Até a sua eleição, ele era Bolsonaro de carteirinha. Agora,
usa embates para se posicionar politicamente.
Post reproduzido do BLOG ORLANDO TAMBOSI, em 25 de março de
2020
"Doria usa pandemia para lançar campanha de 2022 contra
Bolsonaro"
J. R. Guzzo, via Metrópoles
O conflito entre o presidente da República e o governador de
São Paulo, João Dória, pode ser tudo – menos uma discussão honesta sobre saúde
pública e a necessidade de combater os males do coronavírus. Tem, isso sim,
tudo a ver com política.
Doria, que até o momento da sua eleição em 2018 era um dos
mais extremados defensores de Bolsonaro e de cada uma das posições públicas que
ele tomou durante a sua a própria campanha para a Presidência, virou
completamente a casaca depois que entrou no Palácio dos Bandeirantes. Passou a
ver a si próprio como o nome mais forte para suceder o presidente em 2022 – uma
espécie de “Lula sem a cara de Lula”, mesmo porque acha que Lula já está morto,
enterrado e não vai concorrer a coisa nenhuma.
Desde então, elegeu Bolsonaro como o seu inimigo número 1 e
só usa o seu tempo para tentar provar ao público que o Brasil está sendo
dirigido por um monstro – e que ele, Doria, é o único homem no mundo que pode
nos salvar.
A chamada “grande mídia”, que pode estar à beira da falência
mas ainda aceita ser chamada de “grande”, correu, naturalmente, em apoio de
Dória – se é contra Bolsonaro, então passa a ser automaticamente um grande
brasileiro, e pode contar conosco em tudo. Deu-se, assim, esse fenômeno
realmente curioso: Dória, que até outro dia era considerado pelos jornalistas
como um dos seres mais ignóbeis do mundo, passou a ser considerado o grande
herói da “resistência democrática” contra a “direita”, o “fascismo” e o seu
presidente.
No momento, o governador faz uso do coronavírus para
reforçar a sua causa – acha que a maioria da população, certa ou errada, está
com medo de morrer de gripe, e acha que o mais lucrativo, politicamente, é
pregar os extremos mais radicais de isolamento, confinamento, quarentena,
proibição de tudo o que for possível proibir.
O grande lucro futuro de tudo isso está na destruição da
economia, da produção e dos empregos que possa fazer, ou ajudar outros a
fazerem. Uma situação econômica ruim é a arma mais importante que os
adversários podem ter contra o presidente – e não há dúvida que, mais à frente,
toda a culpa pelo desemprego e pela crise econômica provocados com o combate ao
vírus será depositada na porta de Bolsonaro.
O presidente acaba de chamar Doria de “demagogo”. O
governador também vai subir de tom. O público aguarda.
Texto e imagem reproduzidos do blog otambosi.blogspot.com

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