terça-feira, 18 de agosto de 2026

A guerra depois da guerra

Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 16 de agosto de 2026

A guerra depois da guerra

Israel luta para reabilitar 26 mil soldados feridos no conflito de múltiplas frentes. Miriam Sanger para a Oeste:

Para muitos soldados, a guerra não termina quando eles deixam o campo de batalha. Esse é o caso de mais de 26 mil militares israelenses feridos desde 7 de outubro de 2023, cuja batalha agora acontece em um novo palco. A reabilitação física e psicológica tornou-se o grande desafio desses combatentes — e também do Estado de Israel. Essa população junta-se a 60 mil feridos em guerras anteriores e exige atenção imediata e acompanhamento pelos próximos meses, anos ou até mesmo por toda a vida. Entre essas mais de 86 mil pessoas, há um contingente já reconhecido de 31 mil que lidam com graus variados de transtorno de estresse pós-traumático — os sintomas desse distúrbio podem surgir meses ou anos depois do evento motivador.

Segundo o Departamento de Reabilitação do Ministério da Defesa do Governo de Israel, órgão responsável pelo atendimento a militares, a expectativa é de que, até o fim do ano, o número total de feridos de guerra passe dos 90 mil, representando um salto de 40% em relação a três anos atrás. Em 2028, haverá 100 mil soldados em tratamento, metade deles lidando com transtornos psíquicos. Oferecer reabilitação a um contingente deste porte é um desafio tão grande quanto a própria guerra.

Orçamento bilionário

O governo ampliou em 53% o orçamento deste departamento: hoje, ele soma US$ 2,5 bilhões, metade deles direcionada a tratamentos de saúde mental. O sistema já agregou 4 mil novos profissionais às suas equipes médicas desde 2024 e triplicou o número de instituições de atendimento. Ainda assim, o sistema carece de profissionais de reabilitação: atualmente, a proporção é de 750 pacientes para cada especialista.

Uma das peculiaridades da atual guerra é que mais da metade dos feridos tem menos de 30 anos. A Revista Oeste entrevistou o soldado Amit Bar, de 24 anos, para conhecer o impacto dessa realidade. “Muito cedo na vida, nós experimentamos dois extremos. Primeiro, fizemos a escolha consciente de sermos combatentes e de entrarmos em Gaza para lutar por algo maior do que nós mesmos. Mas essa escolha acabou nos levando a uma situação em que já não temos escolha, e agora precisamos conviver com a deficiência pelo resto da vida”, reflete.

Bar fez seu primeiro ingresso em Gaza no dia 1º de novembro de 2023 e foi ferido em 26 de dezembro. Enquanto passava com seu pelotão formado por outros 15 soldados por um beco em Beit Hanoun, terroristas do Hamas detonaram uma enorme carga explosiva, matando dois de seus companheiros e ferindo gravemente os demais. Metade de seu corpo foi soterrada por destroços de um dos prédios destruídos. “Tive certeza de que havia perdido as duas pernas. Por isso, comemorei no hospital quando recobrei a consciência e me contaram que amputaram apenas uma delas”, relembra. Ele passou, até o momento, por 15 cirurgias.

No atual conflito, mais de mil soldados israelenses morreram, 329 deles em um único dia: o fatídico 7 de outubro de 2023.

O dia em que tudo mudou

O Shabat Negro, como é conhecido em Israel o dia 7 de outubro de 2023, transformou a rotina da Organização dos Veteranos Feridos no Serviço Militar, mais conhecida em Israel como Beit Halochem (que quer dizer “casa do combatente”). Ela é a instituição central de reabilitação de soldados e conta com cinco filiais; a sexta será inaugurada em outubro, em Ashdod, no sul do país. De organismo periférico, tornou-se, após o 7 de outubro, um órgão central para centenas de milhares de israelenses. A organização é sustentada por três fontes equivalentes de recursos: o governo, as doações e as mensalidades pagas pelos usuários, que incluem soldados e sua família direta.

O crescimento de sua relevância nacional acompanhou as demais mudanças em torno das Forças Armadas de Israel. O tempo de serviço militar obrigatório foi estendido, assim como o envolvimento de longo prazo de dezenas de milhares de reservistas. O nível de prontidão permanece alto, enquanto Israel luta em várias frentes na guerra mais longa de sua história, fazendo com que a dedicação ao esforço de segurança e a exposição ao perigo deixassem de ser exceção e se tornassem rotina.

O Beit Halochem viu seu público usuário crescer exponencialmente não apenas como resultado da ferocidade da atual guerra, mas também pela evolução das técnicas de atendimento médico realizadas ainda no campo de batalha. “Durante meses, recebemos dezenas e mais dezenas de feridos, dia após dia. Isso também se deve ao avanço da tecnologia dos primeiros socorros, que possibilita salvar a vida de pessoas que não teriam sobrevivido em guerras anteriores, mas seu processo de reabilitação será muito mais complexo e longo”, explica Zivit Kornblau, diretora responsável pelo setor de Fisioterapia de todas as filiais da organização.

“Atendíamos 50 mil pessoas e, em três anos, integramos outras 20 mil. A maior parte delas tem entre 18 e 42 anos. De Gaza e do Líbano chega nossa maior massa crítica. Não são apenas soldados: recebemos também gente do Mossad, do Serviço de Segurança Interno e da polícia”, descreve Moshe Shema, diretor executivo do Beit Halochem.

O papel da organização que dirige, diz ele, vai bem além da reabilitação física. “O objetivo é que encontrem uma comunidade, um lugar onde possam reconstruir a vida com qualidade.” Há uma forte ênfase no esporte como ferramenta de reabilitação, aliado a atividades sociais, terapêuticas e à preparação para os estudos e para a vida profissional.

Sem vergonha, sem julgamento

Quando um visitante chega ao impressionante edifício do Beit Halochem em Tel-Aviv — o primeiro a ser inaugurado, em 1974 —, percebe que ingressou em um universo particular, composto também por cães de assistência, muletas e cadeiras de rodas. Bem perto do lobby do prédio está a entrada para a imponente piscina olímpica, com placas que anunciam o público de cada raia: deficientes, deficientes graves, mulheres, cegos etc. Na frente desta última, há um grande gancho onde o usuário pode prender o seu cão.

Os espaços amplos entre os equipamentos permitem a circulação de cadeiras de rodas e o deslocamento de usuários com deficiência visual. O ambiente é silencioso para respeitar a sensibilidade dos pacientes com transtorno de estresse pós-traumático, e todos os aparelhos foram adaptados para oferecer independência aos usuários em cadeiras de rodas ou com membros amputados. Uma enorme balança permite que os frequentadores se pesem sobre a cadeira de rodas. “Fazer a rotina da academia sozinho é algo que não tem preço”, conta o instrutor Asaf Naon, que há 24 anos trabalha ali. “Em casa, essas pessoas têm apenas quatro paredes. Aqui, elas têm independência, uma comunidade e uma rede de relacionamentos”, descreve.

Rami Pur, de 78 anos, faz parte da antiga geração de frequentadores do local. Na Guerra dos Seis Dias, em 1967, seu tanque foi atingido no sul da Faixa de Gaza, o que o colocou, aos 18 anos, em uma cadeira de rodas. Rami acompanhou a chegada de todas as ondas de feridos da história de Israel — a maior delas havia sido resultado da Guerra do Yom Kipur. Travado em 1973, o conflito contra o Egito, Síria e uma coalizão de países árabes durou apenas 19 dias, mas deixou cerca de 2,7 mil soldados israelenses mortos e quase 9 mil feridos.

Na guerra atual, embora o número de mulheres feridas tenha aumentado em razão de sua maior participação em unidades de combate e forças policiais, veem-se poucas delas na academia. Mas o fato de representarem apenas 8% desse contingente não explica sua ausência naquele espaço. “Elas contam com ambientes próprios para tratamento, pois existem padrões específicos de recuperação do organismo feminino — como, por exemplo, a reabilitação do assoalho pélvico”, explica Zivit, que coordena 165 fisioterapeutas distribuídos por todas as unidades e também por centros menores da organização.

Entre os milhares de jovens atendidos pelo Beit Halochem está Aziz Shukurov, de 23 anos. Ele foi gravemente ferido em Gaza em 25 de janeiro de 2025, quando terroristas explodiram o prédio em que ele se encontrava junto com outros 15 combatentes; cinco morreram e os demais ficaram gravemente feridos. Shukurov sofreu traumatismo craniano e sangramento cerebral, além de ferimentos do pescoço aos pés. Foi mantido em coma por mais de um mês e, depois, permaneceu intubado por outros dois. “Reconstruíram meu crânio com um osso artificial, o qual depois se integrou ao meu próprio osso. Hoje, carrego uma cicatriz de cerca de 24 centímetros na cabeça.”

Um novo protocolo para o tratamento do pós-trauma

Apenas na filial de Tel-Aviv, o Beit Halochem realiza mil sessões de fisioterapia por mês, 1,6 mil de hidroterapia e outras 1,5 mil de terapias complementares. “Em toda a organização, atendemos aproximadamente 14 mil pacientes por ano”, diz Zivit Kornblau. “Eles têm todas as idades e perfis, inclusive veteranos que frequentam nossas casas há décadas e envelheceram conosco.”

Zivit conta que o reconhecimento formal de pacientes com transtorno de estresse pós-traumático é relativamente recente, mas não a convivência com ele dentro dos espaços de reabilitação. “Durante muitos anos, tudo era tratado apenas com fisioterapia e hidroterapia. Aprendemos, na prática, como tratar essas pessoas, como acalmá-las, como conduzir o atendimento e, principalmente, como evitar provocar gatilhos durante as sessões”, descreve.

Hoje há um setor específico para o tratamento da saúde mental no Beit Halochem, mas todos os caminhos da cura se intercruzam no departamento de Zivit. Sua equipe está aperfeiçoando um método que integra todo o conhecimento acumulado tanto no cuidado físico quanto mental em um único modelo de atendimento. “Na minha visão — e na de praticamente todos que trabalham hoje com reabilitação — não existe separação entre corpo e mente. Nossa intenção é estruturar esse conhecimento também como pesquisa científica, para que esse modelo nasça aqui e possa se tornar uma contribuição de nossa organização para o mundo da reabilitação.”

