Mostrando postagens com marcador ISRAELENSES - PALESTINOS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ISRAELENSES - PALESTINOS. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 24 de julho de 2025

De cardeal a ex-dirigente do Mossad: guerra em Gaza tem que acabar.


Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 24 de julho de 2025

De cardeal a ex-dirigente do Mossad: guerra em Gaza tem que acabar.

É possível apoiar Israel e ao mesmo tempo apontar como é insustentável uma situação na qual pessoas esfomeadas são mortas ao buscar comida. Vilma Gryzinski:

“Moralmente inaceitável e insustentável”. Estas foram as palavras fortes do cardeal Pierbattista Pizzaballa sobre a situação em Gaza. Como ele se ofereceu para ficar no lugar nas crianças tomadas como reféns pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, tem estofo moral para dizer isso. Por motivos diferentes, ele não está sozinho na avaliação tanto do graves problemas causados pela guerra em Gaza, sobretudo envolvendo moradores desesperados para conseguir alimentos distribuídos para suprir a falência sistêmica do território, quanto na deterioração da imagem de Israel.

Os erros do governo de Benjamin Netanyahu pertencem tanto à categoria dos inevitáveis, numa situação de extrema complexidade como a de Gaza – como permitir que o Hamas retorne ao status anterior ao do massacre de 1,2 mil pessoas em Israel? – quanto dos desnecessários, produzidos por negligência ou falta de compreensão dos aspectos envolvidos.

Por que, por exemplo, permitir que o relacionamento com setores cristãos vitais para Israel, como os evangélicos americanos, se deteriorasse a ponto de o embaixador Mike Huckabee falar em retaliação?

Huckabee ficou exasperado com a relutância de autoridades israelenses em dar vistos para peregrinos evangélicos visitar a Terra Santa – sendo que o próprio embaixador é um pastor que chefiou muitas dessas viagens. O assunto foi resolvido apenas depois que ele passou uma reprimenda pública.

TIRO NA CRUZ

Também foi só por intervenção de Donald Trump que Netanyahu mandou emitir uma nota lamentando o bombardeio da única igreja católica de Gaza, uma construção modesta onde centenas de pessoas se refugiavam, incluindo portadores de necessidades especiais. É difícil acreditar que um tiro de canhão quase tenha arrancado a cruz no alto da igreja da Sagrada Família por um erro de cálculo.

“Eles dizem isso, mas ninguém acredita”, já declarou Pizzaballa, que tem o título de Patriarca de Jerusalém e cujo nome se tornou conhecido como um dos candidatos cogitados para ser eleito papa durante o conclave de maio passado.

O cardeal católico e o patriarca ortodoxo Teófilo III visitaram a igreja, obtendo uma raríssima autorização para entrar em Gaza.

As relações de Israel com a Igreja Católica não são nada simples e pioraram durante o papado de Francisco. Mas não é preciso ter uma visão antagônica à de Israel, bem acusá-lo de genocídio como vergonhosamente está fazendo o governo brasileiro, para ver como a situação em Gaza mina o país e causa iniquidades.

PERCEPÇÃO GLOBAL

Rami Igra, que foi da divisão de reféns e desaparecidos do Mossad, disse numa entrevista que a reputação do país é corroída pela guerra e é preciso sair dela da melhor forma possível. “Estamos sendo pintados como opressores de pessoas e exterminadores de crianças. Quer seja real ou fabricada, é esta a percepção global. Netanyahu não entende isso”, postou ele.

Na sua visão, o Hamas acabará conseguindo dos americanos garantias firmes de que a guerra vai terminar – exatamente sua reivindicação principal.

Ele também faz uma análise de extremo realismo sobre as opções à frente de Israel: “O Hamas é uma ideologia religiosa que não pode ser desmantelada pela força. Tem que ser desfeito por um processo de longo prazo, não meramente pela melhoria das condições econômicas, mas pela criação de um governo alternativo em Gaza”.

Antes, é preciso melhorar a administração da ajuda e evitar os tristes casos de desnutrição que são usados como propaganda pelo Hamas, mas também têm raiz na realidade. O sistema atual obviamente não está funcionando.

MOSAICO INTRINCADO

Massas de palestinos desesperados não seguem as rotas e as regras da distribuição de alimentos. Avançam desesperados e as forças de Israel, sentindo-se sob ameaça, disparam contra eles, com resultados trágicos. Mais de mil pessoas já foram mortas assim.

As forças israelenses não são treinadas nem equipadas para fazer controle de multidões. “Israel simplesmente não pode ter seus soldados, por acreditarem verdadeiramente que estão em perigo ou por falta de meios não-letais, matando numerosos civis em Gaza diariamente. Isso é imoral e indefensável”, escreveu David Horovitz no Times of Israel.

É bom para o futuro de Israel que estas palavras, além de ditas, sejam ouvidas. Ter uma discussão sobre o que é moral ou não é numa guerra é o que distingue Israel de todos os outros componentes do mosaico infinitamente intrincado do Oriente Médio.

Exibir força é um dos fundamentos da sobrevivência nessa região, mas os judeus têm também mandamentos morais aos quais não podem escapar. Não é um assunto que pertença apenas a Israel, pois eles são um dos pilares da civilização judaico-cristã. Dessa maneira, estamos todos envolvidos.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi blogspot com

sábado, 13 de abril de 2024

Estão mortos os reféns do terrorismo palestino?

Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 12 de abril de 2024

Estão mortos os reféns do terrorismo palestino?

Grupo terrorista estaria fingindo negociar com Israel para soltar quarenta reféns, mas pode ser que nem estejam mais vivos. Vilma Gryzinski:

Pelas contas de Israel, 97 reféns estavam vivos e mais 36 tinham morrido – os corpos também valem como moeda de troca. As complexas negociações de cessar-fogo, incluindo Catar e Egito como intermediários, envolviam, numa primeira etapa, a libertação de quarenta reféns, dos quais as catorze mulheres ainda no cativeiro, idosos e doentes. Os demais homens, civis ou militares, ficariam para outra etapa.

Mas tudo parece ter sido negociado de má fé. Fontes americanas que falaram com a CNN, o Wall Street Journal e o Washington Post coincidiram na mesma direção: informações provenientes do Hamas indicam que o grupo terrorista não tem sequer uma lista com quarenta nomes para apresentar.

“Fontes israelenses e americanas calculam, em particular, que o número de mortes pode ser muito maior”, diz a reportagem do Journal.

As fontes da CNN traçaram o seguinte quadro: “O Hamas indicou aos mediadores internacionais, que incluem Catar e Egito, que não tem quarenta reféns vivos” para fazer a primeira troca por palestinos condenados por atos de terrorismo presos em Israel.

Não é impossível que alguns reféns tenham sido mortos nos bombardeios israelenses e outros vitimados por maus tratos, em especial por causa de ferimentos sofridos quando capturados. Hersh Goldberg-Polin, por exemplo, teve metade do braço arrancada por uma granada. Ele estava na rave de música eletrônica atacada em 7 de outubro e foi filmado sendo levado para Gaza, com o grave ferimento.

Alguns reféns feridos foram tratados em hospitais dominados pelo Hamas e a Jihad Islâmica, sofrendo operações sem anestesia. Era um sinal de que o Hamas tinha interesse em mantê-los vivos, como moeda de troca. Isso pode ter mudado.

“EU SOU MAU”

Também corria outra especulação: o Hamas não libertaria as jovens ainda cativas para que não revelassem os abusos sexuais a quem foram submetidas.

O precedente criado por Amit Soussana dá algumas pistas. Ela foi libertada na troca ocorrida em novembro, com mais cem pessoas. Em março, deu um longo depoimento ao New York Times contando como foi obrigada por seu carcereiro, debaixo do murros e com uma arma apontada para a cabeça, a praticar um ato sexual (“Eu sou mau, sou mau, não conte para Israel o que fiz”, lamentou o homem que ela chamava de Mohammad depois do abuso). Ela também foi espancada por outros carcereiros durante uma hora numa espécie de pau de arara improvisado, entre duas poltronas.

Outras reféns libertadas encontraram em diferentes lugares dos cativeiros jovens que contaram ter sofrido abusos múltiplos. Algumas pediram até que isso não fosse contado, para poupar as famílias.

Uma parte dos parentes de reféns se uniu aos manifestantes que protestam contra o governo de Benjamin Netanyahu e culpam o primeiro-ministro por não ter negociado logo a libertação deles. É uma acusação errada, embora perfeitamente compreensível diante do horror de pensar o que é ter uma filha ou irmã no cativeiro em Gaza.

