terça-feira, 11 de agosto de 2026

"Difícil moralidade", por Denis Rosenfield

Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 10 de agosto de 2026

Difícil moralidade

A sociedade brasileira acha-se, por assim dizer, anestesiada, congelada em termos de ética na política. Artigo do professor Denis Rosenfield para o Estadão:

Há muito tempo, talvez as pessoas nem mais se lembrem, havia um partido que defendia a ética na política, sendo ela uma bandeira ostentada com coragem. Insurgia-se contra os partidos, considerados de direita, que abocavam para si uma parte dos recursos públicos, navegando na ilegalidade e na impunidade. Clamava, com toda a razão, por uma regeneração da política, colocando-se como seu porta-voz e representante. Criou toda uma aura que marcou aquela época e lhe pavimentou o caminho para o poder. Ora, lá chegando, o PT começou a trilhar os passos daqueles que criticava, arriando a bandeira que deixou, assim, de tremular. Hoje, nem disso mais se fala.

Apesar da Lava Jato, que escancarou a corrupção e a imoralidade de Lula e do PT, e talvez por isso tenham os seus atores caído na desgraça, o atual presidente conseguiu assegurar a sua reeleição, com o partido perpetuando-se no poder. O então juiz Sergio Moro fez uma enorme contribuição à história do País, não tendo, apesar disso, sido reconhecido pelos seus enormes acertos. A moralidade, do ponto de vista da estratégia política, tornou-se, então, um instrumento descartável, como se não mais tivesse nenhuma utilidade.

De nada adianta, diante dos assuntos recorrentes de imoralidade, como os mais recentes de seu chefe de Gabinete, Marcola, e de um senador muito próximo a ele, o presidente simplesmente declarar que foi declarado inocente em seu julgamento, como fez de novo recentemente. Age como se tivesse lições a dar. Sabe-se que isso não ocorreu, mas o que houve foi a anulação de seu processo por uma suposta falha processual, a de que teria havido um problema relativo à questão do “juiz natural”. Curioso que tudo isso foi “descoberto” anos depois, apesar do próprio Supremo Tribunal Federal (STF) ter reiterado que essa questão nem se colocava. As provas abundantes do sítio de Atibaia e do apartamento do Guarujá lá estão, embora nem mais se queira falar disso. O “mensalão” e o “petrolão” aí estão para quem quiser pensar. Em todo caso, a narrativa da inocência é uma mera fake news, segundo a linguagem atual.

O filho do presidente, Lulinha o pródigo, enfrenta uma série de acusações, que remetem ao escândalo do INSS e a tráfico de influência, com sua amiga lobista atuando junto ao Palácio do Planalto, em conluio com o “Careca do INSS”, arquiteto e principal operador dessa fraude. Deve ter acreditado que com tal apelido, nada nele colaria. São pessoas idosas que foram prejudicadas e, pasmem, foram ressarcidas com o dinheiro público, dos pagadores de impostos, como se assim Lula tivesse reparado a injustiça cometida. Pagou com os recursos dos outros a fraude de seu próprio governo. Assim, é fácil ser “justo”. Agora, tudo isto explode na sala ao lado de sua própria sala, na chefia do Gabinete, graças a uma pessoa de sua estrita confiança. Ademais, chegou a declarar que se trata apenas de um “empréstimo”! Na campanha, tudo é feito agora para isolar o presidente-candidato, como se a impunidade não fosse a marca de seus governos.

Do outro lado do espectro político, o seu opositor eleitoralmente mais importante nada tem a apresentar no que diz respeito à ética. Neste sentido, para além de sua falta de projeto nacional, escancara-se a mesma ausência de moralidade. No passado, pairam sobre ele ligações com as milícias, a rachadinha que supostamente praticava e a compra mal explicada de uma mansão em Brasília. Trilhando o caminho de seu adversário, também achou que poderia contar com a tolerância ao crime, visto que condenações são demoradas e, quando ocorrem, são suscetíveis de anulações a exemplo da Lava Jato. Foi aí que o passo mais arriscado foi dado, o de suas relações com o “empresário”, hoje preso, Daniel Vorcaro.

Pretender que não houve nenhum problema em pedir dinheiro para um filme sobre o seu pai, estipulado em mais de R$ 120 milhões, tendo recebido em torno da metade disto, significa zombar da inteligência alheia. Justificar que nada sabia desse enorme crime financeiro, cometido por seu banqueiro de estimação, não fica literalmente em pé. Ainda ousou cobrar a outra metade não paga quando os seus crimes e fraudes já tinham se tornado públicos. Isso significa que o Brasil se encontra sem alternativa viável, salvo se alguns dos candidatos do segundo pelotão, Caiado, Renan e Zema, ainda consigam se tornar competitivos.

Note-se que o Brasil está num nível de polarização em que candidatos que não apresentam problemas jurídicos e de moralidade não são reconhecidos como alternativas no sentido estrito. A sociedade brasileira acha-se, por assim dizer, anestesiada, congelada em termos de ética na política. Vive-se uma descrença generalizada na classe política, que mais se preocupa consigo do que com os destinos do País. O Brasil corre um sério risco de enfraquecimento de suas instituições, pois se essas não produzirem adesão, sua existência termina por ser comprometida. A complacência com questões morais por parte dos eleitores pode cobrar o seu preço.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi blogspot com

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

"Eu, Giorgia": a autobiografia de Meloni antes de chegar ao poder



Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 9 de agosto de 2026

"Eu, Giorgia": a autobiografia de Meloni antes de chegar ao poder

Antes de ser premier, Meloni elogiava Trump e queria aproximação à Rússia (mas antes da Ucrânia). Criticava o "eixo franco-alemão", com quem se tem entendido. O Observador publica excertos de "Eu, Giorgia":

Giorgia Meloni tornou-se primeira-ministra de Itália em 2022 e, desde então, tem feito um percurso muito diferente do que as suas origens pareciam indiciar. Membro dos Fratelli d’Italia (Irmãos de Itália), tem mantido no poder o conservadorismo das suas ideias, mas não adoptou um registo de confrontação face a Bruxelas; depois da invasão da Ucrânia deixou de defender a aproximação à Rússia e as relações com Donald Trump têm tido altos e baixos.

Em 2021, ainda antes de chegar ao poder, Meloni publicou um livro de memórias intitulado “Eu, Georgia”. Nele explanava a sua história de vida e as suas ideias políticas, numa espécie de longa confissão para se dar a conhecer aos italianos. O livro, que chegou agora a Portugal pelas mãos da D. Quixote, dá a conhecer as convicções da mulher que conseguiu liderar um dos governos italianos mais estáveis dos últimos anos. Mas também ilustra como Meloni adaptou algumas das suas propostas ao exercício do poder. O Observador publica excertos da autobiografia em que a primeira-ministra italiana se debruça sobre as suas ideias patrióticas e as suas propostas para a política externa de Itália.

Penso que o único “governo dos melhores” em que a Itália deve ter esperanças é um governo de patriotas. De pessoas tão corajosas e enamoradas desta nação, que não estejam dispostas a trocá-la por nada ou por ninguém. Eis a verdadeira revolução de que precisaria a nossa nação. Eis a missão dos Fratelli d’Italia e, como eu o vejo, de todo o centro-direita.

Porque, no fim de contas, a dinâmica política e histórica daquilo que está a acontecer em Itália é, na realidade, bastante simples se, também aqui, for olhado com distanciamento, como poderia fazer um observador externo. Quando uma nação de dimensão média vive uma fase de fraqueza – e é bem o caso da Itália de 2011 até hoje –, está por força sujeita às ingerências dos Estados vizinhos. Isto cria, no interior dessa nação em dificuldades, um confronto político entre quem reputa que seja melhor colaborar com o vizinho incómodo e pôr-se numa prudente posição de subordinação e quem, pelo contrário, reivindica a plena soberania e independência da nação. Nalguns contextos, esta contraposição degenera em recontros sangrentos, noutros permanece, felizmente, no âmbito da dialética política. Em Itália, este confronto manifesta-se entre quem reivindica “mais Europa” e quem se identifica como patriota. De um lado, quem está convencido, embora até de boa-fé, de que a posição certa da Itália seja a de Estado subalterno a uma UE em mãos do eixo franco-alemão; do outro quem, pelo contrário, reivindica para Itália um papel de igual dignidade à dos outros Estados fundadores da UE. Simplificando: de um lado o Partido Democrático, partido “colaboracionista” das ingerências estrangeiras, do outro os Fratelli d’Italia, o partido dos patriotas. E estou convencida de que será sempre mais nisto que reside a bipolaridade dos próximos anos em Itália. Porque, no fundo, a esquerda, mas não só ela, pensa que os italianos não são capazes de “andar na linha” sozinhos e que, por isso, é preciso uma espécie de acionista oculto com direito de veto sobre as opções nacionais que nos ensine como redimir-nos dos nossos pecados atávicos.

E eu não estou de acordo. Creio que os nossos vizinhos são por demais ciosos em ocupar-se dos seus interesses nacionais para nos dar uma ajuda sincera, e não viciada pelo seu egoísmo, nas nossas dificuldades. Creio que os únicos que podem tirar Itália da sua situação difícil somos nós, italianos, com um pouco de renovada coragem e amor-próprio.

