sexta-feira, 17 de abril de 2020

Tempos pré-históricos, por Paulo Roberto Dantas Brandão

Foto: Shutterstock - postada pelo blog, para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente na Linha do Tempo no Perfil do Facebook de Paulo Roberto Dantas Brandão, em 17 de abril de 2020

Tempos pré-históricos
Por Paulo Roberto Dantas Brandão

No ano passado eu escrevi que estávamos de volta aos anos 1950. Teríamos voltado aos tempos do auge da Guerra Fria, em que o comunismo era o principal inimigo do “Mundo Ocidental” onde nos víamos. Tempos retrógrados.

No comecinho desse ano escrevi que estávamos, de fato, de volta aos anos 1930: os comunistas continuavam sendo um grande inimigo, mas os Integralistas haviam voltado. E com direito a atentados e tudo mais. Pois é! Tempos estranhos onde até os Galinhas Verdes estavam presentes.

No mês passado tive impressão que estávamos em 1918. Pandemia, quarentena, pânico e mortes. Empirismos e voluntarismo político. Tempos perigosos.

Agora estou tendo a certeza que voltamos à pré-história, quando os velhos eram abandonados para morrer dadas as duras condições do grupo. Simone de Beauvoir em seu livro “A Velhice!” diz que o destino dos velhos variou conforme alguns fatores. Um dos mais importante era o grau de fixação em um território, já que os constantes deslocamentos de sociedades nômades em busca de alimentos impunham muito sacrifício aos mais idosos e, por isso, muitos ficam literalmente pelo caminho, não podendo acompanhar seus parentes. Pois é, tem gente que quer abandonar os velhinhos à própria sorte, ao contágio do Coronavirus. Tempos pré-históricos.

Como já passei dos 60, fico preocupado. Afinal, quem tem ... tem medo.

Mas, Beauvoir chama a atenção que o estabelecimento de duras condições de vida para os idosos também pode ser atribuída à desimportância atribuída à sua experiência de vidas. Uma sociedade que despreza suas tradições despreza também os seus velhos e, consequentemente, toda a riqueza cultural de que é portador, privando e penalizando a juventude em seu conhecimento da sua história, da sua família, da sua cidade, do seu país. Além de pré-históricos, temos tempos ignorantes.

Texto reproduzido do Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão

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