Legenda da foto: Como se tornar o pior aluno da escola, de Danilo Gentili, enfrenta polêmica e tem classificação indicativa alterada para 18 anos
Publicado originalmente no site do Jornal O TEMPO, em 16 de março de 2022
Governo muda classificação indicativa de filme de Gentili para 18 anos
Mudança acontece um dia depois do Ministério da Justiça determinar que plataformas de streaming retirem produção do ar sob pena de multa de R$ 50 mil por dia em caso de descumprimento
Por LUCYENNE LANDIM | O TEMPO BRASÍLIA
O Ministério da Justiça e Segurança Pública alterou a classificação indicativa do filme “Como se Tornar o Pior Aluno da Escola”, que agora passa a ser não recomendado para menores de 18 anos. Antes, o material não era indicado para menores de 14 anos.
As plataformas que exibem o filme têm cinco dias para atualizar a recomendação etária na descrição do conteúdo.
A mudança foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (16) e acontece um dia depois do órgão determinar, por meio da Secretaria Nacional do Consumidor, que plataformas de streaming retirem do ar, em até cinco dias, o filme. A multa para descumprimento da medida foi fixada em R$ 50 mil por dia.
Além da nova classificação indicativa, o despacho publicado nesta quarta traz a recomendação para que o filme seja exibido somente após as 23h em canais abertos de televisão.
Entenda polêmica de filme de Danilo Gentilli
A polêmica em torno do filme se deu após o secretário especial de Cultura, Mario Frias, publicar em suas redes um trecho do filme em que o personagem interpretado por Fábio Porchat instiga dois garotos menores de idade a pararem de discutir e pede que o masturbem. As crianças reagem com surpresa, negando o pedido.
Para Mario Frias, a cena incentiva a pedofilia. Contudo, a obra segue normas do governo Bolsonaro. Nos dois guias publicados pelo Ministério da Justiça já no governo Bolsonaro, em 2018 e também na versão atualizada de 2021, usados como referência pela indústria audiovisual, conteúdos em que há a indução ou atração de alguém à prostituição ou outra forma de exploração sexual não são recomendados para menores de 14 anos.
Porchat, por sua vez, defendeu-se enfatizando que um ator nem sempre interpreta o mocinho em um filme e que vilões, geralmente, fazem coisas horríveis.
"Vamos lá: como funciona um filme de ficção? Alguém escreve um roteiro e pessoas são contratadas para atuarem nesse filme. Geralmente o filme tem o mocinho e o vilão. O vilão é um personagem mau. Que faz coisas horríveis. O vilão pode ser um nazista, um racista, um pedófilo, um agressor, pode matar e torturar pessoas", afirmou Porchat por meio da assessoria.
Danilo Gentili, por sua vez, ironizou as reclamações de grupos ligados ao governo. "O maior orgulho que tenho na minha carreira é que consegui desagradar com a mesma intensidade tanto petista quanto bolsonarista. Os chiliques, o falso moralismo e o patrulhamento: veio forte contra mim dos dois lados. Nenhum comediante desagradou tanto quanto eu. Sigo rindo", disse, em suas redes sociais.
Cena gerou reações no Congresso Nacional
A viralização da cena em redes sociais gerou uma reação em cadeia de parlamentares que expuseram, inclusive, uma mudança de posição em relação ao filme. Em 2017, época em que o filme estava em cartaz nos cinemas, quando Danilo Gentili era defensor do governo, parlamentares bolsonaristas elogiavam a produção.
O deputado federal Marco Feliciano (SP), por exemplo, havia dito, na época, que "há tempos não ria tanto". Agora, Feliciano apagou a postagem e disse que deve ter saído do cinema para atender o telefone pois não se lembra da cena em discussão agora.
Na terça-feira (15), o presidente da Frente Parlamentar Evangélica, deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), protocolou uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo a investigação da Netflix, de Gentili e de Porchat por eventuais crimes sexuais contra vulneráveis.
Sóstenes quer saber se a produção cometeu crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente no Código Penal de produzir e vender cena de sexo explícito envolvendo criança ou adolescente, que contenha apologia ou o fato estupro ou de prática de ato obsceno de forma exposta ao público.
Texto e imagem reproduzidos do site: otempo.com.br
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