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terça-feira, 1 de julho de 2025

Irã perdeu a guerra, mas vai atacar com máfias, proxies e terror

Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 29 de junho de 2025

Irã perdeu a guerra, mas vai atacar com máfias, proxies e terror.

Enquanto as atenções do público se concentram no Oriente Médio, o Irã já fincou suas bandeiras em terras latino-americanas. Leonardo Coutinho para a Gazeta do Povo:

A guerra, ao contrário do que romantizam os tratados, raramente tem um fim. Ela muda de forma, de campo de batalha, de intensidade, mas continua ainda que de forma fria. Nesta semana, vimos Irã e Israel selarem um acordo de cessar-fogo que deu uma pausa no ciclo de hostilidades que muitos temiam evoluir para um conflito de grandes proporções. No centro das decisões que inverteram a lógica destrutiva do embate está um homem que, para muitos de seus críticos, é sinônimo de guerra, mas que, na prática, agiu para evitá-la: Donald Trump.

A ordem de Trump para bombardear as instalações nucleares iranianas foi interpretada por uns como uma escalada irresponsável.

Mas, para quem observa com atenção os movimentos estratégicos por trás das decisões, ela foi uma ação cirúrgica. Um ataque de força, sim, mas motivado por um impulso paradoxal: evitar uma guerra total que arrastaria os Estados Unidos para mais um conflito sangrento no Oriente Médio.

Trump conhecia bem o adversário. Durante seu primeiro mandato, ele desmantelou o acordo nuclear com o Irã e impôs um regime de sanções sem precedentes. Não por capricho ideológico, mas porque compreendia que o Irã revolucionário não negocia para fazer concessões. Negocia para ganhar tempo. E foi justamente o tempo, e mais do que urânio, que os aiatolás acumularam nas sombras desde o acordo assinado por Barack Obama, em 2015.

Ao ordenar o bombardeio, Trump impôs um novo tipo de lógica. Demonstrou que, embora se recuse a envolver os EUA em aventuras militares prolongadas, não hesitará em usar a força para impedir que o pior aconteça. No cálculo de Trump, permitir que o Irã se tornasse uma potência nuclear significaria abrir as portas do inferno: proliferação no Golfo, chantagem contra aliados, ataques diretos a Israel, e um impulso renovado aos braços assimétricos de Teerã espalhados pelo mundo.

O cessar-fogo que se seguiu não é, portanto, uma vitória. É uma pausa. Uma suspensão armada. Para o Irã, que sempre foi mestre na arte da guerra indireta. O país dos aiatolás sabe que não pode vencer uma guerra convencional contra os Estados Unidos ou Israel. Mas pode desgastá-los. E é justamente aí que o jogo muda de hemisfério.

Enquanto as atenções do público se concentram no Oriente Médio, o Irã já fincou suas bandeiras em terras latino-americanas. Em um relatório recente, o Center for a Secure Free Society (SFS) expõe o aprofundamento da presença iraniana na América Latina. Através de sua principal ferramenta de projeção externa, o Hezbollah, Teerã construiu uma teia de alianças com regimes autoritários, redes criminosas e grupos ideológicos radicais ao longo das últimas quatro décadas.

O eixo formado por Venezuela, Nicarágua, Bolívia e Cuba funciona como uma plataforma estratégica para a ação iraniana no continente. Na Venezuela, o Hezbollah atua com liberdade logística e proteção institucional. Usa a fachada de centros culturais e instituições islâmicas para doutrinação e recrutamento. No submundo, participa de esquemas de lavagem de dinheiro, tráfico de ouro e contrabando de armamentos. A convergência entre terrorismo e crime organizado, já identificada em anos anteriores, atingiu um novo patamar de sofisticação.

O Brasil também está no mapa das assimetrias do Irã. O país é berço de células adormecidas com histórico de atividades já letalmente conhecidos. O atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina, em 1994, contou com a participação de membros do Hezbollah e prepostos do Irã estacionados no Brasil. No Chile, recentemente, alertas de inteligência detectaram tentativas de infiltração em comunidades árabes. No México, as rotas do narcotráfico já servem como canais de entrada para armamentos e recursos. Na Argentina, onde o Hezbollah já esteve envolvido diretamente em dois atentados, as autoridades registram diversos casos de iranianos tentando entrar no país portando documentos falsos.