Enquanto esse protocolo é desenvolvido, Israel busca formas de ampliar sua estrutura de atendimento e responder ao desafio que o acompanhará por longos anos. Afinal, é papel do país apoiar as dezenas de milhares de soldados israelenses para os quais a guerra se transformou em um desafio individual e sem prazo para terminar.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi blogspot com

TV 247 ENTREVISTA Simone Tebet

 

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Uma Defesa Nacional de Portões Fechados

Artigo compartilhado do site do GABEIRA, de 14 de agosto de 2026

Uma Defesa Nacional de Portões Fechados 
Por Fernando Gabeira (In Blog)

Falar de defesa nacional como um indivíduo não especialista é um pouco de ousadia. No entanto, é democrático que um tema dessa dimensão possa ser discutido pelo maior número de gente possível.

Esta semana, recebi um artigo que escrevi em O Pasquim criticando, quem diria, o velho Tancredo Neves. Ele havia passado pela Itália e anunciado que na Presidência iria fortalecer a produção bélica no Brasil, que, naquela época, já rendia US$ 3 bilhões em exportações. Minha crítica baseava-se no fato de que o tema era muito restrito ao poder, não havia uma discussão pública sobre o tema. Mas era, também, uma discordância em relação à produção de armas para exportar. O mundo naquele momento parecia rumar para a paz, havia um maior respeito das leis e convenções internacionais.

Mais tarde, como deputado, apresentei projeto proibindo a exportação pelo Brasil das bombas de fragmentação. Havia uma campanha mundial contra elas, inclusive com a participação da princesa Diana. Essas bombas nem sempre explodem, e ficam no terreno como uma ameaça permanente, inclusive contra crianças. O projeto foi rejeitado duas vezes, sempre em nome dos empregos que a produção dessas bombas promove.

As coisas têm mudado e, com elas, mudam também minhas ideias sobre defesa. O ministro José Múcio disse recentemente algo que merece reflexão. Segundo ele, estamos tão mal equipados militarmente que, em caso de invasão americana, seria melhor abrir os portões. Discordo dessa frase, mas tenho um grande carinho pelo ministro, com quem estive na Câmara dos Deputados.

Acho que ainda há tempo de fortalecer a defesa nacional a ponto de dissuadir qualquer tipo de invasão. Naturalmente, isso implica investimentos pesados em algumas áreas que hoje fortalecem a ideia de dissuasão: drones e mísseis. Existe um projeto de construção de mísseis pela indústria brasileira que necessita de uma inversão agora de R$ 400 milhões e, no total, de R$ 1,5 bilhão. Infelizmente, apesar da retórica de Lula também ter mudado, esse dinheiro não aparece. O atraso em projetos desse tipo, creio, acaba dando sentido à frase de José Múcio.

A situação deveria ser completamente distinta. A frase que deveria ser dita é esta: sim, temos condições de nos defender, desde que compreendamos a urgência e a amplitude dessa tarefa.

Creio que países como a Finlândia e a Suécia, vizinhos de Vladimir Putin, já disseram isso há algum tempo, e se preparam cotidianamente para dissuadir. No caso da Suécia, a indústria civil nacional também avalia o que fazer, como atuar em tempo de guerra.

Talvez o presidente Lula ainda não tenha compreendido todos os aspectos dessa grande tarefa, embora já tenha manifestado curiosidade e pedido estudos sobre o tema.

O Congresso passa por cima da discussão sobre defesa nacional como se ela fosse exclusividade dos militares, e aí está o grande equívoco. A defesa nacional depende dos soldados e de uma estrutura profissional. Mas ela precisa ser ajudada por toda a sociedade, o aparato econômico de todas as entidades nacionais. Sem uma liderança efetiva que mobilize a sociedade, dificilmente teríamos algo como a resistência na 2.ª Guerra Mundial, ou mesmo a vitória dos vietnamitas contra os invasores, franceses ou americanos. Essa preparação não tem nada que ver com pânico ou traços de paranoia. Ela precisa ser discreta, bem planejada, de forma que os atores saibam ao menos precisamente o seu lugar. Não há paranoia na Suécia, apenas um trabalho permanente, como têm os japoneses diante de possíveis desastres ambientais.

Arrisco a avançar um pouco no tema, com base na experiência. A defesa da Amazônia, por exemplo, dependerá de mísseis e drones em grande quantidade e de qualidade. No entanto, o Exército tem na Amazônia uma das melhores escolas de guerrilha do mundo. Por que não potencializá-la e formar também moradores da região? Há sempre o medo de que se voltem contra o governo. Mas é preciso administrar os riscos e constituir uma grande força de reserva sob o controle nacional. Se constituirmos uma grande barreira de mísseis e drones, presença nos rios e uma parte da população preparada para a resistência, a vida não será fácil para o invasor.

Tudo isso pode parecer meio delirante, fora da realidade. Mas é preciso discutir. A ideia de que o tema não importa ou mesmo de que é preciso ter apenas as Forças Armadas, sem questionar sua eficácia, na dissuasão não é adequada sobretudo para nossos tempos. E o problema central é que a tomada de consciência tardia pode nos custar muito.

Se a tese de que não vamos abrir os portões é válida, precisamos nos preparar para ela aqui e agora. As eleições são uma oportunidade para questionar não apenas os candidatos à Presidência, como também os que pretendem ocupar o Congresso. Até que ponto podemos contar com eles para que assumam suas responsabilidades e parem de empurrar o tema com a barriga, como se o mundo não tivesse mudado?

Continuaremos tendo a luta pela paz como o fundamento de nossa política externa, mediando, dentro das possibilidades, todos os conflitos para que sejam solucionados com o diálogo. A capacidade de dissuasão não é contraditória com nossa política de paz. Ao contrário, ela é seu complemento ideal.

Texto e imagem reproduzidos do site: gabeira com br

sábado, 15 de agosto de 2026

Veja quem são os candidatos ao governo de Sergipe em 2026

Publicação compartilhada do site G1 GLOBO SE., de 6 de agosto de 2026 

Veja quem são os candidatos ao governo de Sergipe em 2026

As candidaturas ainda precisam ser registradas na Justiça Eleitoral até o dia 15 de agosto.

Por g1 SE

Sergipe tem seis candidatos ao governo do estado. Os nomes foram definidos durante o período de convenções partidárias, encerrado nesta quarta-feira (5). São eles:

Dr. Helton Monteiro (PSOL)

Emanuel Cacho (PSDB/Cidadania)

Fábio Mitidieri (PSD)

Ricardo Marques (PL)

Valmir de Francisquinho (Republicanos)

Taty Cristina (Democracia Cristã)

As candidaturas ainda precisam ser registradas na Justiça Eleitoral até o dia 15 de agosto. A campanha eleitoral, com propaganda dos candidatos, começa oficialmente no dia seguinte, em 16 de agosto.

O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro. Caso seja necessário, o segundo turno será realizado em 25 de outubro.

O médico e presidente licenciado do Sindicato dos Médicos em Sergipe (Sindimed), Helton Monteiro, é o candidato ao governo de Sergipe pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Helton Monteiro também atou no movimento estudantil em Sergipe e é conselheiro estadual de saúde e membro do Conselho Municipal de Aracaju.

O advogado Emanuel Cacho anunciou que vai concorrer ao cargo de governador pela federação PSDB/Cidadania. Cacho foi secretário de Estado da Justiça em Sergipe de 2003 a 2006, quando foi eleito suplente de senador na chapa com Maria do Carmo. Também foi presidente da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas.

O atual governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), vai concorrer à reeleição nas eleições de outubro deste ano. Formado em administração, Fábio já atuou como deputado federal por Sergipe e foi vereador de Aracaju por um mandato. Ele também já foi secretário Municipal de Esportes da capital sergipana e secretário de Estado do Trabalho em Sergipe.

Ricardo Marques foi anunciado como candidato ao governo de Sergipe pelo Partido Liberal (PL) em aliança com o Podemos e o Novo. Ele foi eleito vice-prefeito de Aracaju na chapa com Emília Corrêa em 2024. Marques é jornalista e foi vereador por Aracaju durante um mandado (2021-2024). Recentemente, saiu do partido Cidadania e anunciou a ida ao PL para concorrer nas eleições deste ano.

Valmir de Francisquinho (Republicanos) renunciou ao cargo de prefeito de Itabaiana e foi confirmado para concorrer ao cargo governador de Sergipe nas eleições de outubro deste ano. Valmir foi eleito três vezes prefeito da cidade de Itabaiana nas eleições de 2012, 2016 e 2024. Além de ter sido vereador do município em outros 5 mandatos. Ele estava filiado ao PL, mas anunciou a ida junto ao seu agrupamento para o Republicanos neste ano.

O Partido Democracia Cristã (DC) confirmou, nesta quinta-feira (6), que oficializou a candidatura da jornalista, empresária e palestrante, Taty Cristina, ao governo de Sergipe. O presidente do partido, George William Leandro Barbosa, informou à TV Sergipe, que só vai se manifestar sobre as candidaturas na próxima semana.

O registro do anúncio foi formalizado junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no dia 1º de agosto. Para o cargo de vice-governador, foi indicado o nome de Simeão Barbosa. A legenda também formalizou os nomes de Paulinho da União Tur e de Renatinha para concorrer ao Senado.

Texto e imagens reproduzidos do site: g1 globo com/se

terça-feira, 11 de agosto de 2026

"O Brasil não está só", por Fernando Gabeira

Artigo compartilhado do site do GABEIRA, de 11 de agosto de 2026

O Brasil não está só 
Por Fernando Gabeira (In Blog)

Um autor argentino que nos visitou recentemente mandou mensagens para os amigos, lamentando os ataques de Milei a autoridades brasileiras. Segundo ele, essas patacoadas não representam grande parte do país.

Não há dúvida de que nem todos na Argentina aprovam a forma como Milei expressa suas posições. Assim como não deve haver dúvida de que os Estados Unidos não apoiam, em sua maioria, as escaramuças diplomáticas que o governo Trump usa contra o Brasil.

