domingo, 31 de outubro de 2021

'Comunista, eu?', por Paulo Roberto Dantas Brandão

Imagem reproduzida do Twitter e postada pelo blog para ilustrar o presente artigo

Texto compartilhado do Perfil no Facebook de Paulo Roberto Dantas Brandão, em 30 de outubro de 2021 


Comunista, eu? 

Por Paulo Roberto Dantas Brandão 

 

Winston Churchill, primeiro ministro da Grã-Bretanha quando da II Guerra Mundial declarou uma vez que “não ser comunista aos 18 anos é não ter coração; continuar comunista depois disso é não ter cabeça”.


Churchill era um dos maiores frasistas da história, e quase sempre era preciso. Nos meus 18 anos até que tentei ser comunista. Meu coração muito grande, recheado de labirintos que me sujeitavam a paixões avassaladoras, assim o exigiu. Mas naquela época ser comunista dava um trabalho insano. Para começar tinha que saber o “Manifesto” decorado, tinha que conhecer toda a obra de Marx e de Engels, e tinha que discutir “O Capital” em todas as suas nuances, inclusive a natureza da Mais Valia e a forma da Acumulação Primitiva do Capital. O pior era a tal da disciplina partidária. Logo eu, não tão disciplinado o quanto pareço. Bom, nem começou, e já desisti. 


Mas minha cabeça, bem menor do que o meu coração, nunca obliterou o meu sentimento da busca da justiça social. Isso me fez humano, mesmo tendo abandonado o comunismo antes de entrar. 


Essa minha cabeça pequena, porém, me levou a não fazer concessões contra a democracia. As liberdades democráticas passaram a ser a minha profissão de fé. Consciente de outra frase de Churchill, de que “a democracia era a pior forma de governo, com exceção de todas as outras”, acho que estou no caminho certo. 


Agora, de repente, vejo-me na condição de comunista, ou de pelo menos de um perigoso esquerdista. Disso é o que estão me chamando em alguns grupos das redes sociais dos quais faço parte, e onde de quando em vez publico meus artigos. Logo eu, pobre de mim, que jamais quis trazer perigo para quem quer que fosse. A única coisa que me torna intransigente é a defesa da democracia. Mas, de repente, ser comunista agora é fácil. Nem mais trabalho dá. Basta falar mal de Bolsonaro, e imediatamente você é galgado à posição de comunista. Não que isso me incomode, até porque acho que quem quiser tem todo o direito de ser comunista, esquerdista ou socialista essa é a graça da democracia. Mas pelo sim pelo não, tenho evitado vestir algumas camisas vermelhas que possuo inclusive a do glorioso Club Sportivo Sergipe. 


Texto reproduzido do Perfil/Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão 

Nenhum comentário:

Postar um comentário