Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 7 de agosto de 2026
O que a direita tem a oferecer
Sabatina O Antagonista e G4 indica as principais qualidades dos desafiantes de Lula. Duda Teixeira e Rodolfo Borges para a Crusoé:
O Antagonista promoveu com o G4, nesta semana, uma sabatina com os principais candidatos presidenciais da eleição 2026.
O evento marcou o início da campanha eleitoral, após as convenções partidárias que definiram os candidatos, e só não contou com o presidente Lula, que não deve comparecer a eventos do gênero, nem a debates ao longo desta campanha.
A sabatina serviu, portanto, para apresentar e discutir os projetos dos quatro homens que se apresentam como alternativa a um presidente que aumentou para 80% do PIB a dívida pública, com políticas que visam mais à recuperação de sua biografia, após a prisão, do que ao bem do país.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Renan Santos (Missão) e os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás, e Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, são todos de direita e concordam em muitas pautas, como o endurecimento do combate ao crime, a responsabilidade fiscal e a contenção do Supremo Tribunal Federal (STF), mas têm personalidades e planos diferentes.
As distinções entre as propostas e as condições para implementá-las estão detalhadas nesta reportagem, baseada no que eles disseram na sabatina, ao dar início à corrida eleitoral.
Zema, de Minas para o Brasil
O empresário e ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema propõe levar sua experiência de dois mandatos no governo do estado para todo o país.
"O compromisso que eu assumo, eu quero lembrar, eu já fiz em Minas. Durante o meu governo em Minas, nós levamos para o estado 530 bilhões de reais de investimentos privados. Isso dá mais de 100 bilhões de dólares. É uma montanha de dinheiro que a maioria dos países do mundo não atraiu. Nesse período de sete anos em que eu fiquei governador de Minas, criamos mais de 1 milhão de empregos formais. O desemprego em Minas é o menor da história. A taxa de pobreza é a menor. Ganhamos participação no PIB do Brasil", disse Zema.
Zema fala em repetir as mesmas medidas que tomou em Minas, mas em outra escala. Entre essas medidas estão as privatizações e a redução da máquina pública.
Questionado sobre a Copasa, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais, Zema respondeu: "A Copasa acabou de ser privatizada há 90 dias. Quem acompanha o mercado sabe disso. As estatais em Minas, durante a minha gestão, tiveram uma valorização superior a 300%, tanto Copasa quanto Cemig. E eu vendi participações e privatizei 118 empresas, companhia do lítio, Elibrás, Light. A única empresa que não foi privatizada e será é a Cemig", disse Zema.
Sobre corte de pessoal, Zema tentou fazer um cálculo sobre como seria em escala nacional, mas evitou dar um número.
"Em Minas Gerais, eu fiz algo que acho que nunca aconteceu no Brasil. Me falem de algum governador ou até presidente que reduziu quase 50 mil cargos na máquina pública. Eu fiz isso em Minas. Foram 50 mil cargos que eu reduzi em Minas seriam o equivalente para o Brasil a meio milhão de cargos. Minas Gerais é mais ou menos 10% do Brasil. Só com isso, o Estado de Minas economizou por ano cerca 4 bilhões de reais. A nível Brasil seriam 40 bilhões de reais. Tem muita coisa que dá para fazer", afirmou o mineiro.
Caiado, presidindo pelo exemplo
Ronaldo Caiado tem quase tantos anos de política quanto Renan Santos e Flávio Bolsonaro, ambos na faixa dos 40, têm de idade. Candidato à Presidência da República em 1989, quando tinha 39 anos, o ex-governador de Goiás deixou claro, mais uma vez, que aposta no próprio currículo para acalmar um país partido entre lulismo e bolsonarismo há quase 10 anos.
"Eu quero convocar a todos vocês com a experiência da idade, dos seis mandatos que eu tenho no Congresso Nacional, com dois mandatos como governador do estado. O que eu pretendo fazer é pacificar o Brasil, é dar oportunidade para todos sentarem à mesa, é poder construir um outro momento. Não se governa brigando, não se governa provocando as pessoas. Governo é sentado à mesa de negociação. É assim que eu governei e assim que eu irei governar o Brasil", prometeu o goiano, que fez mais uma vez uma enfática defesa do agronegócio, sua bandeira de vida.
