sexta-feira, 13 de julho de 2018

Um domingo de República de Bananas

O ex-presidente Lula. (Foto: ANDRE PENNER AP)

Publicado originalmente no site Brasil El País, em 9 JUL 2018

Um domingo de República de Bananas

Não bastasse o brasileiro ter de conviver com um presidente da República impopular e sob forte odor de corrupção, o cidadão comum tem a sensação de que a balança da Justiça do país está mal aferida

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

Não bastasse o brasileiro ter de conviver com um presidente da República impopular e sob forte odor de corrupção, o cidadão comum tem a sensação de que a balança da Justiça do país está mal aferida. Por consequência, a Temis brasileira está com os seus pratos desequilibrados. E são frequentes teratologias jurídicas causadoras de situações de insegurança. Quando juízes de Corte Constitucional perdem o pudor ao não se declarem proibidos de julgar por notória falta de imparcialidade, a Justiça passa a ser desacreditada: no Brasil temos, sob influência da tripartição dos poderes desenvolvida por Mostesquieu, um poder Judiciário, ao lado dos poderes Legislativo e Executivo. No particular, o Brasil caminha a passos largos para uma situação de entropia que o saudoso jurista europeu Piero Calam Andrei — um dos pais da Constituição italiana de 1948 —, apontou com a expressão latina Habent sua sidera lites, a significar não ser a Justiça algo a ser levado a sério.

No último domingo e com o tradicional recesso judiciário do mês de julho, um magistrado de Corte regional e federal agitou o país — que terá eleição em outubro próximo para chefe do Executivo federal— em regime presidencial republicano.

Como se diz no popular, esse magistrado do plantão judiciário, que funciona com competência restrita a apreciar casos de urgência e inadiáveis, jogou gasolina numa fogueira política que diz respeito ao popular ex-presidente Lula da Silva.

Lula está condenado, em duas instâncias da Justiça, (uma monocrática e outra colegiada), por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Encontra-se preso provisoriamente, pois as condenações (corrupção e lavagem) ainda não passaram em julgado, ou seja, não são definitivas. Estão pendentes de julgamentos dos seus recursos no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF).

Por seis votos contra cinco, o Supremo Tribunal, que funciona também como corte Constitucional, firmou no ano de 2016 entendimento jurisprudencial de ser possível execução provisória de sentença condenatória imposta ou confirmada por um órgão judiciário colegiado: e Lula foi condenado, em sede de apelação, pela 8ª Turma Julgadora do Tribunal Federal da 4ª região, com sede no estado federado do Rio Grande do Sul. Diante da acima mencionada jurisprudência redutora do alcance do princípio constitucional da presunção de não culpabilidade (chamada de presunção de inocência a partir da Revolução francesa), o ex-presidente Lula encontra-se a cumprir pena de prisão fechada, em processo de execução provisória.

As duas turmas julgadoras do Supremo Tribunal, apesar da jurisprudência do colegiado ainda não haver sido derrubada, divergem sobre caber ou não execução provisória. Quem tem sorte de levar o recurso à Segunda Turma, pode ganhar a liberdade. E na semana passada, num contorcionismo jurídico para driblar a jurisprudência do Supremo Tribunal de admissão da condenação antes de se tornar definitiva, a referida Segunda Turma concedeu, em habeas corpus de ofício (sem provocação da defesa técnica), efeito suspensivo a recurso de José Dirceu, ex-ministro chefe da Casa Civil do então presidente Lula. Claro está que a situação processual de José Dirceu é exatamente igual ao do ex-presidente Lula que, no entanto, continua preso provisoriamente.

A defesa técnica de Lula aguarda, após o período de férias do Supremo Tribunal, que os 11 ministros decidam, em sessão plenária, se o ex-presidente aguardará o julgamento dos seus recursos em liberdade e se está ou não inelegível: as pesquisas de intenção de voto apontam Lula em primeiro lugar na corrida presidencial, com cerca de 30% dos votos. Para surpresa geral —sem ser caso de urgência a justificar uma decisão do Plantão judiciário e estar a questão fulcral sobre a liberdade e ilegibilidade de Lula subjudice no Supremo Tribunal—, o magistrado plantonista, Rogério Favreto, determinou liminarmente, de pronto, a soltura do ex-presidente Lula. Entendeu estar Lula sendo prejudicado como futuro candidato, pois os seus concorrentes gozavam de liberdade, embora não houvesse nenhum condenado: o Partido dos Trabalhadores ainda não indicou Lula como candidato e isto em razão de obstáculo previsto na chamada Lei de Ficha Limpa. Por essa lei, não tem legitimidade para candidatar-se quem estiver condenado criminalmente por decisão de órgão judiciário colegiado. Lula, como frisado, encontra-se condenado por Vara Criminal de Curitiba (julgamento monocrático) e pela 8ª Turma do Tribunal Federal da 4ª Região. A liminar concedida no plantão judiciário do Tribunal foi espantosa, pois a regra é do seu cabimento de liminar apenas diante de uma flagrante e visível ilegalidade ou de abuso de poder. E o espanto aumentou quando se soube que o Favreto não era um magistrado por concurso público, mas por nomeação da ex-presidente petista Dilma Rousseff (eleita por influência de Lula e cassada por impeachment). Mais ainda, Favreto tinha uma militância de mais de 20 anos no lulista Partido dos Trabalhadores. Para piorar e indicar a sua falta de isenção para decidir, havia assessorado Lula na presidência da República.

Depois de mais de 16 horas de idas e voltas, manteve-se a prisão de Lula, por decisão do presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. O presidente da Corte solucionou um conflito de competência entre dois dos seus membros. Ou melhor, entre o magistrado Pedro Gibran Netto, membro da 8ª Turma do Tribunal (relator do processo onde ocorreu a condenação de Lula e foi emanada a ordem de prisão) a negar a soltura de Lula, e o magistrado do plantão a expedir ordem se soltura de Lula.

Num pano rápido. O Brasil viveu um domingo de República de Bananas.

Wálter Fanganiello Maierovitch, 71 anos, é jurista, desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo, professor de Direito, Cavaliere della Repubblica di Italia, editorialista e comentarista da Radio CBN-Globo. É presidente do Instituto Giovanni Falcone de Ciências Criminais e titular vitalício na Academia Paulista de Letras Jurídicas e na na Academia de História.

Texto e imagem reproduzidos do site: brasil.elpais.com

O Brasil onde se zomba da ética se coloca às portas da ditadura

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Foto Nelson Almeida/AFP

Publicado originalmente no site Brasil EL País, em 12 de julho de 2018

O Brasil onde se zomba da ética se coloca às portas da ditadura

O emblemático caso de Lula está revelando que o conceito de ética está desmoronando a ponto de não se saber mais onde começa a verdade e a mentira

Por Juan Arias

O caso Lula e os últimos acontecimentos em torno da tentativa de libertá-lo da prisão a qualquer preço estão revelando algo mais profundo e grave: que, no Brasil, o espúrio conúbio entre política e justiça está jogando por terra o sentido sagrado da ética, que em suas origens supõe o reconhecimento entre “o bem e o mal”, como já advertia o filósofo Aristóteles. E quando um povo confunde os limites entre o bem comum e o pessoal, quando zomba da ética, coloca-se às portas da ditadura.

Se instituições como a política e a Justiça são concebidas por seus responsáveis como uma confraria de interesses pessoais, à custa das pessoas, é inevitável que surja a tentação de soluções autoritárias para impor e decidir o que é bom e o que é mau, à margem do que a sociedade possa pensar.

E esse é um perigo real hoje no Brasil, onde o emblemático caso de Lula, com tudo o que arrasta de paixões e interesses e que pode condicionar o presente e o futuro do país, está revelando que o conceito de ética está desmoronando a ponto de não se saber mais onde começa a verdade e a mentira, a liberdade e a tirania.

Quando uma sociedade percebe que os principais responsáveis nacionais por lutar pelo princípio da ética – vista como o sal que impede que a democracia apodreça – são os primeiros a pisoteá-la e ajoelhá-la perante seus interesses, não há nada de estranho que ela acabe envenenada, dividida, incrédula e tentada a tomar a justiça nas suas próprias mãos. Nesse ponto, a explosão de violência é inevitável.

