Publicado originalmente no site do CINFORM, em janeiro de 2020
Delegada Danielle Garcia pode ser prefeita de Aracaju
Por Edvar Freire
“A zona de conforto não é a minha praia. É inegável que a
experiência de Brasília me fez crescer ainda mais como profissional. Mas eu
quero dar o meu melhor para a minha cidade, para o meu Estado”.
Ela é corajosa e de fala certeira. Com 43 anos e, destes,
quase 18 dedicados ao trabalho na Polícia Civil do Estado de Sergipe, a
delegada Danielle Garcia enumera motivos para comemorar uma carreira brilhante.
Nesta trajetória um dos feitos foi o comando do Deotap. De
lá saíram frutos que até hoje a sociedade sergipana colhe e ainda colherá por
longos anos.
E inúmeras estas operações foram realizadas no Deotap
durante o período em que o Departamento esteve sob comando da delegada Danielle
Garcia. Entre elas, pode-se citar as operações Castelo de Cartas, Subvenções,
Indenizar-se, Venal e Babel.
Danielle Garcia se tornou um nome – em nível nacional – no
combate à corrupção. E, se por um lado isso trouxe status, por outro trouxe a
consciência e a vontade de fazer muito mais pelo próprio povo, por Sergipe,
terra em que a delegada nasceu.
“É muito difícil e até mesmo frustante, ver tanta coisa
errada e criminosa acontecendo, e não ter ‘braço’ para resolver muitas dessas
coisas”, analisa a delegada que complementa dizendo ter sido dessa ideia de
impotência que surgiu a vontade de ser política.
Porque, segundo Danielle Garcia, quem luta contra a
corrupção luta a favor de toda uma população. Afinal, quando o dinheiro deixa
de ser desviado para fins ilícitos, ele pode voltar aos cofres públicos e ao
bolso de quem é o verdadeiro dono – o povo – e estar a serviço desse povo
proporcionando mais saúde, educação, segurança pública, entretenimento e
qualidade de vida.
Essa e outras ideias da delegada que está iniciando na
política sergipana você pode conferir agora em entrevista concedida à
jornalista Paula Coutinho, especialmente para o CINFORM.
CINFORM – Delegada Danielle Garcia, a última pesquisa aponta
seu nome como pré-candidata fortíssima à Prefeitura de Aracaju. E a senhora
saiu de Aracaju há quase um ano. Acredita que o povo tem essa carinho e essa
lembrança por que?
DANIELLE – Acredito que fruto do trabalho sério e corajoso
desenvolvido à frente do DEOTAP, por longos 9 anos. Os sergipanos e sergipanas
viveram junto comigo a intensidade da minha atuação na DEOTAP e por isso meu
trabalho tem credibilidade na sociedade. Mas são quase 20 anos como delegada e
sempre primei pela ética e compromisso em entregar os melhores resultados.
CINFORM – Suponhamos que a senhora seja a candidata
escolhida por seu grupo e entre para a disputa política. Por que deixar
Brasília hoje, em um cargo tão almejado, e voltar para Sergipe, para Aracaju,
para fazer política? É uma missão?
DANIELLE – O trabalho em Brasília é realmente muito
interessante e a minha atuação tem sido reconhecida pelo Ministério da Justiça,
o que me deixa feliz e grata, mas pouco posso fazer diretamente por Sergipe e
por Aracaju. Essa inquietação me levou a aceitar o convite para filiação junto
ao Cidadania, para que possamos concorrer ao próximo pleito eleitoral. Então, é
certo que meu nome estará a disposição dos aracajuanos na eleição de 2020, o
cargo será definido em grupo, baseado em uma série de fatores, inclusive de
pesquisas, ouvindo a voz da população.
CINFORM – Muita gente sonharia com um cargo destes em Brasília,
seria a realização profissional de muitos. Mas a senhora preferiu fazer o
caminho inverso, voltar. Por que? É bairrismo? É amor pelo Estado em que
nasceu?