O momento em que Caiado mais cativou a plateia de empresários que acompanhou a sabatina, contudo, foi quando ele falou sobre a segurança pública de Goiás, um dos principais fatores para os seus 88% de aprovação ao deixar o governo neste ano para concorrer ao Palácio do Planalto.
"Qual é o seguro de carga mais barato no país? Goiás. Qual é o seguro de carro mais barato no Brasil? Goiás. Em Goiás, ninguém faz seguro para roubo de carro. Faz para acidente. Onde é que carga valiosa não tem batedor? Chega na divisa de Goiás com Minas, os batedores saem. Entra em Goiás. Chega na Bahia, os batedores entram", disse o ex-governador, relatando que recebeu homenagem do setor supermercadista e das joalherias goianas.
Segundo ele, Goiás é o estado mais seguro do Brasil e "nunca teve um assalto que progredisse lá" durante seu governo. "Pergunte aos empresários, comerciantes o que é a segurança plena instalada no estado. Pergunte o custo para os empresários no meu estado de Goiás. É o menor que tem no Brasil", defendeu, acrescentando que os empresários não precisam andar de carro blindado.
"Uma empresa quebrou lá em Goiás. Soube que elas foram para o Rio de Janeiro, que tem fila de espera hoje, mais de 6 mil carros, para serem blindados", disse Caiado, para o riso da plateia.
O ex-governador também prometeu encaminhar ao Congresso, logo no primeiro dia de governo, propostas de emenda à Constituição (PECs) para as reformas política, administrativa, tributária (com revisão de pontos da reforma atual) e de segurança.
Entre todos os candidatos à Presidência, nenhum fala com mais propriedade do que ele sobre terras raras — Caiado defende a industrialização e processamento local de minerais críticos.
Se seu plano de estabilização der certo — e isso passa pela sua promessa de anistiar os condenados pelos atos de vandalismo no 8 de janeiro de 2023 —, o ex-governador de Goiás calcula que o país conseguirá alcançar uma taxa real de juros de 3% a 4%, longe dos 14% atuais.
Renan, uma novidade de verdade
Com 42 anos, Renan Santos é o mais novo entre os candidatos a presidente. É o que mais arrisca e o que mais traz temas novos para o debate nacional.
Seu plano de governo de 50 páginas é um resumo dos seis fascículos do Livro Amarelo, produzido pelo Movimento Brasil Livre (MBL) com a contribuição de centenas de pessoas, com diversas experiências.
Por isso, Renan, que hoje comanda o partido Missão, fundado no ano passado, traz frescor à política brasileira ao introduzir assuntos que não foram debatidos ou que são deixados de lado porque são impopulares.
Renan não esconde que, caso se torne presidente, fará um ajuste fiscal duro para reduzir os juros da economia. O corte de gastos vai acontecer principalmente com a redução do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o fim dos gastos mínimos com saúde e educação.
"São as reformas fiscais altamente impopulares que vão mudar a trajetória da dívida e assim mudar a trajetória do juros futuro do Brasil. Eu preciso passar a desindexação dos valores previdenciários do BPC que hoje estão vinculados ao aumento do salário mínimo, e eu preciso passar a desvinculação dos gastos de saúde e educação, que são vinculados à receita. São duas coisas que são PEC [Proposta de Emenda Constitucional] e que precisam passar, porque isso mexe com o crescimento completamente descontrolado que a gente tem dos gastos e, por consequência, da dívida", afirmou Renan na sabatina.
O candidato tem plena liberdade para propor mudanças radicais, mesmo que admita que, para conseguir colocá-las em prática, terá de negociar com o Congresso e, se necessário, "dar uma conversada com o Capeta".
Entre as suas propostas está criar um tribunal separado do STF para julgar os parlamentares, urbanizar favelas em parceria com a iniciativa privada (a "desfavelização"), introduzir um código para a imprensa para impedir que sites de fofocas façam propaganda política com verbas públicas, reduzir o número de municípios do Brasil e condicionar as emendas parlamentares a cortes nos gastos obrigatórios.