"Há uma América profunda representada por setenta e cinco milhões de eleitores que votaram em Donald Trump e que não podem ser ignorados como se fossem todos uns exaltados com os cornos e a pele de bisonte. Muitos dos seus argumentos são também os nossos"

Reconstituir a relação entre o povo e o Estado é a tarefa histórica que nos cabe. É preciso um movimento de patriotas que interpretem autenticamente o espírito da nação, que defendam os seus interesses culturais, estratégicos e económicos. E, numa nação dividida e fragmentada, o dever dos patriotas é antes de mais o de recoser as muitas feridas que herdámos. Recordo que as teses fundadoras da Alleanza Nazionale afirmavam com coragem que era necessário recompor uma memória histórica partilhada que superasse as grandes fraturas da história italiana recente. E, todavia, isso hoje já não chega: um movimento de patriotas deve ter sobretudo uma visão de longo prazo, defender a identidade italiana como casa segura onde criar os nossos filhos e dar-lhes um futuro de serenidade, segurança, justiça e prosperidade. A pessoa individual está demasiado sozinha neste grande mundo, e o mundo inteiro é demasiado vasto e maravilhosamente rico de diversidade para nos servir de morada. O “cidadão do mundo” não é senão aquele que, incorrendo na ilusão de que pode fazer do mundo inteiro a sua casa, descobre a certa altura ser um “sem-abrigo”. Por isso temos ainda necessidade de pátrias. Sobretudo na nossa época.

(…)

Ocuparmo-nos de política externa significa para mim, em primeiro lugar, promover e proteger os nossos interesses nacionais. Para muitos outros quer dizer, pelo contrário, armar-se em fãs desta ou daquela potência económica. Nós, dos Fratelli d’Italia, não somos “filo” de nada e de ninguém, os fios quem os tem são as marionetas. Nós olhamos sempre para todas as questões de política externa na perspetiva de Itália. E eu tive oportunidade de verificar que essa nossa característica é muito apreciada no estrangeiro, muito mais do que a de quem se arma em cheerleader com pompons coloridos, crachás e camisolas, tipo a nossa esquerda com Obama, Macron, Merkel ou Biden. Vem-me à memória um aforismo de um rei espartano citado por Plutarco: “Falando com um estrangeiro que se gabava de ser considerado pelos seus concidadãos um filoespartano, disse-lhe o rei: ‘Seria melhor para ti gozar fama de patriota do que de filoespartano.'” Em síntese, portemo-nos como patriotas e seremos tratados com respeito, portemo-nos como lacaios e seremos tratados como lacaios.

"Devemos cuidar das nossas relações com a Rússia para evitar entregá-la com armas e bagagens a um eixo com a China. Seria devastador para os interesses europeus e ocidentais. É verdade que para o querer é preciso sermos dois, e também Moscovo tem de dar sérios passos em frente em relação à comunidade internacional"

Durante demasiado tempo a política italiana centrou-se só sobre factos nacionais. Subavaliou a importância de influir sobre aquilo que acontece fora das nossas fronteiras para mudar os destinos da nossa pátria.

Sempre me atraíram os povos briosos e orgulhosos do seu passado e da sua cultura. Também por esse motivo fascina-me o patriotismo dos norte-americanos e o seu apego visceral à bandeira nacional. Já não é questão de ser pró ou anti-EUA, mas de reconhecer que Europa e Estados Unidos estão irmanados por um laço indissolúvel e devem procurar juntamente vencer os desafios do futuro. É verdade que a América é complexa, e para nós não será sempre fácil confrontar-nos com a de Biden, que, bem depressa, já deu provas de como é desestabilizadora uma visão ideológica dos supostos “direitos humanos”, usados um pouco aqui e um pouco acolá para atacar novos inimigos. Mas há uma América profunda representada por setenta e cinco milhões de eleitores que votaram em Donald Trump e que não podem ser ignorados como se fossem todos uns exaltados com os cornos e a pele de bisonte. Muitos dos seus argumentos são também os nossos. Com essa América profunda nós, conservadores europeus, continuaremos a relacionar-nos de modo cada vez mais estável e profícuo.

Esta aliança servirá em primeiro lugar para conter a ascensão da China e o seu expansionismo. Pequim parece já não ter limites. Os seus interesses vão das matérias-primas africanas e da América Latina às infraestruturas estratégicas europeias, como portos e ferrovias. Em fundo está a Belt and Road Initiative, a chamada “nova rota da seda”, anunciada com grande pompa pelo presidente Xi Jinping. Uma iniciativa colossal que envolve sessenta e oito Estados no mundo inteiro. Estou convencida de que foi um gravíssimo erro permitir a deslocalização em massa de inteiros setores produtivos europeus para a China, mas que será ainda pior perseverar em querer lidar em pé de igualdade com uma potência que não joga com as nossas regras.

Exatamente por esta razão devemos cuidar das nossas relações com a Rússia para evitar entregá-la com armas e bagagens a um eixo com a China. Seria devastador para os interesses europeus e ocidentais. É verdade que para o querer é preciso sermos dois, e também Moscovo tem de dar sérios passos em frente em relação à comunidade internacional. Recordo muitas vezes com um sorriso quando Berlusconi vinha ao Atreju contar-nos os momentos em que, como presidente do Conselho, se tinha arranjado para evitar a guerra entre a Rússia e a Geórgia. Não sei se foi efetivamente assim, mas lembro-me bem do que foi alcunhado de “espírito de Pratica di Mare”, quando às portas de Roma se realizou uma cimeira da NATO alargada à Rússia, num espírito de cooperação cordial e positivo. Esses tempos vão bem longe, mas a Rússia é parte do nosso sistema de valores europeus, defende a identidade cristã e combate o fundamentalismo islâmico. Deve fazê-lo em paz com as nações vizinhas, e os Estados europeus que confinam com o grande urso russo devem poder olhar o futuro com serenidade, sem o temor de ver voltar a agressiva política imperial de Moscovo. Precisamos de um equilíbrio que assegure uma paz secular, definitiva, entre a Europa e a Rússia, e isto não se obterá com a política míope da contraposição musculada tão cara a Obama, primeiro, e agora a Biden. Se conseguirmos fazê-lo com inteligência, Ocidente e Rússia serão ambos mais fortes e seguros. E o dragão chinês estará um pouco mais só.

(…)

Ao sul das nossas costas encontra-se o grande continente esquecido, África, de que já falei. Com afeto, ainda primeiro do que com respeito. Como se sabe, o combate às causas profundas da emigração depende estreitamente e diretamente da sua estabilidade e do seu desenvolvimento económico. Enquanto não restituirmos a esses povos a estabilidade política e a soberania económica, estarão expostos a turbulências de toda a espécie e à fúria das milícias islamistas.

É assim porque o fundamentalismo islâmico é outra praga do nosso tempo. A derrota militar do Estado Islâmico na Síria e no Iraque não o debelou para sempre. Vive nas células terroristas adormecidas na Europa, nas milícias do Boko Haram, do Al-Shabab e muitas outras em África, na pregação de imãs perigosíssimos em todo o mundo e em muitas nações ocidentais. Penso nos cristãos perseguidos no mundo inteiro, que são muitas vezes esquecidos por uma Europa que parece já não ter alma, onde o relativismo cultural põe tudo e todos no mesmo plano. Da Ásia ao Médio Oriente, passando por países como o Egito e a Nigéria, o Congo e a Somália, até às notícias horríveis das crianças decapitadas em Moçambique. Milhares de pessoas arriscam a vida todos os dias pelo simples facto de professarem uma fé. Não podemos olhar para o lado e temos de usar todas as formas de pressão a fim de que deixe de acontecer. Penso em todas as mulheres que lutam contra o obscurantismo do islamismo salafita que as quer submissas. Também neste caso não podemos fazer de conta que nada se passa, e não é por acaso que os Fratelli d’Italia continuam a travar tais batalhas, com Daniela Santanchè à cabeça. Sobretudo quando isto acontece não apenas em países como a Arábia Saudita, mas também em Londres ou em Paris, em Bruxelas ou em Berlim, onde bairros inteiros são governados segundo a lei do Alcorão.

(…)

De resto, muitas das batalhas que conduzo garantem-me inimigos poderosos e perigosos. Mas eu, do alto da minha diminuta estatura, tenho algumas vantagens. Primeiro, não tenho medo de nada e de ninguém, e a única coisa que me apavora, como terão ficado a saber por estas páginas, é desiludir-me a mim própria e desiludir quem acredita em mim. Segundo, não sou chantageável, porque não faço coisas das quais tenha de envergonhar-me e não aceito ajuda de quem possa pedir-me alguma coisa em troca. Terceiro, não estou sozinha e, em geral, quem decidiu acompanhar-me nesta batalha é muito parecido comigo. Quarto, e último, sempre fui subavaliada, e essa, no fim de contas, é uma grande sorte.

É certo que é possível que um dia as coisas mudem. Muito provavelmente, se houvesse de chegar a poder mudar coisas que demasiada gente quer que fiquem na mesma, descobrirei então quão verdadeiramente determinados podem ser certos poderes. Tive isso em conta e decidi alinhar na mesma no campo de batalha. Como na Idade Média fazia quem combatia na primeira fila sabendo que podia ser o primeiro a cair, ferido por um dardo, ou como fazia quem na Grande Guerra avançava rezando a Deus para que os canhões o falhassem. Hoje já não se usam dardos nem canhões, os métodos de atingir-nos são muito mais sub-reptícios e sofisticados. Também tive isso em conta, mas não desertarei. É a guerra do nosso tempo e eu sou um soldado.

Texto e imagens reproduzidos do blog: otambosi blogspot com

domingo, 9 de agosto de 2026

Jozailto Lima ENTREVISTA Alessandro Vieira

Publicação compartilhada do site JLPOLÍTICA, de 8 de agosto de 2026

Jozailto Lima ENTREVISTA Alessandro Vieira

Alessandro Vieira: “Entreguei bons resultados sem abrir mão da honestidade”

“Acho que o que o sergipano ganhou com meu mandato justifica a minha recondução”

Alessandro Vieira, 51 anos, MDB, é um sujeito diferente e diferenciado. Para começo de conversa, o cara se faz senador em 2018, aos 43 anos, sem nunca ter disputado qualquer mandato eletivo antes.

É diferente e diferenciado naquele seu jeitão aparentemente sisudo, fechado, lacrado em si. Aparentemente, sim. Porque na prática ele é bem mais poroso. Não é piegas.

