Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 27 de fevereiro de 2026
Casal presidencial?
João Campos e Tabata Amaral mostram força política no casamento e se posicionam para substituir a esquerda lulista no futuro. Duda Teixeira e Wilson Lima para a Crusoé:
O casamento do prefeito de Recife, João Campos, com a deputada federal Tabata Amaral, ambos do PSB e com 32 anos, é, mais do que uma união de dois pombinhos risonhos e apaixonados.
Realizado em uma igrejinha na paradisíaca praia de Carneiros, em Pernambuco, o evento juntou duas personalidades com capital político próprio que, juntas, terão potencial ainda maior de influenciar nos rumos do país no futuro.
Em um país onde as mulheres costumam ganhar projeção na política após se tornarem primeiras-damas, a reboque do marido, Tabata se destaca por se casar já com força própria.
Ela foi eleita deputada federal em 2018 por São Paulo, com 264 mil votos.
Nasceu na Vila Missionária, bairro na periferia de São Paulo.
Filha de mãe diarista e pai cobrador de ônibus, conseguiu estudar na Universidade Harvard com uma bolsa do empresário bilionário Jorge Paulo Lemann.
É um caso típico de alguém que saiu de baixo e subiu na escada social por méritos próprios.
João Campos, por sua vez, já nasceu em berço de ouro, porque vem de uma dinastia nordestina.
Seu bisavô foi Miguel Arraes, que foi cassado pelo golpe militar de 1964 e se exilou na Argélia. De volta ao Brasil, foi três vezes governador do estado.
O neto de Arraes, Eduardo Campos, foi governador por dois mandatos e morreu tragicamente em um acidente aéreo em campanha nas eleições de 2014.
"No velório do Eduardo, o garoto João Campos, com cerca de 16 ou 17 anos, segurou o caixão do pai. Essa imagem foi muito recorrente e marcante entre os especialistas em política", disse o jornalista Ricardo Antunes, em entrevista ao Meio-Dia em Brasília.
No velório, João, o filho mais velho, comandou as homenagens ao pai morto com os gritos de "Eduardo, guerreiro do povo brasileiro". Ele e os irmãos usavam um chapéu de palha, marca registrada de Arraes.
"João foi preparado para seguir o rumo da política e o PSB, vale lembrar, na época de Eduardo Campos já tinha governado Pernambuco por 16 anos", afirmou Antunes.
Futuro
A dupla romântica do PSB tem boas chances de se viabilizar como uma possível substituta da esquerda lulista que depende do atual presidente para ter projeção nacional.
Tabata é católica. Sua mãe a levava a uma igreja todos os domingos e ela chegou a ser coroinha. Sempre quis casar e ter filhos. Não tem, portanto, o discurso identitário de muitos membros da esquerda.
Ao votar a favor da reforma da Previdência e defender o equilíbrio fiscal no Congresso, Tabata foi criticada por figuras da esquerda, como o ator José de Abreu e o teólogo Leonardo Boff.
"Quando defendo a mesma visão de mundo progressista, do combate à desigualdade, da defesa da educação pública, mas também a responsabilidade fiscal, a eficiência do Estado, que é o único caminho que a história nos mostra ser possível para o Brasil ser um país justo e desenvolvido, eu apresento uma alternativa para as pessoas que também têm sensibilidade social, mas discordam das teses que estão presentes hoje de forma mais majoritária na esquerda", disse ela em entrevista a Crusoé, em 2021.
Tabata ainda não declarou que tentará mais um mandato como deputada federal por São Paulo, mas a chance existe.
João Campos assumiu o gabinete do governo de Pernambuco dois anos após a morte de seu pai.
Em 2018, elegeu-se deputado federal. No Congresso, conheceu Tabata em reuniões de comissões sobre educação. Foi então que os dois se apaixonaram.
Em 2020, elegeu-se prefeito do Recife. Quatro anos depois, obteve a reeleição. Nas duas vezes, venceu no primeiro turno.
Agora ele está à frente, com 53% das intenções de voto, na corrida para o governo de Pernambuco. A atual governadora, Raquel Lyra, aparece com 31% na Paraná Pesquisas.
Alcance nacional
Fortes em suas regiões, os dois também conhecem muito bem o jogo da política nacional.
Tabata se candidatou à prefeitura de São Paulo em 2024. Como os debates com Datena e Pablo Marçal foram acalorados, isso a ajudou a se projetar nacionalmente.
João Campos conta com o apoio do presidente Lula em seu desejo de tentar o governo do estado. Com aliança no dedo, esse caminho ficará mais fácil.
Ele também tornou-se o presidente do seu partido, o PSB, em meados do ano passado.
Meses depois, Campos nomeou para procurador de Recife o filho de uma procuradora.
Ele ficou em 63º lugar em um concurso público, mas foi promovido para o primeiro lugar da fila depois de alegar ter autismo e pedir uma vaga reservada para PCD. O laudo só foi feito três anos após o concurso.
O Ministério Público de Pernambuco iniciou uma apuração, mas uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes trancou as investigações. O caso corre em segredo de justiça.
Gilmar atendeu a um pedido do PSB, que alegou risco à neutralidade do Estado em período pré-eleitoral.
No casamento de Campos e Tabata, quem compareceu foi outro ministro do STF, Alexandre de Moraes, que levou a esposa, Viviane. Os dois chegaram à praia de helicóptero.
Moraes e Viviane estão envolvidos no escândalo do Banco Master, por um contrato de 129 milhões de reais entre o escritório da esposa com a instituição financeira de Daniel Vorcaro.
Outro que estava no casório foi Geraldo Alckmin, vice-presidente da República e membro do PSB.
Jorge Messias, advogado-geral da União e indicado para vaga no STF, também apareceu por lá.
Lula só não foi porque estava de viagem pela Índia e pela Coreia do Sul.
Na política, aqueles que mostram a possibilidade de exercer poder no futuro conseguem mais aliados no presente.
João Campos e Tabata já demonstram ter essa capacidade.
Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi blogspot com

Nenhum comentário:
Postar um comentário