua faceta ideologicamente moderada quanto em sua faceta fisiológica, triunfou. A maior expressão disso foi o desempenho do PSD, primeiro colocado, com 887 prefeituras, e do MDB, com 853.

Em certo sentido, os partidos do Centrão voltaram às suas origens de contraponto ao progressismo na Constituinte de 1988. Em outro sentido, essa volta foi abastecida pelo fortalecimento desses partidos no Congresso, munidos de multibilionários fundos eleitorais e, sobretudo, emendas parlamentares. O número de prefeitos reeleitos foi o maior dos últimos 20 anos, chegando a 80%. Nas 112 cidades mais contempladas com emendas, a taxa foi de 93,7%. As emendas cumpriram sua função de capilarizar a dominância desses partidos, e a contrapartida será seu fortalecimento no Congresso.

A expressão mais eloquente da crise de representatividade da esquerda foi a desidratação no Nordeste, onde perdeu metade das capitais, ficando com apenas duas. Em número de prefeituras, o PT ficou em 9.º lugar, atrás até do moribundo PSDB. O maior vencedor no campo progressista, o PSB, ficou em 7.º lugar. No geral, mesmo com a máquina do Executivo nacional, foi o pior resultado da esquerda desde a redemocratização.

A pauta da inclusão social foi incorporada por outros espectros e a credibilidade da esquerda para implementá-la foi irremediavelmente maculada pela corrupção e pela recessão na gestão lulopetista de Dilma Rousseff. As políticas assistencialistas já não são novidade e carecem de combustível por causa do aperto fiscal. Faltam ideias para atender às preocupações da população com a segurança e seus desejos de empreender. Um protagonista novo, como João Campos (PSB), reeleito no Recife, ainda é só uma promessa. Em São Paulo, Guilherme Boulos (PSOL), mesmo com o apoio do PT e recursos de campanha dez vezes maiores, perdeu sua segunda disputa consecutiva. Com praticamente o mesmo número de votos de 2020, Boulos perdeu em quase todos os distritos e se revelou um candidato de nicho, com um teto intransponível.

Nas disputas entre o PT e o PL, de Jair Bolsonaro, o PL, em geral, levou a melhor. Mas, como cabos eleitorais, Lula e Bolsonaro mais perderam do que ganharam. Lula, seja porque já não tem o mesmo vigor, seja porque está mais preocupado em projetar sua imagem no exterior, seja para não bater de frente com partidos que formam a sua base, não entrou a fundo nas disputas. Mas o maior derrotado foi Bolsonaro. Quase todas as suas apostas malograram – assim como as tentativas de retaliar moderados como o PSD. Em seu próprio partido, prevaleceu a ala pragmática comandada pelo presidente Valdemar Costa Neto. Os principais postulantes da direita para a Presidência em 2026 – os governadores Tarcísio de Freitas (SP), Ronaldo Caiado (GO) e Ratinho Jr. (PR) – emplacaram candidatos com apoio marginal de Bolsonaro ou até contra ele, como (veladamente) em Curitiba e (explicitamente) em Goiânia. Um candidato como Pablo Marçal mostrou que pode abocanhar votos do bolsonarismo dito “raiz” mesmo à revelia de Bolsonaro.

Olhando para 2026, Lula sempre será um candidato forte. Mas está envelhecido, em idade e ideias. Em termos partidários, encaminha-se para a disputa em “esplêndido isolamento” e sem aquela que foi sua principal alavanca em 2022: a contenção de Jair Bolsonaro. As moedas de troca com um Centrão robustecido em âmbito regional e no Legislativo federal minguaram, e esse grupo está sempre pronto para migrar para onde estiverem as preferências do eleitorado. Neste momento, elas apontam para a direita. Mas ainda falta uma liderança capaz de representá-las em âmbito nacional.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi blogspot com 

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Esquerda apagada

Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 25 de outubro de 2024

Esquerda apagada

Como o PT e seus aliados perderam a conexão com os brasileiros. Duda Teixeira para a revista Crusoé:

O resultado pífio nas eleições municipais escancarou o apagão que a esquerda brasileira está atravessando. Incapaz de atualizar suas bandeiras, essa corrente perdeu a conexão com boa parte da população, principalmente com os mais pobres. O fenômeno tem causas internas e externas, e vem se delineando há vários anos, mas tem sido sistematicamente desprezado pelos seus líderes. Essa dificuldade em encontrar uma solução para ele faz com que o PT e seus aliados mais próximos, como o Psol, tenham um futuro incerto pela frente.