E em nome do jeitão lá dele, Alessandro Vieira marcha para concluir os oito anos de um mandato identicamente poroso, no qual se infiltram práticas positivas, republicanas e que alcançam muitas virtudes na relação entre o público e o privado, entre a persona parlamentar dele e as comunidades sergipanas com as quais interage.

A tradução mais real e ativada disso é que via o mandato de Alessandro Vieira cerca de R$ 1,1 bilhão terão sido carreados da esfera pública federal para Sergipe. E aí ele canta de galo, naquele seu estilo que os oponentes querem ver algo de glacial, frio.

“O percentual majoritário disso vai para a saúde por uma escolha pessoal e por uma obrigação legal. Então, a gente está falando de alguma coisa em torno de R$ 550 milhões empregados na saúde e o restante se desenvolve ali nas linhas que geram um resultado mais impactante”, explica Alessandro Veira.

“São segurança pública, infraestrutura, desenvolvimento e geração de emprego e renda, assistência social e aí você vai através das emendas participativas, aquele método que a gente usa de ouvir o cidadão, quando começa a captar e a atender pequenos projetos. E é um método eficaz”. reforça.

Alessandro Vieira jacta-se de ser “o único no Estado de Sergipe a fazer isso”. “São apenas 10 ou 12 que fazem isso no Brasil, dos mais de 600 parlamentares federais. São mais de 400 projetos contemplados, mais de R$ 80 milhões distribuídos e todos os projetos com muito impacto na sociedade”, diz o senador.

Outro fato que Alessandro Vieira vê como positivador do seu mandato é o do alcance municipal com suas ações no território da sergipanidade. “Todos, absolutamente todos os municípios foram contemplados. Posso lhe mostrar o site que a gente vai lançar, que permite uma consulta muito facilitada para cada eleitor”, avisa.

 Por tudo isso, Alessandro Vieira está com sua âncora de reeleição para mais oito anos lançada ao chão da eleição de 2026. E em todas as pesquisas feitas no Estado ele pulula entre os primeiros colocados, quando não está totalmente liderando.

“O sergipano vai fazer essa avaliação quando chegar o momento da urna. Se o que ele defende é uma política que entrega resultados sem abrir mão da honestidade e do cuidado com o dinheiro do povo, ao longo dos últimos oito anos fizemos isso: entreguei bons resultados sem abrir mão da honestidade”, diz.

“Em 2018 eu era uma promessa, uma aposta e a aposta foi feita por 474.449 sergipanos e agora a gente mostra o prêmio que o sergipano ganhou com aquela aposta. E eu acho que o que o sergipano ganhou com meu mandato justifica a minha recondução”, diz ele.

 Alessandro Vieira - ele não tem outro sobrenome - nasceu no dia 3 de abril de 1975 em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, mas vive Sergipe desde a infância/adolescência. Ele é filho de Getúlio Gonçalves Vieira e de Jesus Perciliana da Silveira Vieira.

Alessandro é casado com a advogada e analista da Justiça Federal Helga Mesquita Gumes Vieira e é pai de Gabriela, de 22 anos, João Pedro, de 20 e de Mariana Mesquita Gumes Vieira, de 18.

Ele tem formação acadêmica em Direito pela Universidade Tiradentes desde de 1995 e especialização em Gestão e Segurança Pública. No Senado nestes oito anos ele fez parte de umas 10 Comissões.

 “Entendo que os resultados do Governo de Fábio Mitidieri justificam uma reeleição. O Estado de Sergipe hoje é melhor do que era quando o Fábio começou e eu tenho muito orgulho de ter ajudado a colocar isso de pé. Fábio não ser reeleito é colocar em risco esse avanço que Sergipe teve e talvez desperdiçar uma oportunidade histórica”, diz.

A Entrevista com Alessandro Vieira vale muito bem o tempo empregado na leitura.

JLPolítica & Negócio - Com toda suspeição que possa pairar sobre seu ponto de vista, por que o senhor acha que o sergipano deve lhe conceder mais oito anos de permanência no Senado?

Alessandro Vieira - O sergipano vai fazer essa avaliação quando chegar o momento da urna. Se o que ele defende é uma política que entrega resultados sem abrir mão da honestidade e do cuidado com o dinheiro do povo, ao longo dos últimos oito anos fizemos isso: entreguei bons resultados sem abrir mão da honestidade. Então em 2018 eu era uma promessa, uma aposta e a aposta foi feita por 474.449 sergipanos e agora a gente mostra o prêmio que o sergipano ganhou com aquela aposta. E eu acho que o que o sergipano ganhou com meu mandato justifica a minha recondução.

JLPolítica & Negócio - De que forma se deu a distribuição dos R$ 1,1 bilhão que o seu mandato terá destinado a Sergipe nos oito anos, e quais foram as áreas prioritariamente contempladas por eles?

AV - O percentual majoritário disso vai para a saúde por uma escolha pessoal e por uma obrigação legal. Então, a gente está falando de alguma coisa em torno de R$ 550 milhões empregados na saúde e o restante se desenvolve ali nas linhas que geram um resultado mais impactante. São segurança pública, infraestrutura, desenvolvimento e geração de emprego e renda, assistência social e aí você vai através das emendas participativas, aquele método que a gente usa de ouvir o cidadão, quando começa a captar e a atender pequenos projetos. E é um método eficaz. Eu sou o único no Estado de Sergipe a fazer isso. São apenas 10 ou 12 que fazem isso no Brasil, dos mais de 600 parlamentares federais. São mais de 400 projetos contemplados, mais de R$ 80 milhões distribuídos e todos os projetos com muito impacto na sociedade. Todos, absolutamente todos os municípios foram contemplados. Posso lhe mostrar o site que a gente vai lançar, que permite uma consulta muito facilitada para cada eleitor.

DO POLÊMICO RELATÓRIO DA CPI DO CRIME ORGANIZADO

“As críticas todas partiram do indiciamento do ministro do Supremo. Essa é a única motivação. O relatório seria aprovado por 6 a 4 não fosse uma intervenção direta da cúpula do Senado, através do Alcolumbre, e do PT, do Governo Lula que pediu e substituiu dois senadores por outros que nunca participaram de nenhuma sessão”

JLPolítica & Negócio - Na base da sociedade sergipana, que é o povo, e na classe política há preparo e compreensão para uma política baseada em resultados, como o senhor acredita que pratica?

AV – Veja: eu sei que quando você vai contratar alguém para pintar a sua casa, para tomar conta dos seus filhos, você não contrata ladrão e não contrata incompetente. Você tenta contratar aquela pessoa que tem mais qualidade para dar o serviço. O eleitor brasileiro foi ensinado a não esperar nada do político. Foi ensinado a não acreditar no político. Mais do que isso, ele foi treinado para difamar o político. Eu tive a maior aula disso na eleição de 2018 numa feira na cidade de Macambira. Eu abordei uma velhinha para entregar-lhe o santinho - a campanha era feita de forma muito humilde, com dois, três voluntários e eu mesmo. Entreguei para ela o santinho, ela olhou e disse: “Eu posso dar o voto para você, meu filho, mas eu quero R$ 50”. E eu dei uma aula de sociologia e de política para ela: “Quando a senhora faz isso, o cidadão que está lhe dando R$ 50 vai passar 4 ou 8 anos lhe roubando”. E ela me respondeu - e aí sim foi a lição que eu recebi, de uma forma muito objetiva: “Meu filho, eu sei disso. Mas do político só o que eu ganho é isso. O dinheiro que chega na véspera da eleição. Eu sei que ele não vai me dar nada”. Essa mesma senhora, se com fé em Deus estiver viva, vai saber que a cidade dela foi contemplada e que coisas boas aconteceram muito perto dela por causa de um cara honesto trabalhando.

JLPolítica & Negócio - Se o senhor eventualmente for reeleito, poder-se-ia dizer que terá sido reflexo desta política de resultados?

AV - Sim, se tiver eu sucesso na reeleição, vai ser 100% consequência do cumprimento dos compromissos. Todos os compromissos que a gente assumiu na campanha de 2018 foram cumpridos.

JLPolítica & Negócio - O senhor acessa o mandato de senador em 2018 como um bolsonarista ou não se considera orginalmente um membro deste time?

AV – Não. Eu nunca fiz nada disso. Eu fui eleito votando em Marina Silva. Não fui eleito votando em Bolsonaro. Eu declaro voto em Bolsonaro no segundo turno, quando o eleitor brasileiro escolhe entre ele e Fernando Haddad. Como eu defendi uma mudança, uma alteração de rumos, entendi que era importante dar essa oportunidade para o Bolsonaro. Se não me engano, o texto de declaração de apoio foi publicado inclusive no Portal JLPolítica. Assumo que não foi um voto que tenha gerado resultados positivos, mas há também de se fazer alguns registros que a paixão política geral não permite. O Governo Bolsonaro foi totalmente contaminado pela pandemia e a falta de qualificação do Bolsonaro prejudicou muito a resposta dele. Talvez, num momento de estabilidade, tivesse um Governo melhor.

JLPolítica & Negócio - O senhor subscreve uma necessidade de reeleição de Lula hoje ou acha que a ala da direita deve retornar ao poder?

AV - Eu acho que deve ter alternância de poder e eu creio que deve ser importante você ter novas ideias e novos nomes. Mas não adianta trocar por trocar. É preciso ter qualidade. É por isso que a minha escolha das alternativas que estão no cardápio é o Ronaldo Caiado. Ele foi um bom governador de Goiás, tem pelo menos 40 anos de vida pública, foi deputado, foi senador, nunca esteve envolvido em escândalo de corrupção e apresentou bons resultados onde atuou. É um cara com boa formação, que soube montar uma equipe de alta qualidade no Estado de Goiás e é o que a gente precisa no Brasil: gente com boa formação, equipe de qualidade, sem envolvimento em escândalo de corrupção. Não tenho essa de ser direita, de centro ou esquerda. Nunca abracei essas rotulações. Se você considera de direita o cara que defende segurança pública firme, dura e penas mais altas, eu sou de direita. Se você considera de esquerda o cara que defende política de redução da desigualdade, como o Auxílio Brasil na época do Bolsonaro e depois retomado no Bolsa Família, eu sou de esquerda. Então, acho que é muito mais importante você entender que em cada pessoa as soluções podem ter uma conotação ideológica diferente, mas são soluções. Essa coisa de bandeiras políticas ideológicas, há muito tempo no Brasil serve apenas para esconder incompetência.