Para começar, as próprias tarifas aplicadas ao Brasil e a outros países sofrem grande resistência interna. Vinte e cinco estados americanos entraram na Justiça condenando a decisão de Trump de taxar sob o argumento de que os países não combateram adequadamente o trabalho forçado. Os estados governados por democratas consideram a taxação contrária à lei.

Nas escaramuças diplomáticas, o Brasil não está só. A revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti é apenas uma decisão arbitrária entre muitas que os Estados Unidos vêm tomando.

A França sofre o mesmo tipo de pressão. O embaixador Aurélien Lechevallier não consegue receber o agrément de Trump. A razão: a delegação francesa criticou um voto americano na ONU, contrário à renovação do mandato do alto comissário de Direitos Humanos, Volker Türk. Os Estados Unidos votaram com Rússia, Coreia do Norte e Nicarágua, e os franceses fizeram aquele clássico comentário: quem te viu, quem te vê.

O caso mais grave aconteceu com o embaixador da África do Sul nos Estados Unidos. Ebrahim Rasool fez postagens no X criticando o movimento de supremacia branca. Associou as críticas de Trump à África do Sul, por suposta perseguição aos brancos, à tentativa de enfraquecer um país que luta contra o supremacismo.

Aqui no Brasil, o país examina o agrément para o embaixador de Trump, Daniel Perez. O Brasil se apoia na Convenção de Genebra, e Trump há muito deu um pontapé em todas as regras internacionais. Ele mesmo declarou que se orienta pela própria cabeça, e não por convenções internacionais.

Estamos falando uma língua diferente de Trump. Mas não estamos sós. Neste momento, toda a querela com o governo americano fortalece a campanha de Lula. É razoável que seja usada como trunfo eleitoral.

Mas eleições passam. E Trump continua por lá, possivelmente tentando eleger Vance ou Marco Rubio. É preciso pensar nesse longo prazo e nas inúmeras dimensões preparatórias que ele pede. Soberania transcende a palanques e discursos inflamados.

Neste momento, já é necessário compreender que não estamos sós, ampliar relações comerciais, alianças políticas e contar com mudanças nos Estados Unidos. Por meio de uma simples alteração na correlação de forças nas eleições de novembro, Trump pode perder uma das Casas do Parlamento. E não mais será o mesmo. Não terá paz para isso.

Texto e imagem reproduzidos do site: gabeira com br

"Difícil moralidade", por Denis Rosenfield

Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 10 de agosto de 2026

Difícil moralidade

A sociedade brasileira acha-se, por assim dizer, anestesiada, congelada em termos de ética na política. Artigo do professor Denis Rosenfield para o Estadão:

Há muito tempo, talvez as pessoas nem mais se lembrem, havia um partido que defendia a ética na política, sendo ela uma bandeira ostentada com coragem. Insurgia-se contra os partidos, considerados de direita, que abocavam para si uma parte dos recursos públicos, navegando na ilegalidade e na impunidade. Clamava, com toda a razão, por uma regeneração da política, colocando-se como seu porta-voz e representante. Criou toda uma aura que marcou aquela época e lhe pavimentou o caminho para o poder. Ora, lá chegando, o PT começou a trilhar os passos daqueles que criticava, arriando a bandeira que deixou, assim, de tremular. Hoje, nem disso mais se fala.

Apesar da Lava Jato, que escancarou a corrupção e a imoralidade de Lula e do PT, e talvez por isso tenham os seus atores caído na desgraça, o atual presidente conseguiu assegurar a sua reeleição, com o partido perpetuando-se no poder. O então juiz Sergio Moro fez uma enorme contribuição à história do País, não tendo, apesar disso, sido reconhecido pelos seus enormes acertos. A moralidade, do ponto de vista da estratégia política, tornou-se, então, um instrumento descartável, como se não mais tivesse nenhuma utilidade.

De nada adianta, diante dos assuntos recorrentes de imoralidade, como os mais recentes de seu chefe de Gabinete, Marcola, e de um senador muito próximo a ele, o presidente simplesmente declarar que foi declarado inocente em seu julgamento, como fez de novo recentemente. Age como se tivesse lições a dar. Sabe-se que isso não ocorreu, mas o que houve foi a anulação de seu processo por uma suposta falha processual, a de que teria havido um problema relativo à questão do “juiz natural”. Curioso que tudo isso foi “descoberto” anos depois, apesar do próprio Supremo Tribunal Federal (STF) ter reiterado que essa questão nem se colocava. As provas abundantes do sítio de Atibaia e do apartamento do Guarujá lá estão, embora nem mais se queira falar disso. O “mensalão” e o “petrolão” aí estão para quem quiser pensar. Em todo caso, a narrativa da inocência é uma mera fake news, segundo a linguagem atual.

O filho do presidente, Lulinha o pródigo, enfrenta uma série de acusações, que remetem ao escândalo do INSS e a tráfico de influência, com sua amiga lobista atuando junto ao Palácio do Planalto, em conluio com o “Careca do INSS”, arquiteto e principal operador dessa fraude. Deve ter acreditado que com tal apelido, nada nele colaria. São pessoas idosas que foram prejudicadas e, pasmem, foram ressarcidas com o dinheiro público, dos pagadores de impostos, como se assim Lula tivesse reparado a injustiça cometida. Pagou com os recursos dos outros a fraude de seu próprio governo. Assim, é fácil ser “justo”. Agora, tudo isto explode na sala ao lado de sua própria sala, na chefia do Gabinete, graças a uma pessoa de sua estrita confiança. Ademais, chegou a declarar que se trata apenas de um “empréstimo”! Na campanha, tudo é feito agora para isolar o presidente-candidato, como se a impunidade não fosse a marca de seus governos.

Do outro lado do espectro político, o seu opositor eleitoralmente mais importante nada tem a apresentar no que diz respeito à ética. Neste sentido, para além de sua falta de projeto nacional, escancara-se a mesma ausência de moralidade. No passado, pairam sobre ele ligações com as milícias, a rachadinha que supostamente praticava e a compra mal explicada de uma mansão em Brasília. Trilhando o caminho de seu adversário, também achou que poderia contar com a tolerância ao crime, visto que condenações são demoradas e, quando ocorrem, são suscetíveis de anulações a exemplo da Lava Jato. Foi aí que o passo mais arriscado foi dado, o de suas relações com o “empresário”, hoje preso, Daniel Vorcaro.

Pretender que não houve nenhum problema em pedir dinheiro para um filme sobre o seu pai, estipulado em mais de R$ 120 milhões, tendo recebido em torno da metade disto, significa zombar da inteligência alheia. Justificar que nada sabia desse enorme crime financeiro, cometido por seu banqueiro de estimação, não fica literalmente em pé. Ainda ousou cobrar a outra metade não paga quando os seus crimes e fraudes já tinham se tornado públicos. Isso significa que o Brasil se encontra sem alternativa viável, salvo se alguns dos candidatos do segundo pelotão, Caiado, Renan e Zema, ainda consigam se tornar competitivos.

Note-se que o Brasil está num nível de polarização em que candidatos que não apresentam problemas jurídicos e de moralidade não são reconhecidos como alternativas no sentido estrito. A sociedade brasileira acha-se, por assim dizer, anestesiada, congelada em termos de ética na política. Vive-se uma descrença generalizada na classe política, que mais se preocupa consigo do que com os destinos do País. O Brasil corre um sério risco de enfraquecimento de suas instituições, pois se essas não produzirem adesão, sua existência termina por ser comprometida. A complacência com questões morais por parte dos eleitores pode cobrar o seu preço.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi blogspot com

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

"Eu, Giorgia": a autobiografia de Meloni antes de chegar ao poder



Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 9 de agosto de 2026

"Eu, Giorgia": a autobiografia de Meloni antes de chegar ao poder

Antes de ser premier, Meloni elogiava Trump e queria aproximação à Rússia (mas antes da Ucrânia). Criticava o "eixo franco-alemão", com quem se tem entendido. O Observador publica excertos de "Eu, Giorgia":

Giorgia Meloni tornou-se primeira-ministra de Itália em 2022 e, desde então, tem feito um percurso muito diferente do que as suas origens pareciam indiciar. Membro dos Fratelli d’Italia (Irmãos de Itália), tem mantido no poder o conservadorismo das suas ideias, mas não adoptou um registo de confrontação face a Bruxelas; depois da invasão da Ucrânia deixou de defender a aproximação à Rússia e as relações com Donald Trump têm tido altos e baixos.

Em 2021, ainda antes de chegar ao poder, Meloni publicou um livro de memórias intitulado “Eu, Georgia”. Nele explanava a sua história de vida e as suas ideias políticas, numa espécie de longa confissão para se dar a conhecer aos italianos. O livro, que chegou agora a Portugal pelas mãos da D. Quixote, dá a conhecer as convicções da mulher que conseguiu liderar um dos governos italianos mais estáveis dos últimos anos. Mas também ilustra como Meloni adaptou algumas das suas propostas ao exercício do poder. O Observador publica excertos da autobiografia em que a primeira-ministra italiana se debruça sobre as suas ideias patrióticas e as suas propostas para a política externa de Itália.

Penso que o único “governo dos melhores” em que a Itália deve ter esperanças é um governo de patriotas. De pessoas tão corajosas e enamoradas desta nação, que não estejam dispostas a trocá-la por nada ou por ninguém. Eis a verdadeira revolução de que precisaria a nossa nação. Eis a missão dos Fratelli d’Italia e, como eu o vejo, de todo o centro-direita.