MÁS NOTÍCIAS

As negociações sobre os reféns continuam, mas sem motivos conhecidos para otimismo. A morte dos três filhos e quatro netos de Ismail Hanyeh, líder da ala política que vive no conforto luxuoso do Catar, não ajuda o processo. E, acima de tudo, Israel vive um clima de altíssima tensão pelas ameaças do Irã de retaliar pelo assassinato de seu mais importante representante militar na Síria e no Líbano.

Se o Irã mandar, o Hamas obedece e interrompe qualquer tipo de negociação. E o interesse do Irã no momento é tumultuar o processo. Uma retaliação iraniana, direta ou indireta, levaria Israel a um outro patamar de conflito, obscurecendo até uma causa tão importante para todo o país como a salvação das vítimas capturadas há seis meses.

As declarações em off sobre o destino dos reféns podem ser uma forma de preparar a opinião pública para más notícias. Da mesma forma, está sendo disseminada pela imprensa americana uma onda de informações sobre a iminência de um ataque iraniano. Joe Biden, que tem lamentavelmente deixado a questão dos reféns de lado, usou duas vezes a palavra “inquebrantável” para definir o compromisso dos Estados Unidos com a segurança de Israel.

Se o Irã atacar, Israel vai retaliar a retaliação, conduzindo ao “momento mais perigoso do Oriente Médio desde 1973”, quando houve a Guerra do Yom Kippur, na definição de Marco Rubio, vice-presidente da Comissão de Inteligência do Senado americano, posição em que recebe relatórios secretos dos serviços de inteligência.

O jogo vai ficando muito mais pesado – e os reféns vão perdendo o protagonismo. Uma realidade terrível da dinâmica que passou a vigorar, inexoravelmente, desde o ataque de 7 de outubro do Hamas.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi blogspot com

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

‘Crimes sexuais sádicos’ do Hamas contra mulheres, homens e crianças

Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 22 de fevereiro de 2024

‘Crimes sexuais sádicos’ do Hamas contra mulheres, homens e crianças.

O relatório feito por uma associação de Israel especializada em violência sexual resume o que se sabe até agora sobre esse tipo de crime cometido pelo grupo. Vilma Gryzinski:

Estupros coletivos, castrações, mutilações, violações praticadas diante de familiares, inserção de armas nos genitais, “incluindo pregos, granadas e facas”.

É difícil ler o relatório – preliminar, pois muitos crimes continuam sem ser revelados – da Associação de Centros de Crise, dedicada a atender casos de estupro em Israel. O documento foi encaminhado à ONU, na esperança de que as atrocidades desse tipo, cada vez mais empurradas para o esquecimento, não acabem ignoradas.

Muitos dos crimes relatados já apareceram em reportagens, sendo a mais completa delas a do New York Times datada de 28 de dezembro passado.

Outros relatos feitos por profissionais são protegidos pelo sigilo. Segundo o Times, havia quatro sobreviventes das violações, três mulheres e um homem. É possível que outros casos tenham surgido desde então. Também é muito possível que os estupros continuem a ser praticados contra reféns.

TERROR E HUMILHAÇÃO

“Eu vi com os meus próprios olhos”, contou Aviva Siegel, refém libertada em novembro, sobre a convivência por alguns dias com seis jovens mantidas num grupo separado, vestidas com “roupas impróprias” como se fossem bonecas dos raptores, segundo a comparação que fez.

“Os rapazes também sofriam abusos”, disse ela.

O relatório da Associação de Centros de Crise reuniu testemunhos dessa natureza e identificou os quatro pontos onde foram – ou continuam a ser – praticados: o festival Nova de música eletrónica, os kibutz e outras localidades fronteiriças dominadas pelos invasores, as bases das Forças de Defesa de Israel na área e os lugares para onde crianças, mulheres e homens foram levados, sendo que mais de cem continuam em cativeiro.

“A organização terrorista Hamas escolheu atingir o Estado de Israel com duas estratégias claras: tomar cidadãos como reféns e crimes sexuais sádicos. Não podemos mais silenciar”.

As práticas sádicas tinham por objetivo “aumentar o grau de terror e humilhação inerente à violência sexual. Muitos corpos de vítimas foram encontrados algemados e amarrados. Os genitais de homens e mulheres foram brutalmente mutilados, às vezes com armas alojadas neles”. Na reportagem do Times, é citado o caso do corpo de uma mulher encontrado com dezenas de pregos cravados nas coxas e na virilha.

“MINHA FILHA”

Os crimes sexuais provocam, em todas as culturas, enorme repúdio por sua natureza disruptiva: além das vítimas, toda a família e o círculo social são abalados por falharem no contrato tácito de não permitir esse tipo de abuso.

Cometê-los diante de cônjuges, pais e filhos, como constatou a Associação, tem o objetivo de “solapar a dignidade e a masculinidade dos homens que não conseguem proteger suas mulheres, bem como instilar o medo”.

Antes que passassem a ser negados, com cinismo habitual e até a invocação de proscrição religiosa, muitos dos crimes ficaram registrados em fotos tiradas das vítimas por invasores do Hamas. Outros foram inferidos por imagens como as da jovem Naama Levy, algemada, com ferimentos no rosto, nos braços e nas pernas, além de sangue na área genital aparecendo em sua calça de moletom.

“Todo mundo viu o vídeo, a garota que aparece nele é minha filha”, já disse a mãe de Naama, a médica Ayelet Levy Sashar.

MARGEM DE AÇÃO

A questão dos reféns está provocando sérias divisões internas em Israel. A maioria das famílias, obviamente, quer que o governo faça qualquer tipo de concessão para conseguir tirá-los do cativeiro – mesmo sem garantias de que o Hamas vá entregar o mais poderoso instrumento de pressão que jamais teve.

A opinião pública está dividida entre aceitar concessões em nome da libertação das vítimas mantidas no cativeiro há quatro meses e meio e os que acham mais importante eliminar a capacidade de agressão do Hamas.

Como já era previsto, a margem de ação dada pelos Estados Unidos para Israel destruir os agressores, até onde isso fosse possível, já está se esgotando.

São questões de vida ou morte, literalmente, que se impõem pelo caráter urgente. Lamentavelmente, o 7 de outubro vai ficando mais distante e o discurso antissemita ressurge, apresentando a reação de Israel como “uma guerra entre um Exército altamente preparado e mulheres e crianças”.

O Hamas desaparece do cenário, assim como as mulheres e crianças violentadas, torturadas, mutiladas e assassinadas em Israel. O grito silencioso é expurgado da consciência dos que se consideram virtuosos e justos.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi blogspot com

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Este soldado foi decapitado e a cabeça colocada à venda...

Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 22 de janeiro de 2024

Este soldado foi decapitado e a cabeça colocada à venda. É possível a paz com terroristas?

Aumentam as pressões do governo americano para Israel aceitar um acordo incluindo Estado palestino, mas atrocidades foram horríveis demais. Vilma Gryzinski para a Veja:

Adir Tahar tinha apenas 19 anos quando foi morto por terroristas do Hamas que invadiram comunidades fronteiriças israelenses em 7 de outubro. Seu pai, David, recebeu o corpo e não seguiu o conselho dos militares que o entregaram. Meia hora antes do enterro, abriu o caixão e viu que, além de destroçado por granadas, o corpo também estava sem cabeça. “Um pai precisa saber tudo sobre os filhos”, argumentou.

Em vez de se fechar no luto indescritível que uma morte assim provoca, David Tahar começou a fazer de tudo para tentar recuperar e dar enterro digno à cabeça desaparecida. Viu horas e mais horas de vídeos hediondos, na maioria feita pelos terroristas. Num deles, aparecia o corpo decapitado do filho.

Em dezembro, aconteceu um “milagre”, segundo ele: um terrorista preso revelou em interrogatório que havia decapitado um soldado e tentado vender a cabeça por 10 mil dólares. Uma unidade especial do exército foi ao local em Gaza indicado pelo preso. Lá, num freezer horizontal, num saco cheio de bolas de tênis, estava a cabeça. Depois de exames de DNA, David Tahar recebeu a cabeça mutilada do filho para um segundo enterro.

“É simplesmente uma barbárie ensandecida”, tentou resumir ele.

A história é horripilante, mas precisa ser contada, inclusive porque ajuda a entender a grande virada que aconteceu em Israel depois das atrocidades praticadas pelo Hamas.