NÃO REELEGER FÁBIO É COLOCAR EM RISCO AVANÇOS DE SERGIPE

“Entendo que os resultados do Governo de Fábio Mitidieri justificam uma reeleição. O Estado de Sergipe hoje é melhor do que era quando o Fábio começou e tenho muito orgulho de ter ajudado a colocar isso de pé. Fábio não ser reeleito é colocar em risco esse avanço que Sergipe teve e talvez desperdiçar uma oportunidade histórica”

JLPolítica & Negócio - A sua independência no plano federal obedece a que cálculo e a que convicções então?

AV - É do meu perfil. É por princípio. Eu não gosto de assumir uma condição de ter que fazer aquilo com o que eu não concordo ou subscrever o que eu não aceito. Independência para mim é uma coisa fundamental e é isso que garante a caminhada que faço.

 JLPolítica & Negócio - Por que o senhor acha que Fábio Mitidieri deve ser reeleito governador?

AV - Entendo que os resultados do Governo de Fábio Mitidieri justificam uma reeleição. O Estado de Sergipe hoje é melhor do que era quando o Fábio começou e eu tenho muito orgulho de ter ajudado a colocar isso de pé. Fábio não ser reeleito é colocar em risco esse avanço que Sergipe teve e talvez desperdiçar uma oportunidade histórica. Porque o Estado se aproxima de um imenso ciclo financeiro com a chegada dos investimentos de petróleo e gás com o Sergipe Águas Profundas - SEAP. Essa chegada dos investimentos, que hoje já é realidade, teve uma atuação do Fábio muito presente. Teve de parte da bancada federal e eu participei disso com muito orgulho, e você não pode jogar fora o que o Estado vai receber de arrecadação. O Estado de Sergipe já teve oportunidades parecidas no passado. A gente não pode jogar fora isso. A atuação de Valmir de Francisquinho se limita até o momento à gestão da cidade de Itabaiana, com pontos positivos e negativos. E o mais negativo, sem dúvida nenhuma, é o envolvimento e a consequência de vários processos na esfera criminal e na esfera administrativa.

JLPolítica & Negócio - O senhor guarda algum tipo de arrependimento por não ser um dos dois candidatos oficiais da chapa liderada por Fábio Mitidieri?

AV - Nenhum. A escolha da chapa é exclusiva e unilateralmente do governador de Estado. Nessa construção de chapa, ele tentou por bastante tempo uma composição comigo e com André Moura. Isso, evidentemente, qualquer pessoa que olhasse antes diria que era incompatível. Não tem compatibilidade entre o que eu faço e o que André Moura faz. E a construção política tem um cálculo também. Enquanto eu saio da chapa e mantenho o apoio para Fábio, é absolutamente claro que tanto André Moura quanto Rogério Carvalho estariam no colo do Pato (Pato é o apelido de Valmir de Francisquinho), porque pensam muito mais nas suas carreiras políticas do que no Estado de Sergipe. Enquanto a minha vida foi muito pautada por inquéritos que geraram processos contra corruptos, a de André é pautada por responder a processos de corrupção. Esse é o ponto de ruptura.

JLPolítica & Negócio - O senhor se atribui algum tipo de culpa pela ruptura e por não estar lá ao lado de André Moura?

AV - Eu não posso assumir culpa por ser o que eu sou desde o começo. Eu não surpreendi nem desapontei ninguém. Em nenhum momento eu assumir o compromisso de deixar de fazer aquilo que eu acho certo. 

NÃO FOI BOLSONARISTA NO PRIMEIRO TURNO DE  2018

“Eu fui eleito votando em Marina Silva. Não fui eleito votando em Bolsonaro. Declaro voto em Bolsonaro no segundo turno, quando o eleitor brasileiro escolhe entre ele e Fernando Haddad. Como eu defendi uma mudança, uma alteração de rumos, entendi que era importante dar essa oportunidade para o Bolsonaro” 

JLPolítica & Negócio - No que o senhor teria errado no relatório final da CPI do Crime Organizado para ter sido tão ativamente criticado?

AV -As críticas todas partiram do indiciamento do ministro do Supremo. Essa é a única motivação. O relatório seria aprovado por 6 a 4 não fosse uma intervenção direta da cúpula do Senado, através do Alcolumbre, e do PT, do Governo Lula que pediu e substituiu dois senadores por outros que nunca participaram de nenhuma sessão, que não leram sequer uma linha do relatório e votaram conforme a orientação do líder Jacques Wagner.

 JLPolítica & Negócio - Mas por que nenhum nome ligado aos grandes grupos do crime organizado foi parar no seu relatório?

AV - Eles são citados no relatório. No momento que a gente faz a descrição detalhada das 79 facções que atuam pelo Brasil, três delas de atuação já nacional, duas com mais destaque - Comando Vermelho e PCC - a gente fala do surgimento delas, como elas se estabeleceram e, principalmente, fala como enfrentá-las. Mas não consegui ver utilidade em fazer um gesto midiático de colocar o Marcola ali. O Marcola é um cara condenado a 400 anos de cadeia, está preso há mais de 20 anos. Então isso não traz nada de positivo. O que a gente fez, na história de mais de 200 anos de Senado ninguém nunca tinha feito, foi colocar no papel, de forma inquestionável, os problemas que envolvem figuras fundamentais, que são os ministros do Supremo e o Procurador-Geral da República. Não existe crime organizado sem corrupção, sem infiltração do Estado. E se eu quero combater crime organizado, preciso atacar esse ponto também. Um novo mandato meu continuará nessa mesma disposição de enfrentar essa divergência, porque é fundamental. Quando começo o mandato, lá em fevereiro de 2019, a primeira coisa que faço é pedir para uma Comissão Parlamentar de Inquérito, que ficou apelidada de CPI da Toga, para apurar fatos concretos que envolvem ministros do STF. E de lá pra cá, nada mudou. Esse quadro só piorou. Porque de lá para cá os ministros liberaram a advocacia de parentes, que é proibida por lei, e passaram a ter atuação extremamente incisiva na seara política empresarial.

JLPolítica & Negócio - Nestes quase oito anos no âmbito do Congresso o senhor viu práticas reais de corrupção ou atitudes não-republicanas e lesivas?

AV - O que eu tive provado foi sempre denunciado ao Ministério Público Federal. Mas ouvir e ter a compreensão do ritmo de infiltração da corrupção era muito evidente. Só não era papel meu e nem eu tinha instrumentos para produzir provas. A corrupção, em grande parte, começa nas campanhas eleitorais. Campanhas de custo absolutamente incompatíveis com o teto de gastos, com limites, com a razoabilidade - um cidadão gastar para ser deputado estadual um valor que corresponde a duas ou três vezes dos seus ganhos em quatro anos mostra que tem algo errado. Isso ocorre a olhos vistos e é importante que a Polícia Federal e o Ministério Público comecem a atuar. Quando é que nós teremos uma sociedade ativada para ver isso e combater isso? Quando a gente tiver a construção de lideranças políticas que possam apontar esse mundo. O Brasil vive uma mudança geracional. Essa é a última eleição com a presença de Lula na cédula presidencial. Essa é a última eleição com a presença, mesmo que representada, do Jair Bolsonaro. Então, essa mudança geracional talvez possa trazer para o cenário político nacional alguma coisa diferente e que aponte para mudanças verdadeiras. Sei que, com a fragmentação, com a comunicação digital agressiva e com o uso crescente de desinformação, fake news e inteligência artificial, é sempre muito difícil.

O QUE ESPERAR DOS SERGIPANOS NAS URNAS

“Se o que ele defende é uma política que entrega resultados sem abrir mão da honestidade e do cuidado com o dinheiro do povo, ao longo dos últimos oito anos fizemos isso. Então em 2018 eu era uma promessa, uma aposta e a aposta foi feita por 474.449 sergipanos e agora a gente mostra o prêmio que o sergipano ganhou com aquela aposta”

JLPolítica & Negócio - Haveria algum elo entre um Sergipe supostamente calmo e saneado no campo da segurança pública e as práticas do seu mandato nestes oito anos?

AV - Tem uma ajuda direta com investimentos. São investimentos de mais de R$ 60 milhões que nenhum parlamentar federal na nossa história fez. Tem o apoio institucional, tem a mudança de legislação para que você tenha leis mais eficientes no combate ao crime. Mas esse resultado é consequência, também, de um trabalho de milhares de pessoas. Cada policial civil, militar, perito, cada profissional do Ministério Público, da Justiça, tem uma parcela de participação nesse sucesso que também – e tem essa coisa da liderança política que a gente já falou sobre isso na Entrevista. Então isso vem já há bastante tempo com estabilidade e planejamento. Temos que continuar. Segurança pública, assim como saúde, é investimento e atenção permanente. Hoje Sergipe é o único Estado do Brasil que não tem território dominado por facção. O único. Isso é consequência do trabalho das polícias e exige vigilância permanente, reforço de investimentos, reforço de planejamento e valorização da troca.

BRASIL VIVE O FIM DE UM CICLO

“O Brasil vive uma mudança geracional. Essa é a última eleição com a presença de Lula na cédula presidencial. Essa é a última eleição com a presença, mesmo que representada, do Jair Bolsonaro. Então, essa mudança geracional talvez possa trazer para o cenário político nacional alguma coisa diferente e que aponte para mudanças verdadeiras”

JLPolítica & Negócio - O senhor acha que as classes política, econômica e intelectual estariam compreendendo o instante SEAP que o Estado vive e tudo que poderia vir dele, ou estariam esperando as coisas acontecerem?