Porque, no fim de contas, a dinâmica política e histórica daquilo que está a acontecer em Itália é, na realidade, bastante simples se, também aqui, for olhado com distanciamento, como poderia fazer um observador externo. Quando uma nação de dimensão média vive uma fase de fraqueza – e é bem o caso da Itália de 2011 até hoje –, está por força sujeita às ingerências dos Estados vizinhos. Isto cria, no interior dessa nação em dificuldades, um confronto político entre quem reputa que seja melhor colaborar com o vizinho incómodo e pôr-se numa prudente posição de subordinação e quem, pelo contrário, reivindica a plena soberania e independência da nação. Nalguns contextos, esta contraposição degenera em recontros sangrentos, noutros permanece, felizmente, no âmbito da dialética política. Em Itália, este confronto manifesta-se entre quem reivindica “mais Europa” e quem se identifica como patriota. De um lado, quem está convencido, embora até de boa-fé, de que a posição certa da Itália seja a de Estado subalterno a uma UE em mãos do eixo franco-alemão; do outro quem, pelo contrário, reivindica para Itália um papel de igual dignidade à dos outros Estados fundadores da UE. Simplificando: de um lado o Partido Democrático, partido “colaboracionista” das ingerências estrangeiras, do outro os Fratelli d’Italia, o partido dos patriotas. E estou convencida de que será sempre mais nisto que reside a bipolaridade dos próximos anos em Itália. Porque, no fundo, a esquerda, mas não só ela, pensa que os italianos não são capazes de “andar na linha” sozinhos e que, por isso, é preciso uma espécie de acionista oculto com direito de veto sobre as opções nacionais que nos ensine como redimir-nos dos nossos pecados atávicos.

E eu não estou de acordo. Creio que os nossos vizinhos são por demais ciosos em ocupar-se dos seus interesses nacionais para nos dar uma ajuda sincera, e não viciada pelo seu egoísmo, nas nossas dificuldades. Creio que os únicos que podem tirar Itália da sua situação difícil somos nós, italianos, com um pouco de renovada coragem e amor-próprio.

"Há uma América profunda representada por setenta e cinco milhões de eleitores que votaram em Donald Trump e que não podem ser ignorados como se fossem todos uns exaltados com os cornos e a pele de bisonte. Muitos dos seus argumentos são também os nossos"

Reconstituir a relação entre o povo e o Estado é a tarefa histórica que nos cabe. É preciso um movimento de patriotas que interpretem autenticamente o espírito da nação, que defendam os seus interesses culturais, estratégicos e económicos. E, numa nação dividida e fragmentada, o dever dos patriotas é antes de mais o de recoser as muitas feridas que herdámos. Recordo que as teses fundadoras da Alleanza Nazionale afirmavam com coragem que era necessário recompor uma memória histórica partilhada que superasse as grandes fraturas da história italiana recente. E, todavia, isso hoje já não chega: um movimento de patriotas deve ter sobretudo uma visão de longo prazo, defender a identidade italiana como casa segura onde criar os nossos filhos e dar-lhes um futuro de serenidade, segurança, justiça e prosperidade. A pessoa individual está demasiado sozinha neste grande mundo, e o mundo inteiro é demasiado vasto e maravilhosamente rico de diversidade para nos servir de morada. O “cidadão do mundo” não é senão aquele que, incorrendo na ilusão de que pode fazer do mundo inteiro a sua casa, descobre a certa altura ser um “sem-abrigo”. Por isso temos ainda necessidade de pátrias. Sobretudo na nossa época.

(…)

Ocuparmo-nos de política externa significa para mim, em primeiro lugar, promover e proteger os nossos interesses nacionais. Para muitos outros quer dizer, pelo contrário, armar-se em fãs desta ou daquela potência económica. Nós, dos Fratelli d’Italia, não somos “filo” de nada e de ninguém, os fios quem os tem são as marionetas. Nós olhamos sempre para todas as questões de política externa na perspetiva de Itália. E eu tive oportunidade de verificar que essa nossa característica é muito apreciada no estrangeiro, muito mais do que a de quem se arma em cheerleader com pompons coloridos, crachás e camisolas, tipo a nossa esquerda com Obama, Macron, Merkel ou Biden. Vem-me à memória um aforismo de um rei espartano citado por Plutarco: “Falando com um estrangeiro que se gabava de ser considerado pelos seus concidadãos um filoespartano, disse-lhe o rei: ‘Seria melhor para ti gozar fama de patriota do que de filoespartano.'” Em síntese, portemo-nos como patriotas e seremos tratados com respeito, portemo-nos como lacaios e seremos tratados como lacaios.

"Devemos cuidar das nossas relações com a Rússia para evitar entregá-la com armas e bagagens a um eixo com a China. Seria devastador para os interesses europeus e ocidentais. É verdade que para o querer é preciso sermos dois, e também Moscovo tem de dar sérios passos em frente em relação à comunidade internacional"

Durante demasiado tempo a política italiana centrou-se só sobre factos nacionais. Subavaliou a importância de influir sobre aquilo que acontece fora das nossas fronteiras para mudar os destinos da nossa pátria.

Sempre me atraíram os povos briosos e orgulhosos do seu passado e da sua cultura. Também por esse motivo fascina-me o patriotismo dos norte-americanos e o seu apego visceral à bandeira nacional. Já não é questão de ser pró ou anti-EUA, mas de reconhecer que Europa e Estados Unidos estão irmanados por um laço indissolúvel e devem procurar juntamente vencer os desafios do futuro. É verdade que a América é complexa, e para nós não será sempre fácil confrontar-nos com a de Biden, que, bem depressa, já deu provas de como é desestabilizadora uma visão ideológica dos supostos “direitos humanos”, usados um pouco aqui e um pouco acolá para atacar novos inimigos. Mas há uma América profunda representada por setenta e cinco milhões de eleitores que votaram em Donald Trump e que não podem ser ignorados como se fossem todos uns exaltados com os cornos e a pele de bisonte. Muitos dos seus argumentos são também os nossos. Com essa América profunda nós, conservadores europeus, continuaremos a relacionar-nos de modo cada vez mais estável e profícuo.

Esta aliança servirá em primeiro lugar para conter a ascensão da China e o seu expansionismo. Pequim parece já não ter limites. Os seus interesses vão das matérias-primas africanas e da América Latina às infraestruturas estratégicas europeias, como portos e ferrovias. Em fundo está a Belt and Road Initiative, a chamada “nova rota da seda”, anunciada com grande pompa pelo presidente Xi Jinping. Uma iniciativa colossal que envolve sessenta e oito Estados no mundo inteiro. Estou convencida de que foi um gravíssimo erro permitir a deslocalização em massa de inteiros setores produtivos europeus para a China, mas que será ainda pior perseverar em querer lidar em pé de igualdade com uma potência que não joga com as nossas regras.

Exatamente por esta razão devemos cuidar das nossas relações com a Rússia para evitar entregá-la com armas e bagagens a um eixo com a China. Seria devastador para os interesses europeus e ocidentais. É verdade que para o querer é preciso sermos dois, e também Moscovo tem de dar sérios passos em frente em relação à comunidade internacional. Recordo muitas vezes com um sorriso quando Berlusconi vinha ao Atreju contar-nos os momentos em que, como presidente do Conselho, se tinha arranjado para evitar a guerra entre a Rússia e a Geórgia. Não sei se foi efetivamente assim, mas lembro-me bem do que foi alcunhado de “espírito de Pratica di Mare”, quando às portas de Roma se realizou uma cimeira da NATO alargada à Rússia, num espírito de cooperação cordial e positivo. Esses tempos vão bem longe, mas a Rússia é parte do nosso sistema de valores europeus, defende a identidade cristã e combate o fundamentalismo islâmico. Deve fazê-lo em paz com as nações vizinhas, e os Estados europeus que confinam com o grande urso russo devem poder olhar o futuro com serenidade, sem o temor de ver voltar a agressiva política imperial de Moscovo. Precisamos de um equilíbrio que assegure uma paz secular, definitiva, entre a Europa e a Rússia, e isto não se obterá com a política míope da contraposição musculada tão cara a Obama, primeiro, e agora a Biden. Se conseguirmos fazê-lo com inteligência, Ocidente e Rússia serão ambos mais fortes e seguros. E o dragão chinês estará um pouco mais só.

(…)

Ao sul das nossas costas encontra-se o grande continente esquecido, África, de que já falei. Com afeto, ainda primeiro do que com respeito. Como se sabe, o combate às causas profundas da emigração depende estreitamente e diretamente da sua estabilidade e do seu desenvolvimento económico. Enquanto não restituirmos a esses povos a estabilidade política e a soberania económica, estarão expostos a turbulências de toda a espécie e à fúria das milícias islamistas.

É assim porque o fundamentalismo islâmico é outra praga do nosso tempo. A derrota militar do Estado Islâmico na Síria e no Iraque não o debelou para sempre. Vive nas células terroristas adormecidas na Europa, nas milícias do Boko Haram, do Al-Shabab e muitas outras em África, na pregação de imãs perigosíssimos em todo o mundo e em muitas nações ocidentais. Penso nos cristãos perseguidos no mundo inteiro, que são muitas vezes esquecidos por uma Europa que parece já não ter alma, onde o relativismo cultural põe tudo e todos no mesmo plano. Da Ásia ao Médio Oriente, passando por países como o Egito e a Nigéria, o Congo e a Somália, até às notícias horríveis das crianças decapitadas em Moçambique. Milhares de pessoas arriscam a vida todos os dias pelo simples facto de professarem uma fé. Não podemos olhar para o lado e temos de usar todas as formas de pressão a fim de que deixe de acontecer. Penso em todas as mulheres que lutam contra o obscurantismo do islamismo salafita que as quer submissas. Também neste caso não podemos fazer de conta que nada se passa, e não é por acaso que os Fratelli d’Italia continuam a travar tais batalhas, com Daniela Santanchè à cabeça. Sobretudo quando isto acontece não apenas em países como a Arábia Saudita, mas também em Londres ou em Paris, em Bruxelas ou em Berlim, onde bairros inteiros são governados segundo a lei do Alcorão.

(…)

De resto, muitas das batalhas que conduzo garantem-me inimigos poderosos e perigosos. Mas eu, do alto da minha diminuta estatura, tenho algumas vantagens. Primeiro, não tenho medo de nada e de ninguém, e a única coisa que me apavora, como terão ficado a saber por estas páginas, é desiludir-me a mim própria e desiludir quem acredita em mim. Segundo, não sou chantageável, porque não faço coisas das quais tenha de envergonhar-me e não aceito ajuda de quem possa pedir-me alguma coisa em troca. Terceiro, não estou sozinha e, em geral, quem decidiu acompanhar-me nesta batalha é muito parecido comigo. Quarto, e último, sempre fui subavaliada, e essa, no fim de contas, é uma grande sorte.