No plano mais geral, o fim do bloco soviético, em 1989, expôs a ineficiência do centralismo econômico e das ideologias comunistas. Foi uma vitória clara do poder do capitalismo e da democracia em prover o bem-estar das pessoas e atender aos seus anseios por liberdade. Mas o PT de Lula, em vez de embarcar em um novo rumo mais liberal, como fizeram os partidos de esquerda europeus, fundou o Foro de São Paulo, em parceria com o ditador cubano Fidel Castro. De lá para cá, a correção de rota nunca aconteceu.

O PT manteve-se atrelado às suas principais características, que estavam presentes desde sua fundação, em 1980. “O partido cresceu fincado em três estacas: os sindicatos, os movimentos sociais e, em terceiro lugar, as comunidades eclesiais de base e pastorais Igreja Católica”, diz o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do Ipespe. “Foi essa a rede que deu enorme capilaridade ao partido no campo e na cidade. Acontece que o chão em que o PT apoiou suas estacas não existe mais.”

O país se desindustrializou, concentrando-se na área de serviços e na produção rural. As fábricas que restaram se automatizaram, o que reduziu em muito o número de operários. As cenas de Lula discursando para milhares de trabalhadores nos pátios das montadoras no ABC hoje seriam impraticáveis. Não foi sem motivo que, quando o presidente foi comemorar o Primeiro de Maio em São Paulo, o local escolhido foi o estacionamento do estádio do Corinthians. E o público, apesar dos esforços da organização, não compareceu.

A penetração da esquerda nos movimentos sociais hoje conta pouco e pode até gerar repulsa. Ações violentas e ilegais elevaram a rejeição ao Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) e ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Além disso, a sociedade passou a se organizar principalmente pelas redes sociais, área em que o PT e o resto da esquerda não tem conseguido domar.

A atuação junto às organizações de base Igreja Católica também perdeu relevância. Desde 1980, a porcentagem de evangélicos na população subiu de 6% para 22%. Nos bairros mais carentes, são as igrejas evangélicas de diversas dominações que entram em contato com as pessoas e prestam serviços diversos. Em lugares em que o Estado não está presente, mas com o apoio dessas igrejas e de seus pastores, muitos brasileiros conseguiram subir na vida.

Empreendedorismo em alta

Essas mudanças sociais trouxeram maneiras diferentes de ver o mundo, com a disseminação de novos valores. Aqueles que ascenderam socialmente valorizam o trabalho e o mérito pessoal. Muitas se tornaram pequenos empreendedores, abrindo pequenos negócios, como salões de beleza ou lojas de conserto de celular. Outras são motoristas e entregadores. “O Brasil tem hoje 11 milhões de pessoas cuja principal fonte de renda vem dos aplicativos. Esse contingente inclui tanto os motoristas e entregadores como os que vendem camisetas no Mercado Livre ou bolos de pote no iFood”, diz o cientista político Renato Meirelles, fundador do Instituto Locomotiva. “Em geral, essas pessoas estão contentes em poder gerenciar o próprio tempo e em terem prosperado na vida sozinhas, sem terem tido um patrão, um chefe”, diz Meirelles.

Discursos políticos que veem as pessoas como dependentes do Estado, que prometem benefícios dos empregos formais ou programas de transferência de renda têm baixa reverberação nesse público. Haja vista que todas as iniciativas do governo de Lula para regulamentar o trabalho por aplicativo sofreram resistência dos motoristas e entregadores. Além disso, um levantamento feito pelo cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília, mostrou que, nas 17 cidades brasileiras em que mais de 40% da população depende do Bolsa-Família, o PT não venceu em nenhuma. O PSB, também de esquerda, só conseguiu uma cidade: Camaru, em Pernambuco. “A independência econômica não estava nos planos dos governos de esquerda, que argumentavam servir aos pobres. Muitos brasileiros não estão dispostos a perpetuar a lógica da gratidão e da lealdade. Eles acham que chegou a hora de desmamar, de sair para o mundo e conquistar coisas novas”, diz a cientista política Juliana Fratini.