"O município, especialmente o município com baixa atividade econômica, tornou-se um executor de recursos que vêm do governo federal e executor de emendas do padrinho político do prefeito, que é o deputado que recebe a emenda hoje. O que é um deputado federal? Ele é um gestor de uma série de filiais que ele tem, que são municípios. E eles executam as emendas dele. Fazem o show do Wesley Safadão para se reeleger. Não têm nenhuma obrigação ou compromisso com indicadores de desempenho, os famosos KPIs, que vocês colocam nas empresas para poderem validar se a empresa está funcionando ou não. E aí eles giram esse dinheiro", afirmou Renan.
Para Renan, os prefeitos que aumentarem a atividade econômica devem ser premiados, enquanto os municípios que não conseguem pagar as próprias contas devem se fundir com outros. "O prefeito poderá receber mais emendas, desde que entregue bons indicadores de desempenho facilmente metrificáveis e auditáveis. O maior deles seria o aumento da atividade econômica, percebida com aumento de emprego e redução de pessoas vivendo do assistencialismo", disse o candidato.
Flávio, empurrado por um movimento
Flávio Bolsonaro só concorre à Presidência porque seu pai está preso. Está claro que o senador não se preparou para assumir o Palácio do Planalto, mas Jair Bolsonaro também não estava preparado quando assumiu o país em 2018.
Hoje, o bolsonarismo tem muito mais corpo e quadros do que tinha duas eleições atrás.
Abalado na pré-campanha pelo escândalo do Banco Master, por causa do patrocínio para o filme Dark Horse, Flávio não conseguiu formar uma coligação que tornasse sua candidatura mais robusta, e teve de se contentar com o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice.
Mas o candidato destacou na sabatina que está cercado de aliados de peso, como a senadora Tereza Cristina (PP-MT), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), favorito para se reeleger em São Paulo, e a ex-presidente da Caixa Daniella Marques (Republicanos).
"Em praticamente todos os estados nós estamos com palanques montados. Nós temos 22 palanques já 100% fechados no Brasil. Só para que todos possam ter uma referência, o presidente Bolsonaro tinha, em 2022, apenas 10 estados com os palanques. Nós já temos mais do que o dobro", disse o senador, que estava lidando com as tratativas para decidir seu vice e participou remotamente da sabatina.
Na quarta-feira, 5, Flávio fechou o 23º palanque estadual, em Minas Gerais, com a candidatura de Flávio Roscoe. E a força do PL deve se materializar também no Congresso Nacional.
Antes de ser preso, Bolsonaro falava, ainda em 2025, no projeto de eleger a maioria do Senado e da Câmara. Entre os senadores, que têm a prerrogativa de julgar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o desafio parece mais palpável. A maioria permitiria governar de uma forma mais confortável que Lula, que passou o governo inteiro tentando reverter derrotas no Supremo.
Questionado na sabatina sobre os atritos com os ministros do STF, especialmente Alexandre de Moraes, que assume a presidência do tribunal em setembro de 2027, Flávio disse que o próximo presidente vai indicar quatro juízes supremos, e falou sobre a possibilidade de impeachment.
"Essa grande anomalia que nós estamos vivendo hoje no nosso país ocorre porque a atual configuração do Senado Federal desvirtuou isso, desequilibrou essa suposta harmonia que deveria haver entre os poderes. Não há freios e contrapesos", criticou o senador.
Caso eleito, a primeira missão auto-imposta do senador será, contudo, anistiar o pai e os condenados do 8 de janeiro, o que deve deflagrar uma crise com o STF antes mesmo que ele consiga ver o primeiro de seus indicados ser empossado no tribunal.
Flávio prometeu também aplicar um "tesouraço" tributário, detalhou seu programa de segurança, "Brasil sem Medo", e se comprometeu a apresentar uma PEC que extingue a possibilidade de reeleição para o cargo de presidente da República. Tudo isso em nome do seu pai.
Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi blogspot com

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