Quando magistrados, juízes e políticos (preciso dar nomes?) usam seu poder a favor ou contra os que consideram ser “deles”, em detrimento do princípio de que ela deve ser igual para todos; quando os que nomeiam os cargos consideram normal que os nomeados sejam gratos a esses padrinhos ou ao seu partido, mesmo que à custa de usar dois pesos e duas medidas; quando observamos esse conluio político judicial à custa da sociedade e até da Constituição, não é de estranhar que as pessoas nas ruas vejam isso como um grotesco espetáculo que não corresponde ao peso e à importância de uma sociedade como a brasileira.

Que Lula seja julgado como qualquer outro cidadão, nem com maior nem com menor rigor, já que a lei é igual para todos. Mas que a sociedade sinta de forma palpável que esse rigor da lei serve também com os outros personagens da política. Do contrário, não é de estranhar que acabe convencida de que existem réus de estimação e réus para serem perseguidos.

E quando uma sociedade se sente traída e burlada, não é difícil que caia na tentação de jogar a ética na sarjeta para fazer justiça com as próprias mãos. Pudemos ver isso nos últimos dias, depois da loucura judicial da ordem de domingo do juiz Rogério Favreto de tirar Lula da prisão, e tudo o que isso desencadeou no mundo político e judicial. Um episódio que serve para pôr sobre a mesa a irritação nacional contra as diversas instituições. O eco que isso produziu entre cidadãos de ambos os lados do espectro político foi significativo e aterrador. Por parte da esquerda, os tuítes violentos lançados à sombra do anonimato das redes, como os que diziam: “Eu queria libertar Lula com as minhas mãos, e com as mesmas matar Moro”, ou “Gente, é preciso mandar matar o Moro”. E pela direita, a divulgação do celular do juiz Favreto, que também culminaram em ameaças de morte a ele e à sua família, e até o tuíte do general Paulo Chagas, que, com a cara descoberta, incita à violência contra o juiz que mandou soltar a Lula: “Gauchada!!! O nome dele é Rogerio Favreto. É um desembargador petralha, está de plantão no TRF.4. Será fácil encontrá-lo para manifestar-lhe, com a veemência cabível, a nossa opinião sobre ele e a sua irresponsabilidade. Ele é mais um apaixonado pelo ladrão maior. Conversem com ele”.

Alguém poderá estranhar que a sociedade se sinta em guerra? Dividida em lados, como quem a governa, quando vê que aqueles em quem deveria confiar para que a deusa da justiça não seja estuprada a colocam aos pés de seus piores interesses?

Até nas guerras, nos campos de batalha, existem entre inimigos certas regras e pausas em que os soldados enfrentados param para conversar e até se confraternizar. Na guerra do Brasil, não parece haver nem momentos de pausa para refletir. Existirá alguém com autoridade e moralidade capaz de erguer a bandeira branca da paz, ou os políticos continuarão aproveitando o descontrole que criaram para continuar pescando nas águas revoltas?

Quando na Espanha, há mais de 40 anos, faleceu o ditador militar Franco, o país, ferido com mais de um milhão de mortos vítimas da guerra civil, estava partido em dois. O então futuro rei Juan Carlos, perante o cadáver do ditador, prometeu: “Serei o rei de todos os espanhóis”. Ali começou a difícil e ainda inacabada reconciliação nacional.

Quando em um país perde-se a medida para distinguir o bem do mal, onde a Justiça pode ter muitas caras e a ética aparece doente e desprezada, a democracia corre perigo de morte e abrem-se as portas dos fantasmas autoritários.

Texto e imagem reproduzidos do site: brasil.elpais.com

terça-feira, 10 de julho de 2018

"A melhor vingança que posso ter é educar todas as crianças do mundo"

Malala defende que a educação é o melhor investimento
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Publicado originalmente no site da revista Época Negócios, em 09/07/2018 

"A melhor vingança que posso ter é educar todas as crianças do mundo"

Malala Yousafzai, prêmio Nobel da Paz, defende em São Paulo a importância da educação para o empoderamento feminino

Por Elisa Campos 

Era 9 de outubro de 2012. Um ônibus escolar paquistanês foi parado por membros do Talibã, na região de Swat. O alvo era uma garota de 15 anos. A punição, um tiro na cabeça por defender o direito de as mulheres estudarem. Mas Malala Yousafzai não morreu naquele dia. A bala destinada a calá-la fez com que nascesse uma das mais importantes e influentes vozes a favor da educação feminina no mundo. Malala sobreviveu, continuou sua luta e se tornou a pessoa mais jovem a ganhar um prêmio Nobel: o da Paz, aos 17 anos. Hoje vive na Inglaterra e estuda em Oxford. Ao mesmo tempo, mantém um fundo cujo objetivo é acabar com os obstáculos que impedem mais de 130 milhões de meninas de irem à escola ao redor do globo.

Quando questionada se tem sede de vingança pelo que lhe aconteceu, a paquistanesa que precisou abandonar sua terra natal evita o discurso de ódio. "A melhor vingança que posso ter é educar todas as crianças do mundo. Inclusive as das famílias daqueles que me atacaram", disse, nesta segunda-feira (09/07), em um debate sobre educação e empoderamento feminino promovido pelo Itaú, em São Paulo. "Você perde energia quando fala com raiva. Transmitir a mensagem de maneira pacífica tem poder. É possível que a resposta não seja rápida, mas você não será ignorado".

Malala conta que sua vida mudou quando ela acordou, após o ataque do Talibã. "Eu percebi que educação era mais do que ler e escrever. Era a maneira de as meninas se empoderarem. Desde então, tenho lutado pela educação feminina." Como gosta de dizer, "uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo".

E as mulheres precisam fazer parte dessa mudança. "A diversidade traz beleza. Celebrá-la nas escolas é muito importante. É o que faz as crianças acreditarem que podem ter qualquer sonho, independentemente de gênero, cor ou etnicidade", afirma. "A diversidade promove a tolerância. Com ela, deixamos de acreditar em estereótipos."

Ao comentar os desafios que enfrentamos na vida, a jovem paquistanesa ressalta que além dos externos, como o extremismo, temos também de enfrentar os internos. "É muito comum as mulheres subestimarem o poder de sua voz. Em Oxford, é normal ver os homens se mostrarem exageradamente confiantes, convictos, mesmo quando estão errados. Já as mulheres não demonstram esse tipo de confiança."

Família

No caminho percorrido de criança a ativista, Malala conta que seus pais foram fundamentais. Sua mãe foi a grande fonte de inspiração. Ao contrário da filha, ela não estudou. Durante muito tempo, sequer sabia ler. "Ao contrário de várias das histórias que ouço, na minha casa, quem fazia as leituras era eu. Eu lia para a minha mãe. Quando ela era ainda criança, vendeu seus livros e abandonou os estudos. Ela é um dos motivos pelos quais eu luto", diz.

A jovem também elogia bastante a postura de sua família. "Eu não tinha nada de especial em relação a minhas colegas de escola. Várias delas defendiam a educação feminina. A diferença é que meus pais não me pararam, não impediram de falar." Para ilustrar o argumento, Malala conta a história de uma amiga. Como os irmãos dela eram contra sua ida ao colégio, muitas vezes ela chegava atrasada, pois só conseguia sair de casa depois que eles também tivessem feito o mesmo. "Meu pai antes de se tornar um pai feminista precisou lutar contra si mesmo para não tratar sua filha como sua família havia tratado suas irmãs, impedindo-as de estudar."

Eleições brasileiras

Falando para uma plateia lotada, uma boa parte dela formada por jovens, Malala tentou inspirá-los e motivá-los. "Eu sei que há hoje muita raiva e desesperança por conta da situação econômica e política no Brasil, mas os ativistas têm o poder de trazer mudanças para a sociedade", diz. "Quando morava em Swat, eu não ficava esperando que alguém falasse por mim e defendesse o que eu acreditava. Vocês deveriam fazer o mesmo: acreditar em vocês e no poder da sua voz."

Uma das batalhas para este ano, segundo ela, deveria ser influenciar o debate político. "Numa eleição, a educação feminina deveria ser um das prioridades", afirma. "Termos mais mulheres educadas significa mais crescimento econômico e mais desenvolvimento." Nos próximos dias, Malala adiantou, seu fundo deve anunciar parcerias para atuar no Brasil. Aliás, é assim que ela se despede, encerrando o debate: "eu estou com vocês, brasileiros".