TEMPESTADE PERFEITA

Numa pesquisa feita em 2012, 61% dos israelenses apoiavam a criação de um Estado palestino e 30% eram contra. A mesma pergunta, feita no mês passado, foi respondida com uma guinada completa: 65% são contra e 25% a favor.

Qual político israelense teria condições de defender a criação desse Estado, mesmo que em troca fossem libertados os reféns levados para Gaza, a Arábia Saudita normalizasse relações com Israel e todo um processo de garantias de segurança fosse implantado?

A resposta, no momento, é que nenhum líder conseguiria fazer isso. Muito menos, claro, Benjamin Netanyahu, que sempre foi contra. De maneira terrível, as atrocidades de 7 de outubro convenceram muitos israelenses que ele tinha razão: uma entidade palestina armada vizinha a Israel é um risco existencial que o país não pode correr. “Em todos os lugares em que nos retiramos, só tivemos terror em troca”, disse o primeiro-ministro.

Israel “precisa ter o controle de segurança de todo o território a oeste do rio Jordão; isso colide com a ideia de soberania, o que eu posso fazer? Eu digo a verdade para nossos amigos americanos”, repetiu ele diante das novas pressões do secretário de Estado americano, Antony Blinken, para que seja montada uma rota de paz com concessões mútuas.

Muitos analistas consideram que Netanyahu já era e não vai aguentar a tempestade perfeita que se acumulou em torno dele: a responsabilidade final pelo despreparo do 7 de outubro, as tensões internas do gabinete de guerra, a rejeição da opinião pública e as pressões dos Estados Unidos para que aceite uma Autoridade Palestina “revigorada” assumindo a jurisdição civil de Gaza e, claro, um “horizonte”, como diz Blinken, sobre um futuro Estado.

Só para dar uma ideia de como as coisas vão mal com “nossos amigos americanos”: Joe Biden passou 27 dias sem falar com Netanyahu.

RACHAS INTERNOS

E quem vai tomar conta do governo de Gaza em matéria de manter serviços públicos, pagar funcionários, vacinar as crianças e outras atividades administrativas que precisarão ser retomadas quando a guerra amainar? Netanyahu também não quer discutir a respeito – principalmente porque, no caso de qualquer concessão, perderia o apoio da ultradireita com a qual fez a coalizão que o sustenta.

Os rachas internos estão aumentando, em especial com os dois únicos oposicionistas que aceitaram integrar um governo de emergência, Benny Gantz e Gadi Eiseinkot, ambos ex-chefes do estado maior das forças armadas. Eisenkot, que perdeu um filho e um sobrinho quase ao mesmo tempo em Gaza, já disse que o país tem que fazer eleições ainda este ano. Ele também afirmou que é “uma ilusão” achar que os reféns serão libertados vivos através da pressão militar.

Gantz aparece nas pesquisas como o favorito para ser primeiro-ministro. Ele é um centrista que poderia ter mais flexibilidade em relação a um grande acordo para superar os impasses quase impossíveis do momento, mas conquistar a opinião pública é outra coisa.

“Nenhum israelense em seu juízo perfeito está pensando em processos de paz agora”, disse em Davos o presidente Isaac Herzog. Sem poder quase nenhum, mas com autoridade moral, Herzog, de tradição de centro-esquerda, resumiu o estado de espírito da maioria da nação depois do 7 de outubro: “Todo israelense quer saber se não será atacado da mesma maneira pelo norte, pelo sul ou pelo leste”.

Ou seja, se barbaridades como o caso do soldado decapitado cuja cabeça foi colocada à venda não se repetirão.

Sem o controle total, ninguém pode garantir isso. Com o controle total, não existe “horizonte” para acordos de paz e o ciclo da violência tenderá a se repetir. Esta é a dura realidade.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi blogspot com

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Civis israelenses se armam: relatos de violência sexual se acumulam.

Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de  7 de dezembro de 2023

Civis israelenses se armam: relatos de violência sexual se acumulam.

O trauma nacional com o ataque do Hamas, em meio a novas revelações sobre estupros, leva pessoas comuns a tentar se proteger. Vilma Gryzinski:

Há um ano, havia pendentes 42 pedidos de licença de porte de arma em Israel. Hoje são mais de 150 mil. É um dado estarrecedor sobre o estado de choque – e profunda insegurança – que os ataques de 7 de outubro provocaram.

Mostram também a mudança de política: o governo está incentivando os civis a se armarem. O ministro do Interior, Itamar Ben Gvir, de extrema-direita, propôs distribuir armas à população civil. Ele disse que agora são dadas três mil autorizações de porte, pedidas pela internet, por dia.

Ao contrário de que muitos supõem, a imagem de rapazes e garotas andando com suas Uzi a tiracolo – como na rara foto acima, da jovem passeando em Jerusalém – quando estavam de folga do serviço militar era coisa do passado. Para prevenir suicídios, as Forças de Defesa proibiram que os soldados levassem os fuzis para casa. O número de suicídios caiu 57%.

Também foram apertados os controles de porte de armas: ter acima de 21 anos para quem fez serviço militar e de 27 para os outros, passar por avaliação psicológica, comprovar que mora em área de risco – como as comunidades judaicas implantadas em território palestino – eram algumas das limitações.

Os atentados, geralmente a facadas, feitos isoladamente por palestinos em tempos recentes, levaram ao relaxamento de algumas das restrições. Depois do 7 de outubro, com 1 200 pessoas mortas num único dia, houve um verdadeiro tsunami de mudanças.

“COISAS DIFÍCEIS”

Homens e mulheres estão buscando meios para a autodefesa, sob o impacto de revelações que não param de aumentar mesmo dois meses depois do ataque. Como defensores do Hamas passaram a sustentar que os hediondos abusos sexuais infligidos eram “inventados”, o governo israelense passou a liberar alguns testemunhos que eram mantidos sob sigilo, como forma de proteção às vítimas de estupros, mesmo depois de mortas.

Entre as revelações, a de que pelo menos dez reféns israelenses libertados em troca de prisioneiros palestinos sofreram abusos. As vítimas foram homens e mulheres. Como só um homem adulto, um refém com cidadania russa, foi solto, num gesto de “boa vontade” em relação a Moscou, é de se supor que menores do sexo masculino também foram abusados.

A revelação foi feita por um médico que atendeu reféns libertados e bate com testemunhos dados durante uma reunião na terça-feira dos membros do governo de emergência e pessoas soltas durante a trégua temporária.

A ex-refém Aviva Siegel disse que mulheres “eram tocadas” pelos guardas do Hamas. Outras também descreveram “as coisas difíceis que estão acontecendo dentro dos túneis”, segundo o diretor de um grupo de representação dos reféns.

Outros testemunhos são espantosamente chocantes. Um deles, socorrista, contou ter encontrada uma mulher amarrada na cama em sua casa “com uma faca na vagina e todos os órgãos internos removidos”.

As violências foram tão monstruosas que provocaram o suicídio de uma pessoa que testemunhou ataques feitos na área do festival de música eletrônica onde 370 pessoas foram mortas.

CARA DE ANJO

Uma das raras testemunhas que permitiram a divulgação de sua identidade foi Yoni Saadon, de 37 anos. Ele sobreviveu fingindo-se de morto, debaixo de arbustos, depois de passar por seu corpo o sangue de uma jovem assassinada a seu lado, segundo relatou ao Times de Londres.

“Nunca esquecerei seu rosto. Todas as noites acordo pensando nela e pedindo perdão”.

Outras cenas testemunhadas por Saadon são mais hediondas ainda. Ele viu uma mulher “com cara de anjo e oito ou dez terroristas batendo nela e a violentando”.

“Quando terminaram, estavam rindo e o último disparou na cabeça dela”.

Saadon também viu uma jovem “acuada perto de um carro que resistia e não deixava que arrancassem sua roupa”.

“Ela foi jogada no chão e um dos terroristas pegou uma pá e a decapitou. A cabeça dela rolou pelo chão. Eu também vejo essa cabeça”.

CULTO AO HORROR

Os estupros hediondos e outras monstruosidades provocam tamanha reação de repúdio que o Hamas na terça-feira divulgou um desmentido das acusações, atribuindo-as a “campanhas sionistas para promover mentiras infundadas e alegações para demonizar a resistência palestina”.

Desde que surgiu, em 1987, o Hamas se dedicou ao terrorismo “clássico”: atentados a bomba e a bala contra israelenses, entre chuvas de foguetes geralmente interceptados pelo sistema Cúpula de Ferro e combates assimétricos quando Israel entrava em Gaza.