Só muito recentemente algumas vozes da esquerda entenderam essa mudança de paradigmas. Em entrevista para a rádio O Povo, de Fortaleza, o presidente Lula falou: “Houve mudança substancial e nós precisamos adequar o nosso discurso ao mundo do trabalho, que não é só carteira profissional assinada”. O candidato Guilherme Boulos, que é do Psol e apoiado pelo PT, divulgou uma Carta ao Povo de São Paulo nesta semana, em que fala brevemente em uma “periferia que quer empreender”. O documento só saiu seis dias antes da eleição. “É uma iniciativa que vai no caminho correto, mas que chega de maneira tardia e atabalhoada, o que não gera autenticidade”, diz o cientista político Carlos Pereira, da Fundação Getúlio Vargas.

Identitarismo em baixa

Em vez de prestar atenção aos pobres, a esquerda entrou nas reuniões da elite cultural brasileira, que tem importado conceitos e práticas da esquerda americana. O Psol, que nasceu do PT, está na vanguarda dessa onda, tendo encampado como nenhum outro o identitarismo e os discursos de raça e gênero. Mas esses temas não têm gerado simpatia entre a maior parte da população, que lida com problemas mais imediatos. “Em algumas áreas da periferia de Brasília, o maior problema é a gravidez precoce. O remédio para esse problema não é o Psol, mas as propostas da senadora Damares Alves”, diz o cientista político Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy e colunista de Crusoé.

Muitos eleitores não entendem a legitimidade da segmentação por raça, sexo e gênero, como ainda se sentem excluídos ao ver esses grupos de interesses brigando por seus espaços. “O identitarismo é atomizante, porque fala com o negro, com a mulher, com o portador de deficiência. Mas essa segmentação para vários grupos específicos exclui todos os que não fazem parte deles. Quando a Universidade de Brasília, UnB, cria cotas para pessoas trans, todos os que não são incluídos nas cotas reagem negativamente”, diz Barreto.

O fiasco identitário pode ser constatado nas eleições municipais deste ano. Nenhum partido teve tanto apoio de artistas quanto o Psol. Mas a pauta identitária, que ao mesmo tempo defende uma visão estatizante da economia, foi um fiasco. Nos 5.570 municípios brasileiros, a sigla não emplacou um único prefeito. A última esperança é o segundo turno na cidade de São Paulo, onde Boulos está a mais de dez pontos atrás de Ricardo Nunes, do MDB. O PT, por sua vez, concorre em quatro capitais e tem sua maior chance em Fortaleza, no Ceará. No estado de São Paulo, berço do PT, a sigla só levou três prefeituras. Sem uma mudança substancial de agenda, essa situação periclitante só poderá piorar.

Texto e imagem reproruzidos do blog: otambosi

Como direita e esquerda saem destas eleições municipais?

Texto compartilhado do site G1 GLOBO, de 28 de outubro de 2024

Como direita e esquerda saem destas eleições municipais? Comentaristas analisam

Segundo turno das eleições deste domingo (27) deu recados ao PT de Lula e ao PL de Bolsonaro.

Por Gustavo Petró, Fábio Santos, g1

Colunistas do g1 e da GloboNews analisaram o resultado das eleições municipais de 2024 e como a direita e a esquerda se saíram após o segundo turno do pleito.

O PSD foi o partido que levou mais prefeituras, um total de 887. Entre as capitais, ganhou a eleição para Prefeitura no Rio de Janeiro com Eduardo Paes, em Belo Horizonte com Fuad Noman, São Luís com Eduardo Braide, e em Curitiba com Eduardo Pimentel.

Em segundo lugar está o pelo MDB, com 854, o que inclui São Paulo, com a reeleição de Ricardo Nunes, e Porto Alegre, com a reeleição de Sebastião Melo.

O PL de Bolsonaro elegeu quatro prefeitos em capitais, no melhor resultado desde o surgimento do partido. Foram dois no primeiro turno e dois no segundo turno. O partido do ex-presidente vai governar João Pessoa com JHC, Rio Branco com Tião Bocalom, Aracaju com Emília Corrêa e Cuiabá com Abílio Brunini.

O PT ganhou apenas a prefeitura de uma capital, Fortaleza. Evandro Leitão foi eleito prefeito da capital cearense com 50,38% dos votos válidos, contra o candidato André Fernandes, do PL. A diferença foi de apenas 0,76%. Apesar do resultado fraco, houve uma melhora para a performance do PT, que não vencia em capitais desde 2016.