Malala pretende conquistar no Brasil novas vitórias. Que um dia elas sejam tantas que permitam que a jovem possa voltar a pisar em Swat. Em março deste ano, ela retornou pela primeira vez ao Paquistão desde o ataque de 2012. A ida à região onde morava, no entanto, ainda não foi possível por razões de segurança. As saudades são muitas. Aqui, em São Paulo, Malala elogiou a água brasileira, em comparação com a da Inglaterra. "Tem o gosto parecido com a da minha terra."

Texto e imagem reproduzidos do site: epocanegocios.globo.com

terça-feira, 26 de junho de 2018

Jozailto Lima entrevista > Alessandro Vieira


Publicado originalmente no site JLPolítica, em 17 de  fevereiro de  2018

Alessandro Vieira: “A política profissional levou Sergipe e o Brasil a essa situação lastimável”

“Arrastar multidões, falando mentiras e fazendo falsas promessas, é fácil”

Alessandro Vieira: anotem aí. Esse nome vai dar o que falar na eleição de Sergipe deste ano. Ele tem 42 anos, é um bacharel em Direito e delegado da Polícia Civil em Sergipe há 16 anos, com atuação em áreas como proteção a minorias, combate à corrupção e à lavagem de dinheiro e homicídios.

Além dessa esfera, é um militante orgânico do Rede, partido liderado nacionalmente por Marina Silva e sergipanamente pelo médico Émerson Ferreira, e quer disputar o Senado. Trabalha para isso. Alessandro Vieira não tem, de público, uma cara muito afável. Se for para ser lido apressadamente, dir-se-á que é um sujeito escasso em carisma.

Mas pode haver um erro aí. Um engano grave nessa leitura. Aliás, erro e engano facilmente dissipados pela clareza, transparência, acerto, convicção e coerência dos seus pontos de vista facilmente esboçados em falas.

Além do mais, ele tem uma explicação antológica para o modo Alexandre de ser. “A minha imagem pública foi moldada na atividade policial, sempre tratando de assuntos graves, como homicídio, tráfico ou corrupção. Não dá para falar sobre isso com leveza e sorrisos. Seria um desrespeito com as vítimas e com o cidadão que pagam meu salário. Fora da atividade profissional, o trato é diferente, mais afetuoso e aberto”, diz.

Descontado o populismo do petista ido, em alguns momentos o pensamento, as ideias, as defesas e as convicções de Alessandro Vieira lembram as de Marcelo Déda no que havia de bom e íntegro em Marcelo Déda. Faltam-lhe o rompante e a emoção daquele ex-governador. Mas certamente a sua oratória dirá algo fundo a muita gente.

E é a partir dessas convicções e desse perfil que Alessandro Vieira está construindo a pré-candidatura de senador por Sergipe para este ano. A base do discurso dele será a da desconstrução de uma linha de políticos profissionais e tradicionais - não meramente pelo profissionalismo deles.

Mas por entender que a ação profissional desses políticos tornou-se ineficaz à vida das pessoas, das cidades e do Estado. Desgastou-se no tempo. Tornou-se ineficiente para resolver os problemas sociais do Brasil e de Sergipe, e passou a ser ela mesma, a ação deles, a geradora das maiores problemáticas coletivas.

“Os políticos profissionais têm como maior preocupação a sua manutenção e a de seus apaniguados nos cargos eletivos ou comissionados. Neles, não existe preocupação real com a gestão ou com o interesse público, mas sim com as sucessivas eleições”, diz Alessandro.

“Operações como a Lava Jato deixaram claro como o envolvimento de grandes empresários, políticos profissionais e funcionários públicos comumente gera um sistema criminoso de ocupação do Estado. É preciso reconhecer com clareza que foi a política profissional que levou Sergipe e o Brasil à situação lastimável em que nos encontramos”, completa ele.

A visão que ele tem de Sergipe é identicamente dura, e sem concessões. “Sergipe sofre com uma absoluta carência de novas lideranças, ao mesmo tempo em que é evidente que essas pessoas que fazem política profissionalmente no Estado há mais de quatro décadas não apresentam capacidade técnica e vontade política de fazer as mudanças urgentes e necessárias para os sergipanos”, diz.

“Neste sentido, como a Rede vai apresentar alternativas concretas para essa renovação, acredito que a chance de sucesso no processo eleitoral é grande”, afirma. Aliás, Alessandro defende mudanças profundas, mas sem dar de braços com populismos.

OBJETIVO DATADO DOS PROFISSIONAIS

“Os políticos profissionais têm como maior preocupação a sua manutenção e de seus apaniguados nos cargos eletivos ou comissionados”

“Arrastar multidões, falando mentiras e fazendo falsas promessas, é fácil. Já vimos isso acontecer pelo Brasil afora, inclusive aqui em Sergipe. As consequências são graves e estamos sentindo na pele. A missão da Rede é apresentar um discurso coerente, verdadeiro e que aponte soluções para os problemas de Sergipe, oferecendo uma alternativa real para a mesmice que se reveza no comando do Estado. Tenho certeza de que esta missão será cumprida”, diz.

Alessandro Viera é um gaúcho de Passo Fundo, mas criado em Sergipe desde 1984. Ele é casado e tem 3 filhos. Comandou por 14 meses a Polícia Civil de Sergipe, é interessante a versão que faz da sua queda do posto de delegado Geral e muito mais a visão que tem de polícia.

“Polícia que é dura com o pobre da periferia e suave com o político rico, é polícia covarde e injusta. Só vamos passar a limpo o Brasil e o nosso Estado quando os órgãos de controle trabalharem com independência e rigor em todos os casos”, diz. Vale a pena a leitura desta que é a 55ª entrevista do JLPolítica.

JLPolítica - Qual é a real chance de o novo ter vez no processo sucessório de Sergipe em 2018?
AV - Sergipe sofre com uma absoluta carência de novas lideranças, ao mesmo tempo em que é evidente que essas pessoas que fazem política profissionalmente no Estado há mais de quatro décadas não apresentam capacidade técnica e vontade política de fazer as mudanças urgentes e necessárias para os sergipanos. Neste sentido, como a Rede vai apresentar alternativas concretas para essa renovação, acredito que a chance de sucesso no processo eleitoral é grande.

JLPolítica – Mas no que a tradição, ou os chamados políticos profissionais, falharam?
AV - Os políticos profissionais, como a própria denominação indica, têm como maior preocupação a sua manutenção e de seus apaniguados nos cargos eletivos ou comissionados. Neles, não existe preocupação real com a gestão ou com o interesse público, mas sim com as sucessivas eleições. Outra questão grave está no financiamento de campanha, onde os compromissos gerados, sempre de valores muito elevados, comprometem a tomada de decisão durante a gestão, com escolhas que nem sempre levam em consideração o interesse público. Operações como a Lava Jato deixaram claro como o envolvimento de grandes empresários, políticos profissionais e funcionários públicos comumente gera um sistema criminoso de ocupação do Estado. É preciso reconhecer com clareza que foi a política profissional que levou Sergipe e o Brasil à situação lastimável em que nos encontramos.

JLPolítica - A continuidade da política nas mãos dos profissionais traz embutidos que perigos ao avanço social?
AV - A política profissional tem como interesse central a manutenção de cargos e esferas de poder. Não existe interesse real em avanços sociais, gestão qualificada da coisa pública e muito menos combate à corrupção.

SISTEMA CRIMINOSO DE OCUPAÇÃO DO ESTADO

“Operações como a Lava Jato deixaram claro como o envolvimento de grandes empresários, políticos profissionais e funcionários públicos comumente gera um sistema criminoso de ocupação do Estado”

JLPolítica - Mas se constrói a perspectiva do novo apenas num processo eletivo? Não falta mais ação coletiva duradoura e do dia a dia?
AV - Entendo que estamos construindo no Brasil um processo de tomada de consciência da gravidade da situação em que nos encontramos e dos motivos que nos levaram ao estado atual de degradação. Evidentemente que isso precisa ser reforçado com educação de qualidade e com o envolvimento de pessoas que tenham qualificação e independência para apresentar soluções efetivas e alternativas para os eleitores. É um processo relativamente longo, mas o processo eleitoral deste ano é um momento de inflexão. Uma oportunidade de ouro de mandar incompetentes notórios para casa e tirar o foro privilegiado de políticos profissionais que respondem a múltiplos processos criminais.