Essa infraestrutura é vital para a estratégia assimétrica do Irã. Em vez de confrontar diretamente com potências rivais militarmente mais poderosas, prefere usar de seus proxies para atos de terrorismo, gerar instabilidade ou até mesmo conflitos por procuração. Um atentado contra uma sinagoga em Buenos Aires, uma explosão contra diplomatas em Bogotá, um sequestro em Manaus; qualquer um desses atos pode ser interpretado como parte de um padrão. Um padrão de guerra sem frente, sem uniforme, sem fim.

Trump sabia disso. Foi por isso que tratou o Hezbollah como uma ameaça de segurança nacional e pressionou para que mais países o classificassem como organização terrorista. Foi também por isso que reforçou a aliança com governos latino-americanos dispostos a resistir à infiltração iraniana. Não se tratava apenas de diplomacia regional era contenção geoestratégica.

O mundo pós-21 de junho data dos bombardeios às instalações iranianas ficou mais seguro, mas não menos revolto. Sabemos, com dolorosa evidência, que o Irã não desistirá de seu projeto revolucionário. Sabemos que o mesmo Hezbollah, que agoniza decapitado no Líbano, segue intocável em seus redutos no exterior.

Há tempos, o Oriente Médio se mostrou ser um cemitério de promessas diplomáticas onde a paz é apenas um soluço no constante estado de guerra. No caso do Irã, a guerra nunca cessou. Ela mudará de continente e forma.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi blogspot com

domingo, 22 de junho de 2025

O Irã é tudo aquilo que acusam Israel de ser

Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 21 de junho de 2025

O Irã é tudo aquilo que acusam Israel de ser

Esse Estado pária, belicista e genocida aterroriza o Oriente Médio e seu próprio povo há tempo demais. Tim Black, da Spiked, para a Oeste:

Há décadas, um Estado agressivo e quase imperial tem sido o epicentro dos conflitos no Oriente Médio. Ele antagoniza seus vizinhos constantemente e, em alguns casos, ameaça a própria existência deles. E, por meio de seus obscuros agentes militares, tem buscado impor sua vontade tanto a aliados quanto a inimigos.

Esse Estado é a República Islâmica do Irã. É tudo aquilo que os esquerdistas burgueses do Ocidente imaginam que Israel seja. Possui um governo genuinamente “pária” e de extrema direita. Um regime que, por meio de seu infame Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica e de seus representantes regionais fortemente armados, busca projetar seu poder e influência por todo o Oriente Médio. Ao contrário de Israel, ele tem até um objetivo genocida de fato — a saber, a erradicação do Estado judeu, ou a “entidade sionista”, para usar a própria linguagem de seus líderes. Como disse seu governante supremo, o aiatolá Ali Khamenei, em 2020, Israel é um “tumor cancerígeno” que “será, sem dúvida, desenraizado e destruído”.

É por isso que a perspectiva de a República Islâmica desenvolver armas nucleares sempre aterrorizou os líderes de Israel. Porque, para um regime ideologicamente comprometido com a destruição de Israel, as armas nucleares são muito mais do que um meio de retaliação — são um meio para a aniquilação dos judeus.

A ameaça iraniana

E é por isso que, na manhã da sexta-feira, 13 de junho, as Forças de Defesa de Israel realizaram ataques aéreos letais contra instalações nucleares iranianas, cientistas vitais nos planos atômicos do Irã e vários generais de alta patente. A liderança de Israel estava preocupada, com razão, porque o Irã logo estaria em posse de suas próprias ogivas nucleares.

De fato, na quinta-feira, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que monitora os signatários do Tratado de Não Proliferação Nuclear, decidiu que o Irã havia violado suas obrigações. Ela alega que aquele país acumulou 400 quilos de urânio altamente enriquecido, ideal para uso militar. Poucas horas depois do anúncio da AIEA, Israel iniciou uma operação destinada, nas palavras do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, a reverter “a ameaça iraniana à própria sobrevivência de Israel”.