O que provocou a violência em nível de barbárie praticamente sem precedentes no mundo contemporâneo?

Os antecedentes estabelecidos pelo Estado Islâmico, com uma espécie de glamourização da violência certamente contaram. Os vídeos transmitidos ao vivo por elementos do Hamas através de câmeras Go Pro mostram como esse culto ao horror se disseminou e suplantou os pioneiros do Isis.

Mas o mais importante é que o 7 de outubro foi a primeira vez que o Hamas se viu, durante quase um dia inteiro, no controle de comunidades agrícolas e instalações militares. Matar, mutilar, decepar seios e atirar nos genitais de homens e mulheres viraram uma espécie de orgia de violência, celebrada com risadas e euforia. Como não lembrar do terrorista que ligou para os pais e proclamou: “Papai, seu filho é um herói. Matei dez judeus com minhas próprias mãos”?

E como não entender que tantos israelenses estejam correndo para se armar, tendo visto o que aconteceu quando foram pegos desprevenidos e o Estado não cumpriu seu dever mais essencial, o de manter os cidadãos vivos?

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi blogspot com

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

‘Você não tem vergonha?’, perguntou refém idosa ao chefe do Hamas.


 Publicação compartilhada do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 30 de novembro de 2023

‘Você não tem vergonha?’, perguntou refém idosa ao chefe do Hamas.

Como os reféns israelenses foram tratados? Aos poucos, emergem histórias como a de Yosheved Lifshitz que vão formando um quadro.  Vilma Gryzinski:

São poucas as forças no mundo que se equiparam à de uma avó judia. Depois de irritar o governo israelense por cumprimentar um brucutu do Hamas e desejar “Shalom”, como boa militante pacifista, ao ser libertada, antes da atual troca de reféns por prisioneiros palestinos condenados por terrorismo, Yosheved Lifshitz, de 85 anos, fez uma revelação impressionante: Yahya Sinwar, o chefe político do Hamas, esteve com o grupo de capturados do qual ela fazia parte.

“Sinwar esteve conosco por três ou quatro dias”, contou ela. “Eu perguntei como ele não tinha vergonha de fazer uma coisa assim com pessoas que durante anos apoiaram a paz. Ele não respondeu. Ficou calado”.

A pergunta revela uma ingenuidade, a de achar que o Hamas faz alguma distinção entre israelenses que militam no pacifismo, como tantos dos kibbutz atacados no 7 de outubro, e os de linha dura. Para o Hamas, obviamente, todos são judeus – e foram mutilados, incinerados, fuzilados e outras barbaridades do mesmo jeito.

Yosheved durante anos ajudou pessoas doentes de Gaza a buscar tratamento médico em Israel. Quando foi solta, em 24 de outubro, com outra refém idosa, ela provocou uma crise interna no governo ao dizer , numa coletiva descontrolada, que tinha sido tratada com “atenção” e “gentileza” – bem diferente das pauladas que levou na moto em que foi levada ao cativeiro. A entrevista foi considerada um desastre de relações públicas para o governo.

A MENINA QUE SUSSURRA

Mas as indômitas velhinhas continuam falando. Ruti Munder, de 78 anos, solta na segunda-feira, disse, que no começo, a comida era boa -“arroz com frango, enlatados, queijo”. Depois, quando a situação de Gaza deteriorou-se, piorou. Ela soube que o filho tinha sido morto no ataque do Hamas ouvindo a rádio de Israel. O local do cativeiro mudava para evitar que os israelenses localizassem reféns. Ruti dormiu em bancos de plástico do tipo de sala de espera, coberta com um lençol, com os “meninos dormindo embaixo porque queríamos que ficassem perto de nós”.

Nem esse consolo teve Eitan Yahalomi, de apenas doze anos. Segundo uma tia, Debora Cohen, ele passou dezesseis dias isolado no início do cativeiro e apanhou de pessoas na rua ao chegar lá. Foi obrigado a ver um filme com atrocidades do massacre que “ninguém suportaria assistir”.

“Toda vez que uma criança chorava, eles ameaçavam com armas para calá-la”, disse a tia.

A intimidação sobre as crianças ganhou um exemplo tocante dado pelo pai da pequena Emily, de nove anos. Thomas Hand contou que não conseguia ouvir a filha quando ela foi solta, porque ela “tinha sido condicionada a sussurrar”. Os raptores exigiam silêncio. Quando perguntou quanto tempo achava que tinha ficado no cativeiro do Hamas, a menina respondeu: “Um ano”.

Também há a suspeita de que Danielle Aloni, a mãe de outra menina, a quase xará Emilia, de cinco anos, foi obrigada escrever uma carta agradecendo aos captores pela “humanidade extraordinária” e o tratamento que a fez sentir “como uma rainha”.

CRISE NACIONAL

Irá a troca de reféns por prisioneiros continuar depois da prorrogação da atual trégua? Esse é um dilema para o governo: a cada dia que recebe um grupo de libertados, o Hamas ganha mais prazo para se reorganizar. As imagens que filma dos reféns sendo entregues à Cruz Vermelha mostram a organização terrorista no controle, com homens – e mulheres – bem armados e equipados e uma imagem até benevolente. “Continue acenando” disse um deles a uma refém, interessado em manter a farsa do bom tratamento.

Como o governo israelense pode interromper a troca e retomar os ataques a Gaza, em cumprimento da promessa de neutralizar o Hamas, sem provocar uma crise nacional? É uma decisão quase impossível. As famílias das pessoas que continuam sequestradas obviamente querem que as trocas continuem e contam com uma forte solidariedade da opinião pública.

A trégua foi prorrogada pelo dia de hoje e acaba amanhã – mas isso, evidentemente, muda ao sabor das circunstâncias.

ESPÍRITO COLETIVO

Só a linha duríssima foi contra a troca. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, deu os três votos que tem no gabinete, num total de 38 ministros, contra o processo e alertou que tudo terminaria em “desastre”. Agora, ameaça pedir demissão – e derrubar o governo -, se a guerra não for retomada.

Ele lembrou como exemplo de erro gravíssio o caso de Gilad Shalit, soldado sequestrado trocado em 2006 por 1 027 prisioneiros palestinos, inclusive o próprio Yahya Sinwar, que comandou as negociações da cadeia onde passou 22 anos.

Sinwar aprendeu hebraico e o funcionamento da política e da sociedade de Israel. Sabe que existe um forte espírito coletivo, conectado ao desamparo extremo que cercou as vítimas do Holocausto, de não deixar nenhum preso abandonado, imagine-se criancinhas e idosas.

Está aplicando esses conhecimentos, em combinação com o Catar, para manipular Israel. Toda a cúpula israelense sabe disso muito bem. Só não tem respostas fáceis. Tudo é absurdamente difícil nessa crise.

Um exemplo chocante: a afirmação do Hamas de que os irmãos Kfir e Ariel e sua mãe, Shiri Bibas, foram mortos num bombardeio israelense. A argentina Shiri desesperada com o sequestro, abraçada aos filhos, de cabelo muito ruivo, foi uma das imagens chocantes do 7 de outubro. O Hamas dizia até agora que eles estavam com outro grupo armado.

Kfir completou dez meses durante o cativeiro. Ainda vive? Foi mesmo morto? São perguntas dolorosas, de rasgar o coração – e fazer lembrar, para os esquecidos, que foi o Hamas que começou tudo isso.

Texto e imagem reproduzidos do blog otambosi blogspot com

terça-feira, 7 de novembro de 2023

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Israel-Palestina: entenda como começou este conflito histórico centenário







Texto compartilhado da revista EXAME, de 14 de outubro de 2023

Israel-Palestina: entenda como começou este conflito histórico centenário

História remete há mais de cem anos: enquanto a brutalidade se alonga, com denúncias da ONU de crimes de guerra de ambos lados, muitos se perguntam quando e como isso chegará ao fim

O conflito Israel-Palestina provocou dezenas de milhares de mortos e deslocou milhões de pessoas desde o seu início, com raízes na colonização britânica da região há mais de um século. A atenção se voltou mais uma vez para ele após o ataque do grupo terrorista Hamas a Israel no dia 7, que surpreendeu o mundo pela facilidade de transpor as fronteiras até então vistas como intransponíveis de Israel.

