Já houve gente culta na direita
Por Paulo Roberto Dantas Brandão
O maior fdp da história política do Brasil talvez tenha sido Carlos Lacerda. Mas é inegável a sua cultura. Apesar de ser a maior liderança da direita brasileira nas décadas de 1950 a 1960, e ter vivido a pregar golpes e a “lamber os coturnos dos milicos”, com já disse um historiador, Lacerda tinha cultura. Das suas paredes pendiam quadros dos modernistas Chagall e Matisse; fundou uma das maiores editoras do Brasil, a Nova Fronteira; além disso fez a tradução de Julio Cesár de de William Shakespeare publicada em 1965. Dizem que Lacerda, após o suicídio de Vargas, seu principal adversário político, considerava-se o Brutus, disposto a salvar não Roma, mas o Brasil. No jornal Tribuna da Imprensa, de sua propriedade, publicava artigos extremamente bem escritos.
Outro exemplo de direitista de cultura foi o escritor Plinio Salgador, que fundou o Movimento Integralista Brasileiro. Uma emulação tupiniquim do fascismo de Benito Mussolini na Italia. Imitou o uniforme dos integralistas no dos fascistas italianos, mas mudou a Camisa Negra dos partidários de Mussolini pela Camisa Verde, dos integralistas (que passaram a ser chamados Galinhas Verdes). Tentou golpes de estado, mas bateu-se de frente com Getúlio Vargas, na década de 1930, que era politicamente mais sabido do que ele. Mas Plinio Salgado era um escritor consagrado, tendo participado do movimento modernista, na década de 1920. Não deixou de ser um sacana, mas tinha cultura.
Agora diga: qual o mínimo de cultura que têm os Bolsonaros? Perguntem, por favor, se Flavio Bolsonaro sabe quem foi Matisse ou Chagall. Pode ser que, de longe, já ouviu falar de Shakespeare, mas não deve ter a mínimo ideia do que escreveu. Bolsonaro pai, o Jair, tentou, por puro ressentimento, acabar com a cultura no Brasil. O Flavio não é melhor do que ele. Ao contrário, é tão tosco quanto o pai.
No Brasil, os direitistas, apesar de abjetos, tinham cultura. Os Bolsonaros, pai e filhos, são, além de ignorantes, arrogantes.
Por isso eu não voto, nunca votei e não pretendo votar num Bolsonaro.
Texto e imagem reproduzidos de post do Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão

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