Não precisava ser assim. Apenas nas últimas décadas o Irã passou a representar uma ameaça. Após a fundação de Israel, em 1948, o Irã, sob o regime do xá Mohammad Reza Pahlavi, tinha uma relação cordial com o recém-criado Estado judeu. O Irã era visto por Israel como um mediador regional, em alguns momentos até mesmo um aliado. E vice-versa — o romancista iraniano e crítico antiocidental, Jalal Al-e Ahmad, visitou Israel em 1963 e, posteriormente, elogiou o espírito coletivista do Sionismo.
Enquanto a violência antissemita devastava nações árabes como Egito, Iraque, Líbia e Síria durante as décadas de 1950 e 1960, não houve pogroms ou expurgos no Irã. Embora cerca de 60 mil judeus iranianos tenham partido para Israel durante suas três primeiras décadas de existência, em 1978 ainda havia uma próspera comunidade judaica de 85 mil pessoas dentro do Irã. Constituiu talvez a maior população judaica no Oriente Médio fora de Israel.

Mas tudo isso mudou em 1979, com a Revolução Iraniana e a ascensão do Aiatolá Khomeini e sua camarilha. Com a fundação da República Islâmica, a relação do Irã com Israel tornou-se reconhecidamente hostil quase da noite para o dia. Seus líderes, ardendo em zelo antissemita, transformaram efetivamente a destruição de Israel em uma razão de ser, e tornaram a vida dentro do Irã quase intolerável para sua população judaica. Apenas 9 mil judeus vivem lá hoje.

Apesar da eleição ocasional dos chamados presidentes reformistas, o ódio do Irã a Israel, na verdade, só se intensificou nas últimas décadas. Nas palavras do negacionista do Holocausto Mahmoud Ahmadinejad, presidente entre 2005 e 2013, a “entidade sionista” deveria ser “apagada das páginas da história”.

Isso sempre foi mais do que meras palavras. Ao longo de 40 anos, o Irã cultivou uma temível rede de representantes regionais. Essas milícias islâmicas grandes e poderosas podem ter tido suas próprias causas locais e particulares, mas seu objetivo primordial sob a égide do Irã era a destruição de Israel. E elas foram apoiadas em seus esforços pelo poder militar do regime islâmico, incluindo sua própria força de proteção militar de 200 mil homens, a Guarda Revolucionária.

No sul de Israel, em 7 de outubro de 2023, a influência maligna e regional dos governantes teocráticos do Irã foi exposta ao mundo. Seu representante, o Hamas, cruzou a fronteira de Gaza e realizou o pior ato de massacre antissemita desde o Holocausto. E, com o início da guerra Israel-Hamas, outros representantes iranianos começaram a atacar, desde o Hezbollah no Líbano, os Houthis no Iêmen e milícias menores sortidas na Síria e no Iraque. Então, em outubro do ano passado, o próprio Irã atacou, lançando quase 200 mísseis balísticos em direção a Israel.

O que temos visto se desenrolar no Oriente Médio nos últimos 20 meses tem sido, de muitas maneiras, o ápice da campanha de longa data da República Islâmica contra Israel. Isso sempre foi mais do que uma guerra entre Israel e o Hamas. É a guerra de sobrevivência de Israel diante de um ataque islâmico liderado e apoiado pelo Irã.

Os últimos 20 meses expuseram não apenas a guerra silenciosa do regime iraniano contra Israel, mas também a fraqueza do regime iraniano. As forças representantes que o Irã têm usado contra Israel, do próprio Hamas ao Hezbollah, foram dizimadas. O regime de Assad na Síria, apoiado pelo Irã, desmoronou. E o próprio Irã foi degradado militarmente. De fato, a destruição de suas defesas aéreas por Israel durante os ataques retaliatórios, em outubro passado, aparentemente tornou possível o ataque aéreo desta semana.

‘Morte ao ditador’

A fraqueza do regime iraniano não é meramente militar — é também política. No contexto de uma economia em colapso, níveis de desemprego sempre crescentes e um Estado repressivo, muitos iranianos estão ficando inquietos. Vimos protestos de grande escala contra o regime em 2019, com manifestantes cantando “morte ao ditador” para o aiatolá Ali Khamenei, e pedindo o fim da República Islâmica. Também vimos repetidas demonstrações de resistência corajosa por parte de mulheres que se opõem à lei do hijab obrigatório, especialmente depois do assassinato de Mahsa Amini pela polícia da moralidade, em 2022.