JLPolítica - O senhor identifica no seio da comunidade um traço real e suficiente no desejo de mudar, ou este desejo está apenas em pequenos grupos que buscam esta mudança, como o dos senhores do Rede?
AV - O desejo de mudança é real e está espalhado em todas as classes sociais. O cidadão brasileiro médio tem hoje a consciência de que a falta de dinheiro para saúde, educação e segurança é consequência direta da incompetência e da corrupção que contaminam grande parte da classe política dominante. As pesquisas apontam que 80% ou mais dos eleitores não desejam votar nessas mesmas figuras que estão aí.

JLPolítica - O discurso dos governistas é o de que a situação ruim de Sergipe é uma consequência da situação trágica nacional, e que logo a culpa não pode recair sobre Jackson Barreto. O que pensam os integrantes do Rede?
AV - É um discurso inconsistente, para dizer o mínimo. Temos diversos Estados, inclusive os vizinhos Alagoas e Bahia, que apresentam indicadores muito melhores que os sergipanos. A realidade dos fatos, que nenhum marketing milionário vai conseguir esconder, é que este grupo político atualmente liderado por Jackson Barreto, e que governa Sergipe há mais de um década, não demonstrou capacidade técnica ou vontade política para enfrentar os desafios da gestão. A única preocupação, como é notório para este tipo de político, é disputar e ganhar a próxima eleição, numa ciranda interminável. Enquanto isso, a população desamparada é que sofre as consequências.

OPORTUNIDADE DE OURO CONTRA INCOMPETENTES

“O processo eleitoral deste ano é uma oportunidade de ouro de mandar incompetentes notórios para casa e tirar o foro privilegiado de políticos profissionais que respondem a múltiplos processos”

JLPolítica - Não lhe parece que, por algumas posturas, o Rede veio ao mundo político para ser só e somente um alternativo, sem chegar lá? Um desdobramento de PSOL, PSTU e afins?
AV - Não. A Rede apresenta uma proposta nova, de uma política desvinculada do emaranhado de interesses da política profissional. Como é um partido novo, com mais de 85% de filiados que nunca tiveram militância partidária, é natural que essa proposta leve algum tempo para ser corretamente comunicada e compreendida. Acredito que no momento em que for vencida esta etapa da comunicação, vai ficar claro que o projeto da Rede é sólido e o único confiável para atravessar este momento tão difícil do Brasil.

JLPolítica - Mas o senhor acha que o Rede, especificamente o de Sergipe, tem um discurso que convence e arrasta multidões, ou só fala pra dentro e a “iluminados”?
AV - O ingresso contínuo de novos quadros, com as mais diversas formações, contribui para qualificar e amplificar o discurso. Arrastar multidões, falando mentiras e fazendo falsas promessas, é fácil. Já vimos acontecer pelo Brasil afora, inclusive aqui em Sergipe. As consequências são graves e estamos sentindo na pele. A missão da Rede é apresentar um discurso coerente, verdadeiro e que aponte soluções para os problemas de Sergipe, oferecendo uma alternativa real para a mesmice que se reveza no comando do Estado. Tenho certeza de que esta missão será cumprida.

JLPolítica - Está confirmada a pré-candidatura do médico Émerson Ferreira ao Governo de Sergipe?
AV - Sim. O partido indicou por unanimidade o Dr. Émerson como pré-candidato ao Governo. É um homem sério, de trajetória pessoal e profissional ilibada e que reúne as condições necessárias para comandar um projeto de renovação da política sergipana.

SALDO DA INCOMPETÊNCIA E DA CORRUPÇÃO

“Desejo de mudança é real e está espalhado em todas as classes. O cidadão médio tem a consciência de que a falta de dinheiro para saúde, educação e segurança é consequência da incompetência e da corrupção”

JLPolítica - O senhor se dá por plenamente contente com a linguagem dele na busca por convencer o eleitor?
AV - Entendo que a coisa mais importante para um homem público é ser verdadeiro e saber sobre o que está falando. E o Dr. Émerson reúne essas qualidades. Os ajustes para a dinâmica acelerada de comunicação em meio digital e no tempo reduzido da propaganda eleitoral podem ser feitos, mas sem mudar a essência do pré-candidato. A Rede vai trabalhar com verdade e realidade.

JLPolítica - O partido intenciona ter quantos candidatos proporcionais este ano?
AV - Ainda é muito prematuro definir esse quantitativo. A etapa atual é de identificar possíveis pré-candidatos e ajudar na sua definição de estratégia política, levando em consideração ainda as possibilidades de alianças programáticas.

JLPolítica - O que lhe move a deixar de lado a disputa por um mandato de deputado estadual e enfrentar uma de senador?
AV - Não ingressei na política partidária por vaidade ou por um projeto pessoal. Estou nesta luta buscando estimular a renovação do cenário político sergipano e brasileiro, e para isto estou à disposição do partido para colaborar da forma mais eficiente possível. Existe uma percepção clara de que as prováveis candidaturas para o Senado, conforme se indica no noticiário político local, estão muito longe de uma renovação política. Pelo contrário, trazem figuras notórias da política profissional sergipana, alguns envolvidos com processos criminais graves e outros marcados por gestões profundamente ineficientes. Sergipe merece uma oportunidade de renovação e vamos trabalhar para viabilizar isto da melhor forma.

O PAPEL DO PARTIDO REDE

“A missão da Rede é apresentar um discurso coerente e que aponte soluções para os problemas de Sergipe, oferecendo alternativa real à mesmice que se reveza no comando do Estado”

JLPolítica - O senhor não acha que, pelo Senado, dificultam as chances de sucesso eleitoral?
AV - O grande objetivo é estimular uma grande onda de renovação política em Sergipe. Isso é urgente e indispensável para devolver aos sergipanos a sensação de respeito e dignidade. O sucesso eleitoral do projeto depende da nossa capacidade de comunicar bem essa mensagem e motivar a grande massa que está indignada com tantos escândalos a reagir e a dar a resposta nas urnas.

JLPolítica - O senhor não se acha carismaticamente muito fechado?
AV - A minha imagem pública foi moldada na atividade policial, sempre tratando de assuntos graves, como homicídio, tráfico ou corrupção. Não dá para falar sobre isso com leveza e sorrisos. Seria um desrespeito com as vítimas e com o cidadão que pagam meu salário. Fora da atividade profissional, o trato é diferente, mais afetuoso e aberto. Tenho orgulho de manter amigos desde a infância nos colégios Arqui e Visão, e de ter uma família muito unida e feliz.

JLPolítica - Qual é o objetivo do RenovaBR e onde ele nasce no país?
AV - O RenovaBR surge após a constatação da urgente necessidade de renovação política e do grau crescente de dificuldade para que ela ocorra, em razão das regras eleitorais que privilegiam a manutenção dos atuais ocupantes do poder. Um grupo de empresários, educadores e profissionais liberais de diversas áreas se reuniu em São Paulo para viabilizar um projeto que ajude a mudar este cenário. O grande objetivo é acelerar a qualificação de pessoas que tenham interesse em participar da política partidária, fazendo um processo robusto de avaliação de currículo e características pessoais para selecionar um grupo e oferecendo aulas de matérias essenciais para quem pretende colaborar efetivamente para a melhora da situação nacional. Tivemos acesso a profissionais renomados de áreas como economia, previdência, gestão pública, marketing e estratégia política, bem como interagimos com pessoas extraordinárias de todo o país. Está sendo um processo muito enriquecedor para minha trajetória pessoal e para uma eventual ocupação de mandato eletivo.

