Publicado originalmente no site do jornal CINFORM, em 23 de
março de 2020
A politização do caos
Por Lúcio Flávio
Chega a ser surreal e inacreditável a falta de noção de
entes políticos ao aproveitarem o caos instalado no mundo para criticar,
condenar, alfinetar, provocar e procurar culpados.
É surpreendente a baixa qualidade moral e intelectual da
maioria absoluta dos políticos e seus entes que orbitam hoje nas nossas casas
executivas e legislativas. São hábeis na criação de factoides, fakenews,
deboches, picuinhas e inaptos em soluções ou empatia para com o povo. Vivem em
uma partida o tempo inteiro, com foco, não nos cidadãos, mas na próxima
eleição.
Criticávamos antes o ex-presidente condenado por sambar no
caixão da esposa e dos irmãos, fazendo palanque em velórios. Hoje vemos as
mesmas práticas abomináveis de pessoas tentando se capitalizar politicamente
nesta crise epidêmica mundial. Críticas ao presidente da república, não faltam.
Se usa a máscara, ou se não usa. Se fala sério, ou se faz graça. Se faz o
exame, ou se refaz. Tudo é motivo para que a fatura seja empurrada goela abaixo
para o desafeto eleitoral, como se ainda estivéssemos disputando voto.
Vivemos numa situação nunca antes vivida pela humanidade: Um
vírus com uma capacidade de contágio extremamente alta que certamente abalará
os sistemas de saúde de muitos países do mundo, e aqui não será diferente. O
ministro de saúde já alertou: o nosso sistema não dará conta de tanta gente e
entrará em colapso no pico do contágio. Negócios estão à beira da falência, uma
legião de pessoas está prestes a ficar sem emprego e sem renda, e mesmo diante
de tudo isto ainda vemos pessoas questionando uma postagem do filho do
presidente sobre a China.
A atitude mais aterrorizante foi ver o governador da Bahia,
em nome de todos os demais governadores do Nordeste, numa afronta a uma mera
postagem de twitter, se lançar a um acordo com o país de onde surgiu o vírus.
Uma atitude infantil de pura picuinha. A famosa lacração sem frutos, estéril,
que gera no máximo notícias em portais ideológicos. E só! Ganhou mais alguns
minutos de fama.
Pior foi ver pessoas condenarem o Presidente da República
por atos de rua aos quais ele mesmo solicitou adiamento. Sim, Jair Bolsonaro
pediu para adiar os atos por conta da Pandemia. Seu filho Eduardo em live com o
Secretário de Comunicação também pediu o adiamento. Carla Zambelli, maior
organizadora dos atos, endossou o pedido de adiamento. Demais apoiadores do
Governo, como o Movimento Brasil200, também sugeriram que a aglomeração fosse
adiada. Mas muitos organizadores que estavam à frente dos atos no país inteiro
são pre-candidatos em flagrante campanha, e não queriam abrir mão e perder a
oportunidade do palanque que já estava organizado. Portanto não é justo por na
conta do Presidente esta ação. Não foi um evento que contou com a anuência
dele. Foi contra a sua vontade. A frase “Desculpe, Jair, mas eu vou” comprova
isto. E também não é culpa do povo que atendeu ao chamado dos organizadores. A
responsabilidade dos atos é pura e exclusivamente de quem os organizou, óbvio.
Eles diziam que a preocupação com o Corona não era lá tão importante, que era
uma bobagem. Deu no que deu: Expuseram Bolsonaro a um constrangimento sem
tamanho e geraram fragilidade suficiente para que se inventasse o primeiro
panelaço da esquerda, imitando o modus operandi dos direitistas. E criou-se em
nosso país a primeira disputa de panelaços do mundo. Uma vergonha!
Não é hora de procurar culpados pelo CoronaVírus, pela
saúde, pelo caos. Não é hora de perder energia em acusações. Não é hora de
palanque. A hora agora é de dar as mãos e tentar vencer cada dia com a sua
agonia!
Texto e imagem reproduzidos do site: cinform.com.br

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