quarta-feira, 15 de abril de 2026

Trump irracional? Interpretação exagerada


Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 14  de abril de 2026

Trump irracional? Interpretação exagerada.

O ego parece descontrolado, ainda mais com uma situação indesejada no Irã, e alimenta teorias da oposição sobre desequilíbrio mental. Vilma Gryzinski:

Até Donald Trump reconheceu que foi errado divulgar a imagem em que aparece claramente como um Jesus Cristo patriótico e apagou a postagem. Mas não deu para apagar as interpretações, até entre aliados, de que a imagem com ares de blasfêmia indica uma tendência à irracionalidade.

Ou, no mínimo, a perda dos mecanismos de filtragem. Isso não é incomum entre os poderosos, cercados de bajuladores que não ousam dizer não e empolgados pelos votos que os levaram ao ápice, esquecendo-se de que voto não é uma garantia eterna de fidelidade. Chegam a achar até que degustar um animal silvestre vai fazer bem para sua imagem. É a embriaguez do poder.

Comprar briga com o papa é outro indício de que Trump anda flertando com ultrapassar as fronteiras da irracionalidade. Não que Leão XIV não tenha se deixado levar por uma óbvia antipatia pelo presidente, mas acusá-lo de ser “fraco com o crime e péssimo para a política externa” é uma tolice: ele é papa, tem que ser forte contra o pecado e bom para a alma dos fiéis. Trump bateu o pé e repetiu as reclamações, condenadas até por uma de suas personalidades prediletas na política internacional, a católica praticante Giorgia Meloni, primeira-ministra da Itália.

As imprecações contra o compatriota também abriram caminho para o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, tentar tirar uma casquinha e mandar uma mensagem ao papa: “Condeno o insulto a Vossa Excelência em nome da grande nação do Irã e declaro que a profanação de Jesus, o profeta da paz e da fraternidade, não é aceitável”. Vejam só.

TOMAHAWK NO PÉ

Estaria Trump perdendo seus instintos políticos, a arma com a qual criou um poderoso elo com a enorme parcela do eleitorado americano que o presenteou com a Casa Branca duas vezes? Ou estaria apenas curtindo o que mais gosta, ocupar o centro das atenções – com eficiência, pois não se falou nos últimos dias de outro assunto.

Insultar os cristãos, mesmo que não de maneira maligna, seria um Tomahawk no pé, alcançando igualmente católicos (70 milhões) e protestantes (150 milhões, dos quais 80 milhões evangélicos). Sem contar o insulto às inteligências mesmo abaixo da média ao dizer: “Achei que era eu como médico. Tinha a ver com uma cruz vermelha”.

Embora não pareça minimamente sob pressão, Trump não pode estar nada satisfeito com a situação que criou no Irã: o regime não caiu, as negociações sobre um acordo de longo prazo fracassaram rapidamente no Paquistão e a vasta maioria dos países aliados dos Estados Unidos se manifestou contra a guerra ou ficou em silêncio.

Vários analistas acham que Trump usa deliberadamente a imagem de “louco de pedra” para manter os inimigos numa posição de desconforto e dúvida sobre seus próximos lances. A reunião com os principais assessores de segurança que precedeu a decisão sobre o ataque ao Irã, reproduzida em detalhes pelo New York Times, mostrou um presidente coerente, lúcido, interessado em ouvir todos os argumentos, contra e a favor, e que acaba decidindo a favor da guerra.

MENSAGEM DE PERDÃO

Inimigos mais figadais enxergam em seu comportamento traços de desequilíbrio e falam até em invocar a 25ª emenda da Constituição, dedicada à declaração de impedimento do presidente por doença grave, física ou mental. O New York Times, claro, já achou especialistas para corroborar a tese. É o exagero que intoxica a política, desiludindo os cidadãos comuns que se sentem expelidos por atitudes extremas.

Um teste grande para o equilíbrio presidencial está em vigor desde ontem, com a decisão do “contrabloqueio” do Estreito de Ormuz. Como reagirão os navios iranianos proibidos de sair de seus próprios portos? E o petróleo, a bolsa e outras instâncias avessas à instabilidade?

As negociações com o Irã no Paquistão não foram o fracasso total apresentado pela mídia e ainda existe campo para um acordo, com o Irã suspendendo a produção de urânio por alguns anos (quantos ainda é objeto de grande concordância), em troca de um chamado “pacote Tiffany”: suspensão de sanções e outras vantagens econômicas.

Os próximos dias prometem emoções fortíssimas. Mas pelo menos é razoável prever que não veremos mais Trump querendo encarnar veneradas e divinas figuras.

Pelo menos, a favor de Trump, pesa que o insulto foi a um mensageiro que tem o perdão como um dos pilares fundamentais de sua doutrina. Já pensaram se fossem outros os envolvidos?

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi blogspot com

Nenhum comentário:

Postar um comentário