CANDIDATURAS SEM RENOVAÇÃO

“Existe uma percepção clara de que as prováveis candidaturas para o Senado estão muito longe de uma renovação política. Pelo contrário, trazem figuras notórias da política profissional”

JLPolítica - Quais foram os critérios para a escolha do seu nome e os demais três sergipanos para compor este movimento?
AV - Mais de quatro mil pessoas de todo o Brasil se inscreveram e passaram por várias etapas de avaliação. A última delas, uma banca avaliadora presencial em São Paulo. De Sergipe foram aprovados, além do meu nome, os do Coronel Rocha, Milton Andrade e Saulo Vieira. A capacitação individual e o grau de independência certamente foram fatores importantes na seleção. Convido quem tiver interesse a acessar o site renovabr.org, para conhecer melhor o projeto e a qualidade das pessoas envolvidas. É muito interessante e será uma fonte de renovação verdadeira na política brasileira. Dos 100 participantes, temos cerca de 40 sem filiação e outros espalhados por vários partidos, com grande diversidade ideológica, que serão submetidos a uma carga horária similiar à de uma pós-graduação. Os únicos compromissos que os bolsistas assumem são os de ter uma conduta ética, cumprir a carga horária e apresentar nota mínima de 80% nas avaliações.

JLPolítica - O senhor guarda mágoas do modo como foi retirado do posto de delegado Geral da PC de Sergipe?
AV - Não. Em uma democracia existe uma esfera de decisão que é reservada aos ocupantes de mandato eletivo, isto é natural. Aquela situação, do modo como ocorreu, apenas reforçou a minha convicção de que precisamos urgentemente de representantes eleitos mais qualificados e comprometidos exclusivamente com o interesse público. Estou trabalhando para que isto ocorra em Sergipe.

JLPolítica - Sua queda teria sido mesmo objeto de censura ao trabalho que o senhor vinha fazendo na Operação Babel?
AV - Desde o momento da exoneração tenho recebido este tipo de questionamento. Continuo dizendo que quem pode responder com precisão é o governador Jackson Barreto. A decisão foi dele, em desacordo com a opinião técnica do então secretário João Batista. O que posso afirmar é que a independência da nossa atuação e a definição do combate à corrupção como um dos eixos prioritários da ação da Polícia Civil incomodou não só Jackson Barreto, mas a todo um agrupamento de políticos profissionais que se achava acima da atuação da Polícia ou do Ministério Público. Tenho como um princípio inegociável tratar o cidadão que comete crime da mesma forma, com o mesmo rigor, independente da sua condição financeira ou política. Polícia que é dura com o pobre da periferia e suave com o político rico é polícia covarde e injusta. Só vamos passar a limpo o Brasil e o nosso Estado quando os órgãos de controle trabalharem com independência e rigor em todos os casos.

IMAGEM PESSOAL E LEVEZA

“A minha imagem pública foi moldada na atividade policial, sempre tratando de assuntos graves, como homicídio, tráfico ou corrupção. Não dá para falar sobre isso com leveza e sorrisos. Seria um desrespeito”

JLPolítica - Como homem de segurança pública, como é que o senhor encara o crescimento do deputado federal e militar Jair Bolsonaro na disputa pela Presidência da República?
AV - Até o momento, não conheço nenhuma proposta consistente do deputado Bolsonaro para a área da Segurança Pública. Ele está ocupando um espaço junto ao eleitorado que não aceita mais os políticos tradicionais e merece respeito, mas aguardo um maior detalhamento daquilo que ele pensa sobre os principais temas nacionais, inclusive o da segurança.

O PODER DO RENOVABR

“O RenovaBR surge após a constatação da urgente necessidade de renovação política e do grau crescente de dificuldade para que ela ocorra, em razão das regras eleitorais que privilegiam a manutenção dos ocupantes do poder”

Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica.com.br

segunda-feira, 25 de junho de 2018

“Seja você a mudança que você quer para a sociedade” (Dr. Emerson)

Foto: Alô News

“Seja você a mudança que você quer para a sociedade”, diz o pré-candidato ao Governo, Dr. Emerson

Uma de suas fundamentações é o choque de gestão e ser propositivo diante dos problemas que se tem

Pré- candidato ao governo de Sergipe pela Rede Sustentabilidade, o médico dermatologista, Dr. Emerson concedeu entrevista para o portal Alô News, e durante o encontro foram discutidos vários assuntos constituídos para defender propostas da nova política de Sergipe. Emerson foi  vereador de Aracaju por duas legislaturas, teve uma surpreendente votação no pleito de 2016 quando foi candidato a prefeito da capital e mantem viva a chama de renovar e mudar a politica no nosso estado. Mesmo com o estado em crise, Dr. Emerson demonstra uma vontade muito grande de mudança e espera que a sua futura adminstração se caracterize pelas boas praticas e políticas públicas que tirem o estado da crise.

Alô News (A.N): Quais suas ideias durante a sua candidatura se tornando eleito?

Dr. Emerson: A gente precisa fazer em Sergipe um choque de gestão, eu não acredito mais que essa disputa do poder para o poder que é a origem da crise tenha respostas para esses problemas que a sociedade enfrenta. E pra fazer isso precisa chegar ao poder com independência sem compromisso de financiamento ilegal de campanha, sem alianças pragmáticas que loteiam os espaços públicos e sem estabelecer uma relação de estabelecer uma relação de toma lá da cá com o legislativo. Então isso é fundamental o choque de gestão e ser propositivo diante dos problemas que nós temos. Então gestão pública precisa ser política pública, ter prioridade na administração, precisamos fazer o enxugamento da máquina, trabalharmos com plataformas colaborativas para incentivarmos a participação da sociedade e termos uma coisa que falta aqui em Sergipe, ter políticas de estado. Porque na disputa do poder pelo poder as políticas são de governos e só visam o tempo do mandato, então a gente precisa ter políticas que tenha uma visão pra médio e longo prazo e outra coisa que não acontece na política em Sergipe em função do loteamento dos espaços públicos é a falta de transversalidade no planejamento das políticas públicas e a falta de interceptoraliedade na execução dessas políticaspúblicas uma vez que não existe política média em longo prazo aqui no estado de Sergipe. Durante o processo eleitoral se destina uma secretaria para cada partido e quando chegamao momento do exercício do mandato essas secretarias funcionam como ilhas, e, por exemplo, não tem como resolver a questão da segurança que hoje é um dos maiores problemas aqui no estado de Sergipe sem que você tenha políticas que contemplem para o enfrentamento dos problemas da segurança uma ação entre secretaria da segurança, sim, isso também é uma questão de polícia, agora a gente precisa ter integrada a essa busca de solução, a essa política de segurança do estado, a saúde, a educação, assistência social, a cultura, o lazer, tudo isso precisa estar integrado para que a gente faça o combate a esse problema da falta de segurança pública. E também ter um governo que dialogue com a questão do emprego e renda.

Alô News (A.N): Existe algum tipo de possibilidade de fechar com outro grupamento político?

Dr. Emerson: Isso na política sempre existe porque política é diálogo, agora nós temos limitações. O estatuto nosso e resoluçõesdo partido rede sustentabilidade estabelece claramente, não faz alianças com partidos que esteja vinculada a lava jatos, ou com políticos que estejam indiciados, que estejam processados, que tenham sido condenados por improbidade, peculato, corrupção, enfim... O partido rede por princípio não se alia a essas pessoas. Como está difícil da gente encontrar pessoas com esse perfil, a gente restringe muito a possibilidade de alianças, mas elas sempre existem isso é da política, os partidos existem pra fazerem alianças que é outro aspecto importante, alianças programáticas sem aquele pragmatismo de fazer o leilão dos espaços públicos.

Alô News (A.N): Já existe algum programa de governo capaz de tirar Sergipe do ‘caos’?

