Texto compartilhado de post no Perfil do Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão, de 08/07/2021
Por Paulo Roberto Dantas Brandão
Lá pelo ano de 1976 ou 1977, eu repórter da Gazeta de
Sergipe, estava na redação, quando um colega chegou com a notícia que um
militar, de nome Argus Lima, estava hospitalizado na Clínica dos Acidentados,
por causa de uma batida de carro na BR 101.
Mas Argus Lima era o nome do General de Exército que estava assumindo o
comando do IV Exército em Recife. Pelo
cargo, naqueles tempos da chamada Revolução, era o Vice-Rei do Nordeste. Era coincidência demais. Fomos à luta, e descobrimos que era o general
de fato. Ele, a mulher e um sargento
motorista haviam sofrido um acidente de carro na estrada, numa reta perto da
entrada de Capela. O sargento motorista
havia cochilado no volante, e foi atingir uma Kombi na outra faixa da estrada.
Depois de tudo apurado, chegou uma nota do Exército. Estava proibida a divulgação da notícia. Por qual razão? Era o que nos perguntávamos na redação. Afinal, um general não pode sofrer um
acidente de carro? Será uma desonra para
as Forças Armadas? Era mais um dos
absurdos da chamada Revolução?
Era nada mais nada menos que um arbítrio de quem se
considerava melhor que os outros. O
general, cansado do protocolo do alto comando, posto que tinha que requisitar
um avião para se apresentar em Recife, pegou a mulher, o motorista, e viajou de
carro, sofrendo o acidente. Era uma
transgressão, leve, mas uma transgressão.
O general Argus não queria que seu deslize fosse divulgado.
Publicamos, e o mundo quase caiu sobre nós.
Ontem, quarta-feira, o Senador Aziz, presidente da CPI da
Covid, disse que “Os bons das Forças Armadas devem estar envergonhados com
algumas pessoas que hoje estão na mídia, porque fazia muito tempo que o Brasil
não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua
dentro do Governo.”
O mundo quase que desabou sobre o senador. O Ministro da Defesa e os Comandantes das
três forças publicaram uma ridícula nota dizendo que sentiam-se ofendidos. A pergunta é por quê?
Ofendidos devíamos estar nós. Cada vez que é ouvido alguém
lá na CPI, surge o nome de um oficial, reformado ou não, fazendo parte de
inconfessáveis negociações com vacinas.
Inconformados estamos nós, que com mais de 500 mil mortes vimos oficiais
das forças armadas, comandados então por um general da ativa, em um tremendo
descaso com a vida dos brasileiros, exatamente no Ministério da Saúde.
Tal qual lá na década de 1970, quando um general estava
muito mais preocupado com suas transgressões leves, do que com as torturas e
mortes dentro dos quartéis, os generais de hoje se dizem preocupados com a
imagem das forças armadas.
Senhores generais: há malandros nas forças armadas, como há
nos meios civis. Faria um bem danado se,
ao invés de saírem divulgado notas ridículas, os militares resolvessem se
afastar desse desastroso governo, com pendores ditatoriais.
Só para lembrar: na década de 1960, houve em Aracaju um
subcomandante do 28 BC que foi acusado de desonestidades, e foi simplesmente
afastado do exército. É assim que se age
com os malandros.
Texto reproduzido do Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão.

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