AV - Vamos dizer assim: aquelas pessoas com atividade econômica, grandes empresários, do setor ou não, têm a compreensão da importância. O governo atual, de Fábio Mitidieri, tem a compreensão da importância. Mas uma parcela da classe política não acompanha tão de perto, não compreende como isso pode alterar e modificar para melhor a vida dos sergipanos. E o que me deixa mais preocupado: não tem qualificação para poder usar esse dom, essa graça da natureza que Sergipe recebeu. Porque é uma graça você ter no menor Estado da federação um depósito de minerais tão valiosos como esse. Essa falta de preparo sempre para mim é uma preocupação. Hoje eu sei, acompanho, atuo muito de perto, então entendo que o Governo Fábio está preparado para isso. Você tem bons técnicos, bons profissionais que sabem muito bem como desenhar. As manifestações públicas e reservadas que Fábio tem feito sobre como administrar esse valor recebido com a arrecadação, os royalties, enfim, tudo mais, é bastante interessante, porque vai numa linha de criação de fundos, investimento em educação, diversificação da economia, porque isso é o que sustenta o desenvolvimento do Estado a longo prazo. O recurso do óleo e gás tem prazo, vai durar 20 anos ou 30 anos. E o Estado de Sergipe, com fé em Deus, vai estar aí para sempre. Quando se fala em intelectual, refere-se a academia, as universidades, a classe pensante e da ausência de um contexto, digamos assim. Mas temos as universidades, em destaque a Federal e a UNIT, próximas desse processo, com bons profissionais atuando ali. E a gente vem fazendo investimentos junto com o Governo do Estado, através do mandato, para fortalecer a qualificação de mão de obra, para que esses mais de 20 mil empregos que vão ser criados num curto espaço de tempo sejam preenchidos com gente daqui. Ou a gente qualifica a população sergipana para abraçar esses empregos, que são empregos qualificados e de boa remuneração, ou vem todo mundo de fora e ocupa essas vagas.

Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica com br

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

O que a direita tem a oferecer

Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 7 de agosto de 2026

O que a direita tem a oferecer

Sabatina O Antagonista e G4 indica as principais qualidades dos desafiantes de Lula. Duda Teixeira e Rodolfo Borges para a Crusoé:

O Antagonista promoveu com o G4, nesta semana, uma sabatina com os principais candidatos presidenciais da eleição 2026.

O evento marcou o início da campanha eleitoral, após as convenções partidárias que definiram os candidatos, e só não contou com o presidente Lula, que não deve comparecer a eventos do gênero, nem a debates ao longo desta campanha.

A sabatina serviu, portanto, para apresentar e discutir os projetos dos quatro homens que se apresentam como alternativa a um presidente que aumentou para 80% do PIB a dívida pública, com políticas que visam mais à recuperação de sua biografia, após a prisão, do que ao bem do país.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Renan Santos (Missão) e os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás, e Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, são todos de direita e concordam em muitas pautas, como o endurecimento do combate ao crime, a responsabilidade fiscal e a contenção do Supremo Tribunal Federal (STF), mas têm personalidades e planos diferentes.

As distinções entre as propostas e as condições para implementá-las estão detalhadas nesta reportagem, baseada no que eles disseram na sabatina, ao dar início à corrida eleitoral.

Zema, de Minas para o Brasil

O empresário e ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema propõe levar sua experiência de dois mandatos no governo do estado para todo o país.

"O compromisso que eu assumo, eu quero lembrar, eu já fiz em Minas. Durante o meu governo em Minas, nós levamos para o estado 530 bilhões de reais de investimentos privados. Isso dá mais de 100 bilhões de dólares. É uma montanha de dinheiro que a maioria dos países do mundo não atraiu. Nesse período de sete anos em que eu fiquei governador de Minas, criamos mais de 1 milhão de empregos formais. O desemprego em Minas é o menor da história. A taxa de pobreza é a menor. Ganhamos participação no PIB do Brasil", disse Zema.

Zema fala em repetir as mesmas medidas que tomou em Minas, mas em outra escala. Entre essas medidas estão as privatizações e a redução da máquina pública.

Questionado sobre a Copasa, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais, Zema respondeu: "A Copasa acabou de ser privatizada há 90 dias. Quem acompanha o mercado sabe disso. As estatais em Minas, durante a minha gestão, tiveram uma valorização superior a 300%, tanto Copasa quanto Cemig. E eu vendi participações e privatizei 118 empresas, companhia do lítio, Elibrás, Light. A única empresa que não foi privatizada e será é a Cemig", disse Zema.

Sobre corte de pessoal, Zema tentou fazer um cálculo sobre como seria em escala nacional, mas evitou dar um número.

"Em Minas Gerais, eu fiz algo que acho que nunca aconteceu no Brasil. Me falem de algum governador ou até presidente que reduziu quase 50 mil cargos na máquina pública. Eu fiz isso em Minas. Foram 50 mil cargos que eu reduzi em Minas seriam o equivalente para o Brasil a meio milhão de cargos. Minas Gerais é mais ou menos 10% do Brasil. Só com isso, o Estado de Minas economizou por ano cerca 4 bilhões de reais. A nível Brasil seriam 40 bilhões de reais. Tem muita coisa que dá para fazer", afirmou o mineiro.

Caiado, presidindo pelo exemplo

Ronaldo Caiado tem quase tantos anos de política quanto Renan Santos e Flávio Bolsonaro, ambos na faixa dos 40, têm de idade. Candidato à Presidência da República em 1989, quando tinha 39 anos, o ex-governador de Goiás deixou claro, mais uma vez, que aposta no próprio currículo para acalmar um país partido entre lulismo e bolsonarismo há quase 10 anos.

"Eu quero convocar a todos vocês com a experiência da idade, dos seis mandatos que eu tenho no Congresso Nacional, com dois mandatos como governador do estado. O que eu pretendo fazer é pacificar o Brasil, é dar oportunidade para todos sentarem à mesa, é poder construir um outro momento. Não se governa brigando, não se governa provocando as pessoas. Governo é sentado à mesa de negociação. É assim que eu governei e assim que eu irei governar o Brasil", prometeu o goiano, que fez mais uma vez uma enfática defesa do agronegócio, sua bandeira de vida.

O momento em que Caiado mais cativou a plateia de empresários que acompanhou a sabatina, contudo, foi quando ele falou sobre a segurança pública de Goiás, um dos principais fatores para os seus 88% de aprovação ao deixar o governo neste ano para concorrer ao Palácio do Planalto.

"Qual é o seguro de carga mais barato no país? Goiás. Qual é o seguro de carro mais barato no Brasil? Goiás. Em Goiás, ninguém faz seguro para roubo de carro. Faz para acidente. Onde é que carga valiosa não tem batedor? Chega na divisa de Goiás com Minas, os batedores saem. Entra em Goiás. Chega na Bahia, os batedores entram", disse o ex-governador, relatando que recebeu homenagem do setor supermercadista e das joalherias goianas.

Segundo ele, Goiás é o estado mais seguro do Brasil e "nunca teve um assalto que progredisse lá" durante seu governo. "Pergunte aos empresários, comerciantes o que é a segurança plena instalada no estado. Pergunte o custo para os empresários no meu estado de Goiás. É o menor que tem no Brasil", defendeu, acrescentando que os empresários não precisam andar de carro blindado.

"Uma empresa quebrou lá em Goiás. Soube que elas foram para o Rio de Janeiro, que tem fila de espera hoje, mais de 6 mil carros, para serem blindados", disse Caiado, para o riso da plateia.

O ex-governador também prometeu encaminhar ao Congresso, logo no primeiro dia de governo, propostas de emenda à Constituição (PECs) para as reformas política, administrativa, tributária (com revisão de pontos da reforma atual) e de segurança.

Entre todos os candidatos à Presidência, nenhum fala com mais propriedade do que ele sobre terras raras — Caiado defende a industrialização e processamento local de minerais críticos.

Se seu plano de estabilização der certo — e isso passa pela sua promessa de anistiar os condenados pelos atos de vandalismo no 8 de janeiro de 2023 —, o ex-governador de Goiás calcula que o país conseguirá alcançar uma taxa real de juros de 3% a 4%, longe dos 14% atuais.

Renan, uma novidade de verdade

Com 42 anos, Renan Santos é o mais novo entre os candidatos a presidente. É o que mais arrisca e o que mais traz temas novos para o debate nacional.

Seu plano de governo de 50 páginas é um resumo dos seis fascículos do Livro Amarelo, produzido pelo Movimento Brasil Livre (MBL) com a contribuição de centenas de pessoas, com diversas experiências.

Por isso, Renan, que hoje comanda o partido Missão, fundado no ano passado, traz frescor à política brasileira ao introduzir assuntos que não foram debatidos ou que são deixados de lado porque são impopulares.

Renan não esconde que, caso se torne presidente, fará um ajuste fiscal duro para reduzir os juros da economia. O corte de gastos vai acontecer principalmente com a redução do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o fim dos gastos mínimos com saúde e educação.

"São as reformas fiscais altamente impopulares que vão mudar a trajetória da dívida e assim mudar a trajetória do juros futuro do Brasil. Eu preciso passar a desindexação dos valores previdenciários do BPC que hoje estão vinculados ao aumento do salário mínimo, e eu preciso passar a desvinculação dos gastos de saúde e educação, que são vinculados à receita. São duas coisas que são PEC [Proposta de Emenda Constitucional] e que precisam passar, porque isso mexe com o crescimento completamente descontrolado que a gente tem dos gastos e, por consequência, da dívida", afirmou Renan na sabatina.

O candidato tem plena liberdade para propor mudanças radicais, mesmo que admita que, para conseguir colocá-las em prática, terá de negociar com o Congresso e, se necessário, "dar uma conversada com o Capeta".