A nova ofensiva do grupo terrorista deixou mais de 900 israelenses mortos em várias cidades do sul de Israel. Jerusalém respondeu decretando um estado de guerra contra o Hamas e bombardeando a Faixa de Gaza. O enclave foi cercado e mais de 1 1 mil palestinos morreram até esta quarta-feira, 11. Enquanto a brutalidade se alonga, com denúncias da ONU de crimes de guerra de ambos lados, muitos se perguntam quando e como isso chegará ao fim.

Durante décadas, jornais, historiadores, especialistas militares diplomatas e líderes mundiais fizeram a mesma pergunta. Muitos definem o conflito como impossível de se resolver, complexo e travado.

Mas como começou tudo isso?

1917: Declaração Balfour

Em 2 de novembro de 1917, o então ministro das Relações Exteriores do Império Britânico, Arthur Balfour, escreveu uma carta endereçada a Lionel Walter Rothschild, líder da comunidade judaica do Reino Unido, com uma promessa: comprometer o governo britânico a "estabelecer na Palestina um lar nacional para o povo judeu" e a facilitar o plano.

Essa carta, de apenas 67 palavras, ficou conhecida como Declaração Balfour e provocou o efeito político na região que se estende até os dias de hoje. O maior potência da época, o Império Britânico, prometia ao movimento sionista criar um país em um território que era 90% ocupado por árabes palestinos e por uma minoria judaica.

Esse território foi escolhido graças a localidade de Jerusalém, considerada uma cidade sagrada pelo judaísmo, o cristianismo e o islamismo e disputada diversas vezes nos séculos anteriores. Para os judeus, a região era o seu lar ancestral, mas os árabes palestinos também reivindicaram a terra e se opuseram à mudança.

Esse território foi, ao longo do tempo, dominado por diferentes grupos, impérios e nações, incluindo judeus, assírios, babilônios, persas, macedônios, romanos, bizantinos.

Naquele ano o território palestino estava sob o mando do Império Otomano, que lutava contra o Império Britânico na Primeira Guerra. Após a derrota dos otomanos, a região foi repartida entre França e Inglaterra, que ficou com as terras da Palestina.

O mandato britânico foi criado em 1923 e durou até 1948. Nesse período, os britânicos facilitaram a imigração judaica em massa, muitos dos quais fugiam do nazismo que dominava a Europa, e também enfrentaram protestos e greves dos palestinos, alarmados com a mudança regional e com o confisco britânico de suas terras.

1936-1939: A Revolta Árabe

A escalada entre árabes e britânicos acabou causando a Revolta Árabe. Em abril de 1936, o recém-formado Comitê Nacional Árabe convocou os palestinos a lançar uma greve geral, reter pagamentos de impostos e boicotar produtos judaicos para protestar contra o colonialismo britânico e a crescente imigração judaica. A ação foi reprimida pelos britânicos, que começaram a fazer prisões em massa e a demolir as residências de famílias árabes como punição.

No fim de 1937, o movimento de resistência camponesa palestina respondeu à repressão britânica e atacou as forças militares que estavam no país. Nos anos que se seguiram, o Reino Unido concentrou 30 mil soldados no território da Palestina, bombardeou aldeias, impôs toques de recolher, demoliu casas e executou milhares de moradores.

A última fase do conflito contou com a colaboração dos colonos judaicos que chegaram à região. Juntos com o Império Britânico, eles formaram grupos armados e uma chamada "força de contrainsurgência" para contra-atacar os palestinos. Em três anos, estima-se que cinco mil palestinos morreram, 15 a 20 mil foram feridos e 5,6 mil, presos.

1947: O plano de partilha da ONU

Em 1947, a população judaica havia aumentado para 33% da Palestina, mas eles possuíam apenas 6% das terras. A recém-criada Organização das Nações Unidas (ONU) adotaram, então a Resolução 181, que pedia que o território palestino fosse partilhado em dois Estados, um árabe e outro, judeu. Jerusalém seria uma cidade internacional comandada pela ONU.

Os palestinos rejeitaram o plano porque destinava cerca de 56% da Palestina ao Estado que viria a ser Israel, incluindo a maior parte da região costeira fértil. Na época, os palestinos compreendiam 67% da população do território palestino.

1948: Nakba e a criação do Estado de Israel

Antes do mandato britânico chegar ao fim na Palestina, em 14 de maio de 1948, os grupos paramilitares sionistas, que haviam nascido durante a Revolta Árabe, realizavam operações militares em cidades e vilas para expandir fronteiras do Estado judaico que estava para ser criado.

Em 15 de maio de 1948, o Estado de Israel foi criado sem uma solução pacífica com os árabes. Os palestinos se opuseram à criação por considerarem que a terra havia sido roubada e receberam apoio dos países árabes da região. No dia seguinte, a primeira guerra árabe-israelense começou, durando até janeiro de 1949, quando um armistício entre Israel e Egito, Líbano, Jordânia e Síria foi acordado.

Estima-se que até 1948 mais de 500 vilas e cidades palestinas foram destruídos, no que ficou conhecido entre eles de Nakba, que significa "catástrofe" em árabe. Segundo historiadores, mais de 15 mil palestinos foram mortos.

Em 1948, 78% do território histórico da Palestina havia sido dominado pelos judeus, e os 22% foram divididos entre o que hoje são a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. Estima-se que 750 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas. Essa população se espalhou pela Cisjordânia, Líbano, Síria, Jordânia e Egito.

Os territórios palestinos estabelecidos então (Faixa de Gaza e Cisjordânia) foram assumidos por dois Estados árabes: o Egito, que assumiu Gaza, e Jordânia, que começou o domínio administrativo na Cisjordânia. Os palestinos continuaram ocupando essas áreas. Outros 150 mil palestinos permaneceram em áreas de Israel, vivendo sob uma ocupação militar rigidamente controlada por quase 20 anos antes de receberem a cidadania israelense.

Em 1964, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) foi formada e, um ano depois, o partido político Fatah foi estabelecido.

1967: A Guerra dos Seis Dias

Em 5 de junho de 1967, Israel ocupou áreas da Palestina histórica, incluindo a Faixa de Gaza, a Cisjordânia, Jerusalém Oriental (comandada então pela Jordânia), as Colinas de Golã sírias e a Península do Sinai egípcia contra uma coalizão de exércitos árabes na chamada Guerra dos Seis Dias, que teve início pelas tensões anteriores e por Israel considerar o movimento militares próximos às fronteiras como ameaça.

Os colonos começaram, então, a construção dos assentamentos judeus na Cisjordânia ocupada e na Faixa de Gaza.

Para alguns palestinos, isso levou a um segundo deslocamento forçado, ou Naksa, que significa "retrocesso" em árabe. Apesar de uma resolução da ONU que garantia o direito dos refugiados palestinos de voltarem para Israel, isso foi continuamente negado com a justificativa de que isso sobrecarregaria o país e colocaria em ameaça o Estado judeu.

Em dezembro de 1967, foi formada a Frente Popular Marxista-Leninista para a Libertação da Palestina. Na década seguinte, uma série de ataques e sequestros de aviões por grupos de esquerda chamaram a atenção do mundo para a situação dos palestinos.

1987-1993: A Primeira Intifada

A chamada Primeira Intifada palestina irrompeu na Faixa de Gaza em dezembro de 1987, depois que quatro palestinos foram mortos após um caminhão israelense colidir com duas vans que transportavam trabalhadores palestinos. Greves organizadas, mobilizações populares e protestos em massa eclodiram a partir daí.

Os protestos se espalharam rapidamente para a Cisjordânia, com jovens palestinos atirando pedras contra tanques e soldados do exército israelense. Também levou ao estabelecimento do movimento Hamas, um ramo da Irmandade Muçulmana que se engajou na resistência armada contra a ocupação israelense.

A resposta do exército israelense foi encapsulada pela política "Quebre seus ossos" defendida pelo então ministro da Defesa, Yitzhak Rabin. Incluiu assassinatos, fechamento de universidades deportações de ativistas e destruição de casas, repetindo estratégias dos britânicos no início do século.

Segundo a organização israelense de direitos humanos B'Tselem, 1.070 palestinos foram mortos pelas forças israelenses durante a Intifada, incluindo 237 crianças. Mais de 175 mil palestinos foram presos.

A Intifada foi realizada principalmente por jovens e dirigida pela Organização de Libertação da Palestina (OLP), uma coalizão de facções políticas palestinas comprometidas em acabar com a ocupação israelense e estabelecer independência palestina. Em 1988, a Liga Árabe reconheceu a OLP como o único representante do povo palestino e a comunidade internacional começou a buscar uma solução para o conflito.