Dr. Emerson: Isso é possível, e não é uma coisa pra longo prazo. A solução existe, nós temos exemplos aqui no Brasil de estados que no período de um governo conseguiram fazer enfrentamento de problema com gente da segurança, então é preciso que haja um governo que chegue ao poder com independência condição pra fazer isso, ou seja, governar para todos, fazer um diálogo para a sociedade. O problema todinho é que é a disputa do poder pelo poder. Quem chega, chega pensando em como continuar, é a visão patrimonialista. Existem males que precisam ser corrigidos que eles estão na origem dos problemas que a gente enfrenta. Então a visão patrimonialista, as pessoas chegam ao poder e querem administrar como se aquilo fosse parte do patrimônio deles e não é. Nós vamos acabar com essa história de autoridade e que a população entenda essas pessoas que são escolhidas para os cargos como servidores públicos, depois nós precisamos acabar com assistencialismo. Nós temos hoje, um problema sério na saúde e é inadmissível que leitos hospitalares, leitos em UTI, que vagas para cirurgias estejam sob o controle de vereadores, de deputados, de pessoas que fazem o controle político da secretaria da saúde, isso é inadmissível. A saúde tem que existir para garantir direito à sociedade e atender a demanda espontânea da sociedade. Então são essas coisas todas que temos que enfrentar sob pena de não resolvermos. O básico aí é ter política pública de estado e a gente acabar com a partidarização no exercício das políticas públicas e nós termos, romper, ter a coragem e a independência pra romper com assistencialismo, com essa coisa de serviços precários, mas a medida que eu faço por me dever favor eu vou garantir  o voto. É essa concepção, é essa lógica de estado que nos coloca diante de todo esse problemae aí a gente ver dificuldade, políticos que se predisponham a agir diferente, a fazer diferente nesse cenário para que a gente encontre soluções.

Alô News (A.N): Cite os cinco principais problemas que o senhor consegue enxergar do estado.

Dr. Emerson: Segurança, saúde, educação, emprego e renda e a questão do funcionalismo público do estado de Sergipe.

Alô News (A.N): O que acha da real situação do estado?

Dr. Emerson: Tudo isso consequência dessa lógica. São décadas do predomínio do poder, pelo poder e em consequência da produção dessa crise, e nós não sairemos se reproduzirmos esses valores. Se o povo que tem oportunidade agora nesse processo eleitoral eleger alguém que seja fruto dessa prática, que adote essa prática, que esteja, por exemplo, nas campanhas com um gasto muito alto, comprando votos e com campanhas caríssimas, esse não vai resolver o problema, outro aspecto a população tema a possibilidade de fazer um voto faxina tirando da política não só o imcompetente, mas tentando da política  o político que busca na eleição salvo o conduto, procura se esconder atrás do absurdo que existe aqui no Brasil que é o foro privilegiado. A população tem primeiro que atuar como cidadãos e cidadãs plenas de direito, fazendo com que analise em quem vai votar. Hoje existe até aplicativos que a gente possa sondar bastante a vida dos políticos, analisar as história desses políticos e verificar em que estar votando e acompanhar o exercício desse mandato. Depois é não votar em que chegar oferecendo dinheiro, vantagens de emprego e também pessoas que sejam fichas sujas. Essas pessoas têm que ser tiradas da política para que ela possa responder pelos crimes que praticaram, pelos crimes que eles estão sendo inclusive processadas, indiciadas e o eleitor tem condição de não só como eleitor, mas como juiz fazer o julgamento dessas pessoas que fazem da política um meio de vida de gente desonesta e isso não são política é preciso acabar.

Alô News (A.N): Acha que tem condições de ganhar a eleição?

Dr. Emerson: Sempre, sim. Se não nem estaria nesse processo. Agora qual o significado de ganhar? Ganhar como ao longo da vida a gente vai ter que tomar decisões, a gente tem oportunidades né? Eu já tive pessoas que já vieram me oferecer cargos, já tive pessoas que vieram me oferecer dinheiro e eu jamais aceitei tudo isso. Por quê? Porque eu não posso imaginar na possibilidade de ganhar uma eleição e perder meus princípios, porque quando eu faço isso, eu abro mão dos meus princípios, é óbvio que se eu ganhar eu não terei condição de mudar esse cenário, porque esse cenário é isso que a população precisa entender ele é fruto dessa forma absurda de fazerem política como eu tenho citado aqui pra você. É importante que a gente chegue com independência pra fazer diferente e ganhar pra mim tem que cumprir essa prerrogativa básica. Eu tenho que ter condição, tem que estar no grupo, tem que estar junto com pessoas onde a gente tenha a fazer política com independência. A gente pode até errar, mas vai fazer acreditando naquilo que a gente está querendo fazer tendo um programa de governo discutido e dialogado com a sociedade, um programa de governo colaborativo pra que a gente possa colocar em prática e eu diria até, que é difícil quando analisa o cenário político brasileiro está buscando pessoas que cheguem com essa condição de independência no exercício do mandato. Ficam muito me perguntando, como é que o senhor, se o senhor não fizer coligação, como é que vai administrar se não tiver maioria na assembléia? Qual é o governante que deixou de ter maioria? A gente pode encontrar um momento isolado de disputa política onde o governante até não teve, mas o geral é o governante que tem maioria folgada, absoluta e, no entanto a avaliação que a população faz desses governos é uma avaliação ruim. Então ter maioria não significa que tem condição pra fazer, isso vai garantir uma boa governabilidade e um bom governo, uma reentrega de serviço público de qualidade pra população. Não essa maioria a gente ta vendo ela serve pra que? Pra manter a estrutura de poder, quem precisa provar coisas erradas contra o interesse da população precisa de um parlamento submisso. Então a relação é enviesada, é isso que acontece na relação da política e é isso que a gente precisa mudar sob pena de continuar pagando impostos muito caros e não receber um serviço público de qualidade.

Alô News (A.N): Geração de emprego e renda, o que falar sobre isso?

Dr. Emerson: Fundamental. Se você analisa Aracaju, um dos maiores índices de desemprego do Brasil em relação às capitais. Quando você analisa grande Aracaju estamos entre os 3 maiores índices de desemprego das regiões metropolitanas aqui do Brasil, isso é muito ruim. Ai quando a gente analisa para nossa escola e a gente percebe que nunca tivemos metade dos nossos jovens de 17 anos matriculados nas escolas e veja que nós vivemos em um país que diz que tem como meta que todo jovem de 17 anos deve ter concluído o ensino médio. E quando a gente vai buscar esses jovens de 17 anos e percebe que nunca tivemos metade dele na escola, isso significa que nós estamos muito longe dessa meta. Então é a dificuldade do acesso a escola que isso é fundamental para que a gente faça o enfrentamento da questão do emprego e renda. Quando a gente analisa os que estão na escola aí a gente percebe, índice de evasão muito alto, a qualidade e é o indicador que a gente tem tudo bem eu a gente não vai avaliar a educação só por isso, mas o indicador que a gente tem é do INDEB, e de novo nós somos os piores e quando avaliamos somente a escola pública é o pior INDEB do Brasil. E quando a gente vai analisar nessa qualidade do que é produzido, se existe uma integração de emprego e renda, ou seja, nós precisamos ter uma educação integral. Eu estou falando de escola integral, que pode ser desenvolvido tanto em um turno quanto em dois turnos. A educação integral é aquela que visa à formação da pessoa, do cidadão e a preparação dessa pessoa e desse cidadão para o mercado do trabalho, para a questão do emprego e renda. Ou seja, nós precisamos ter no ensino médio a vinculação do aprendizado de uma profissão e aí precisaríamos ter uma integração com a nossa sociedade pra ver qual é a demanda que existe na sociedade para que a gente preparasse esse jovem na escola ele possa sair da escola e ter condição de emprego e renda com uma remuneração digna e que não haja uma defasagem tão grande como existe hoje no cenário entre aquela profissão de nível médio e a profissão de nível superior fazendo com que fique sem expectativa de fazer uma faculdade. E hoje o que e que nós temos? Uma saturação no mercado de pessoas com nível superior e que não conseguem e entrar no mercado de trabalho. É preciso que a gente tenha respostas pra tudo isso.

Alô News (A.N): O senhor acabou de falar com relação a emprego e renda. O que o senhor faria se tornando governador diante da segurança pública do nosso estado?