Entre as suas propostas está criar um tribunal separado do STF para julgar os parlamentares, urbanizar favelas em parceria com a iniciativa privada (a "desfavelização"), introduzir um código para a imprensa para impedir que sites de fofocas façam propaganda política com verbas públicas, reduzir o número de municípios do Brasil e condicionar as emendas parlamentares a cortes nos gastos obrigatórios.

"O município, especialmente o município com baixa atividade econômica, tornou-se um executor de recursos que vêm do governo federal e executor de emendas do padrinho político do prefeito, que é o deputado que recebe a emenda hoje. O que é um deputado federal? Ele é um gestor de uma série de filiais que ele tem, que são municípios. E eles executam as emendas dele. Fazem o show do Wesley Safadão para se reeleger. Não têm nenhuma obrigação ou compromisso com indicadores de desempenho, os famosos KPIs, que vocês colocam nas empresas para poderem validar se a empresa está funcionando ou não. E aí eles giram esse dinheiro", afirmou Renan.

Para Renan, os prefeitos que aumentarem a atividade econômica devem ser premiados, enquanto os municípios que não conseguem pagar as próprias contas devem se fundir com outros. "O prefeito poderá receber mais emendas, desde que entregue bons indicadores de desempenho facilmente metrificáveis e auditáveis. O maior deles seria o aumento da atividade econômica, percebida com aumento de emprego e redução de pessoas vivendo do assistencialismo", disse o candidato.

Flávio, empurrado por um movimento

Flávio Bolsonaro só concorre à Presidência porque seu pai está preso. Está claro que o senador não se preparou para assumir o Palácio do Planalto, mas Jair Bolsonaro também não estava preparado quando assumiu o país em 2018.

Hoje, o bolsonarismo tem muito mais corpo e quadros do que tinha duas eleições atrás.

Abalado na pré-campanha pelo escândalo do Banco Master, por causa do patrocínio para o filme Dark Horse, Flávio não conseguiu formar uma coligação que tornasse sua candidatura mais robusta, e teve de se contentar com o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice.

Mas o candidato destacou na sabatina que está cercado de aliados de peso, como a senadora Tereza Cristina (PP-MT), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), favorito para se reeleger em São Paulo, e a ex-presidente da Caixa Daniella Marques (Republicanos).

"Em praticamente todos os estados nós estamos com palanques montados. Nós temos 22 palanques já 100% fechados no Brasil. Só para que todos possam ter uma referência, o presidente Bolsonaro tinha, em 2022, apenas 10 estados com os palanques. Nós já temos mais do que o dobro", disse o senador, que estava lidando com as tratativas para decidir seu vice e participou remotamente da sabatina.

Na quarta-feira, 5, Flávio fechou o 23º palanque estadual, em Minas Gerais, com a candidatura de Flávio Roscoe. E a força do PL deve se materializar também no Congresso Nacional.

Antes de ser preso, Bolsonaro falava, ainda em 2025, no projeto de eleger a maioria do Senado e da Câmara. Entre os senadores, que têm a prerrogativa de julgar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o desafio parece mais palpável. A maioria permitiria governar de uma forma mais confortável que Lula, que passou o governo inteiro tentando reverter derrotas no Supremo.

Questionado na sabatina sobre os atritos com os ministros do STF, especialmente Alexandre de Moraes, que assume a presidência do tribunal em setembro de 2027, Flávio disse que o próximo presidente vai indicar quatro juízes supremos, e falou sobre a possibilidade de impeachment.

"Essa grande anomalia que nós estamos vivendo hoje no nosso país ocorre porque a atual configuração do Senado Federal desvirtuou isso, desequilibrou essa suposta harmonia que deveria haver entre os poderes. Não há freios e contrapesos", criticou o senador.

Caso eleito, a primeira missão auto-imposta do senador será, contudo, anistiar o pai e os condenados do 8 de janeiro, o que deve deflagrar uma crise com o STF antes mesmo que ele consiga ver o primeiro de seus indicados ser empossado no tribunal.

Flávio prometeu também aplicar um "tesouraço" tributário, detalhou seu programa de segurança, "Brasil sem Medo", e se comprometeu a apresentar uma PEC que extingue a possibilidade de reeleição para o cargo de presidente da República. Tudo isso em nome do seu pai.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi blogspot com

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Susane Vidal inicia um novo capítulo de sua história

Entrevista compartilhada do site do JORNAL DA CIDADE, de 2 de agosto de 2026 

Susane Vidal: da credibilidade no jornalismo ao desafio de representar Sergipe em Brasília

Susane fala sobre a decisão de ingressar na vida pública, o manifesto "O Sergipe que a gente quer começa com respeito", o simbolismo do blazer que marcou sua convenção e a experiência de percorrer os municípios sergipano

Depois de quase três décadas de uma trajetória consolidada no telejornalismo sergipano, Susane Vidal inicia um novo capítulo de sua história. Recém-homologada como candidata a deputada federal pelo Republicanos, ela leva para a política a experiência construída ao longo de anos dedicados à escuta da população. Nesta entrevista ao Caderno Social, Susane fala sobre a decisão de ingressar na vida pública, o manifesto "O Sergipe que a gente quer começa com respeito", o simbolismo do blazer que marcou sua convenção e a experiência de percorrer os municípios sergipanos, entrando nas casas das pessoas para ouvir suas histórias, conhecer de perto sua realidade e compreender, além das estatísticas, os desafios, os sonhos e as expectativas de quem vive Sergipe todos os dias. 

JCSOCIAL - Após quase 30 anos no telejornalismo, você oficializou sua candidatura na convenção do Republicanos. O que a levou a transformar a experiência como jornalista em um projeto de vida pública?

SUSANE VIDAL - Eu sempre digo que não deixei de ouvir as pessoas, apenas mudei o lugar de onde posso agir. Durante quase três décadas no jornalismo, conheci de perto as dores, os desafios e a força do povo sergipano. Em muitos momentos, contei histórias que precisavam de solução. Chegou um momento em que senti que apenas noticiar já não era suficiente. Quero levar essa experiência de escuta, diálogo e compromisso para um espaço onde seja possível construir soluções e representar as pessoas.

JCSOCIAL - O manifesto "O Sergipe que a gente quer começa com respeito" já ultrapassou a marca de cinco mil assinaturas. O que esse apoio representa para você e o que ele revela sobre o momento que Sergipe vive?

SUSANE VIDAL - O manifesto nunca foi sobre mim. Ele nasceu para ouvir as pessoas e entender quais valores elas querem ver na política. O respeito foi o ponto de partida porque acredito que é dele que nascem o diálogo, as boas decisões e a capacidade de unir pessoas em torno de um propósito comum. Cada assinatura tem um rosto, uma conversa e uma história. Mais do que um número, essas mais de cinco mil assinaturas mostram que existe muita gente querendo participar da construção de um Sergipe melhor.

JCSOCIAL - O blazer usado na convenção chamou a atenção por trazer nomes de pessoas que acreditam no manifesto e pelo processo criativo, que você compartilhou nas redes sociais. Como surgiu essa ideia e qual é o simbolismo dessa peça para a sua candidatura?

SUSANE VIDAL - A ideia era mostrar que ninguém constrói um projeto político sozinho. Ele não foi pensado como uma peça de roupa, mas como um símbolo. Ele reúne os nomes das pessoas que acreditaram no manifesto antes mesmo de existir uma campanha. Cada nome representa confiança, incentivo e esperança. Compartilhar o processo de criação nas redes sociais também foi uma forma de mostrar que tudo foi pensado com muito significado, valorizando quem caminhou comigo desde o começo. Eu não visto apenas um blazer, visto a confiança de muitos sergipanos. Digo sempre que ele é o meu manto da confiança.

JCSOCIAL - Desde que deixou a bancada da TV, você tem percorrido o estado e ouvido a população de perto. Quais são as principais demandas e sentimentos que mais têm aparecido nessas conversas?

SUSANE VIDAL - As pessoas querem ser ouvidas de verdade. Elas falam sobre saúde, educação, segurança, geração de emprego e oportunidades para os jovens, mas também falam sobre respeito. Existe um desejo muito grande de voltar a acreditar na política como um instrumento de transformação. Tenho encontrado pessoas que querem participar, apresentar ideias e construir soluções. Essa caminhada só reforçou a convicção de que ninguém conhece melhor os problemas de Sergipe do que quem vive essa realidade todos os dias.

JCSOCIAL - Quem é a Susane que o público conhecia na televisão e quem é a Susane que as pessoas estão descobrindo agora, nas ruas e durante essa caminhada política?

SUSANE VIDAL - A essência é a mesma. Continuo sendo uma pessoa que acredita no diálogo, na responsabilidade e no respeito. Talvez agora as pessoas estejam conhecendo um lado mais pessoal: a professora, a mulher que gosta de conversar, de ouvir histórias e de aprender com as pessoas. A televisão me permitiu entrar na casa dos sergipanos todos os dias. Agora, tenho a oportunidade de entrar pela porta da frente, sentar, ouvir e construir esse caminho junto com elas. Acho que essa é a maior diferença: hoje, além de contar histórias, quero ajudar a escrever novos capítulos para Sergipe.

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldacidade net/jc-social

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Baixarias na Casa Branca

Artigo compartilhado do site do GABEIRA, de 4 de agosto de 2026

Baixarias na Casa Branca
Por Fernando Gabeira (in blog)

A gente vive dizendo que o mundo anda estranho. Não pretendo dissecar toda a estranheza do mundo, apenas afirmar que parte dela vem do norte, onde vive o homem mais poderoso do mundo, Donald Trump. Quando não está bombardeando o distante Irã, está insultando os repórteres que cobrem a Casa Branca. É nossa ração quase diária de amargor.

Trump tem problemas cognitivos. Mas talvez essa seja a parte mais amena de seu embate com a imprensa. Está ficando gagá, e sua sobrinha, Mary Trump, psicóloga, acha que é Alzheimer, escorando-se no histórico familiar, com base na doença do avô. É impossível diagnosticar dessa forma, mesmo porque os escorregões de Trump não têm um padrão. Podem ser influenciados pela agenda intensa.

