Hoje a cúpula do ministério é formada por pessoas sem experiência em gestão do sistema de saúde, em um processo de militarização. Desde maio, a pasta passou a contar com 25 militares em postos de comando e mais de 300 em cargos nos demais escalões.
Publicado originalmente no site HUFFPOST BRASIL, em 7 de agosto de 2020
Como o negacionismo e os erros do governo levaram à tragédia
de 100 mil mortes por covid no Brasil
Ao minimizar pandemia, governo Bolsonaro falhou em coordenar
resposta a ela. Ex-integrante do Ministério da Saúde reconhece falha na
estratégia de testagem.
By Marcella Fernandes
O Brasil encerrará esta semana atingindo o marco de 100 mil
mortes causadas pela covid-19. A dimensão numérica do impacto da pandemia
ultrapassa de longe todas as outras tragédias nacionais e causas mais comuns de
óbitos no País. Após 5 meses de uma crise conduzida por uma governo que
minimiza o vírus, sem um titular no Ministério da Saúde há quase 90 dias,
sanitaristas à frente do debate sobre a epidemia afirmam que o cenário podia
ter sido menos devastador.
“Era perfeitamente possível não termos chegado a 100 mil
mortes. Provavelmente se tivéssemos continuado com a gestão do nosso primeiro
ministro de saúde [Luiz Henrique Mandetta] a conduzir a pandemia, na época em
que tínhamos um. A partir do momento em que você assume nacionalmente o
negacionismo da ciência, da doença e da pandemia, com certeza esse cenário se
torna inevitável”, afirma a bióloga Natália Pasternak, fundadora do Instituto
Questão de Ciência.
Sem reconhecer a dimensão da crise, fica difícil
enfrentá-la. Ao mesmo tempo em que negava a gravidade da epidemia, chegando a
ocultar dados, o governo de Jair Bolsonaro apostou em pautas diversionistas,
estratégia usada pelo bolsonarismo também em outras áreas.
Na noite de quinta-feira (6), o presidente mencionou,
durante uma live, o número trágico. “A gente lamenta todas as mortes, está
chegando ao número de 100 mil talvez hoje, é isso? Mas vamos tocar a vida,
tocar a vida e buscar uma maneira de se safar desse problema”, afirmou.
Segundo Pasternack, “há um contrassenso” na postura do
presidente. “Você nega a doença, mas ao mesmo tempo apresenta uma cura
milagrosa. E essas curas milagrosas tiram a atenção dos problemas reais porque
se somam ao discurso de que o ‘problema já nem existe, mas mesmo que exista, tá
aqui a solução, então vida normal, nada está acontecendo’ e ainda se investe
dinheiro público e a esperança das pessoas. Então você desinforma, deseduca a
população e desperdiça recursos públicos com coisas que não funcionam”, afirma,
referindo-se à obsessão do governo Bolsonaro com medicações como a cloroquina.
A partir do momento em que você assume nacionalmente o negacionismo da ciência, da doença e da pandemia, com certeza esse cenário se torna inevitável. (Natalia Pasternack)
Desde o início da pandemia, o presidente adotou uma postura
negacionista. Enquanto a comunidade científica enfatizava a importância do
isolamento social para frear o ritmo de transmissão do SARS-CoV-2, Bolsonaro
encampou o discurso de que era preciso “salvar empregos”. O fechamento do
comércio nas cidades passou a ser tratado como uma disputa política, em um
falso dilema entre economia e saúde.
A mesma polarização foi adotada pelo governo em outra
frente: respostas milagrosas, que prometiam uma cura. Ainda que após 7 meses da
descoberta do vírus ainda não haja vacina ou um remédio com uso comprovado
cientificamente para tratar a covid-19, o governo Bolsonaro adotou a cloroquina
como bandeira. A distribuição do medicamento que aumenta o risco cardíaco e é
ineficaz contra o novo coronavírus ultrapassou 5 milhões de comprimidos, de
acordo com o Ministério da Saúde. No âmbito municipal, um fenômeno semelhante
ocorreu com a distribuição de ivermectina pelas prefeituras.