Mais importante de tudo, a guerra do regime iraniano contra Israel não conta com grande apoio público. Os iranianos querem empregos, investimento. Eles não querem um regime teocrático apoiando milícias antissemitas com dinheiro que poderia ser usado para resolver problemas domésticos crônicos. De fato, tem sido revelador que, nos últimos 20 meses, a maioria dos iranianos mostrou pouco entusiasmo pelos conflitos em Gaza e no Líbano. Houve alguns protestos anti-Israel com baixa adesão, encenados em Teerã desde o início da guerra, envolvendo no máximo alguns milhares de pessoas.

Como observa um analista, os protestos genuinamente populares recentes dentro do Irã apresentam o coro revelador: “Nem Gaza, nem Líbano, minha vida pelo Irã!”. Os iranianos estão pedindo uma vida melhor, não “morte à América” e leis de hijab. Há muito mais apoiadores do Hamas nos campi universitários ocidentais do que no Estado-nação que realmente financia esses lunáticos genocidas.
Sem dúvida, o ataque de Israel à República Islâmica mobilizará mais iranianos em apoio à sua nação ou ao próprio regime. Mas este continua sendo uma teocracia cada vez mais impopular.

Isso poderia tornar a guerra agora em curso ainda mais perigosa. Uma República Islâmica acuada, atacada e militarmente humilhada pela “entidade sionista” tem que responder. Isso pode envolver uma barragem de mísseis e drones contra Israel que diminua a salva do ano passado. Ou algo ainda mais drástico. É crucial também que os falcões de guerra do Ocidente, que anseiam por um conflito direto com o Irã há décadas, não consigam o que desejam. Se este regime terrível tiver que cair, ele deve ser derrubado por dentro, pelo povo.

De qualquer forma, não devemos derramar lágrimas pelos teocratas à frente da República Islâmica. Eles se apossaram da casa dessa grande civilização por tempo demais. Quanto mais cedo a República Islâmica se for, e os iranianos forem libertados, melhor.

Texto e imagens reproduzidos do blog: otambosi blogspot com

quinta-feira, 19 de junho de 2025

Irã: o que esperar de um regime que põe crianças carregando mísseis?

Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 19 de junho de 2025

Irã: o que esperar de um regime que põe crianças carregando mísseis?

Se Donald Trump entrar na guerra, como dizem múltiplos vazamentos, tem que ser mais efetivo ainda do que Israel contra inimigo de instinto suicida. Vilma Gryzinski:

Meninas de dez, doze anos, já embrulhadas na cobertura que deixa apenas o rosto de fora, antecipando o que as espera pelo resto da vida, carregam maquetes de mísseis e de caixões com a bandeira de Israel. É uma cena chocante do passado recente que mostra o nível de fanatismo que é a doutrina oficial do regime iraniano – e como os Estados Unidos têm que agir de forma contundente se realmente for tomada a decisão de entrar no conflito para desmantelar o programa nuclear bélico dos aiatolás.

Diplomaticamente, não se avistam saídas e as declarações agressivas do líder supremo, título oficial do aiatolá Ali Khamenei, prometendo “consequências irreparáveis” aos interesses americanos, só confirmaram isso.

Trump está mantendo a doutrina da ambiguidade, também conhecida como tática do cachorro louco, como ao dizer que “ninguém sabe o que eu vou fazer, mas garanto que o Irã está encrencado”. Segundo múltiplas fontes, a decisão já está tomada e já foi comunicada ao comando militar.

Todo mundo já antecipa o que será – e as movimentações militares confirmam. A transferência para bases próximas do Irã de seis bombardeiros B-2, o avião em forma de morcego, prognostica a destruição das instalações nucleares no fundo de uma montanha em Fordo com a bomba de 13,6 toneladas que só ele transporta. O avião foi projetado para enganar radares, mas nem precisa disso. Israel já detonou as defesas antiaéreas do Irã e não perdeu uma única aeronave em seis dias.

‘TRABALHO MANUAL’

As plataformas de lançamento de mísseis, o único sistema bélico iraniano em operação, na falta do que fazer para as tropas terrestres, estão sendo progressivamente bombardeadas, o que diminui o risco para a população civil israelense e para as bases americanas em países vizinhos, como o Iraque, apesar de choques como o ataque de hoje contra um dos mais conhecidos hospitais israelenses, o Soroka, com dezenas de feridos.