Dr. Emerson: Primeira política de segurança pública, como política de estado e a gente precisaria nesse caso fazer um planejamento. Primeiro vale uma observação, qualquer planejamento de segurança dos estados  depende de um plano de segurança nacional, porque se agente no estado tiver uma política efetiva com possibilidade de efetividade, de eficácia, de eficiência, nós vamos ter dificuldade, por quê? Porque a política nacional de segurança é uma política inefetiva. Nós precisamos cuidar bem de nossas fronteiras e isso é um plano de segurança nacional que vai cuidar da questão das armas e das drogas, é fundamental que a gente pare o enfrentamento da segurança tem isso. Agora, nos estados, nós precisamos ter uma política de segurança que cuide da repressão, isso também é importante, que cuide da prevenção, aí a gente já começa a ter deficiência na política da segurança do estado de Sergipe, a uma deficiência no que existe de política de segurança com relação à prevenção da violência e aí nós precisamos dialogar com a sociedade e estabelecer um plano de segurança para o estado de Sergipe de médio, longo prazo e que agente avalie as questões dos recursos humanos e das condições para desenvolver essa política. Agora que ela seja uma política integrada, uma política com interceptorialidade como eu já disse, onde envolva. Temos que se discutir a questão da educação, com uma educação integral que vise também uma preparação do cidadão, mas para o mercado também, para a questão do emprego e renda que o capacite. Nós precisamos ter uma ação social que interaja que faça parte dessa política de segurança, e mais a cultura, lazer, precisamos prestigiar nossos artistas, precisamos enfrentar tudo isso como uma forma de política pública para o enfrentamento da questão da violência que insisto, não pode ser tratado apenas como uma questão de polícia e muito menos pensando que vamos armar a população que a gente vai resolver essa parada. Isso é um equívoco, nós não resolveremos dessa forma.

Alô News (A.N): Qual a composição que o partido Rede tem hoje?

Dr. Emerson: A Rede é constituída de seus filiados, da sua militância. Nós temos hoje centenas de filiados aqui em Aracaju, a rede sustentabilidade existe em função do seu planejamento estratégico em mais de 40 municípios e nós temos como meta que até o final do ano e esse processo eleitoral vai ser importante pra isso, que a gente existe enquanto partido em todos os municípios sergipanos. Esse é o nosso desafio, é a tentativa. Mas criando uma identidade partidária pra que a gente não se confunda, ou não seja confundido na nossa prática com o que existe aí de políticas que estão dentro da caixinha num cenário de disputa do poder, pelo poder e com aquelas práticas que nós já mencionamos. Então a gente quer construir uma alternativa política para Sergipe, mas que tenha identidade própria, que a população identifique como algo que é diferente, que identifique com a possibilidade da mudança aqui para o estado de Sergipe.

Texto e imagem reproduzidos do site: alonews.com.br

sexta-feira, 22 de junho de 2018

A capa da Time é um resumo da triste política de imigração de Trump



Publicado originalmente no site Huff Post Brasil, em 21/06/2018 

A capa da Time é um resumo da triste política de imigração de Trump

"Welcome to America" (Bem vindo a América), diz a manchete.

By Ana Beatriz Rosa

"Welcome to America" (Bem vindo a América), diz a manchete.

A revista Time divulgou nesta quinta-feira (21) a capa de sua última edição, em que apresenta o presidente Donald Trump olhando para uma criança assustada que buscava asilo nos Estados Unidos.

A capa é um resumo das recentes ações do governo americano e a sua política de tolerância zero contra a imigração. A fotografia que inspirou a montagem foi feita pelo fotógrafo fa Getty Images, John Moore, que cobre a situação das fronteiras nos Estados Unidos há anos.

A criança que aparece na foto é uma menina de Honduras de apenas 2 anos de idade. Sua imagem viralizou nesta semana em meio à indignação mundial pela política de separação familiar do governo Trump.

A criança e sua mãe, cujos nomes não foram divulgados, cruzaram a fronteira dos Estados Unidos saindo México na semana passada. Elas foram apreendidas pelo departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA e levadas para um centro de detenção.

Nas redes sociais, muitas pessoas expressaram preocupação com o destino da menina, já que a política de tolerância zero do governo Trump separa crianças dos pais que enfrentam processos por imigração ilegal. São pelo menos 2 mil crianças que estão vivendo longe de suas famílias.

Na última quarta-feira (20), Trump assinou uma ordem executiva que encerraria sua política. A solução, a partir de então, é deter crianças e pais juntos até que seus processos criminais sejam concluídos.

De acordo com o Daily Beast, a menina hondurenha e sua mãe ainda não foram separadas. Elas estão sendo mantidas juntas em um centro de detenção.

Esta é a terceira semana consecutiva que Trump aparece na capa da Time. Ele foi apresentado na semana passada ao lado do ditador norte-coreano Kim Jong Un. E na semana anterior, Trump foi retratado olhando para seu reflexo em um espelho e vendo-se como um rei".

Texto e imagens reproduzidos do site: huffpostbrasil.com

sábado, 16 de junho de 2018

FHC: Bolsonaro é autoritário e Ciro Gomes, imprevisível e errático

Crédito: Aneto Herculano

Publicado originalmente no site da revista ISTOÉ, em 15/06/18 

FHC: Bolsonaro é autoritário e Ciro Gomes, imprevisível e errático

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso diz à ISTOÉ que a sociedade está em busca do novo, mas que nenhum partido conseguiu apresentar até agora um candidato com esse perfil. “Nem o PSDB”, admite

Por Germano Oliveira

Em entrevista exclusiva à ISTOÉ, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse considerar um atraso para o desenvolvimento do País a polarização entre Jair Bolsonaro, que para ele representará a volta do autoritarismo, e Ciro Gomes, considerado como “imprevisível” por não ser possível caracterizá-lo nem como direita nem como esquerda. Por isso, o ex-presidente, que nesta segunda-feira 18 completa 87 anos, defende com vigor a união dos sete candidatos do centro em torno de uma única candidatura que, necessariamente, não precisa ser a do PSDB. “Eu não posso dizer: só caso se for com a Maria”. FH afirma que até às convenções a negociação em busca da unidade será importante para a consolidação de um “projeto progressista e democrático”. Alegou estar convencido, porém, que Geraldo Alckmin é o melhor candidato e que o PSDB “não tem plano B”.

O senhor subscreveu há alguns dias o manifesto “Por um pólo democrático e reformista”, pedindo a união dos partidos do centro, para evitar uma volta ao passado. Qual é a ameaça política que o senhor vê ao futuro do Brasil?

Eu falo da criação de um pólo progressista e democrático, respeitando a Constituição e o Estado de Direito. No quadro atual, a gente até se esquece das ameaças que podem acontecer. De forma dramática, acho pouco provável que aconteça uma quebra formal das regras do jogo. De forma não dramática, ou seja, pela absorção paulatina dos que vierem a governar o País, com a adoção de medidas mais arbitrárias, isso pode acontecer sim. Temos que evitar uma volta ao passado. Eu não me refiro tanto ao lulopetismo, do risco do PT voltar a governar, porque a gente já tem experiência do que é o PT no poder. Não acredito que eles quebrem as regras e rumem para o viés autoritário. O risco vem do pólo à direita. As declarações do candidato Jair Bolsonaro nos assustam. Ele é autoritário. Tem feito declarações autoritárias. É preciso que o Brasil não tenha também um governo imprevisível e arbitrário. No caso do Ciro Gomes, eu não posso dizer que ele seja de direita ou de esquerda. Ele não é uma coisa, nem outra. Ele é mais errático, portanto, é imprevisível.

Como unir o centro? O deputado Marcus Pestana, do PSDB, chegou a propor que todos os sete candidatos do centro desistam de suas candidaturas e se escolha então um nome de consenso. Isso é possível?

Na vida partidária, é difícil imaginar que as pessoas, no ponto de partida, se disponham a abrir mão. Elas se dispõem a dizer que vão ganhar. No momento em que estamos há o risco de que nenhuma dessas candidaturas de centro chegue ao segundo turno. Há o risco sim de termos uma imprevisibilidade ou uma tendência autoritária no segundo turno. Portanto, seria aconselhável que as pessoas olhassem para as pesquisas. Como os políticos, naturalmente, puxam a brasa para a sua sardinha, têm que ter capacidade de entender que isso é um processo. Mesmo os candidatos ligados a grandes partidos não têm mostrado capacidade de juntar e acho que precisamos chegar a um entendimento até as convenções.

Ou seja, faltam menos de dois meses…

Sim, as convenções vão até 5 de agosto. É o tempo que vamos ter para isso. Os que têm consciência histórica e o sincero desejo de ver o Brasil andar, e que não vêem apenas a sua candidatura, têm esse tempo para alinhavar uma possibilidade de se chegar a um nome que represente a maioria da população. A população não quer que fiquemos na mão dessas duas candidaturas mais radicais e que hoje estão à frente nas pesquisas. Quer alguém mais palatável. Centro não quer dizer “centrão”, que no Brasil significa a união de tendências fisiológicas. O País cansou disso. A chave de tudo é alguém que inspire confiança. A crise mais perceptível hoje é de confiança. Temos que voltar a ter entusiasmo pelo Brasil. A falta de entusiasmo deriva dos fracassos recentes que sofremos.