1993: Acordos de Oslo

A Intifada terminou com a assinatura dos Acordos de Oslo em 1993 e a formação da Autoridade Palestina, um órgão de governo interino que recebeu autogoverno limitado em áreas da Cisjordânia ocupada e da Faixa de Gaza.

A OLP reconheceu Israel com base em uma solução de dois Estados e efetivamente assinou acordos que deram a Israel o controle de 60% da Cisjordânia e de grande parte da terra e dos recursos hídricos do território. A Autoridade Palestina deveria abrir caminho para o primeiro governo palestino eleito comandando um Estado independente na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, com capital em Jerusalém Oriental, mas isso nunca aconteceu.

Os críticos da Autoridade Palestina a veem como um órgão corrupto e cooptado por Israel que colabora estreitamente com os militares israelenses na repressão à dissidência e ao ativismo político de outros grupos contra Israel.

Em 1995, Israel construiu uma cerca eletrônica e um muro de concreto ao redor da Faixa de Gaza, interrompendo as interações entre os territórios palestinos divididos.

2000: A Segunda Intifada

A Segunda Intifada começou em 28 de setembro de 2000, quando o líder do partido israelense Likud, Ariel Sharon, fez uma visita a esplanada de mesquitas de Al-Aqsa, lugar sagrado para o islamismo, com milhares de forças de segurança posicionadas dentro e ao redor da Cidade Velha de Jerusalém.

A visita desencadeou confrontos entre manifestantes palestinos e forças israelenses mataram 5 palestinos e feriram 200 em dois dias. Depois disso, houve um levante armado generalizado entre israelenses e árabes.

Durante a Segunda Intifada, Israel causou danos sem precedentes à economia e à infraestrutura palestinas, ocupou áreas governadas pela Autoridade Palestina e iniciou a construção de um muro de separação que, juntamente com a construção desenfreada de assentamentos, destruiu meios de subsistência e comunidades palestinas.

Os assentamentos da área da Cisjordânia são ilegais sob o direito internacional, mas ao longo dos anos centenas de milhares de colonos judeus se mudaram para colônias construídas em terras palestinas. O espaço para os palestinos se encolheu à medida que estradas e infraestrutura exclusivas para colonos cortam a região.

Na época em que os Acordos de Oslo foram assinados, pouco mais de 110 mil colonos judeus viviam na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental. Hoje, o número é de mais de 700 mil vivendo em mais de 100 mil hectares de terras expropriadas dos palestinos.

2004-2007: A divisão palestina e o bloqueio em Gaza

O líder da OLP, Yasser Arafat, morreu em 2004 e, um ano depois, a segunda Intifada terminou, os assentamentos israelenses na Faixa de Gaza foram desmantelados e soldados israelenses e 9 mil colonos deixaram o enclave.

Um ano depois, os palestinos votaram em uma eleição geral pela primeira vez. O Hamas conquistou a maioria. Uma guerra civil entre Fatah e Hamas eclodiu e resultou na morte de centenas de palestinos. Após derrotar o Fatah, o Hamas expulsou o partido da Faixa de Gaza, e o Fatah retomou controles de partes da Cisjordânia.

Vista como uma organização terrorista por Israel, a vitória do Hamas na Faixa de Gaza levou o Estado israelense a impor em 2007 um bloqueio aéreo, terrestre e naval na Faixa de Gaza. O Hamas tem como objetivo expresso o fim do Estado de Israel.

2007-Hoje: As guerras na Faixa de Gaza

Após se retirar de Gaza e impor o bloqueio, Israel lançou quatro ataques militares prolongados em Gaza: em 2008, 2012, 2014 e 2021. Milhares de palestinos foram mortos, incluindo muitas crianças, e dezenas de milhares de casas, escolas e edifícios de escritórios foram destruídos. A reconstrução tem sido quase impossível porque o bloqueio impede que materiais de construção, como aço e cimento, cheguem a Gaza.

O Egito também contribui para o bloqueio na Faixa de Gaza, na intenção de isolar o Hamas e pressioná-lo a parar os ataques, particularmente o lançamento indiscriminado de foguetes contra cidades israelenses. Os palestinos em Gaza dizem que as restrições de Israel e seus ataques aéreos em áreas densamente povoadas equivalem a punição coletiva.

A comunidade internacional considera que o bloqueio de 2007 exacerbou significativamente as restrições anteriores, limitando o número e as categorias especificadas de pessoas e bens permitidos para entrar e sair através das travessias controladas por Israel.

Segundo a Unicef, as forças israelenses restringiram em grande parte o acesso a áreas a menos de 300 metros do lado de Gaza da cerca perimetral com Israel; áreas a várias centenas de metros são consideradas não seguras, impedindo ou desencorajando as atividades agrícolas. A situação se degradou progressivamente, com 1,3 milhões de 2,1 milhões de palestinos em Gaza necessitando de ajuda humanitária e com grande parte da água do enclave (78%) sendo imprópria para consumo.

Texto reproduzido do site: exame com/mundo/israel-palestina

--------------------------------------------------------------

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

'Dói muito ouvir as pessoas vivas embaixo dos escombros...'

Publicação compartilhada do site BBC NEWS, de 18 de outubro de 2023 

'Dói muito ouvir as pessoas vivas embaixo dos escombros e não poder fazer nada', diz palestino em Gaza

Por  Author,Vinícius Lemos
Role,Da BBC News Brasil em São Paulo
Twitter,@oviniciuslemos

ATENÇÃO: a reportagem a seguir tem descrições de violência que alguns leitores podem considerar perturbadores

Os gritos de socorro ecoam em meio à destruição causada por bombas lançadas na Faixa de Gaza. Embaixo de escombros de construções como prédios ou estabelecimentos comerciais há sobreviventes de ataques que clamam para ser salvos, segundo relato à BBC News Brasil do tradutor palestino Kayed Hammad, que está em Gaza.

Hammad conta que os cidadãos escutam os pedidos de ajuda, mas permanecem inertes diante da situação. "E nem mesmo os bombeiros conseguem ajudar, porque não há ferramentas para salvar essas pessoas. E estar ali tentando ajudar também é arriscar a própria vida."

Ele afirma que as pessoas agonizam sob os escombros à espera de algum tipo de resgate ou até mesmo da morte.

"Dói muito ouvir quando as pessoas estão vivas, mas embaixo dos escombros, das casas destruídas. Você sabe que estão vivos, mas não consegue fazer nada para ajudar", conta.

Para o palestino de 59 anos, essa é uma das situações mais dramáticas que tem presenciado nos últimos dias, desde a escalada do conflito entre Israel e Hamas.

Até esta quarta-feira (18/10), pelo menos 3,3 mil pessoas foram mortas em ataques das forças de Israel em Gaza, segundo o ministro palestino da Saúde.

O conflito cresceu em intensidade após o ataque do grupo militante palestino Hamas a Israel no último dia 7 de outubro.

Até o momento, segundo autoridades locais, há cerca de 1,4 mil mortos em Israel.

'Bombas por todos os lados'

Hammad nasceu na Faixa de Gaza e vive na área com a esposa, os quatro filhos e os pais da companheira dele. Eles moram no norte da região, área duramente afetada pelos bombardeios israelenses.

O palestino diz à BBC News Brasil que teve a casa em que vivia com a família completamente destruída. "Não restou mais nada. Perdemos tudo. Se a guerra acabar hoje, vamos para a rua."

Hammad conta que a casa em que está atualmente com a família pertence a parentes distantes. Esta é a quarta ou quinta residência em que eles moram desde o início dos ataques. Eles saíram das anteriores porque elas também foram atingidas por bombas.

Pelas janelas, o tradutor e a família acompanharam a tragédia na Faixa de Gaza. "Ao longo da minha vida, já vi sete ou oito conflitos, mas nada assim como está sendo agora."

Nessas janelas das casas em que ficou, ele afirma ter visto construções sendo atingidas por bombas e pessoas morrendo, além de outras tentando sobreviver embaixo dos destroços dessas construções.

"Vi muita coisa. Vi bombas por todos os lados, ao longo dos dias e noites. Estamos sem luz, sem água, sem comida, sem serviços sanitários, muitas casas destruídas, muita gente morta e ainda tem muita gente morta embaixo dos escombros, que não puderam ser retiradas por falta de ferramentas para isso", lamenta o palestino.