Seria inteligente para o Irã provocar os Estados Unidos com um ataque desse tipo? Claro que não. Além disso, dariam a desculpa necessária, sem a qual os Estados Unidos agirão com poucos aliados e nenhum aval internacional, ao contrário do que fizeram os dois presidentes Bush, pai e filho, que procuraram o consenso da ONU ou de países importantes para, no primeiro caso, tirar o Iraque do Kuwait, e no, segundo tirar Saddam Hussein do Iraque.

Mas pessoas inteligentes são ofuscadas pelo fanatismo. Líderes militares e civis sabem perfeitamente as consequências de um ataque a bases americanas. Ou então vão pagar o preço pela falta de visão. Já se enganaram em relação a Israel e demonstraram uma vulnerabilidade enorme, sofrendo golpes devastadores.

Conseguiria Israel sem ajuda americana e a superbomba capaz de penetrar até 60 metros destruir os pontos mais importantes do programa nuclear? As instalações subterrâneas de enriquecimento de urânio em Natanz já foram atingidas. Em Fordow, não é impossível que, na falta de munição para conseguir isso, forças especiais venham a fazer o “trabalho manual” de explodir por terra. Parece uma opção extrema, de altíssimo risco, mas Israel não pode ter subestimado essa possibilidade.

Aliás, todas as possibilidades estão sendo levadas em conta e as forças israelenses estão bombardeando também os centros de documentação do programa nuclear iraniano. Sem contar o assassinato de cientistas nucleares. O jornalista Thomas Friedman escreveu no New York Times que Israel não joga pelas regras das convenções de Genebra, o que é verdade – joga pelas regras vigentes no Oriente Médio, contra inimigos do mesmo jaez. Mas também não está fazendo ataques indiscriminados e dirigidos contra a população civil, como faz o próprio Irã.

AVIÃO DO FIM DO MUNDO

Tem Israel condições de reverter um programa nuclear que estava a muito pouco tempo de enriquecer urânio na proporção necessária para produzir nove artefatos nucleares? E onde está o material físsil? Poderia o Irã produzir uma bomba suja ou receber ajuda para isso do único país que manifestou apoio a ele, o Paquistão?

São perguntas monumentais e as respostas estão em aberto. Inclusive para as pobres meninas doutrinadas desde pequenas a gritar “Morte a Israel” e “Morte à América”, como na foto acima. Elas também são vítimas de um regime que conseguiu provocar ataques diretos de Israel e possivelmente dos Estados Unidos ao mesmo tempo.

Para aumentar o nível de stress do planeta inteiro, o “avião do fim do mundo”, um Boeing E-4B adaptado para transportar o centro de comando dos Estados Unidos em caso de crise grave, pousou em Maryland, encostado em Washington. Ele tem condições de ser reabastecido no ar e voar por até uma semana sem pousar.

Só isso já dá uma ideia do poderio americano. Só podemos torcer que seja usado com sabedoria.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi blogspot com

segunda-feira, 15 de abril de 2024

Ataque do Irã a Israel reaviva temor de 3ª Guerra Mundial...

Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 14 de abril de 2024   

Ataque do Irã a Israel reaviva temor de 3ª Guerra Mundial: o que a impede de ocorrer?

O medo de um conflito mundial é alimentado pela Rússia desde o início de sua agressão contra o território ucraniano, há dois anos, como forma de dissuadir as potências de um envolvimento direto no conflito. Diogo Schelp para o Estadão:

O ataque com centenas de drones e mísseis iranianos contra Israel na madrugada deste domingo, 14, no fuso horário local, colocou combustível na fogueira dos temores de que o mundo pode estar caminhando para mais um conflito global, quase 80 anos depois do fim da 2ª Guerra.

De acordo com esse cenário mais pessimista, uma guerra aberta entre Israel e Irã vai levar a um conflito regional, com envolvimento de diversas nações vizinhas, que obrigaria os Estados Unidos e as potências europeias a dar proteção aos israelenses, de um lado, e a Rússia e a China a apoiar o regime de Teerã, do outro.

A Rússia aproveitaria o caos no Oriente Médio para iniciar uma grande ofensiva na Ucrânia, provavelmente acompanhada de uma incursão na Finlândia para testar a disposição da Otan, a aliança militar do Ocidente, de reagir a um ataque contra um de seus países-membros. Diante de uma ameaça existencial, as nações europeias colocariam suas tropas em confronto direto com os russos, apesar do perigo do uso de armas nucleares por parte do Kremlin.