DANIELLE – Como tenho dito em algumas entrevistas, a zona de
conforto não é a minha praia. É inegável que essa experiência em Brasília me
fez crescer ainda mais como profissional, e mesmo como pessoa, mas quero dar o
meu melhor para a minha cidade, para o meu Estado. Eu como aracajuana, percebo
que a sociedade pede por renovação na política. São sempre os mesmos nomes, as
mesmas práticas e os mesmos resultados. Aracaju precisa mudar e avançar, a
população está cansada de ver propaganda bonita na TV e na realidade do dia a
dia sofrer com péssimos serviços, a exemplo do transporte público que é
precário e extremamente caro.
CINFORM – E por falar em Brasília, como foram esses meses
lá? Em que consistia seu trabalho?
DANIELLE – Foram meses intensos de trabalho e muitas viagens
coordenando cursos e ministrando aulas. A minha atuação consiste em coordenar o
programa de Fortalecimento das Polícias Judiciárias no combate à corrupção.
Algo bem próximo ao que desenvolvia à frente do DEOTAP, porém, voltado a todas
as 27 Polícias Civis do Brasil. Minha atuação era focada no fortalecimento do
combate ao crime institucionalizado, baseado em capacitações, na criação de
unidades especializadas nos Estados e na independência das investigações. Estou
saindo do MJ mas deixo pronta toda a programação do ano de 2020, as grades
curriculares e a organização dos eventos, para que não haja qualquer problema
de continuidade. Volto para Aracaju para atender um chamado da vida.
CINFORM – Hoje o país passa por uma onda de mudanças na política
e muito se deve à Operação Lava Jato. Há muita gente da área da polícia na
política. Em Aracaju, com a senhora, são três delegados a pleitear
candidaturas. A senhora vê modismo nisso?
DANIELLE – Não diria modismo, mas talvez a necessidade de
oxigenação da política que estava posta. E o trabalho de delegado de polícia
envolve gestão, lideranaça, saber lidar com pressão, características
necessárias na política. De minha parte, acredito que a experiência que tenho
no combate à corrupção pode ser um grande aliado na política, além da vontade
de fazer uma gestão diferente do que vem sendo feita.
CINFORM – Administrar uma prefeitura em tempos de crise é
uma tarefa árdua. Se eleita prefeita, quais seriam suas medidas de contenções.
Em que economizaria? E o que daria prioridade?
DANIELLE – Essa é uma pergunta que deixarei para responder
assim que o grupo definir quem será o candidato à Prefeito, mas posso adiantar
que a prioridade da Prefeitura de Aracaju deveria ser a prestação dos serviços
básicos com lisura, compromisso e de forma técnica. Hoje é fato que existe
gordura para cortar na PMA. Todos os contratos e nomeações vão passar por um
pente-fino.
CINFORM – Falando em crise, como pretende arcar com a
campanha? É contra ou a favor desse projeto que prevê um fundo de campanha
milionário para os partidos, enquanto desemprego e miséria aumentam no Brasil?
DANIELLE – Embora não seja ilegal, essa é uma questão que
envolve coerência. Como podemos defender a utilização de recursos públicos para
campanhas eleitorais ao invés de investir em áreas tão necessárias como
educação, saúde e segurança? Essa questão de fundo eleitoral só favorece os
grandes partidos políticos e suas permanências no poder. A política brasileira
precisa de novas práticas, e isso significa novas formas de fazer campanha
eleitoral. É algo que deveria ser observado pela sociedade: você vota em quem
usa recurso público milionário para fazer campanha ou apoia candidaturas
econômicas e verdadeiras?
CINFORM – Segurança, um dos assuntos que mais preocupam os
brasileiros e também os aracajuanos. E, apesar de ser uma obrigação do Estado,
como prefeita, quais ações poderiam ser implementadas para aumentar a segurança
da população?
DANIELLE – Prefiro não entrar nessa parte de propostas, até
porque a candidatura não está definida. Mas a segurança pública feita pelas
Guardas Municipais é um pilar importante e por isso ela precisa ser melhor
capacitada e instrumentalizada.
CINFORM – Estar à frente do Deotap durante sua carreira como
delegada permitiu a senhora vê como a corrupção corrói o erário, como verbas
públicas desviadas das áreas básicas (saúde, educação, segurança) são
responsáveis indiretas pelo caos e morte na vida de centenas de pessoas. Isso
também fomentou a vontade de ser gestora?