É certo que é possível que um dia as coisas mudem. Muito provavelmente, se houvesse de chegar a poder mudar coisas que demasiada gente quer que fiquem na mesma, descobrirei então quão verdadeiramente determinados podem ser certos poderes. Tive isso em conta e decidi alinhar na mesma no campo de batalha. Como na Idade Média fazia quem combatia na primeira fila sabendo que podia ser o primeiro a cair, ferido por um dardo, ou como fazia quem na Grande Guerra avançava rezando a Deus para que os canhões o falhassem. Hoje já não se usam dardos nem canhões, os métodos de atingir-nos são muito mais sub-reptícios e sofisticados. Também tive isso em conta, mas não desertarei. É a guerra do nosso tempo e eu sou um soldado.

Texto e imagens reproduzidos do blog: otambosi blogspot com

domingo, 9 de agosto de 2026

Jozailto Lima ENTREVISTA Alessandro Vieira

Publicação compartilhada do site JLPOLÍTICA, de 8 de agosto de 2026

Jozailto Lima ENTREVISTA Alessandro Vieira

Alessandro Vieira: “Entreguei bons resultados sem abrir mão da honestidade”

“Acho que o que o sergipano ganhou com meu mandato justifica a minha recondução”

Alessandro Vieira, 51 anos, MDB, é um sujeito diferente e diferenciado. Para começo de conversa, o cara se faz senador em 2018, aos 43 anos, sem nunca ter disputado qualquer mandato eletivo antes.

É diferente e diferenciado naquele seu jeitão aparentemente sisudo, fechado, lacrado em si. Aparentemente, sim. Porque na prática ele é bem mais poroso. Não é piegas.

E em nome do jeitão lá dele, Alessandro Vieira marcha para concluir os oito anos de um mandato identicamente poroso, no qual se infiltram práticas positivas, republicanas e que alcançam muitas virtudes na relação entre o público e o privado, entre a persona parlamentar dele e as comunidades sergipanas com as quais interage.

A tradução mais real e ativada disso é que via o mandato de Alessandro Vieira cerca de R$ 1,1 bilhão terão sido carreados da esfera pública federal para Sergipe. E aí ele canta de galo, naquele seu estilo que os oponentes querem ver algo de glacial, frio.

“O percentual majoritário disso vai para a saúde por uma escolha pessoal e por uma obrigação legal. Então, a gente está falando de alguma coisa em torno de R$ 550 milhões empregados na saúde e o restante se desenvolve ali nas linhas que geram um resultado mais impactante”, explica Alessandro Veira.

“São segurança pública, infraestrutura, desenvolvimento e geração de emprego e renda, assistência social e aí você vai através das emendas participativas, aquele método que a gente usa de ouvir o cidadão, quando começa a captar e a atender pequenos projetos. E é um método eficaz”. reforça.

Alessandro Vieira jacta-se de ser “o único no Estado de Sergipe a fazer isso”. “São apenas 10 ou 12 que fazem isso no Brasil, dos mais de 600 parlamentares federais. São mais de 400 projetos contemplados, mais de R$ 80 milhões distribuídos e todos os projetos com muito impacto na sociedade”, diz o senador.

Outro fato que Alessandro Vieira vê como positivador do seu mandato é o do alcance municipal com suas ações no território da sergipanidade. “Todos, absolutamente todos os municípios foram contemplados. Posso lhe mostrar o site que a gente vai lançar, que permite uma consulta muito facilitada para cada eleitor”, avisa.

 Por tudo isso, Alessandro Vieira está com sua âncora de reeleição para mais oito anos lançada ao chão da eleição de 2026. E em todas as pesquisas feitas no Estado ele pulula entre os primeiros colocados, quando não está totalmente liderando.

“O sergipano vai fazer essa avaliação quando chegar o momento da urna. Se o que ele defende é uma política que entrega resultados sem abrir mão da honestidade e do cuidado com o dinheiro do povo, ao longo dos últimos oito anos fizemos isso: entreguei bons resultados sem abrir mão da honestidade”, diz.

“Em 2018 eu era uma promessa, uma aposta e a aposta foi feita por 474.449 sergipanos e agora a gente mostra o prêmio que o sergipano ganhou com aquela aposta. E eu acho que o que o sergipano ganhou com meu mandato justifica a minha recondução”, diz ele.

 Alessandro Vieira - ele não tem outro sobrenome - nasceu no dia 3 de abril de 1975 em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, mas vive Sergipe desde a infância/adolescência. Ele é filho de Getúlio Gonçalves Vieira e de Jesus Perciliana da Silveira Vieira.

Alessandro é casado com a advogada e analista da Justiça Federal Helga Mesquita Gumes Vieira e é pai de Gabriela, de 22 anos, João Pedro, de 20 e de Mariana Mesquita Gumes Vieira, de 18.

Ele tem formação acadêmica em Direito pela Universidade Tiradentes desde de 1995 e especialização em Gestão e Segurança Pública. No Senado nestes oito anos ele fez parte de umas 10 Comissões.

 “Entendo que os resultados do Governo de Fábio Mitidieri justificam uma reeleição. O Estado de Sergipe hoje é melhor do que era quando o Fábio começou e eu tenho muito orgulho de ter ajudado a colocar isso de pé. Fábio não ser reeleito é colocar em risco esse avanço que Sergipe teve e talvez desperdiçar uma oportunidade histórica”, diz.

A Entrevista com Alessandro Vieira vale muito bem o tempo empregado na leitura.

JLPolítica & Negócio - Com toda suspeição que possa pairar sobre seu ponto de vista, por que o senhor acha que o sergipano deve lhe conceder mais oito anos de permanência no Senado?

Alessandro Vieira - O sergipano vai fazer essa avaliação quando chegar o momento da urna. Se o que ele defende é uma política que entrega resultados sem abrir mão da honestidade e do cuidado com o dinheiro do povo, ao longo dos últimos oito anos fizemos isso: entreguei bons resultados sem abrir mão da honestidade. Então em 2018 eu era uma promessa, uma aposta e a aposta foi feita por 474.449 sergipanos e agora a gente mostra o prêmio que o sergipano ganhou com aquela aposta. E eu acho que o que o sergipano ganhou com meu mandato justifica a minha recondução.

JLPolítica & Negócio - De que forma se deu a distribuição dos R$ 1,1 bilhão que o seu mandato terá destinado a Sergipe nos oito anos, e quais foram as áreas prioritariamente contempladas por eles?

AV - O percentual majoritário disso vai para a saúde por uma escolha pessoal e por uma obrigação legal. Então, a gente está falando de alguma coisa em torno de R$ 550 milhões empregados na saúde e o restante se desenvolve ali nas linhas que geram um resultado mais impactante. São segurança pública, infraestrutura, desenvolvimento e geração de emprego e renda, assistência social e aí você vai através das emendas participativas, aquele método que a gente usa de ouvir o cidadão, quando começa a captar e a atender pequenos projetos. E é um método eficaz. Eu sou o único no Estado de Sergipe a fazer isso. São apenas 10 ou 12 que fazem isso no Brasil, dos mais de 600 parlamentares federais. São mais de 400 projetos contemplados, mais de R$ 80 milhões distribuídos e todos os projetos com muito impacto na sociedade. Todos, absolutamente todos os municípios foram contemplados. Posso lhe mostrar o site que a gente vai lançar, que permite uma consulta muito facilitada para cada eleitor.

DO POLÊMICO RELATÓRIO DA CPI DO CRIME ORGANIZADO

“As críticas todas partiram do indiciamento do ministro do Supremo. Essa é a única motivação. O relatório seria aprovado por 6 a 4 não fosse uma intervenção direta da cúpula do Senado, através do Alcolumbre, e do PT, do Governo Lula que pediu e substituiu dois senadores por outros que nunca participaram de nenhuma sessão”

JLPolítica & Negócio - Na base da sociedade sergipana, que é o povo, e na classe política há preparo e compreensão para uma política baseada em resultados, como o senhor acredita que pratica?

AV – Veja: eu sei que quando você vai contratar alguém para pintar a sua casa, para tomar conta dos seus filhos, você não contrata ladrão e não contrata incompetente. Você tenta contratar aquela pessoa que tem mais qualidade para dar o serviço. O eleitor brasileiro foi ensinado a não esperar nada do político. Foi ensinado a não acreditar no político. Mais do que isso, ele foi treinado para difamar o político. Eu tive a maior aula disso na eleição de 2018 numa feira na cidade de Macambira. Eu abordei uma velhinha para entregar-lhe o santinho - a campanha era feita de forma muito humilde, com dois, três voluntários e eu mesmo. Entreguei para ela o santinho, ela olhou e disse: “Eu posso dar o voto para você, meu filho, mas eu quero R$ 50”. E eu dei uma aula de sociologia e de política para ela: “Quando a senhora faz isso, o cidadão que está lhe dando R$ 50 vai passar 4 ou 8 anos lhe roubando”. E ela me respondeu - e aí sim foi a lição que eu recebi, de uma forma muito objetiva: “Meu filho, eu sei disso. Mas do político só o que eu ganho é isso. O dinheiro que chega na véspera da eleição. Eu sei que ele não vai me dar nada”. Essa mesma senhora, se com fé em Deus estiver viva, vai saber que a cidade dela foi contemplada e que coisas boas aconteceram muito perto dela por causa de um cara honesto trabalhando.

JLPolítica & Negócio - Se o senhor eventualmente for reeleito, poder-se-ia dizer que terá sido reflexo desta política de resultados?

AV - Sim, se tiver eu sucesso na reeleição, vai ser 100% consequência do cumprimento dos compromissos. Todos os compromissos que a gente assumiu na campanha de 2018 foram cumpridos.

JLPolítica & Negócio - O senhor acessa o mandato de senador em 2018 como um bolsonarista ou não se considera orginalmente um membro deste time?

