sábado, 18 de abril de 2020

Homens ou ideias?, por Paulo Roberto Dantas Brandão

Imagem reproduzida do site sistemafibra e postada pelo blog para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente na Linha do Tempo/Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão, em 18 de abril de 2020

Homens ou ideias?
Paulo Roberto Dantas Brandão

Início dos anos 80, por aí, a Gazeta de Sergipe funcionava na Av. Rio Branco, em frente ao Rio Sergipe. Estava chegando ao jornal, quando ia entrando um conhecido médico, que todos admiravam e uma das figuras respeitáveis do Estado. Um senhor já, se não tinha seus 80 anos, estava bem perto, mas mantinha um bom físico. Ele me conhecia, mas não sabia meu nome, e me tratava como “Neto de Orlando“. Perguntei o que desejava. Ele queria um jornal de alguns dias atrás, onde saíra uma publicação qualquer. Pedi à menina da recepção que conseguisse, e fiquei conversando com ele.

Ele, simpático, começou: “Oh Neto de Orlando, você sabe que sou leandrista, sou um homem de Dr. Leandro, mas nunca deixei de admirar, nem de ser muito amigo de seu avô”. Para quem por acaso não saiba, leandrista eram os partidário de Leandro Maciel, que foi um governador e um dos políticos mais importantes do Estado. O comentário foi motivado porque meu avô Orlando Dantas era o crítico mais feroz de Leandro Maciel, e de quem não se furtou a ser um ferrenho adversário.

A questão é por que eu, tantos anos depois, nunca esqueci esse diálogo banal? Em primeiro lugar é que para mim, um jovem, era uma honra estar trocando ideias com uma personalidade do Estado. Mas o principal era ficar estarrecido como, uma grande figura, ser um partidário de alguém, ser um “leandrista”. Não por ser leandrista em si, não é isso, é por simplesmente seguir pessoas. Eu nunca entendi essa posição. Eu sempre procurei seguir ideias. Quando você segue pessoas, não consegue combater os seus defeitos e destacar suas virtudes. Quando você segue ideias, sabe os desvios das pessoas que estão no poder.

Não acredito em “salvadores da pátria”, não espero que um Messias venha nos salvar. Somos os responsáveis por fazer o nosso destino, buscando realizar aquilo que pensamos.

Por que essa reflexão? Dia desses um intelectual que muito admiro, em resposta a uma minha postagem se declarou “bolsonarista”.

Sou crítico tanto aos bolsonaristas quanto aos lulistas. Quem segue um líder carismático está propenso a aceitar todos os desvios autoritários que tais líderes costumam a pregar, e a adotar. Líderes carismáticos são ditadores em potencial. Por isso, procuro seguir ideias. Uma das que nunca me arredei é de ser um democrata, de lutar por uma democracia representativa. Com todos os seus defeitos pois, como disse Winston Churchill, é o pior de todos os sistemas, excetuando-se todos os outros.

Texto reproduzido do Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão

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