Texto compartilhado do Perfil no Facebook de Paulo Roberto Dantas Brandão, em 30 de outubro de 2021
Comunista, eu?
Por Paulo Roberto Dantas Brandão
Winston Churchill, primeiro ministro da Grã-Bretanha quando da II Guerra Mundial declarou uma vez que “não ser comunista aos 18 anos é não ter coração; continuar comunista depois disso é não ter cabeça”.
Churchill era um dos maiores frasistas da história, e quase sempre era preciso. Nos meus 18 anos até que tentei ser comunista. Meu coração muito grande, recheado de labirintos que me sujeitavam a paixões avassaladoras, assim o exigiu. Mas naquela época ser comunista dava um trabalho insano. Para começar tinha que saber o “Manifesto” decorado, tinha que conhecer toda a obra de Marx e de Engels, e tinha que discutir “O Capital” em todas as suas nuances, inclusive a natureza da Mais Valia e a forma da Acumulação Primitiva do Capital. O pior era a tal da disciplina partidária. Logo eu, não tão disciplinado o quanto pareço. Bom, nem começou, e já desisti.
Mas minha cabeça, bem menor do que o meu coração, nunca obliterou o meu sentimento da busca da justiça social. Isso me fez humano, mesmo tendo abandonado o comunismo antes de entrar.
Essa minha cabeça pequena, porém, me levou a não fazer concessões contra a democracia. As liberdades democráticas passaram a ser a minha profissão de fé. Consciente de outra frase de Churchill, de que “a democracia era a pior forma de governo, com exceção de todas as outras”, acho que estou no caminho certo.
Agora, de repente, vejo-me na condição de comunista, ou de pelo menos de um perigoso esquerdista. Disso é o que estão me chamando em alguns grupos das redes sociais dos quais faço parte, e onde de quando em vez publico meus artigos. Logo eu, pobre de mim, que jamais quis trazer perigo para quem quer que fosse. A única coisa que me torna intransigente é a defesa da democracia. Mas, de repente, ser comunista agora é fácil. Nem mais trabalho dá. Basta falar mal de Bolsonaro, e imediatamente você é galgado à posição de comunista. Não que isso me incomode, até porque acho que quem quiser tem todo o direito de ser comunista, esquerdista ou socialista essa é a graça da democracia. Mas pelo sim pelo não, tenho evitado vestir algumas camisas vermelhas que possuo inclusive a do glorioso Club Sportivo Sergipe.
Texto reproduzido do Perfil/Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão

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