AV – Não. Eu nunca fiz nada disso. Eu fui eleito votando em Marina Silva. Não fui eleito votando em Bolsonaro. Eu declaro voto em Bolsonaro no segundo turno, quando o eleitor brasileiro escolhe entre ele e Fernando Haddad. Como eu defendi uma mudança, uma alteração de rumos, entendi que era importante dar essa oportunidade para o Bolsonaro. Se não me engano, o texto de declaração de apoio foi publicado inclusive no Portal JLPolítica. Assumo que não foi um voto que tenha gerado resultados positivos, mas há também de se fazer alguns registros que a paixão política geral não permite. O Governo Bolsonaro foi totalmente contaminado pela pandemia e a falta de qualificação do Bolsonaro prejudicou muito a resposta dele. Talvez, num momento de estabilidade, tivesse um Governo melhor.

JLPolítica & Negócio - O senhor subscreve uma necessidade de reeleição de Lula hoje ou acha que a ala da direita deve retornar ao poder?

AV - Eu acho que deve ter alternância de poder e eu creio que deve ser importante você ter novas ideias e novos nomes. Mas não adianta trocar por trocar. É preciso ter qualidade. É por isso que a minha escolha das alternativas que estão no cardápio é o Ronaldo Caiado. Ele foi um bom governador de Goiás, tem pelo menos 40 anos de vida pública, foi deputado, foi senador, nunca esteve envolvido em escândalo de corrupção e apresentou bons resultados onde atuou. É um cara com boa formação, que soube montar uma equipe de alta qualidade no Estado de Goiás e é o que a gente precisa no Brasil: gente com boa formação, equipe de qualidade, sem envolvimento em escândalo de corrupção. Não tenho essa de ser direita, de centro ou esquerda. Nunca abracei essas rotulações. Se você considera de direita o cara que defende segurança pública firme, dura e penas mais altas, eu sou de direita. Se você considera de esquerda o cara que defende política de redução da desigualdade, como o Auxílio Brasil na época do Bolsonaro e depois retomado no Bolsa Família, eu sou de esquerda. Então, acho que é muito mais importante você entender que em cada pessoa as soluções podem ter uma conotação ideológica diferente, mas são soluções. Essa coisa de bandeiras políticas ideológicas, há muito tempo no Brasil serve apenas para esconder incompetência.

NÃO REELEGER FÁBIO É COLOCAR EM RISCO AVANÇOS DE SERGIPE

“Entendo que os resultados do Governo de Fábio Mitidieri justificam uma reeleição. O Estado de Sergipe hoje é melhor do que era quando o Fábio começou e tenho muito orgulho de ter ajudado a colocar isso de pé. Fábio não ser reeleito é colocar em risco esse avanço que Sergipe teve e talvez desperdiçar uma oportunidade histórica”

JLPolítica & Negócio - A sua independência no plano federal obedece a que cálculo e a que convicções então?

AV - É do meu perfil. É por princípio. Eu não gosto de assumir uma condição de ter que fazer aquilo com o que eu não concordo ou subscrever o que eu não aceito. Independência para mim é uma coisa fundamental e é isso que garante a caminhada que faço.

 JLPolítica & Negócio - Por que o senhor acha que Fábio Mitidieri deve ser reeleito governador?

AV - Entendo que os resultados do Governo de Fábio Mitidieri justificam uma reeleição. O Estado de Sergipe hoje é melhor do que era quando o Fábio começou e eu tenho muito orgulho de ter ajudado a colocar isso de pé. Fábio não ser reeleito é colocar em risco esse avanço que Sergipe teve e talvez desperdiçar uma oportunidade histórica. Porque o Estado se aproxima de um imenso ciclo financeiro com a chegada dos investimentos de petróleo e gás com o Sergipe Águas Profundas - SEAP. Essa chegada dos investimentos, que hoje já é realidade, teve uma atuação do Fábio muito presente. Teve de parte da bancada federal e eu participei disso com muito orgulho, e você não pode jogar fora o que o Estado vai receber de arrecadação. O Estado de Sergipe já teve oportunidades parecidas no passado. A gente não pode jogar fora isso. A atuação de Valmir de Francisquinho se limita até o momento à gestão da cidade de Itabaiana, com pontos positivos e negativos. E o mais negativo, sem dúvida nenhuma, é o envolvimento e a consequência de vários processos na esfera criminal e na esfera administrativa.

JLPolítica & Negócio - O senhor guarda algum tipo de arrependimento por não ser um dos dois candidatos oficiais da chapa liderada por Fábio Mitidieri?

AV - Nenhum. A escolha da chapa é exclusiva e unilateralmente do governador de Estado. Nessa construção de chapa, ele tentou por bastante tempo uma composição comigo e com André Moura. Isso, evidentemente, qualquer pessoa que olhasse antes diria que era incompatível. Não tem compatibilidade entre o que eu faço e o que André Moura faz. E a construção política tem um cálculo também. Enquanto eu saio da chapa e mantenho o apoio para Fábio, é absolutamente claro que tanto André Moura quanto Rogério Carvalho estariam no colo do Pato (Pato é o apelido de Valmir de Francisquinho), porque pensam muito mais nas suas carreiras políticas do que no Estado de Sergipe. Enquanto a minha vida foi muito pautada por inquéritos que geraram processos contra corruptos, a de André é pautada por responder a processos de corrupção. Esse é o ponto de ruptura.

JLPolítica & Negócio - O senhor se atribui algum tipo de culpa pela ruptura e por não estar lá ao lado de André Moura?

AV - Eu não posso assumir culpa por ser o que eu sou desde o começo. Eu não surpreendi nem desapontei ninguém. Em nenhum momento eu assumir o compromisso de deixar de fazer aquilo que eu acho certo. 

NÃO FOI BOLSONARISTA NO PRIMEIRO TURNO DE  2018

“Eu fui eleito votando em Marina Silva. Não fui eleito votando em Bolsonaro. Declaro voto em Bolsonaro no segundo turno, quando o eleitor brasileiro escolhe entre ele e Fernando Haddad. Como eu defendi uma mudança, uma alteração de rumos, entendi que era importante dar essa oportunidade para o Bolsonaro” 

JLPolítica & Negócio - No que o senhor teria errado no relatório final da CPI do Crime Organizado para ter sido tão ativamente criticado?

AV -As críticas todas partiram do indiciamento do ministro do Supremo. Essa é a única motivação. O relatório seria aprovado por 6 a 4 não fosse uma intervenção direta da cúpula do Senado, através do Alcolumbre, e do PT, do Governo Lula que pediu e substituiu dois senadores por outros que nunca participaram de nenhuma sessão, que não leram sequer uma linha do relatório e votaram conforme a orientação do líder Jacques Wagner.

 JLPolítica & Negócio - Mas por que nenhum nome ligado aos grandes grupos do crime organizado foi parar no seu relatório?

AV - Eles são citados no relatório. No momento que a gente faz a descrição detalhada das 79 facções que atuam pelo Brasil, três delas de atuação já nacional, duas com mais destaque - Comando Vermelho e PCC - a gente fala do surgimento delas, como elas se estabeleceram e, principalmente, fala como enfrentá-las. Mas não consegui ver utilidade em fazer um gesto midiático de colocar o Marcola ali. O Marcola é um cara condenado a 400 anos de cadeia, está preso há mais de 20 anos. Então isso não traz nada de positivo. O que a gente fez, na história de mais de 200 anos de Senado ninguém nunca tinha feito, foi colocar no papel, de forma inquestionável, os problemas que envolvem figuras fundamentais, que são os ministros do Supremo e o Procurador-Geral da República. Não existe crime organizado sem corrupção, sem infiltração do Estado. E se eu quero combater crime organizado, preciso atacar esse ponto também. Um novo mandato meu continuará nessa mesma disposição de enfrentar essa divergência, porque é fundamental. Quando começo o mandato, lá em fevereiro de 2019, a primeira coisa que faço é pedir para uma Comissão Parlamentar de Inquérito, que ficou apelidada de CPI da Toga, para apurar fatos concretos que envolvem ministros do STF. E de lá pra cá, nada mudou. Esse quadro só piorou. Porque de lá para cá os ministros liberaram a advocacia de parentes, que é proibida por lei, e passaram a ter atuação extremamente incisiva na seara política empresarial.

JLPolítica & Negócio - Nestes quase oito anos no âmbito do Congresso o senhor viu práticas reais de corrupção ou atitudes não-republicanas e lesivas?

AV - O que eu tive provado foi sempre denunciado ao Ministério Público Federal. Mas ouvir e ter a compreensão do ritmo de infiltração da corrupção era muito evidente. Só não era papel meu e nem eu tinha instrumentos para produzir provas. A corrupção, em grande parte, começa nas campanhas eleitorais. Campanhas de custo absolutamente incompatíveis com o teto de gastos, com limites, com a razoabilidade - um cidadão gastar para ser deputado estadual um valor que corresponde a duas ou três vezes dos seus ganhos em quatro anos mostra que tem algo errado. Isso ocorre a olhos vistos e é importante que a Polícia Federal e o Ministério Público comecem a atuar. Quando é que nós teremos uma sociedade ativada para ver isso e combater isso? Quando a gente tiver a construção de lideranças políticas que possam apontar esse mundo. O Brasil vive uma mudança geracional. Essa é a última eleição com a presença de Lula na cédula presidencial. Essa é a última eleição com a presença, mesmo que representada, do Jair Bolsonaro. Então, essa mudança geracional talvez possa trazer para o cenário político nacional alguma coisa diferente e que aponte para mudanças verdadeiras. Sei que, com a fragmentação, com a comunicação digital agressiva e com o uso crescente de desinformação, fake news e inteligência artificial, é sempre muito difícil.

O QUE ESPERAR DOS SERGIPANOS NAS URNAS

“Se o que ele defende é uma política que entrega resultados sem abrir mão da honestidade e do cuidado com o dinheiro do povo, ao longo dos últimos oito anos fizemos isso. Então em 2018 eu era uma promessa, uma aposta e a aposta foi feita por 474.449 sergipanos e agora a gente mostra o prêmio que o sergipano ganhou com aquela aposta”

JLPolítica & Negócio - Haveria algum elo entre um Sergipe supostamente calmo e saneado no campo da segurança pública e as práticas do seu mandato nestes oito anos?