A pressão pela adoção de medidas na contramão da ciência
levou à saída de 2 ministros da Saúde: Luiz Henrique Mandetta, em 16 de abril,
e Nelson Teich, em 15 de maio. Desde então, a pasta que deveria ser
protagonista na resposta à pandemia é coordenada por um interino, o general
Eduardo Pazuello, sem experiência na gestão de saúde pública.
Hoje a cúpula do Ministério da Saúde é formada por pessoas
sem experiência em gestão do sistema de saúde, em um processo de militarização.
Desde maio, a pasta passou a contar com 25 militares em postos de comando e
mais de 300 em cargos nos demais escalões.
90 dias sem ministro: A falta de coordenação
Na avaliação do infectologista Julio Croda, ex-diretor do
Departamento de Imunizações e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, a
saída dos 2 ministros foi um ponto de virada. “Foi um mês de diferença entre
esses 2 episódios em um dos momentos mais críticos da pandemia, em que a região
Norte já vinha sofrendo - a região Nordeste também, Fortaleza principalmente,
além de São Paulo - e que você trocou o comando e também muito da equipe
técnica”, afirma. O médico deixou a pasta em março, ainda na gestão Mandetta.
Assim como Croda, outros nomes da equipe técnica que iniciou
a estratégia de resposta à crise e deixaram a pasta são: João Gabbardo,
secretário-executivo exonerado pouco depois de Mandetta; e os secretários
Wanderson Oliveira (Vigilância) e Denizar Vianna (Ciência e Tecnologia), que
saíram da Esplanada dos Ministérios após a demissão de Teich.
É unanimidade entre os sanitaristas que a falta de
coordenação foi o principal erro. “A questão não é chegar aos 100 mil óbitos. É
chegar aos 100 mil com óbitos que poderiam ser evitados, principalmente aqueles
pacientes que morreram nas suas residências ou em unidades de pronto
atendimento. Pacientes que morreram fora de um leito de terapia intensiva são
mortes que podiam ter sido evitadas”, afirma Croda.
A primeira cidade a registrar um cenário de caos foi Manaus
(AM), única com UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em todo o estado do
Amazonas. Em 10 de abril, profissionais de saúde relatavam que o Hospital
Delphina Aziz seria o primeiro hospital público de referência do País a
colapsar em razão da pandemia.
No Rio de Janeiro, outro estado gravemente afetado pela
epidemia, levantamento da Defensoria Pública aponta que entre abril e junho
pelo menos 730 pacientes, com quadros clínicos que incluíam insuficiência
respiratória, morreram à espera de internação em enfermaria ou UTI. A escassez
de recursos levou equipes a estabelecerem critérios para decidir uma ordem de
prioridade entre os pacientes.
Para Croda, com uma boa coordenação, o governo federal
poderia ter apoiado estados e municípios para evitar esse nível de colapso.
“Nós nunca tivemos um plano federal para implementação de medidas de
distanciamento social principalmente para monitorar cidades que iriam colapsar
e apoiar essas cidades, com o fechamento. Poderia ter enviado tropas do
Exército para garantir que ninguém saísse de casa, poderia aumentar estrutura
de hospitais de campanha e a gente viu algumas tragédias sendo contadas”,
afirma.
A primeira cidade a registrar um cenário de caos foi Manaus,
onde os cemitérios tiveram de abrir covas coletivas para vítimas da pandemia.
Segundo o infectologista, a maioria da população “normalizou”
esses mil óbitos diários por acreditar que esse seria o curso da doença no País
independentemente de quem estivesse no poder. Mas a variação das taxas de
mortalidade nos estados é uma evidência de que a resposta do poder público faz
diferença na dimensão da tragédia, de acordo com o pesquisador.
“Todos acima da média poderiam ter um apoio do governo
federal no sentido de tentar equilibrar as medidas tanto de distanciamento
quanto de assistência na oferta de leitos de terapia intensiva para evitar
esses óbitos”, afirma Croda.