DANIELLE – Essa talvez seja uma das grandes responsáveis
pela minha decisão em entrar na política. É muito difícil, e até mesmo
frustrante, ver tanta coisa errada e criminosa acontecendo, e não ter “braço”
para resolver muitas dessas coisas. A administração pública tem condições de
prestar serviços melhores, com qualidade e eficiência, e se esses serviços não
estão sendo entregues como deveriam, é porque existe algo errado. Graças a Deus
a sociedade está cada dia mais consciente de como o sistema funciona. Chega de marketing
e propaganda bem feita, o que os aracajuanos querem e precisam é de serviços
públicos de excelência e uma gestão pública com valores éticos e compromisso
com a entrega na ponta.
CINFORM – Por falar em Deotap, se fôssemos listar alguns dos
seus principais trabalhos da época, quais seriam estas investigações? E se
fosse possível falar de números, quantos MILHÕES o Estado teria em seus cofres
caso esse dinheira toda não tivesse sido desviado?
DANIELLE – Foram muitas operações importantes que desvendaram
os mais diversos esquemas criminosos. Posso citar as operações Castelo de
Cartas, Subvenções, Indenizar-se, Venal, Babel, além de muitos outros casos que
não tiveram a mesma divulgação, mas contaram com o mesmo afinco de toda a
equipe do DEOTAP e órgãos parceiros.
CINFORM – Ao todo são quantos anos de Polícia Civil? A
senhora sempre quis ser delegada? Como foi a decisão de sua carreira?
DANIELLE – Fiz direito na UFS e sempre tive verdadeira
paixão pelas matérias de direito penal e processo penal. Assim que me formei,
aos 22 anos, dois concursos foram abertos em Sergipe, um para o cargo de
Defensor Público e o outro para Delegado de Polícia. Não tive dúvida: parei
quase um ano da minha vida apenas para estudar para esse concurso de Delegado
de Polícia. Hoje tenho 18 anos de carreira e me sinto completamente realizada
como Delegada. Por isso tenho segurança para seguir esse chamado da vida e
entrar na política. Acredito que posso ser útil e levar minha atuação para além
da Polícia Civil.
CINFORM – Que nota a senhora daria para a gestão do prefeito
Edvaldo Nogueira?
DANIELLE – A gestão do prefeito Edvaldo Nogueira atende a
interesses diversos dos interesses dos cidadãos. Apesar de se dizer comunista,
sua gestão é amarrada aos grandes empresários e seus objetivos financeiros, e
isso é comprovado desde o financiamento da sua campanha eleitoral até a prática
efetiva, como é o caso da licitação do lixo ou dos transportes públicos em
Aracaju. A nota dessa gestão será dada pela população, nas urnas. Mas posso
afirmar com absoluta certeza, esse grupo político que comanda Aracaju há muitos
anos será derrotado. Chegou o momento de termos novas ideias, novas práticas.
Um novo momento para a democracia da nossa capital.
CINFORM – Administrar uma prefeitura não é fácil. Há quem
pense que é igual ou parecido com qualquer instituição pública ou qualquer
empresa privada. Se a senhora ganhasse o pleito, que prefeita o aracajuano (a)
terá? Será uma prefeita de estar às ruas ou será uma prefeita de gabinete?
DANIELLE – Nunca fui uma delegada de Polícia de gabinete,
imagina Prefeita ou Vereadora. Gosto de verificar as coisas in loco, de debater
com a equipe, de ouvir outras opiniões, acompanhar de perto cada decisão. Esse
seria o meu jeito de fazer política, conversando com a população, liderando a
mudança da nossa Aracaju. Precisamos resgatar o diálogo direto com a comunidade
para a resolução dos problemas, e promover uma varredura nos contratos e
nomeações. Cortando o desperdício e desvios de recursos públicos para que os
serviços sejam prestados com qualidade que nós aracajuanos merecemos.
Texto e imagens reproduzidos do site: cinform.com.br



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