Geraldo Alckmin não consegue sair dos 6%. Por que não decola?

No primeiro momento de qualquer campanha você tem a seguinte dificuldade: tornar-se conhecido ou ser demasiadamente conhecido. Até o muito conhecido, como é o caso do Geraldo, precisa fazer as pessoas tomarem conhecimento de que ele é candidato outra vez e isso leva tempo. No Brasil tem muita coisa nova acontecendo. Tem o novo no cinema, tem o novo no teatro, na música, tem novo no futebol. Agora, o que falta é o novo na política.

O PSDB tem o novo?

Nem o PSDB e nenhum outro partido tem o novo.

Como se obter o novo?

Isso passa pelos meios de comunicação e nós estamos habituados aos meios de comunicação tradicionais, rádio, televisão, jornal e revista. Mas hoje temos as mídias sociais. Os meios de comunicação estão ansiosos pelo bizarro ou pelo novo. Então, um político tradicional como o Geraldo, leva mais tempo para se consolidar. Mas também esse novo não pode queimar na largada. O Geraldo é um candidato experimentado, é maratonista. Tem que se dar tempo ao tempo. Isso não significa, porém, que temos que ficar de braços cruzados.

Alckmin está jogando parado?

Ele está fazendo o que é necessário. Procurando alianças, com o objetivo de ter mais tempo de rádio e televisão. E ele tem um outro objetivo: as estruturas políticas estão desgastadas, mas elas existem. Quem imaginar que a Câmara vai mudar de cabo a rabo, está enganado. Os candidatos a deputado dependem muito das estruturas organizadas, dos clubes, das empresas, das igrejas. Então, o candidato está costurando alianças para ter apoios nos Estados. E ele precisa escolher também o vice. Vai escolher no Sul, Sudoeste ou no Nordeste? E o que faz com Minas e com o Rio, que são Estados que decidem? Em Minas, ele tem o Anastasia, mas e no Rio? Dificilmente o PSDB terá um candidato próprio com força lá. Vai se aliar a quem no Rio?

O MDB, DEM, PP e outros estão resistindo em fazer aliança com o PSDB?

Li hoje que o DEM já está decidindo não ter candidato a presidente. Acho que o nosso candidato, como ex-governador de São Paulo, tem um problema a resolver. Os palanques no Estado. O problema é que há dois candidatos a governador que apoiam o Geraldo (João Doria pelo PSDB e Márcio França pelo PSB). Eu tive dois palanques dificílimos em São Paulo quando fui candidato: Mário Covas e Paulo Maluf. Não foi fácil, mas saí com uma votação estrondosa de São Paulo. O que une hoje é a crença no candidato, que ele toque o coração das pessoas. Alckmin ganhou várias eleições e do jeito dele. Eu sei que São Paulo não é o Brasil, mas de qualquer maneira ele é bom de televisão, fala claro, e é simples. Se o Brasil cansou de desordem, de imprevisibilidade, o Geraldo é o candidato mais seguro. Me lembro que quando me elegi presidente pela primeira vez, em junho eu estava com 12% e o Lula com 40%. Aí veio o Plano Real em julho e disparei em agosto. Tá certo que agora não tem o Plano Real…

O senhor acha que o eleitor continua procurando o novo?

E não é só aqui, essa tendência de se procurar o novo. Aconteceu na Espanha, na França e nos Estados Unidos, embora o Trump não seja o novo que eu goste, mas ele propôs uma coisa que juntou os cacos. E aqui tem que juntar, ter coesão, uma chama nova. Aqui estamos às cegas. Com o quadro atual para o segundo turno, o empresário reflui, o consumidor compra menos, as pessoas ficam preocupadas com o futuro.

O senhor já disse que a população quer o novo e lá atrás pensou em nomes como o do apresentador Luciano Huck, mas ele não aceitou ser candidato. O senhor também já defendeu nomes como o de João Doria.

Primeiro vamos falar do Luciano Huck. Ele é popular, tem densidade social e é ligado ao PSDB. Mas ele teve que tomar uma decisão. A decisão era dele e não minha. E ele escolheu ficar na Globo

E o Doria, tem gente do PSDB que defende trocar Alckmin por ele?

Nunca vi ninguém defender. Vejo no jornal, mas nunca vi nenhum líder do partido defender isso. Acho a troca pouco provável. E o Doria tem chance de ser governador de São Paulo.

Então o partido tem que insistir com o Alckmin até o fim?

Não sei qual será seu potencial de crescimento, mas certamente o candidato do PSDB é o Alckmin. Não vejo plano B.

O senhor acha que pode ter um nome alternativo para impedir a polarização do Bolsonaro e Ciro, que o senhor já disse que representam um atraso para o País?

Não se pode dizer: eu só caso se for com a Maria. Tem que ver o que vai acontecer nesses dois meses até as convenções. Eu, por exemplo, não acho a Marina um terror. Acho que a Marina tem muitas virtudes. O Alvaro Dias não sei qual é a base efetiva. Hoje tem votos no Paraná. O problema do Alvaro é que quem vota nele, votaria no Geraldo.

Mas esses nomes seriam para cabeça de chapa ou para vice do Alckmin?

Estou dizendo que você não pode, no ponto de partida de uma negociação para se encontrar um candidato de centro, falar que eu só caso se for com a Maria…O Geraldo tem mais conhecimento da máquina, capacidade administrativa, olha para o fiscal. Podem dizer: ah ele é muito religioso. Sim, pode ser. Mas não é uma pessoa que julgue as coisas pelo ângulo da religião ou pela ideologia. Ele é tolerante. A Marina também é tolerante. O que ela não tem é partido, tempo de televisão. É barreira grande.

Ela seria uma boa vice para o candidato do PSDB?

Ela não quer ser vice. Eu não vou propor uma coisa que pode ser entendida como menor. Eu respeito a Marina. Na eleição de 2014, ela apoiou o Aécio contra a Dilma. Ela é previsível. Mas neste momento não há razão para propor também que o Geraldo seja seu vice.

O centro unido vence a eleição?

Sim, podemos vencer. E qual é o medo de não ganhar? Nós já perdemos muito tempo. É patético. Perdemos a centralidade no mundo. Temos que resolver problemas óbvios. Não dá para ter o endividamento público crescente como temos. Isso termina em inflação ou algo pior, como confisco, sei lá o que. Temos que tomar decisões cruciais, que já deveríamos ter tomado a mais tempo. O Brasil vai acabar? Não, não vai acabar. Mas se não unirmos o centro e permitirmos a vitória dos que polarizam hoje vamos atrasar nosso desenvolvimento.

E polarização entre esquerda e direita? O senhor acha que é tudo o que a maioria da população não quer ou ainda há quem prefira o Fla-Flu?

Não ajuda. Não é nem a questão de esquerda. O PT é previsível. Eu posso não gostar, mas sei mais ou menos o que eles vão fazer. Eu tenho mais medo da imprevisibilidade do Ciro. Com ele, não se sabe o que vem pela frente. O País fica tonto. Não estamos num momento de arriscar. Não podemos voltar atrás. Se crescermos 3% ou 4% durante dez anos, mudaremos o sentimento de todo mundo. Isto aqui não é para principiantes.

A denúncia de que recebeu caixa 2 da Odebrecht pode estar afetando desempenho de Alckmin?

Geraldo tem passado limpo. Ele é pobre, classe média/média, e todo mundo sabe que ele não rouba.

Falando em Odebrecht, o senhor pode explicar o pedido de dinheiro que fez a Marcelo Odebrecht para campanhas de tucanos em 2010?

Eu pedi mesmo. Sou presidente de honra do PSDB e quando via candidatos razoáveis que precisavam de apoio, eu pedia. Não só para a Odebrecht. Pedi, mas dei o número da conta de campanha. E eu não tinha cargo nenhum no governo. Não teve toma-lá-dá-cá.

Texto e imagem reproduzidos do site: istoe.com.br