A taxa de mortalidade nacional é de 45,6 por 100 mil
habitantes, de acordo com painel do Ministério da Saúde atualizado em 4 de
agosto. Dezessete unidades da Federação registram indicador superior a esse
valor, sendo os mais altos Roraima (87,2 mortes por 100 mil habitantes), Ceará
(85,5), Amazonas (79,6) e Rio de Janeiro ( 79,4).
Epidemia está longe de fim
Os números devem mudar porque a epidemia ainda está longe de
acabar no Brasil. Apesar de ter sido observado certo arrefecimento nas grandes
capitais, como Manaus e São Paulo, a crise sanitária continua grave em boa
parte do País, especialmente no interior e em estados do Sul e Centro-Oeste.
Quando olhamos os dados nacionais, os gráficos
epidemiológicos assumiram a forma de platô, em vez de um pico de casos e mortes
acumulados. Por outro lado, os casos e óbitos diários, que indicam o ritmo da
epidemia, não estabilizaram.
Houve uma inversão de comportamento ao longo do tempo, com a
interiorização da epidemia. Segundo boletim mais recente do Ministério da
Saúde, 5.475 (98,2%) dos municípios têm casos confirmados de covid-19 e 3.476
(52,4%) cidades registraram mortes causadas pela covid-19.
As curvas epidemiológicas das capitais estão diminuindo, e
as do interior estão aumentando, mas a segunda ainda não ultrapassou a
primeira. Das 7.114 registradas na semana encerrada em 1º de agosto, 52% foram
na região metropolitana e 48% no interior.
A semana com dados mais recentes disponíveis foi uma das
mais graves da pandemia do novo coronavírus no Brasil. A média diária de
diagnósticos foi de 44.766, patamar semelhante ao da semana anterior (45.665),
recorde até o momento.
Já a média diária de óbitos na semana encerrada em 1º de
agosto foi de 1.016, nível semelhante ao das semanas anteriores. A primeira vez
que o Brasil registrou mais de mil mortes por dia foi em 19 de maio. Desde
então, isso aconteceu mais de 40 vezes.
A primeira vez que o Brasil registrou mais de mil mortes por
dia foi em 19 de maio. Desde então, isso aconteceu mais de 40 vezes.
As milhares de mortes comovem cada vez menos a população em
um cenário onde a reabertura das cidades foi decidida enquanto a epidemia ainda
estava descontrolada. A transmissão do vírus controlada e um sistema de saúde
com capacidade de detectar, testar, isolar e tratar todas as pessoas com
coronavírus e os seus contatos mais próximos são dois requisitos para
flexibilização do isolamento recomendadas pela OMS (Organização Mundial da
Saúde) e ignoradas pelos governantes no Brasil.
“A gente prioriza bares e restaurantes e prefere nem pensar em
abrir as escolas porque teria de fazer realmente alguma coisa mais eficaz para
isso acontecer. É muito triste ver que a gente não consegue contar com o
engajamento da população para medidas que funcionaram tão bem em outros países,
como Alemanha, Coreia do Sul, Nova Zelândia, que estão abrindo com segurança”,
lamenta Natália Pasternak.
Para a bióloga que trabalha com divulgação de conteúdo
científico, ainda que a ciência tenha ganhado mais espaço no debate público, as
medidas de conscientização não foram efetivas. “Para sair da pandemia a gente
precisa de uma atitude colaborativa. Isso é um problema da sociedade. A solução
está também na sociedade. Está na nossa atitude. Está na nossa capacidade de
convencer a população a se engajar. E nós falhamos”, afirma.
É muito triste ver que a gente não consegue contar com o
engajamento da população para medidas que funcionaram tão bem em outros países,
como Alemanha, Coreia do Sul, Nova Zelândia, que estão abrindo com segurança. Natália Pasternac\k
Devido à forma como é transmitido o novo coronavírus - por
meio do contato com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro,
tosse e catarro - restringir a circulação de pessoas é a única forma de frear a
contaminação. Reduzir esse ritmo é determinante em um cenário em que os
recursos dos sistema de saúde são limitados, desde leitos de UTI até médicos
intensivistas e medicação usada para sedar pacientes que precisam desse tipo de
cuidado.