Em maio deste ano, em discurso na Academia da Guarda Costeira, ele tropeçou na palavra strength (força) e teve dificuldades em pronunciar outras palavras. Em julho, durante a Cúpula da Otan, cometeu três erros em dez minutos. O último deles é inesquecível. Referindo-se ao Irã, chamou o país de República Islâmica do Japão. O inventário é longo. Tropeçou nas palavras stock market (mercado de ações), anonymous (anônimo), confundiu nomes de líderes estrangeiros e chamou o TikTok de TicTac.

Claro que isso traz uma discussão permanente sobre seu poder cognitivo. Mas as coisas ficam pesadas mesmo quando os repórteres na Casa Branca fazem perguntas diretas sobre suas incongruências, sobre o caso Epstein, sobre o perdão a criminosos próximos à família. Quase diariamente, Trump chama um repórter de estúpido, de pessoa horrível. Não contente em processar empresas e ameaçar cancelar licenças de emissoras de TV, se esforça por humilhar os outros.

Recentemente, em discurso no jantar dos correspondentes, resolveu virar sua metralhadora verbal contra a repórter Kaitlan Collins, da CNN. Ela seria premiada, e Trump a associou a fake news, dizendo que era uma pessoa que nunca sorria. O que Collins faz com Trump para ele odiá-la? Apenas faz perguntas diretas, ouve todos os insultos e registra tudo com acuidade:

Ao mesmo tempo que Trump se vangloria da grandeza da América, diz que um país civilizado não pode ter a imprensa que os Estados Unidos têm. Fica furioso com perguntas elementares. Um dia diz que os dirigentes iranianos são racionais; no outro diz o contrário e os animaliza. No meio dessas contradições, distribui insultos aos jornalistas que as apontam.

É desolador ver e ouvir tudo isso. Lembra-me um filme de Ingmar Bergman, “Morangos silvestres”, em que um casal pede carona de carro e passa um trecho da estrada brigando. Quando sai do carro, leva consigo todo o astral pesado.

O problema é que a Casa Branca não pode sair do carro. Nem os repórteres, presos a seu dever profissional, podem deixar Trump falando sozinho. Estamos condenados às baixarias, e elas contribuem para a sensação de estranheza do mundo. Sem falar na produção nacional ou mesmo nos algoritmos que adoram uma baixaria.

Texto e imagem reproduzidos do site: gabeira com br

A nossa elite é facilmente cooptada: vivemos no neocolonialismo

 

Um projeto de país aqui no Brasil não passa de tique nervoso


Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 3 de agosto de 2026

Um projeto de país aqui no Brasil não passa de tique nervoso

Entre nós, a 'vida ética' se fez puro marketing de causa. Luiz Felipe Pondé para a FSP:

Diante do pânico europeu e americano com a possibilidade de que o mundo melhor, tal como se pensou nas últimas décadas e séculos, venha a ruir, nós, brasileiros, temos uma vantagem adaptativa grande: sempre soubemos que o mundo nunca deu certo porque o Brasil nunca deu certo e nunca dará. Um projeto de país aqui não passa de um tique nervoso, quando não apenas um nicho de mercado, entre outros.

Alguns de nós, principalmente os bonzinhos, bonitinhos e inteligentinhos, fingem que não sabem como nós, brasileiros comuns, que o Brasil nunca deu certo e nunca dará. Protegidos pelos seus lobbies e seus bancos, têm o luxo de se vender como a vanguarda do bem no país.

O Carnaval no Brasil, quanto mais cresce como festa "popular", mais se revela como uma celebração orgiástica do fim do mundo, regada a cachaça, fezes e urina. Pode-se exceder em tudo porque, na verdade, nunca houve Quarta-Feira de Cinzas aqui, já que entre nós a "consciência do pecado" nunca pegou —não há pecado abaixo do Equador, lembra?

Como diz um amigo meu esquisito, se Jesus Cristo viesse ao Brasil, se corromperia e entraria no esquema do Master, apesar de, ao mesmo tempo, posar de crítico da desigualdade e defender a democracia.

Este caráter corrosivo da moral tem sido o eixo dinâmico da nossa cultura. Onde, em terras alheias, se dá, muitas vezes, um combate constante entre Deus e o Diabo, cá, em nossas terras, nem o Diabo consegue cavar raízes, se dele tivermos a imagem de alguma coerência em sua atitude. Cá, a coerência seria uma fraqueza, na melhor das hipóteses, uma farsa barata. A "vida ética", tão decantada na filosofia, cá se faz comportamento não adaptativo. Entre nós, a "vida ética" se fez puro marketing de causa.

Sabe-se muito bem que o patriotismo, ou nacionalismo —que não nos cansem com as diferenças conceituais entre um e outro— é o último reduto dos canalhas.

Em 2022, patriotas eram os que pediam intervenção militar diante da derrota do Bolsonaro. Hoje, o mesmo adjetivo é aplicado àqueles que elegem a soberania nacional como eixo da sua campanha para presidência pela enésima vez —o Lula.

Toda vez que você ouvir alguém falar, com glória, a palavra "soberania" nos tempos vindouros, saiba que você está diante de um mentiroso. Dessa vez, pouco se dirá acerca dessa retórica falsa lulista, afora os bolsonaristas que viram seu máximo valor —a pátria— roubado deles.

Há que se reconhecer que, na boca dos bolsonaristas, este suposto valor sempre soou como a palavra de um bufão. Todavia, o Lula não deve se preocupar, porque para ele sempre se passará pano.

O Brasil desmoraliza qualquer iniciativa supostamente ética em política ou no que quer que seja. Por exemplo, a premissa republicana de que deva existir uma independência entre os três poderes —executivo, legislativo e judiciário— a fim de preservarmos a mecânica dos freios e contrapesos que um oferece aos demais, e vice-versa, se dissolve numa convergência canalha à luz do dia.

O conluio babilônico em Brasília entre os integrantes dos três Poderes é regra geral de comportamento pessoal e institucional. Só os fracos não repetem essa compulsão à corrupção do caráter.

O país pratica o niilismo em escala nacional. Se o Brasil é, de fato, o país do futuro, o é por conta do fracasso humano de se elevar acima das suas concupiscências mais comezinhas.

Até o mito do progresso entre nós se revela ainda mais na sua condição de mito. Se a corrupção de caráter sempre nos devastou, hoje ela se fez um sistema racional de conduta, abarcando instituições responsáveis pela civilização, assim como carreiras profissionais aspiracionais.

A impressão é de que, diferente do rei Midas —que transformava tudo que tocava em ouro, devido ao seu anseio patológico por riqueza—, cá, tudo que a esmagadora maioria daqueles que têm alguma forma de poder toca, transforma-se em nada. Daí o niilismo como inconsciente nacional.

Se um dia se disse que o brasileiro era o homem cordial, hoje o brasileiro se fez homem niilista. Com um sorriso na face, que vai de amargo ao cínico —no sentido do senso comum e não da filosofia grega— seguimos o dia a dia nos defendendo do poder em larga escala.

Se os grandes gregos, como diz o rei Agamemnon na tragédia maravilhosa e tocante de Eurípedes "Ifigênia em Aulis", deveriam invejar os humildes, nascidos entre os obscuros do mundo, porque eles não eram obrigados a enxergar o real tal como ele é; cá só os cegos verão o futuro. No Brasil, há que se preservar as virtudes mais primevas, como a coragem, a humildade e a vergonha.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi blogspot com

O que fazer com a “bomba humana”? Um gigantesco problema europeu

Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 3 de agosto de 2026

O que fazer com a “bomba humana”? Um gigantesco problema europeu

Diante da invasão de Ceuta, Giorgia Meloni chegou a suspender o acordo europeu de livre circulação, apenas um esparadrapo numa ferida enorme. Vilma Gryzinski: 

As cenas estarrecedoras continuam a impressionar: ondas e mais ondas de marroquinos só com roupa de banho chegando a nado na ponta de território espanhol no topo do continente africano, uma herança colonial que virou um problema a mais para a enorme encrenca da “bomba humana”, os milhões e milhões de pessoas de países pobres que querem migrar para a Europa. Até a unidade europeia saiu lascada: a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni suspendeu o acordo de livre circulação, uma das conquistas europeias, com a Espanha.

Ela é de direita, mas o problema ultrapassa as fronteiras ideológicas e Meloni recebeu o apoio da Dinamarca, que tem um governo de centro-esquerda, e da Finlândia. Outros não falaram publicamente, mas apoiaram em silêncio. Uma vez em território da União Europeia, como é o caso do enclave espanhol de Ceuta, os migrantes teriam direito de ir para qualquer um dos 29 países que integram o Acordo de Schengen – os ricos ou moderadamente bem resolvidos para onde os pobres e mal resolvidos querem migrar.

É um problema sistêmico, afetando todos os países europeus, embora a questão específica de Ceuta seja fruto de atitudes das autoridades espanholas. Primeiro, a visão esquerdista do governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez, tão condescendente com a imigração clandestina que resolveu regularizar a situação de 500 mil estrangeiros vivendo no país (na prática, o número dobrou, com os pedidos de regularização passando de um milhão).

Segundo, uma decisão completamente absurda do Supremo Tribunal espanhol, estabelecendo que quem chegasse a território nacional pelo mar, sem, portanto, ultrapassar as barreiras físicas em terra, não poderia ser mandado imediatamente de volta. Isso deixou as autoridades policiais de mãos atadas. É nadar e entrar. Embora muitos dos 70 mil migrantes tenham voltado para o Marrocos, uma vez em território espanhol, eles ganham o direito de pedir asilo político e receber assistência em vários níveis.

