Publicação compartilhada do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, em 2 de
junho de 2021
Conservadores de botequim
Populistas travestidos de conservadores transformaram-se
hoje em uma ameaça para a democracia, assim como os falsos liberais de ocasião,
seduzidos pelo poder. Marcio Coimbra para a Gazeta do Povo:
O conservadorismo é fator essencial para o desenvolvimento
maduro de uma sociedade. Em última instância, define que as mudanças não serão
realizadas de forma súbita ou irrefletida. Significa que toda mudança será
realizada de forma gradual, ponderada e debatida, preservando-se o princípio
democrático como pilar essencial deste processo. Longe de dogmas ou retóricas
radicais, o conservadorismo se posiciona como a voz da razão e da ponderação
diante das paixões políticas que cegam a sociedade.
A polarização política levou o Brasil a adotar posições
anticonservadoras. O messianismo que tomou conta da sociedade brasileira levou
o país a modificar seus rumos de forma abrupta, realizando as mudanças de forma
intempestiva, impulsionada por rompantes e também por crenças radicais,
flertando com a autocracia e posições antidemocráticas. Nada mais longe do que
significa ser conservador.
Ao se apropriar do conservadorismo, uma safra de políticos
de uma direita de corte populista associou sua imagem e verniz a um movimento
político que passa longe de suas crenças, mas move as massas. A política da
prudência, que acompanha os conservadores, balizados pela estabilidade e
moderação, passa longe do populismo de botequim vendido pela direita
tupiniquim.
O dirigismo estatal, obediência messiânica e a política de
compadrio estão a algumas léguas de distância dos instrumentos democráticos, do
livre mercado, da pluralidade de opinião e limitação do poder do Estado
defendidos pelos conservadores. O humor dos mercados jamais pode ser definido
pelos rompantes do líder populista, mas a estabilidade das regras deve nortear
a confiabilidade de um país. Um conservador acredita no poder da estabilidade e
previsibilidade institucional como forma de atração de investimento e geração
de riqueza para a sociedade.
Infelizmente ainda há muita confusão sobre o
conservadorismo, erroneamente associado simplesmente a pautas morais. Um
conceito simplista e equivocado, pois confunde-se o princípio de que existe uma
ordem moral duradoura e o fato de que os conservadores aderem ao costume, à
convenção e à continuidade, associando estes fatos, de forma errada, a
preceitos obscuros e pautas retrógradas e ultrapassadas, já vencidas pelo
conservadorismo, que aceita a mudança de forma gradual e prudente.
Conservadorismo significa o princípio da prudência, estabilidade
e previsibilidade aplicados na política e nas relações econômicas. Alinha-se
com democracia, limitação do poder dos governos e liberdade econômica para os
cidadãos, garantindo poder para a sociedade, democracia e manutenção das
instituições. Rejeita as revoluções, mudanças bruscas e irrefletidas. O
conservador busca uma sociedade ponderada, uma política prudente e uma economia
estável, elementos que contribuem para a maturidade da sociedade e um futuro
próspero, longe de um coletivismo involuntário e perto da responsabilidade
individual.
Populistas travestidos de conservadores transformaram-se hoje em uma ameaça para a democracia, assim como os falsos liberais de ocasião, seduzidos pelo poder. Comprar estes oportunistas pelo valor de face pode custar muito caro para nossa sociedade.
Márcio Coimbra, cientista político, mestre em Ação Política
pela Universidad Rey Juan Carlos, ex-diretor da Apex-Brasil e do Senado
Federal, é coordenador da pós-graduação em Relações Institucionais e
Governamentais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília e presidente da
Fundação Liberdade Econômica.
Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com

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