sexta-feira, 24 de abril de 2020

Alessandro Vieira está correto: “O governo prometido por Bolsonaro acabou”


Publicado originalmente no site JLPOLÍTICA, em 23 de Abril de 2020

Alessandro Vieira está correto: “O governo prometido por Bolsonaro acabou”

Alessandro Vieira: opinião precisa e segura

Por Jozailto Lima (Coluna APARTE)

Diante da notícia de que o ministro da Justiça e da Segurança Pública do Brasil, Sérgio Moro, pediu demissão ao presidente Jair Bolsonaro na tarde desta quinta-feira, 23, o senador sergipano Alessandro Vieira, Cidadania, fez “um editorial” no Instagram de caráter cirúrgico. Básico e elementar.

Limpíssimo, que só alguns surdos não querem ouvir. “O governo prometido por Bolsonaro acabou”, diz a primeira linha do texto do senador de Sergipe. “O plano liberal de Guedes e o plano de combate à corrupção de Moro foram derrotados pela pandemia, rachadinhas e pelo casamento com o Centrão”, aprofundou Vieira.

E arrematou, com mais precisão ainda: “Resta a ignorância boçal de Weintraub e Ernesto. E alguns generais tentando evitar o desastre”. Mais cristalino que isso, impossível.

Weintraub é o Abraham, um deseducador e mistificador brasileiro de extrema-direita, que vê conspiração e vírus comunista em tudo que se move, e que posa de ministro da Educação do país.

O Ernesto do Instagram é o Araújo, que empresta barbas fartas e obtusidade excêntrica à condição de ministro de Relações Exteriores e choca o mundo com sua tese sórdida e rasteira de que o coronavírus é um plano comunista, liderado por grandes potências comunistas, como a China, e chancelado pela Organização Mundial da Saúde.

Uma gente, esses dois, de essência bem bolsonarista - mas que fique claro que nem todo bolsonarista é de essência tão medíocre como essas figuras aí citadas pelo texto do senador sergipano.

Mas, antes e durante a pandemia, está cada dia mais claro que Jair Messias Bolsonaro é, seguramente, a pior ocorrência política que já se deu sob o céu do Brasil em seus 520 anos de existência e história.

Bolsonaro é, enquanto um ser político, um zero à esquerda no campo da compreensão do que seja cuidar de uma nação pelas pradarias da tolerância democrática, do pensamento racional.

Mas aí vem a ironia, como aponta Alessandro Vieira: foi derrotado por um bichinho microscópico. Um vírus. Que ninguém se iluda: por trás da troca do comando da Polícia Federal da responsabilidade do tal Moro está mais uma crise de ciúme.

Nos moldes da que o fez derrubar Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde e colocar no lugar um poste insosso e atoleimado chamado Nelson Teich, um médico que não sabe a tradução da sigla SUS.

Claro que aí no caso de Moro Bolsonaro mata dois coelhos com uma só cacetada: tira de foco a investigação do esquema do filho senador nas rachadinhas e manda para casa um Moro que tem 75% de aprovação da opinião pública pelo que faz.

Ora, onde já se viu um ministro ter 75% de aprovação e o chefe dele ter apenas 35%? Isso é um absurdo e de uma insolência inadmissíveis. Não basta o insolente do Luiz Henrique Mandetta?

Para além do texto do Instagram, mais tarde o senador Alessandro Vieira reiterou para esta Coluna Aparte sua posição crítica em relação às bagaçadas bolsonaristas. “Continuo com a minha posição de independência com relação ao governo. Aquilo que é positivo, terá apoio. O que for negativo, será combatido”, disse ele.

“O que não aceito e nunca aceitei é a mentira. Não dá para criticar a velha política ou combater a corrupção e se aliar ao Centrão. Não tem nada de renovação nisso. FHC e Lula fizeram isso. Não é nessa política que acredito. Respeito as paixões por Bolsonaro, do mesmo jeito que respeito as paixões pelo Lula. Mas não fecho os olhos para a realidade”, disse ele.

Independentemente do que dê no embate entre Jair Bolsonaro e Sérgio Moro aprofundado nesta quinta – Moro, que permaneceu, vem sendo testado negativamente desde que entrou no Governo -, resta cada dia mais trincada o poder da governança do Bolsonaro. Ou talvez tenha de fato acabado, como bem frisou Alessandro Vieira.

     *  Jozailto Lima - É jornalista há 36 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica.com.br

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