As leis generosas, uma conquista da civilização ocidental, remetem a um tempo em que os refugiados vinham basicamente do mundo comunista ou ditaduras latino-americanas e eram tratados com grande solidariedade. Não funcionam mais no mundo atual, com literalmente centenas de milhões de pessoas da África ou da Ásia tentando entrar em território europeu para ter uma vida melhor. Nenhum país está preparado para absorver tanta gente, inclusive os que não querem se integrar ao modo de vida europeu, com uma minoria que abraça o fundamentalismo e pratica atentados contra as populações locais. O jovem de origem libanesa que jogou um carro contra a parada gay de Berlim na semana passada e depois saiu esfaqueando pessoas foi o caso mais recente de um tipo de atentado que se tornou tristemente comum.

VAIAS AGRESSIVAS

É claro que a extrema direita explora a enorme questão da imigração irregular, tratando-a como uma ameaça civilizacional, mas todas as pessoas, mesmo as de outras tendências, podem entender a dimensão do problema. Só para lembrar: em um único dia, a população de Ceuta, de 80 mil habitantes, praticamente dobrou de tamanho com a chegada em massa dos marroquinos. O comércio fechou, com medo de saques, e muitos ficaram com medo de sair às ruas lotadas de recém-chegados e transformadas em banheiros a céu aberto.

Houve algumas manifestações de protesto e Pedro Sánchez foi agressivamente vaiado ao chegar para uma visita, aumentando a impressão de que a esquerda tem uma atitude de excessiva condescendência com a migração clandestina. Sem falar nas posições simplesmente abiloladas da extrema esquerda. Uma de suas mais infames manifestações foi a de Irene Montero, líder do partido Podemos que já foi até ministra da Igualdade no governo de Sánchez. Referindo-se à tese da extrema direita de que existe um plano intencional de substituir a população branca da Europa por migrantes do Terceiro Mundo, ela disse que gostaria de ver isso acontecendo, “para varrer os fascistas”.

As versões do Podemos, uma espécie de PSOL da Espanha, são sempre delirantes. Sobre a invasão de Ceuta, o porta-voz do partido, Pablo Hernández, disse que “o eixo Marrocos-Estados Unidos-Israel levou a cabo esta operação”. Ou seja, a culpa ou parte dela, é dos judeus. A abominação se espalhou pelas redes sociais.

Absurdos do tipo não diminuem em uma vírgula o tamanho do problema e acabam ajudando a direita mais radical. Aliás, radical é um adjetivo do passado. A rejeição à migração descontrolada se tornou um tema do debate político central, longe dos extremos. Ajudou na eleição da quase desconhecida Giorgia Meloni e pode ser decisiva na eleição presidencial francesa, no ano que vem. No Reino Unido, o partido Reforma, de Nigel Farage, se transformou numa força política importante por causa das posições contra a migração em massa. Os europeus não querem ver sucessivas ondas humanas chegando a seus países e se isso implicar votar para políticos que antes estavam nas margens do espectro democrático, farão isso. Ceuta ajuda a reforçar esse movimento.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi blogspot com

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Flávio Bolsonaro: Canal Livre recebe o candidato à Presidência pelo PL

Flávio Bolsonaro: Canal Livre recebe o candidato à Presidência pelo PL

Band Jornalismo

Transmissão ao vivo realizada  em 2 de agosto de 2026 BandTV ao vivo

O Canal Livre deste domingo (2) continua sua série de entrevistas com os candidatos à presidência da República. O programa vai discutir os resultados das últimas pesquisas eleitorais, o impacto das novas tarifas americanas contra o Brasil nas eleições e as negociações para formação das candidaturas. 

O mal-estar criado pelas declarações do presidente argentino Javier Milei na Convenção do PL que aconteceu no último final de semana e as possíveis punições após uso de um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro criado por inteligência artificial no mesmo evento. O Canal Livre recebe o senador pelo Rio de Janeiro e candidato à presidência da República pelo Partido Liberal, Flávio Bolsonaro.   

Participam como entrevistadores os jornalistas Fernando Mitre, Adriana Araújo e Eduardo Oinegue e o cientista político, Fernando Schüler. A apresentação é de Rodolfo Schneider.

domingo, 2 de agosto de 2026

"A maldição de Pelé", por Fernando Schüler (Estadão)

Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 2 de agosto de 2026

A maldição de Pelé

Nos anos 70, jogador sugeriu que o ‘povo’ não teria condições de votar ‘por falta de prática, de educação’ e pela curiosa mania de votar ‘por amizade’ nos candidatos. Fernando Schüler para o Estadão:

Há temas que não se resolvem na vida brasileira. O espaço é curto, mas vou tratar de três deles aqui. Os três lidam com o tema da “governança” brasileira e, por certo, afetam a qualidade de nossa democracia. O primeiro é um velho incômodo brasileiro: a desproporcionalidade do voto. Se você for um cidadão de Roraima, seu voto tem um peso 7,1 vezes maior que o voto de seu primo distante, que vive em São Paulo. Se você morar no Amapá, seu voto pesa perto de 5,3 vezes mais do que o de seu quase vizinho, logo ali no Amazonas. E por aí vamos.

De longe, o Estado mais prejudicado nesta equação é São Paulo. A raiz disso vem do fundo de nossa história republicana, e foi um modelo consolidado à fórceps no Pacote de Abril, em 1977, para proteger a Arena, no regime militar. E depois, curiosamente, consagrado pela nossa democracia, na Constituinte e na lei de 1993. Tudo com direito a uma distorção adicional, na prática mantida pelo Congresso e pelo Supremo, no ano passado, fruto da mudança populacional.

Estados como Pará e Santa Catarina deveriam ter quatro deputados a mais, mesmo dentro das atuais regras. Mas deixamos passar, uma vez mais.

Isto não é uma trivialidade. É uma afronta à regra mais elementar das democracias - uma pessoa, um voto - e ao princípio da igualdade entre os cidadãos, que está na base da Constituição. Além disso, impacta diretamente a alocação de recursos públicos.

Um estudo publicado pelo Ipea mostrou como, entre 1997 e 2010, os Estados sobrerrepresentados no Congresso receberam, em média, 55% mais recursos de emendas parlamentares por habitante do que os Estados sub-representados.

Nos anos recentes, quando parte relevante das emendas passou a ser de execução obrigatória e o volume alocado literalmente explodiu, chegando a perto de R$ 58 bilhões em 2025, é plausível supor que este impacto tenha se tornado mais direto e decisivo para os Estados e para os cidadãos.

A distribuição de recursos não é, porém, o problema mais complicado. O ponto é a possibilidade de alteração artificial do perfil político do Congresso, da composição dos partidos e do impacto nas decisões estratégicas do País.

Muita gente diz que não dá para mudar isto porque haverá “muita gente de São Paulo” na Câmara. E, por aí, haveria um problema. Errado. A representação federativa é função primordial do Senado, e não da Câmara. Há aqui um elemento normativo. Se, de fato, achamos que a representação proporcional faz sentido na democracia, é preciso que isto seja tratado com alguma seriedade.

Uma segunda reforma que deveríamos fazer, e para ontem, é o fim do voto obrigatório. É um tema que toca no coração de nossa cultura política paternalista. Alguns dizem que a culpa é do Pelé, que, em uma entrevista perdida, nos anos 70, sugeriu que o “povo” não teria condições de votar “por falta de prática, de educação”. E pela curiosa mania de votar “por amizade” nos candidatos.

A ideia do Pelé funciona como uma maldição. Muita gente pensava assim antes dele e continua pensando, décadas depois. Perdi a conta de quantas vezes escutei coisas parecidas, ditas de um jeito mais elegante, em seminários e debates, País afora. “Não estamos preparados”, não temos “maturidade”, os mais “pobres” não vão sair de casa, e por aí adiante.

Pois bem, agora vamos votar pela décima vez para presidente. Já votamos algumas dezenas de vezes depois daquela entrevista do Pelé, de modo que já “praticamos” bastante. E desconfio que hoje votamos mais por “inimizade” do que por qualquer coisa, dado o ódio generalizado que observamos no debate público, em especial no mundo digital.

Não importa. O voto é um direito, e não parece razoável imaginar que tenhamos de votar mais dez ou 22 vezes para alguém achar que já estamos maduros para decidir se queremos exercer ou não este direito.

A terceira reforma que deveríamos fazer é eliminar integralmente o dinheiro público das campanhas eleitorais. Dinheiro público, aqui, é um velho e conhecido eufemismo: trata-se de obrigar o cidadão a colocar a mão no bolso e pagar a conta de campanhas eleitorais.

O Brasil, com seu fundão eleitoral, é um dos países que mais colocam dinheiro público em campanhas e políticos. O argumento para isto é um perfeito truque: a ideia de que se está produzindo “igualdade” na disputa política. Na prática, é o contrário. Não apenas os maiores partidos ficam com a maior parte do bolo, como os políticos com mandato e maior destaque ficam com o maior quinhão dentro dos partidos.

É lógico que isto aconteça. E isto desequilibra o jogo político. Além disso, há um efeito perverso do dinheiro sobre a política: gente que vai para a máquina partidária pelo dinheiro, não pela vocação; a atração de políticos pela oferta de recursos para campanhas; o reino do marketing de luxo e seu mundo da fantasia.

Estas três reformas têm um ponto em comum: elas colocam o “cidadão comum”, o “eleitor ordinário”, o pagador de impostos, no centro do jogo. Isso a partir de ideias simples. O voto de todos é igual; é você que decide se quer ou não votar. E também se acha que vale ou não apoiar o crowdfunding de um partido ou candidato. No fundo, é um jeito de ir enterrando aquela frase do Pelé, na qual muita gente boa ainda acredita, de que, de alguma forma, somos incapazes para a vida política. Isto não é verdade depois de tanto tempo de vida democrática. O que somos é um País com corporações fortes o suficiente para plantar narrativas e bloquear reformas sistematicamente, a começar pelo próprio sistema político, em benefício próprio. E é isto que precisamos superar.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi blogspot com