O início do colapso
As cenas na primeira cidade a colapsar se tornaram
emblemáticas na história da epidemia no Brasil. “O que aconteceu em Manaus foi
um desastre mas porque não conseguimos implementar medidas de isolamento social
em Manaus, Belém, Fortaleza, mesmo no Rio de Janeiro. Não fizemos nenhum
lockdown digno desse nome. E o isolamento social foi na maior parte do País -
se não em todo o País - abaixo do esperado e isso aumentou o número de óbitos”,
enfatiza Gonzalo Vecina, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP
(Universidade de São Paulo) e presidente do Conselho do Instituto Horas da
Vida.
Na avaliação do sanitarista que já esteve à frente da
Secretaria de Saúde da cidade de São Paulo e da Anvisa (Agência de Vigilância
Sanitária), um dos erros logo no início foi na estratégia de testagem. “Parte
da explicação de por que, onde e como erramos diz respeito ao rastreamento de
contatos com agentes do Saúde da Família. Se nós tivéssemos utilizado desde o
início da pandemia o poder da estratégia do Saúde da Família estaríamos numa
situação melhor também. Os agentes comunitários foram pouco mobilizados e
tiveram dificuldade para serem mobilizados por falta de equipamento de proteção
individual”, afirma.
O rastreamento de contatos consiste em identificar e isolar
a pessoa contaminada, assim como indivíduos com quem ela entrou em contato
próximo. Esse grupo deve adotar uma quarentena e monitorar sintomas da
covid-19. A estratégia foi usada em países como Nova Zelândia e Vietnã.
Para que os agentes do programa Saúde da Família pudessem
coletar as amostras por meio do teste RT-PCR (moleculares), é necessário uso de
máscara específica e do protetor facial para garantir a segurança dos
profissionais de saúde.
Até o momento mais de 31 mil profissionais de enfermagem
foram contaminados e 325 morreram por causa do novo coronavírus, segundo
levantamento do Conselho Federal de Enfermagem. De acordo com entidades do
setor, o Brasil responde por 30% das mortes de enfermeiros no mundo.
"E daí? Lamento. Quer que eu faça o que?", diz presidente Jair Bolsonaro no dia em que total de mortes por covid-19 no Brasil superou o acumulado de óbitos na China.
Além da coleta adequada das amostras de secreção para os
testes RT-PCR, o ideal é que o resultado do exame fosse rápido. “Como demora
muito para ficar pronto, o paciente que é suspeito de ter covid mas não fica
isolado fica disseminando o vírus na sociedade, o que é um desastre. Isso nós
tivemos muito. Testar pouco significou deixar livremente muitas pessoas que
eram portadoras do vírus e estavam disseminando o vírus na sociedade”, afirma
Vecina.
No início da epidemia, os exames demoravam mais de duas
semanas para serem processados no estado de São Paulo, por exemplo, que conta
com mais de 44 milhões de habitantes. De acordo com boletim mais recente do
Ministério da Saúde, atualmente 90,1% dos testes moleculares são analisados
pelos laboratórios públicos em até 5 dias.
Considerados o padrão ouro, os exames moleculares ainda têm
alcance limitado. O Ministério da Saúde chegou a prometer 14,9 milhões de
unidades. Segundo dados mais recentes, 5,1 milhões foram distribuídos e 2,6
foram processados até 25 de julho.
Testar pouco significou deixar livremente muitas pessoas que
eram portadoras do vírus e estavam disseminando o vírus na sociedade. Gonzalo Vecina
Na prática, só casos graves foram testados. O uso dos testes
moleculares perdeu força tanto com a ampliação do diagnóstico clínico no fim de
junho quanto com a disseminação dos testes sorológicos rápidos. Esse tipo de
exame detecta a presença de anticorpos, mas é menos preciso. “Foi um erro
grosseiro porque, em grande medida - e me lembro muito dessas discussões -
essas decisões aconteceram sem muito conhecimento sobre o que era o RT-PCR e o
que era o teste sorológico”, desta Gonzalo Vecina. Esse tipo de exame foi
adotado tanto pelo governo federal quanto por gestores locais.