Andréia Sadi

Andréia Sadi analisa como a direita e a esquerda saem das eleições 2024

➡️Vitória da direita pragmática

Para a apresentadora do Estúdio i, Andréia Sadi, as eleições municipais deram vitória à direita que representa o campo conservador mais pragmático.

"O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, disse que eleição é uma vitória da direita, mas são várias 'direitas' dentro da direita. O campo conservador é o vitorioso mas com uma pitada de pragmatismo."

A comentarista afirma que a direita sai empoderada do pleito já pensando nas eleições nacionais de 2026 e que a própria esquerda e o PT reconhecem isso.

"A direita sai empoderada e há o reconhecimento disso pelo lado da esquerda e do PT. Eu conversei com José Dirceu, que é uma das principais lideranças do PT, e disse que 'o resultado empodera a direita do ponto de vista psicológico para as eleições 2026'. É uma direita fortalecida, organizada e ampliada. Tem muitas opções de nomes em São Paulo e Goiás, muitas lideranças."

➡️ Futuro da esquerda

Ela finaliza, dizendo que a esquerda recebeu diversos recados e que é necessário renovar para que se encontre novas lideranças.

"Quando se olha para a esquerda, há vários recados. Recados para o governo Lula, de que não está ouvindo a sociedade, segundo lideranças do PT. Tem recado para a esquerda e para o próprio partido, de que é preciso renovar. Não basta renovar apenas as lideranças, mas também achar uma mensagem. Não basta trocar a Secretaria de Comunicação, quem comunica é o presidente Lula. Qual é a mensagem? E voltamos os olhos para o trabalhador autônomo, que foi 'descoberto' no final das campanhas para prefeito."

Julia Duailibi

Julia Duailibi comenta investimento de campanhas de esquerda e direita nas eleições

➡️ Investimento das campanhas

Para Julia Duailibi, apresentadora do Globonews Mais, um dos destaques das eleições 2024 foi valor elevado de investimento nas campanhas.

"O orçamento secreto, as emendas, foram decisivas principalmente para a vitória do Centrão, que é quem controla esse tipo de emenda no Congresso. Na campanha do Ricardo Nunes e de Guilherme Boulos, em São Paulo, o Boulos conseguiu arrecadar neste ano R$ 80 milhões para a campanha e, em 2020, R$ 7 milhões com um desempenho parecido".

Ela destaca que muitas vezes ter uma estrutura sólida não é decisivo para eleger, mas ressalta que do lado do adversário de Boulos teve a máquina pública. "Nunes teve uma arrecadação menor do que a de Boulos, foram R$ 50 milhões, mas ele tinha a caneta na mão e isso é fundamental", ressalta.

➡️ A força do centro

Julia diz que tanto a esquerda como a extrema direita enfrentam dificuldades para conseguir vencer candidatos do centro.

"Há dificuldades estruturais em determinadas candidaturas de esquerda para conseguir vencer o centro. Mas há, também, uma dificuldade similar da extrema direita para vencer o centro, como vimos em Goiânia, em Belo Horizonte e em Curitiba", diz a comentarista.

Natuza Nery e Julia Duailibi

Julia Duailibi e Natuza Nery comentam como direita e esquerda saem das eleições

➡️ Governadores fortalecidos

Julia Duailibi diz que as eleições mostraram a força dos governadores, principalmente por causa da máquina pública e as alianças costuradas por causa da máquina.

A comentarista destaca que Ronaldo Caiado (Goiás), Ratinho Junior (Paraná), Tarcísio de Freitas (São Paulo) e Helder Barbalho (Pará) saíram vitoriosos ao conseguir eleger seus apadrinhados nas capitais.

Julia afirma ainda que a esquerda sai derrotada, "especificamente o PT, mais do que o presidente Lula, que não entrou de cabeça nas campanhas". A comentarista diz que isso foi uma "isso foi uma estratégia, já que as campanhas não estavam fortes". "Ele fazendo isso [não tendo participado das campanhas com mais força] não sai como derrotado."

➡️ Os desafios do PT

Para Natuza Nery, o presidente Lula "tem muito claro o diagnóstico da completa institucionalização do PT, ou o PT transformado em um partido de gabinete".

"Isso é a antítese do PT desde sua criação. O partido foi se distanciando de suas bases."

"Quem são as lideranças do PT com as quais se tem falado? Não tem. Então, o partido precisa ter um retorno às origens. Ao mesmo tempo, esse retorno não pode ser absoluto porque as ideias não estão convencendo os eleitores. É como se as ideias do partido tivessem cansado o eleitorado", diz Natuza.