AV - Tem uma ajuda direta com investimentos. São investimentos de mais de R$ 60 milhões que nenhum parlamentar federal na nossa história fez. Tem o apoio institucional, tem a mudança de legislação para que você tenha leis mais eficientes no combate ao crime. Mas esse resultado é consequência, também, de um trabalho de milhares de pessoas. Cada policial civil, militar, perito, cada profissional do Ministério Público, da Justiça, tem uma parcela de participação nesse sucesso que também – e tem essa coisa da liderança política que a gente já falou sobre isso na Entrevista. Então isso vem já há bastante tempo com estabilidade e planejamento. Temos que continuar. Segurança pública, assim como saúde, é investimento e atenção permanente. Hoje Sergipe é o único Estado do Brasil que não tem território dominado por facção. O único. Isso é consequência do trabalho das polícias e exige vigilância permanente, reforço de investimentos, reforço de planejamento e valorização da troca.

BRASIL VIVE O FIM DE UM CICLO

“O Brasil vive uma mudança geracional. Essa é a última eleição com a presença de Lula na cédula presidencial. Essa é a última eleição com a presença, mesmo que representada, do Jair Bolsonaro. Então, essa mudança geracional talvez possa trazer para o cenário político nacional alguma coisa diferente e que aponte para mudanças verdadeiras”

JLPolítica & Negócio - O senhor acha que as classes política, econômica e intelectual estariam compreendendo o instante SEAP que o Estado vive e tudo que poderia vir dele, ou estariam esperando as coisas acontecerem?

AV - Vamos dizer assim: aquelas pessoas com atividade econômica, grandes empresários, do setor ou não, têm a compreensão da importância. O governo atual, de Fábio Mitidieri, tem a compreensão da importância. Mas uma parcela da classe política não acompanha tão de perto, não compreende como isso pode alterar e modificar para melhor a vida dos sergipanos. E o que me deixa mais preocupado: não tem qualificação para poder usar esse dom, essa graça da natureza que Sergipe recebeu. Porque é uma graça você ter no menor Estado da federação um depósito de minerais tão valiosos como esse. Essa falta de preparo sempre para mim é uma preocupação. Hoje eu sei, acompanho, atuo muito de perto, então entendo que o Governo Fábio está preparado para isso. Você tem bons técnicos, bons profissionais que sabem muito bem como desenhar. As manifestações públicas e reservadas que Fábio tem feito sobre como administrar esse valor recebido com a arrecadação, os royalties, enfim, tudo mais, é bastante interessante, porque vai numa linha de criação de fundos, investimento em educação, diversificação da economia, porque isso é o que sustenta o desenvolvimento do Estado a longo prazo. O recurso do óleo e gás tem prazo, vai durar 20 anos ou 30 anos. E o Estado de Sergipe, com fé em Deus, vai estar aí para sempre. Quando se fala em intelectual, refere-se a academia, as universidades, a classe pensante e da ausência de um contexto, digamos assim. Mas temos as universidades, em destaque a Federal e a UNIT, próximas desse processo, com bons profissionais atuando ali. E a gente vem fazendo investimentos junto com o Governo do Estado, através do mandato, para fortalecer a qualificação de mão de obra, para que esses mais de 20 mil empregos que vão ser criados num curto espaço de tempo sejam preenchidos com gente daqui. Ou a gente qualifica a população sergipana para abraçar esses empregos, que são empregos qualificados e de boa remuneração, ou vem todo mundo de fora e ocupa essas vagas.

Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica com br

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

O que a direita tem a oferecer

Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 7 de agosto de 2026

O que a direita tem a oferecer

Sabatina O Antagonista e G4 indica as principais qualidades dos desafiantes de Lula. Duda Teixeira e Rodolfo Borges para a Crusoé:

O Antagonista promoveu com o G4, nesta semana, uma sabatina com os principais candidatos presidenciais da eleição 2026.

O evento marcou o início da campanha eleitoral, após as convenções partidárias que definiram os candidatos, e só não contou com o presidente Lula, que não deve comparecer a eventos do gênero, nem a debates ao longo desta campanha.

A sabatina serviu, portanto, para apresentar e discutir os projetos dos quatro homens que se apresentam como alternativa a um presidente que aumentou para 80% do PIB a dívida pública, com políticas que visam mais à recuperação de sua biografia, após a prisão, do que ao bem do país.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Renan Santos (Missão) e os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás, e Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, são todos de direita e concordam em muitas pautas, como o endurecimento do combate ao crime, a responsabilidade fiscal e a contenção do Supremo Tribunal Federal (STF), mas têm personalidades e planos diferentes.

As distinções entre as propostas e as condições para implementá-las estão detalhadas nesta reportagem, baseada no que eles disseram na sabatina, ao dar início à corrida eleitoral.

Zema, de Minas para o Brasil

O empresário e ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema propõe levar sua experiência de dois mandatos no governo do estado para todo o país.

"O compromisso que eu assumo, eu quero lembrar, eu já fiz em Minas. Durante o meu governo em Minas, nós levamos para o estado 530 bilhões de reais de investimentos privados. Isso dá mais de 100 bilhões de dólares. É uma montanha de dinheiro que a maioria dos países do mundo não atraiu. Nesse período de sete anos em que eu fiquei governador de Minas, criamos mais de 1 milhão de empregos formais. O desemprego em Minas é o menor da história. A taxa de pobreza é a menor. Ganhamos participação no PIB do Brasil", disse Zema.

Zema fala em repetir as mesmas medidas que tomou em Minas, mas em outra escala. Entre essas medidas estão as privatizações e a redução da máquina pública.

Questionado sobre a Copasa, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais, Zema respondeu: "A Copasa acabou de ser privatizada há 90 dias. Quem acompanha o mercado sabe disso. As estatais em Minas, durante a minha gestão, tiveram uma valorização superior a 300%, tanto Copasa quanto Cemig. E eu vendi participações e privatizei 118 empresas, companhia do lítio, Elibrás, Light. A única empresa que não foi privatizada e será é a Cemig", disse Zema.

Sobre corte de pessoal, Zema tentou fazer um cálculo sobre como seria em escala nacional, mas evitou dar um número.

"Em Minas Gerais, eu fiz algo que acho que nunca aconteceu no Brasil. Me falem de algum governador ou até presidente que reduziu quase 50 mil cargos na máquina pública. Eu fiz isso em Minas. Foram 50 mil cargos que eu reduzi em Minas seriam o equivalente para o Brasil a meio milhão de cargos. Minas Gerais é mais ou menos 10% do Brasil. Só com isso, o Estado de Minas economizou por ano cerca 4 bilhões de reais. A nível Brasil seriam 40 bilhões de reais. Tem muita coisa que dá para fazer", afirmou o mineiro.

Caiado, presidindo pelo exemplo

Ronaldo Caiado tem quase tantos anos de política quanto Renan Santos e Flávio Bolsonaro, ambos na faixa dos 40, têm de idade. Candidato à Presidência da República em 1989, quando tinha 39 anos, o ex-governador de Goiás deixou claro, mais uma vez, que aposta no próprio currículo para acalmar um país partido entre lulismo e bolsonarismo há quase 10 anos.

"Eu quero convocar a todos vocês com a experiência da idade, dos seis mandatos que eu tenho no Congresso Nacional, com dois mandatos como governador do estado. O que eu pretendo fazer é pacificar o Brasil, é dar oportunidade para todos sentarem à mesa, é poder construir um outro momento. Não se governa brigando, não se governa provocando as pessoas. Governo é sentado à mesa de negociação. É assim que eu governei e assim que eu irei governar o Brasil", prometeu o goiano, que fez mais uma vez uma enfática defesa do agronegócio, sua bandeira de vida.

O momento em que Caiado mais cativou a plateia de empresários que acompanhou a sabatina, contudo, foi quando ele falou sobre a segurança pública de Goiás, um dos principais fatores para os seus 88% de aprovação ao deixar o governo neste ano para concorrer ao Palácio do Planalto.

"Qual é o seguro de carga mais barato no país? Goiás. Qual é o seguro de carro mais barato no Brasil? Goiás. Em Goiás, ninguém faz seguro para roubo de carro. Faz para acidente. Onde é que carga valiosa não tem batedor? Chega na divisa de Goiás com Minas, os batedores saem. Entra em Goiás. Chega na Bahia, os batedores entram", disse o ex-governador, relatando que recebeu homenagem do setor supermercadista e das joalherias goianas.

Segundo ele, Goiás é o estado mais seguro do Brasil e "nunca teve um assalto que progredisse lá" durante seu governo. "Pergunte aos empresários, comerciantes o que é a segurança plena instalada no estado. Pergunte o custo para os empresários no meu estado de Goiás. É o menor que tem no Brasil", defendeu, acrescentando que os empresários não precisam andar de carro blindado.

"Uma empresa quebrou lá em Goiás. Soube que elas foram para o Rio de Janeiro, que tem fila de espera hoje, mais de 6 mil carros, para serem blindados", disse Caiado, para o riso da plateia.

O ex-governador também prometeu encaminhar ao Congresso, logo no primeiro dia de governo, propostas de emenda à Constituição (PECs) para as reformas política, administrativa, tributária (com revisão de pontos da reforma atual) e de segurança.

Entre todos os candidatos à Presidência, nenhum fala com mais propriedade do que ele sobre terras raras — Caiado defende a industrialização e processamento local de minerais críticos.

Se seu plano de estabilização der certo — e isso passa pela sua promessa de anistiar os condenados pelos atos de vandalismo no 8 de janeiro de 2023 —, o ex-governador de Goiás calcula que o país conseguirá alcançar uma taxa real de juros de 3% a 4%, longe dos 14% atuais.

Renan, uma novidade de verdade

Com 42 anos, Renan Santos é o mais novo entre os candidatos a presidente. É o que mais arrisca e o que mais traz temas novos para o debate nacional.

Seu plano de governo de 50 páginas é um resumo dos seis fascículos do Livro Amarelo, produzido pelo Movimento Brasil Livre (MBL) com a contribuição de centenas de pessoas, com diversas experiências.

Por isso, Renan, que hoje comanda o partido Missão, fundado no ano passado, traz frescor à política brasileira ao introduzir assuntos que não foram debatidos ou que são deixados de lado porque são impopulares.