Integrante da cúpula do Ministério da Saúde até março, Croda
afirma que no início do ano havia uma limitação de oferta de testes no mercado,
mas admite também uma falha na estratégia. “O Brasil falhou porque deveria ter
oferecido mais testes. No geral, e aí não estou falando de governo federal,
estadual ou municipal, a gente deveria ter feito a estratégia de diagnóstico e
de contact tracing [rastreamento de contatos] melhor, principalmente usando a
atenção primária. Isso poderia ter sido intensificado”, reconhece.
O Brasil falhou porque deveria ter oferecido mais testes. Julio Croda
Questionado sobre essa decisão, o infectologista afirma que
não dependia só governo federal. ”É uma ação coordenada. O ministério poderia
ter recomendado que a atenção primária fizesse isso, mas a ação propriamente
dita é em nível municipal”, afirma Croda.
A chance de pretos e pardos sem educação formal morrerem
devido ao novo coronavírus é 4 vezes maior do que de brancos com nível
superior, de acordo com pesquisa do Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde
Desigualdade social
Além das lacunas no sistema de saúde, a falhas na
implementação de políticas de proteção social fizeram que a desigualdade social
fosse determinante no perfil das 100 mil vítimas da covid-19. No Brasil, alguns
pesquisadores têm falado de um “rejuvenescimento da pandemia” devido a fatores
sociais que determinam a letalidade da doença. Além das comorbidades, a cor da
pele e a classe social têm decidido quem vive ou não.
A chance de pretos e pardos sem educação formal morrerem
devido ao novo coronavírus é 4 vezes maior do que de brancos com nível
superior, de acordo com pesquisa do Núcleo de Operações e Inteligência em
Saúde, formado por pesquisadores da PUC-Rio (Universidade Católica do Rio de
Janeiro), da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), da USP e do IDOR.
Foram diversos os entraves - desde problemas de acesso à
internet a fraudes - até o valor do auxílio emergencial chegar nas mãos de quem
precisava do dinheiro para ficar em casa. O benefício de R$ 600 é destinado a
trabalhadores informais e de baixa renda.
“A epidemia se alimenta de encontros. Essa é a razão de
termos de 4 a 5 vezes uma maior predileção dessa doença pelos pobres. Essa
questão é muito crítica: criar os colchões de proteção social. Mais à frente,
quando a epidemia passar, nós temos que encontrar alternativas adequadas para
reduzir o grau de desigualdade social. Criar políticas públicas de distribuição
de renda e a partir daí elevar o nível da educação e da saúde para que as
pessoas tenham acesso à educação e saúde e revolucionem suas respectivas
vidas”, afirma o sanitarista Gonzalo Vecina.
Temos que corrigir essas desgraças com as quais convivemos
alegremente até hoje.
Ao pensar no pós-pandemia, o ex-presidente da Anvisa também
chama atenção para outro problema social que tem impacto direto na saúde: o
saneamento básico.
De acordo com a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico
(PNSB), divulgada em julho pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística), 39,7% dos municípios brasileiros não têm serviço de esgoto. Já o
total de domicílios que não recebiam
água por rede de distribuição em 2017 era de 9,6 milhões.
″Temos que corrigir essas desgraças com as quais convivemos
alegremente até hoje. Não tem cabimento você não ter saneamento básico melhor
do que temos hoje. Uma parte importante da população sem acesso à água tratada,
mais da metade da população sem acesso a esgoto, à coleta de lixo. Isso é um
crime que temos que resolver”, ressalta Gonzalo Vecina.
Texto e imagens reproduzidos do site: huffpostbrasil.com





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