"Nem eu, nem os bombeiros e nem ninguém poderia resgatar essas pessoas embaixo dos escombros. Os bombeiros, inclusive, tiveram duas estações bombardeadas dias atrás. Bombardearam algumas ambulâncias também", relata o palestino.

Ao menos por ora, conta o tradutor, não há previsão para que ele ou a família deixem a região. Segundo Hammad, não há nenhum lugar seguro para o qual possam ir neste momento.

"Agora o nosso principal objetivo é ficar vivo, por um milagre. Não sabemos o que vai acontecer. As bombas caem por todos os lugares e a nossa sorte é ficar vivo junto com a minha família. Não temos nenhum escape disso, não existe nenhum lugar considerado seguro por aqui."

Ele agradece por não ter perdido nenhum parente próximo. Entre os familiares distantes, diz não saber exatamente quem sobreviveu. "Não conseguimos falar por telefone com todos, então não sabemos. Pode haver muita surpresa quando a guerra acabar ou algo assim", afirma.

O palestino e a sua família têm carregado o celular por meio de geradores sempre que possível.

E para sobreviver, ele diz, todos têm tomado água que não é potável e comido alguns alimentos comprados em mercados próximos que ainda estão abastecidos. "Mas evitamos sair nas ruas, porque fazer isso é arriscar a vida."

Diante das inúmeras dificuldades, ele reclama da falta de ajuda. "Não deixaram entrar ajuda humanitária ou medicamentos. Não deixaram nada", lamenta.

Nas áreas de fronteira com Gaza há comboios com alimentos e outros itens para auxiliar a população. No entanto, essas áreas estão fechadas desde o início da guerra e o abastecimento na região está severamente comprometido.

"Nós precisamos frear tudo o que estão fazendo com a gente aqui. Nós somos civis e temos direitos também, como todo o resto do mundo", declara o palestino.

Texto e imagem reproduzidos do site: www bbc com

sexta-feira, 13 de outubro de 2023

Você sabe o que é o Hamas? | Ponto de Partida (2 vídeos)


Quem não sabe distinguir entre Israel e o Hamas?

Publicação compartilhada do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 12 de outubro de 2023

Quem não sabe distinguir entre Israel e o Hamas?

A confusão moral sobre o massacre em Israel é um resultado do apaziguamento da extrema-esquerda a pretexto de que “todos os votos contam” e de que o único perigo é a “direita populista”. Artigo do professor Rui Ramos, publicado pelo Observador:

No sábado passado, aconteceu o maior massacre de judeus desde o Holocausto nazi. O que é que pode justificar ambiguidades e demoras no repúdio dos assassinos? O Hamas, que domina pelo terror a população de Gaza, não representa os árabes da Palestina. O Hamas é apenas um exemplo do modo como, desde 1948, regimes e movimentos políticos no mundo islâmico, à falta de qualquer base democrática, procuraram legitimar-se cultivando o ódio contra os judeus, e recusando a decisão da ONU de criar dois Estados na Palestina, um para árabes e outro para judeus. Sim, a fundação de um Estado árabe na Palestina, pacífico e viável, é uma condição da paz na região. Mas para os inimigos de Israel, esse Estado nunca importou: daí que, tendo controlado Gaza e a Cisjordânia durante quase vinte anos a seguir a 1948, nunca o tivessem estabelecido. A sua prioridade era a guerra contra Israel, como agora para o Hamas e os seus patrões iranianos. Quando o Hamas diz que quer “libertar a Palestina”, não está a falar do estabelecimento de um Estado árabe na Palestina, mas da destruição do Estado de Israel. O que aconteceria aos judeus, se o Estado de Israel fosse destruído, viu-se no sábado passado. O que é que aqui é difícil de compreender?

A ocupação israelita de áreas vizinhas depois da guerra de 1967 é um problema? Sem dúvida, mas sempre que Israel retirou de um território, foi para o ver convertido pelos seus inimigos numa base de ataque. Foi o que aconteceu em Gaza. Nem o apaziguamento do Hamas, nem o muro de defesa protegeram Israel. Os israelitas vão ter de recorrer ao que tentaram evitar nos últimos tempos, um confronto directo no terreno. Nenhum Estado no mundo, atacado como Israel, deixaria em paz, na vizinhança, a organização terrorista responsável. Em Gaza, porém, os sicários do Hamas vão usar a população como escudo humano. Mulheres e crianças de Gaza vão morrer, e não são menos para lastimar do que as mulheres e as crianças de Israel. Mas os soldados israelitas – soldados de um Estado de direito democrático – entrarão em Gaza para atacar o Hamas. Os sicários do Hamas entraram em Israel, não para atacar o exército israelita, mas para chacinar civis desarmados em bairros residenciais e num festival de música, e depois se gabarem dessa selvajaria em vídeos que divulgaram pelas redes sociais. Quem é que não percebe que o exército de Israel e o Hamas não estão no mesmo plano?

Para não perceber isso, é preciso um certo entendimento do mundo, que é o da extrema-esquerda ocidental. O Hamas quer destruir Israel, e a extrema-esquerda, pelo menos desde a década de 1960, concebeu a destruição de Israel como parte da sua própria campanha contra a democracia liberal e a economia de mercado no Ocidente. Terroristas da extrema-esquerda europeia colaboraram então com terroristas do Médio Oriente. Agora, os professores universitários que substituíram os guerrilheiros urbanos de 1970 fazem causa comum com os extremistas islâmicos que tentam dominar as populações muçulmanas imigradas no Ocidente. Há cinquenta anos, diziam que era preciso fazer “muitos Vietnames”; agora, querem fazer muitas Gazas. A sua influência nas universidades e nos media permite-lhes criar a confusão moral que convém ao projecto. Mas o problema não é só a extrema-esquerda. O problema é também a outra parte da esquerda, que, sabendo muito bem o que é a extrema-esquerda, legitimou as suas organizações, e as trouxe para a área do poder, porque “todos os votos contam” e o único perigo é a “direita populista”. Esta estranha dificuldade de, num caso tão óbvio, distinguir entre o bem e o mal é um resultado desse oportunismo.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi blogspot com

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

Shani Louk, a alemã morta, despida e vilipendiada pelos terroristas palestinos.

Publicação compartilhada do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 10 de outubro de 2023

Shani Louk, a alemã morta, despida e vilipendiada pelos terroristas palestinos.

Shani Nicole Louk ficou conhecida nas piores circunstâncias imagináveis. Eli Vieira para a Gazeta do Povo:

Ela era tudo o que o Hamas detesta. Mulher alemã independente de 30 anos, tatuadora, em Israel para participar de um festival de música na faixa de Gaza. Shani Nicole Louk ficou conhecida nas piores circunstâncias imagináveis. Após a maior invasão a Israel em meio século, promovida pelo grupo extremista com patrocínio do regime iraniano no último sábado (7), ela foi uma das centenas de vítimas entre os participantes do “Tribo de Nova”, o “festival de música da paz”. Em vídeo que circulou nas redes sociais, seu corpo foi exibido como um troféu na carroceria de uma picape pelos terroristas, seu cabelo com dreadlocks descoloridos repuxado, sua pele cuspida, suas roupas arrancadas, seus membros dobrados em ângulos estranhos.

A família de Shani disse à revista Der Spiegel que não tem notícias dela desde a manhã de sábado e que seu cartão de crédito foi utilizado de forma suspeita. A mãe, Ricarda Louk, publicou um vídeo no X (Twitter) ainda expressando esperança de a filha estar “inconsciente”, em vez de morta, e atribuindo o “sequestro” ao Hamas. Ela confirma a identidade da filha, dizendo que o vídeo a mostrava “claramente”, com características como os dreadlocks e as tatuagens, apesar de o rosto não ser mostrado. Na entrevista, Ricarda disse que ainda não quer admitir que a filha não está mais viva. Na única ligação bem-sucedida à filha na manhã da tragédia, Shani disse que estava entrando em pânico.

O festival foi feito perto do Kibbutz Urim, uma das comunidades autônomas de Israel que foram famosos experimentos com o socialismo. O público foi atingido por foguetes, depois os militantes abriram fogo contra os civis. Há imagens e múltiplos relatos da multidão correndo pela área desértica, saltando cadáveres pelo caminho.

