terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

O Irã antes de 1979


Xá Mohammed Reza Pahlavi 

Jovens iranianas se divertem em uma praia

Iranianos se divertem em Teerã ao som de rock and roll no início dos anos 1960 

Jovens participando da Revolução Islâmica do Irã em 1979

Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 23 de fevereiro de 2026

O Irã antes de 1979

A Revolução Islâmica dos aiatolás mudou completamente a sociedade iraniana - em todos os aspectos, para pior. Daniela Giorno para a Oeste:

Em um tempo não muito distante, o Irã era socialmente muito mais vibrante, liberal e secular do que é hoje. Antes da Revolução Islâmica de 1979, o país era governado por Mohammad Reza Pahlavi, o último xá da dinastia Pahlavi. Seu reinado de quase 40 anos (1941–1979) foi marcado por um projeto ambicioso de modernização econômica e social, aliado a um regime político autoritário.

Na década de 1960, o xá lançou a chamada Revolução Branca, um conjunto de reformas que incluía redistribuição de terras, expansão da educação pública, incentivo à industrialização e concessão de direitos às mulheres, como o voto (introduzido em 1963). O governo também investiu fortemente em infraestrutura, saúde e urbanização. Com o aumento expressivo das receitas do petróleo nos anos 1970, o país viveu rápido crescimento econômico e passou por intensa modernização, especialmente em grandes cidades como Teerã.

Havia crescimento de universidades, cinemas, cafés, empresas privadas e infraestrutura moderna. A elite urbana vivia de forma semelhante a padrões europeus ou norte-americanos, com acesso à moda ocidental, música internacional e maior liberdade social. Mulheres das classes média e alta, especialmente em centros urbanos, podiam frequentar universidades, ingressar no mercado de trabalho, vestir-se com saias curtas e sem véu (o uso não era obrigatório), além de participar da vida cultural e social.

O Irã mantinha relações estreitas com os Estados Unidos e países europeus, sendo considerado um aliado estratégico do Ocidente no contexto da Guerra Fria. O país adotava um modelo de desenvolvimento fortemente influenciado por padrões ocidentais, tanto na economia quanto nos costumes urbanos de parte da população.

Entretanto, o período também foi caracterizado por repressão política. A temida polícia secreta do regime, a Savak, era responsável por monitorar, prender e interrogar opositores. Partidos políticos tinham atuação limitada e críticas ao governo eram frequentemente reprimidas. A concentração de poder nas mãos do xá e as desigualdades sociais geradas pelo crescimento acelerado provocaram insatisfação em diferentes setores da sociedade, incluindo religiosos, intelectuais, estudantes e trabalhadores.

Além disso, parte do clero xiita se opunha às reformas do xá, considerando-as excessivamente ocidentais e contrárias aos valores islâmicos tradicionais. Essa oposição religiosa ganhou força ao longo dos anos 1970, especialmente em meio à inflação, ao desemprego e à percepção de corrupção no governo.

Esses fatores — modernização rápida, autoritarismo político, desigualdade social e tensões culturais — criaram um ambiente de crescente instabilidade. Em 1979, após meses de protestos massivos, greves e confrontos, o xá deixou o país, abrindo caminho para a Revolução Islâmica que transformaria profundamente o sistema político e social iraniano.

Assim, o Irã deixou de ser uma monarquia e tornou-se uma república teocrática. A nova Constituição, aprovada no fim de 1979, estabeleceu o princípio do Velayat-e Faqih (“governo do jurista islâmico”), que concede autoridade suprema a um líder religioso. O aiatolá Ruhollah Khomeini tornou-se o primeiro Líder Supremo, posição com amplos poderes sobre as Forças Armadas, o Judiciário, a mídia estatal e decisões estratégicas do país.

Embora eleições para presidente e parlamento tenham sido mantidas, candidatos são previamente avaliados por órgãos religiosos, como o Conselho dos Guardiães, o que limita a pluralidade política.

A legislação passou a ser baseada na interpretação xiita da lei islâmica (Sharia) e isso afetou diversas áreas:

*Implementação obrigatória do uso do hijab para mulheres em espaços públicos.

*Separação mais rígida entre homens e mulheres em determinados ambientes.

*Reformulação do direito de família e das normas de comportamento social.

*Introdução de punições baseadas na lei islâmica para certos crimes.

Universidades passaram por um processo conhecido como “Revolução Cultural”, com revisões curriculares e afastamento de professores considerados contrários ao novo regime, que adotou uma postura declaradamente antiocidental e passou a defender a exportação de sua revolução para outros países da região.

A Revolução Islâmica não foi apenas uma troca de governo, mas uma transformação estrutural do Estado iraniano — substituindo uma monarquia secular e pró-Ocidente por uma república teocrática baseada na autoridade religiosa, redefinindo o papel da religião na política e reposicionando o país no cenário internacional.

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Daniela Giorno é diretora de arte de Oeste e, a cada edição, seleciona uma imagem relevante na semana. São fotografias esteticamente interessantes, clássicas ou que simplesmente merecem ser vistas, revistas ou conhecidas.

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Texto e imagens reproduzidos do blog: otambosi blogspot com

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