Julia comenta que, a partir da eleição de 2018, o discurso de extrema-direita de Bolsonaro começa a interessar um eleitor de baixa renda, homem e jovem, o que vai se intensificando nas eleições seguintes.

"Para público, o discurso da esquerda não chega mais. Eles se sentem representados por discursos como do candidato Pablo Marçal. É um discurso antissistema, do Estado menor, o discurso da prosperidade. É um discurso que contempla muito do que os jovens querem agora. Lula entende isso, de que o PT não consegue mais chegar neste público. E ele sabe que precisa mudar."

Daniela Lima

Daniela Lima analisa que Bolsonaro desgastou aliados

➡️ Derrapada de Tarcísio na reta final

Daniela Lima, do Conexão GloboNews, destaca a importância do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na eleição de Ricardo Nunes. No entanto, no dia da votação, o governador se envolveu em uma polêmica ao falar que a polícia interceptou mensagem de facção orientando voto em Boulos; mas o TRE negou ter recebido qualquer relatório.

"O governador poderia ter saído ainda maior dessa eleição se não tivesse feito o que fez em uma entrevista coletiva e que vai lhe render um caso. Está no Supremo e na Justiça Eleitoral", comenta.

➡️ Aliados bolsonaristas desgastados

Sobre a participação de Jair Bolsonaro na eleição, Daniela Lima destaca que alguns aliados acabaram se desgastando frente ao eleitorado.

"A questão é que não só Bolsonaro optou por ficar nichado, como, ao fazer essa opção pelo nicho mais vocal de suas ideias, ele desgastou aliados. Ele evitou a vitória importante do PP em João Pessoa, evitou vitória do Progressistas em primeiro turno em Campo Grande e fez com que aliados do Republicanos ficassem chateados. Na verdade, o ex-presidente conseguiu buscar um arco amplo de pessoas e dirigentes de partidos em que conseguiu criar arestas que talvez não tivesse ainda, além de desconfianças em seu próprio nicho", afirma Daniela Lima.

Gerson Camarotti

Gerson Camarotti analisa como direita e esquerda saem destas eleições municipais

➡️ Avanço da direita no Nordeste

O comentarista ressalta um "crescimento vertiginoso da direita no Nordeste", região onde o presidente Lula sempre teve muita força. "No Nordeste, vemos um crescimento vertiginoso da direita. A esquerda só consegue fazer duas capitais [nessas eleições]: Fortaleza, com muita dificuldade, com Evandro Leitão, do PT, e Recife, no primeiro turno, com João Campos, do PSB. Todo o restante do mapa vai para a direita na região."

"O centro, a centro-direita e a direita fazem a maior parte das capitais brasileiras e das cidades. Isso levando em conta a extrema direita que Bolsonaro tentou concorrer em várias capitais, mas não conseguiu [eleger candidatos]. Esse discurso radical assustou o eleitor no segundo turno. Bolsonaro levou uma rejeição aos candidatos que apoiou. Esse é um alerta para a extrema direita: onde a direita e a centro-direita deram certo foi onde o candidato conseguiu levar um discurso mais moderado."

Octavio Guedes

Octavio Guedes: Existe vida inteligente na direita fora de Bolsonaro

➡️ As derrotas de Bolsonaro

Para Octavio Guedes, a derrota de Bolsonaro em Goiás mostra que há outras lideranças dentro da direita brasileira.

"Existe vida inteligente na direita fora de Bolsonaro.E é uma vida inteligente", disse.

Guedes afirma que Bolsonaro se acha "o cacique da direita", mas que o resultado das eleições municipais mostrou que ele não é este cacique.

➡️ Falta de renovação da esquerda

Ao mesmo tempo, o comentarista diz que o governo Lula precisa deixar de ser um "governo de cabeças brancas" e parar de ficar falando apenas do passado.

"A esquerda precisa de uma mensagem para esse novo mundo. Não está mais encantando o eleitor a luta de classes, do explorado contra o burguês. O explorado quer ser o buguês, quer subir de vida, quer ter prosperidade. Esse eleitor não acredita no Estado e não quer pagar imposto...Aquele discurso da década de 1980, de que o PT vem pra defender o explorado do capitalismo, não funciona mais."

Texto reproduzido do site g1 globo com