A existência de dois palcos de guerra em escala regional com múltiplos envolvidos, na Europa e no Oriente Médio, arrastaria as nações de outras partes do globo a se posicionar em um conflito em várias frentes, tendo como pano de fundo a disputa entre dois polos antagônicos de poder, liderados pela China e pelos Estados Unidos.

O medo de uma 3ª Guerra Mundial é alimentado pela Rússia desde o início de sua agressão contra o território ucraniano, há dois anos, como forma de dissuadir as potências de um envolvimento direto no conflito. O governo ucraniano também fala do risco de um conflito global, mas com outro objetivo, o de convencer americanos e europeus da importância de dar mais ajuda militar e financeira ao seu país justamente para evitar o transbordamento da guerra para o restante da Europa.

Nos Estados Unidos, o temor de um conflito mundial é explorado eleitoralmente por Donald Trump para demonstrar a fraqueza e a incompetência do seu adversário, o presidente Joe Biden, na política externa. A esquerda americana, por sua vez, cita a possibilidade de o mundo estar caminhando para uma 3ª Guerra para criticar as operações militares de Israel na Faixa de Gaza.

Muitos historiadores e analistas são céticos quanto ao risco de uma 3ª Guerra Mundial e tratam as menções a esse tema como um alarmismo com fins políticos. Mas o fato é que esse é um cenário que não pode ser descartado pelos estrategistas militares das principais nações interessadas. Em janeiro deste ano, por exemplo, o jornal Bild revelou que o exército da Alemanha chegou a elaborar um relatório considerando as chances de um confronto direto entre as forças da Rússia e da Otan, com o emprego de 30.000 soldados alemães.

A escalada para um conflito de alcance regional no Oriente Médio é tão incerta quanto no caso europeu. Os argumentos para descartar essa possibilidade incluem, primeiro, a avaliação de que os governos dos países envolvidos são atores racionais que não têm interesse em um confronto aberto e direto. E, segundo, que o ataque iraniano deste fim de semana coloca o conflito em um ponto de equilíbrio em que todos ganham.

Sob essa ótica, o ataque do Irã foi só um aviso, uma demonstração da disposição dos aiatolás de reagir com força contra episódios como o bombardeio de uma representação diplomática em Damasco, na Síria, que matou membros da Guarda Revolucionária iraniana, no início de abril.

Politicamente, o Irã ganha porque mostra para sua população que não se dobrou às “provocações” israelenses. Ao mesmo tempo, calcula que a resposta de Israel será moderada, já que o sistema de defesa do país derrubou quase todos os drones e mísseis e não houve mortes. Tanto é assim que, horas após o ataque, o governo iraniano informou que a operação estava encerrada. Israel, por sua vez, avisou que a reação viria “no momento certo”.

O governo israelense ganha em duas frentes com o ataque sofrido neste fim de semana: primeiro, porque demonstra que o Domo de Ferro, seu sistema de defesa antiaérea, consegue proteger a população desse tipo de ameaça — algo importante depois das falhas de segurança que permitiram o sangrento atentado terrorista do Hamas em outubro passado; segundo, porque volta a aglutinar o apoio dos Estados Unidos, que havia sofrido abalos recentes, e da “aliança estratégica e a cooperação regional” contra o Irã, referindo-se a países como a Jordânia e a Arábia Saudita, que mobilizaram suas forças aéreas para interceptar drones iranianos que invadissem seu espaço aéreo.

Mesmo a ideia de que a Rússia pode se ver favorecida por uma escalada no conflito no Oriente Médio é questionável. O Kremlin tem grande influência na região, especialmente no Irã e na Síria, onde mantém bases militares, mas está focado na guerra na Ucrânia, que drena seus recursos bélicos, financeiros e humanos. O Irã tornou-se um importante aliado nessa guerra, principalmente para o fornecimento de armamentos, como os drones.

Um conflito regional no Oriente Médio teria efeitos contraditórios para o ditador Vladimir Putin. Por um lado, desviaria parte da atenção e dos investimentos militares dos Estados Unidos para longe da Ucrânia. Por outro, criaria dificuldades para o próprio esforço de guerra russo.

Tudo depende, porém, dos cálculos que estão sendo feitos em Jerusalém e em Teerã. A verdade é que nunca uma guerra aberta entre os dois países esteve tão na iminência de acontecer.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi blogspot com