O primo de Shani, Tom Weintraub Louk, disse ao Washington Post que “ainda temos um pouco de esperança. O Hamas é responsável por ela e pelos outros”. O jornal centro-europeu Visegrád 24 informou que um dos membros do Hamas presentes na picape parecia ser Mahmoud Abourjila. Além da semelhança de rosto, internautas identificaram semelhança da roupa usada pelo terrorista e a usada por Mahmoud em fotos postadas em sua conta no Google. A localização das imagens está em um raio de 15km do local onde Shani teve seu corpo tratado com desrespeito. As autoridades ainda não confirmaram a identidade do militante.

A jovem alemã, que cresceu em Israel, tinha uma conta no Instagram, @shanukkk, que saltou de 30 mil para mais de 50 mil seguidores em 48 horas. A conta foi trancada e clones surgiram para fazer homenagens. Outra conta com menos de dois mil seguidores mostra suas criações como tatuadora. Ela desenhava tatuagens em estilo “tribal”, animais, mandalas e figuras mitológicas do oriente.

Comemoração da esquerda

Em vídeo postado no domingo pelo repórter Brendan Gutenschwager, militantes de esquerda se reuniram frente ao Consulado de Israel em Nova York. Aplaudido, um deles diz em um megafone que “houve algum tipo de rave ou festa do deserto em que eles estavam se divertindo, até que a resistência veio em parapentes elétricos e acabou com ao menos várias dezenas de hipsters”. A plateia de manifestantes vibra diante do comentário. “Mas tenho certeza de que estão todos bem, apesar do que alega o jornal New York Post”. A CNN estimou o número de mortos no festival em 260.

Circularam relatos de que o festival de música teria sido realizado por brasileiros. O DJ brasileiro Alok esclareceu no X, no sábado, que o evento tinha produtor israelense. O pai do DJ foi “contratado a se apresentar em um evento que licenciou os direitos de uso do nome do festival” e Alok informou que “ele está seguro em um bunker aguardando direcionamento para retornar ao Brasil”.

Raziel Tamir, um dos presentes no evento, disse a uma rádio local, segundo o Jerusalem Post, que acordou em sua barraca às seis da manhã no sábado com o barulho de explosões e tiros. Além dos parapentes, cerca de 50 terroristas chegaram ao local em vans, uniformizados. Ele testemunhou “um número grande de corpos e terroristas correndo e atirando para todo lado, atirando granadas e bombas de efeito moral nas pessoas”. Ele disse que sobreviveu com 100 outras pessoas porque soldados israelenses atuaram como escudo humano contra a continuidade do massacre. “Os soldados nos protegeram com seus próprios corpos, nós os vimos caindo diante dos nossos olhos”.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi blogspot com

Um dia de Herodes: quarenta crianças massacradas em uma comunidade.

Publicação compartilhada do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 11 de outubro de 2023

Um dia de Herodes: quarenta crianças massacradas em uma comunidade.

Algumas das pequenas vítimas foram decapitadas, em cenas que traumatizaram até militares e socorristas israelenses acostumados a ver tudo. Vilma Gryzinski:

“É uma coisa que nós imaginávamos ter acontecido na época de nossos avós, nos pogrons na Europa e outras partes”, comparou o general Atai Veruv, contemplando a devastação no kibutz de Kfar Aza.

“Vemos os bebês, as mães, os pais, nos seus quartos, nos cômodos blindados, e como os terroristas os mataram. Não é uma guerra, não é um campo de batalha, é um massacre”.

Ele também relatou ter visto corpos de crianças executadas junto com os pais e com cachorros das famílias.

Kfar Aza passou dois dias sob controle dos terroristas do Hamas, que chegavam em ondas sucessivas. Depois de liberada, foi um dos lugares ao qual jornalistas israelenses e estrangeiros puderam ter acesso. Alguns choraram. Entre tantos horrores, a morte de cerca de quarenta bebês e crianças obscurece tudo o mais, como se um Herodes moderno tivesse assumido a face do mal absoluto.

Algumas das pequenas vítimas foram decapitadas, segundo o soldado David Ben Zion, ouvido por um canal local, o I24. É difícil até escrever isso, imaginem para as pessoas que têm a tarefa de retirar os mortos. Tradicionalmente, isso é feito em Israel pela organização chamada pela sigla Zaka, formada por judeus ultrarreligiosos que acreditam que precisam recolher todas as partes de cada corpo – na época dos atentados suicidas de homens-bomba, eles chegavam a usar pinças. Segundo suas crenças, que não são unânimes entre os judeus, os corpos têm que estar o mais íntegros possível, pois assim ressuscitarão no fim dos tempos.

Um dos voluntários dessa organização disse que já viu tudo em trinta anos de atividade, mas nada comparável às cenas de Kfar Aza.

“Pelo menos quarenta bebês foram retirados nas macas”, descreveu a repórter Nicole Zedek, da I14, abalada com o que ouviu de soldados engajados no resgate sobre “bebês com as cabeças cortadas”. Alguns corpos estavam ao lado dos bercinhos.

Kfar Aza entra assim para a lista de lugares mártires onde já estão o acampamento no deserto onde 260 jovens que participavam de uma rave foram chacinados, inclusive os brasileiros Ranani Glazer e Bruna Valeanu. Outro dos epicentros da barbárie foi a comunidade de Kibutz Beeri, com 107 vítimas.

A enorme quantidade de vítimas inocentes e a monstruosidade de atos inomináveis como a decapitação de crianças dificultam uma intervenção como as habitualmente feitas pelos Estados Unidos, o único país com cacife para pressionar por uma trégua, em geral negociada através do Egito. No momento, valem as palavras fortes e emocionadas de Joe Biden sobre “o mal em estado puro e sem filtros” desfechado sobre Israel. As pressões virão depois.

Note-se que o Egito nunca abre fronteiras para que os civis de Gaza se refugiem dos bombardeios – ao contrário, não quer ser contagiado pela famosa capacidade de desestabilização dos palestinos, menos ainda de fanáticos fundamentalistas como os do Hamas que, se pudessem, como seus inspiradores da Irmandade Muçulmana, acabariam com o governo de Abdel Fatah Al-Sissi. Para dar uma ideia dos obstáculos: um visto para o Egito comprado no mercado clandestino custa quatro mil dólares.

A passagem foi bombardeada ontem por Israel, resolvendo um problema para o Egito.

Os bombardeios vão continuar, inclusive os que são feitos sem o método tradicional da “batidinha”: um drone deliberadamente fraco explode sobre um edifício para avisar que ele será bombardeado em breve e os moradores devem abandoná-lo.

Benjamin Netanyahu já comunicou a Biden que a campanha aérea será seguida por uma invasão por terra, e muito mais agressiva do que as anteriores, de forma a garantir que, nas palavras do ministro da Defesa, Yoav Gallant, “Gaza nunca mais volte a ser a mesma”.

Há previsões de que toda a campanha dure meses, um teste brutal para o primeiro-ministro Netanyahu, cujo futuro político corre enormes riscos de ser engolido pelo tremendo fracasso de segurança em todas as instâncias que permitiu uma invasão fronteiriça tão extensa e letal.

Voltará Israel a ocupar Gaza? Seria um avanço extremo e sem garantias de apoio político unânime. Ariel Sharon deixou Gaza em 2005 considerando que a encrenca de manter o território, ocupado na guerra de 1967, era maior do que o desgaste político de tirar a população judia que havia se instalado em comunidades agrícolas lá (todas as estufas e outras instalações deixadas intocadas foram criteriosamente destruídas pelos palestinos que as tomaram). Na época, ainda eram os simpatizantes da Organização para a Libertação da Palestina que passaram a controlar o território. Os fundamentalistas islâmicos do Hamas tomaram Gaza e eliminaram a concorrência em 2007.

Assim se delineia o dilema de Israel: voltar a ocupar Gaza, com grande custo humano e consequências políticas graves, ou achar alguma outra maneira que impeça ataques como os do 7 de outubro e atos inomináveis como a decapitação de bebês.

Aceitam-se respostas, com uma condição: não podem começar com o clássico da hipocrisia, “Condeno os ataques contra civis israelenses, mas…”. Nesse caso, mais do que em qualquer outro, só vale o que vem depois do “mas”. Está aí Celso Amorim, o chanceler de fato, para comprovar. Suas palavras: “Isso não se justifica, volto a dizer, mas o que eu vejo é o resultado dessa atitude, do aumento dos assentamentos israelenses, é a dificuldade de avançar no plano de paz”.

Mais um pouco, e israelenses estarão se autoeliminando só para atrapalhar as iluminadas ideias de paz dos muitos e nada disfarçados inimigos de Israel.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi blogspot com