O horror depois da morte de Olavo
Nas condições normais de temperatura e pressão (guerras são exceção, mas ainda assim há códigos a serem observados), adversários têm de ser derrotados no campo das ideias, não por meio da eliminação física — que não se restringe à morte ou a doenças incapacitantes. A eliminação física se dá também por meio do amordaçamento de vozes discordantes e da censura judicial pura e simples.
Quem se sente livre para comemorar a morte de um adversário também se sentirá livre para tentar matar as palavras dele fora do âmbito do debate. A cultura do cancelamento é também assassinato, desejo de eliminação física. Em 1852, o escritor francês Gustave Flaubert, que enfrentou um processo criminal por causa do romance Madame Bovary, que causou escândalo na época, escreve numa carta: “A censura, qualquer seja ela, parece-me uma monstruosidade, algo pior que o homicídio; o atentado contra o pensamento é um crime de lesa-alma”.
Festejar a morte ou a censura de um oponente revela ausência de metro moral e o raquitismo das próprias ideias.
Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com
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