Renan não esconde que, caso se torne presidente, fará um ajuste fiscal duro para reduzir os juros da economia. O corte de gastos vai acontecer principalmente com a redução do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o fim dos gastos mínimos com saúde e educação.

"São as reformas fiscais altamente impopulares que vão mudar a trajetória da dívida e assim mudar a trajetória do juros futuro do Brasil. Eu preciso passar a desindexação dos valores previdenciários do BPC que hoje estão vinculados ao aumento do salário mínimo, e eu preciso passar a desvinculação dos gastos de saúde e educação, que são vinculados à receita. São duas coisas que são PEC [Proposta de Emenda Constitucional] e que precisam passar, porque isso mexe com o crescimento completamente descontrolado que a gente tem dos gastos e, por consequência, da dívida", afirmou Renan na sabatina.

O candidato tem plena liberdade para propor mudanças radicais, mesmo que admita que, para conseguir colocá-las em prática, terá de negociar com o Congresso e, se necessário, "dar uma conversada com o Capeta".

Entre as suas propostas está criar um tribunal separado do STF para julgar os parlamentares, urbanizar favelas em parceria com a iniciativa privada (a "desfavelização"), introduzir um código para a imprensa para impedir que sites de fofocas façam propaganda política com verbas públicas, reduzir o número de municípios do Brasil e condicionar as emendas parlamentares a cortes nos gastos obrigatórios.

"O município, especialmente o município com baixa atividade econômica, tornou-se um executor de recursos que vêm do governo federal e executor de emendas do padrinho político do prefeito, que é o deputado que recebe a emenda hoje. O que é um deputado federal? Ele é um gestor de uma série de filiais que ele tem, que são municípios. E eles executam as emendas dele. Fazem o show do Wesley Safadão para se reeleger. Não têm nenhuma obrigação ou compromisso com indicadores de desempenho, os famosos KPIs, que vocês colocam nas empresas para poderem validar se a empresa está funcionando ou não. E aí eles giram esse dinheiro", afirmou Renan.

Para Renan, os prefeitos que aumentarem a atividade econômica devem ser premiados, enquanto os municípios que não conseguem pagar as próprias contas devem se fundir com outros. "O prefeito poderá receber mais emendas, desde que entregue bons indicadores de desempenho facilmente metrificáveis e auditáveis. O maior deles seria o aumento da atividade econômica, percebida com aumento de emprego e redução de pessoas vivendo do assistencialismo", disse o candidato.

Flávio, empurrado por um movimento

Flávio Bolsonaro só concorre à Presidência porque seu pai está preso. Está claro que o senador não se preparou para assumir o Palácio do Planalto, mas Jair Bolsonaro também não estava preparado quando assumiu o país em 2018.

Hoje, o bolsonarismo tem muito mais corpo e quadros do que tinha duas eleições atrás.

Abalado na pré-campanha pelo escândalo do Banco Master, por causa do patrocínio para o filme Dark Horse, Flávio não conseguiu formar uma coligação que tornasse sua candidatura mais robusta, e teve de se contentar com o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice.

Mas o candidato destacou na sabatina que está cercado de aliados de peso, como a senadora Tereza Cristina (PP-MT), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), favorito para se reeleger em São Paulo, e a ex-presidente da Caixa Daniella Marques (Republicanos).

"Em praticamente todos os estados nós estamos com palanques montados. Nós temos 22 palanques já 100% fechados no Brasil. Só para que todos possam ter uma referência, o presidente Bolsonaro tinha, em 2022, apenas 10 estados com os palanques. Nós já temos mais do que o dobro", disse o senador, que estava lidando com as tratativas para decidir seu vice e participou remotamente da sabatina.

Na quarta-feira, 5, Flávio fechou o 23º palanque estadual, em Minas Gerais, com a candidatura de Flávio Roscoe. E a força do PL deve se materializar também no Congresso Nacional.

Antes de ser preso, Bolsonaro falava, ainda em 2025, no projeto de eleger a maioria do Senado e da Câmara. Entre os senadores, que têm a prerrogativa de julgar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o desafio parece mais palpável. A maioria permitiria governar de uma forma mais confortável que Lula, que passou o governo inteiro tentando reverter derrotas no Supremo.

Questionado na sabatina sobre os atritos com os ministros do STF, especialmente Alexandre de Moraes, que assume a presidência do tribunal em setembro de 2027, Flávio disse que o próximo presidente vai indicar quatro juízes supremos, e falou sobre a possibilidade de impeachment.

"Essa grande anomalia que nós estamos vivendo hoje no nosso país ocorre porque a atual configuração do Senado Federal desvirtuou isso, desequilibrou essa suposta harmonia que deveria haver entre os poderes. Não há freios e contrapesos", criticou o senador.

Caso eleito, a primeira missão auto-imposta do senador será, contudo, anistiar o pai e os condenados do 8 de janeiro, o que deve deflagrar uma crise com o STF antes mesmo que ele consiga ver o primeiro de seus indicados ser empossado no tribunal.

Flávio prometeu também aplicar um "tesouraço" tributário, detalhou seu programa de segurança, "Brasil sem Medo", e se comprometeu a apresentar uma PEC que extingue a possibilidade de reeleição para o cargo de presidente da República. Tudo isso em nome do seu pai.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi blogspot com

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Susane Vidal inicia um novo capítulo de sua história

Entrevista compartilhada do site do JORNAL DA CIDADE, de 2 de agosto de 2026 

Susane Vidal: da credibilidade no jornalismo ao desafio de representar Sergipe em Brasília

Susane fala sobre a decisão de ingressar na vida pública, o manifesto "O Sergipe que a gente quer começa com respeito", o simbolismo do blazer que marcou sua convenção e a experiência de percorrer os municípios sergipano

Depois de quase três décadas de uma trajetória consolidada no telejornalismo sergipano, Susane Vidal inicia um novo capítulo de sua história. Recém-homologada como candidata a deputada federal pelo Republicanos, ela leva para a política a experiência construída ao longo de anos dedicados à escuta da população. Nesta entrevista ao Caderno Social, Susane fala sobre a decisão de ingressar na vida pública, o manifesto "O Sergipe que a gente quer começa com respeito", o simbolismo do blazer que marcou sua convenção e a experiência de percorrer os municípios sergipanos, entrando nas casas das pessoas para ouvir suas histórias, conhecer de perto sua realidade e compreender, além das estatísticas, os desafios, os sonhos e as expectativas de quem vive Sergipe todos os dias. 

JCSOCIAL - Após quase 30 anos no telejornalismo, você oficializou sua candidatura na convenção do Republicanos. O que a levou a transformar a experiência como jornalista em um projeto de vida pública?

SUSANE VIDAL - Eu sempre digo que não deixei de ouvir as pessoas, apenas mudei o lugar de onde posso agir. Durante quase três décadas no jornalismo, conheci de perto as dores, os desafios e a força do povo sergipano. Em muitos momentos, contei histórias que precisavam de solução. Chegou um momento em que senti que apenas noticiar já não era suficiente. Quero levar essa experiência de escuta, diálogo e compromisso para um espaço onde seja possível construir soluções e representar as pessoas.

JCSOCIAL - O manifesto "O Sergipe que a gente quer começa com respeito" já ultrapassou a marca de cinco mil assinaturas. O que esse apoio representa para você e o que ele revela sobre o momento que Sergipe vive?

SUSANE VIDAL - O manifesto nunca foi sobre mim. Ele nasceu para ouvir as pessoas e entender quais valores elas querem ver na política. O respeito foi o ponto de partida porque acredito que é dele que nascem o diálogo, as boas decisões e a capacidade de unir pessoas em torno de um propósito comum. Cada assinatura tem um rosto, uma conversa e uma história. Mais do que um número, essas mais de cinco mil assinaturas mostram que existe muita gente querendo participar da construção de um Sergipe melhor.

JCSOCIAL - O blazer usado na convenção chamou a atenção por trazer nomes de pessoas que acreditam no manifesto e pelo processo criativo, que você compartilhou nas redes sociais. Como surgiu essa ideia e qual é o simbolismo dessa peça para a sua candidatura?

SUSANE VIDAL - A ideia era mostrar que ninguém constrói um projeto político sozinho. Ele não foi pensado como uma peça de roupa, mas como um símbolo. Ele reúne os nomes das pessoas que acreditaram no manifesto antes mesmo de existir uma campanha. Cada nome representa confiança, incentivo e esperança. Compartilhar o processo de criação nas redes sociais também foi uma forma de mostrar que tudo foi pensado com muito significado, valorizando quem caminhou comigo desde o começo. Eu não visto apenas um blazer, visto a confiança de muitos sergipanos. Digo sempre que ele é o meu manto da confiança.

JCSOCIAL - Desde que deixou a bancada da TV, você tem percorrido o estado e ouvido a população de perto. Quais são as principais demandas e sentimentos que mais têm aparecido nessas conversas?

SUSANE VIDAL - As pessoas querem ser ouvidas de verdade. Elas falam sobre saúde, educação, segurança, geração de emprego e oportunidades para os jovens, mas também falam sobre respeito. Existe um desejo muito grande de voltar a acreditar na política como um instrumento de transformação. Tenho encontrado pessoas que querem participar, apresentar ideias e construir soluções. Essa caminhada só reforçou a convicção de que ninguém conhece melhor os problemas de Sergipe do que quem vive essa realidade todos os dias.

JCSOCIAL - Quem é a Susane que o público conhecia na televisão e quem é a Susane que as pessoas estão descobrindo agora, nas ruas e durante essa caminhada política?

SUSANE VIDAL - A essência é a mesma. Continuo sendo uma pessoa que acredita no diálogo, na responsabilidade e no respeito. Talvez agora as pessoas estejam conhecendo um lado mais pessoal: a professora, a mulher que gosta de conversar, de ouvir histórias e de aprender com as pessoas. A televisão me permitiu entrar na casa dos sergipanos todos os dias. Agora, tenho a oportunidade de entrar pela porta da frente, sentar, ouvir e construir esse caminho junto com elas. Acho que essa é a maior diferença: hoje, além de contar histórias, quero ajudar a escrever novos capítulos para Sergipe.

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldacidade net/jc-social