Publicado originalmente no site do GABEIRA, em 4 de setembro
de 2020
Diário da Crise CLXIX
Por Fernando Gabeira (do Blog)
Hoje falei do caso de Daniel Prude, 41, de Rochester USA.
Ele morreu asfixiado por capuz de malha que a polícia colocou na sua cabeça.
Daniel era negro, mais um morto pela polícia, por asfixia.
Dessa vez, as circunstâncias foram diferentes. Daniel sofreu
surto psicótico e saiu nu pelas ruas. Dizia que tinha coronavírus e cuspia
muito. Os sete policiais que o cercaram perguntaram se ele tinha AIDS. Pergunta
pertinente pois Daniel sangrava muito possivelmente por quebrar uma janela ao
fugir da casa do irmão.
Isso aconteceu em março. Mas a foto de um negro nu de capuz,
no meio da rua, só foi divulgada agora e desfechou uma nova onda de protestos.
Temo que a noite, peçam para que comente a rusga de Rodrigo
Maia e Paulo Guedes. Eles não se falam mais.
Por que o verbo temer? Acho a química humana irredutível à
lógica. Sempre respondo isso quando ouço a frase: não sei o que esse viu
naquele homem, ou vice versa.
Dois políticos não deveriam ficar de mal, como se fossem
adolescentes. Em Minas dizemos sempre que na vida pública as ideias brigam e as
pessoas não. Mas uma coisa é afirmar isso na serenidade das montanhas, outra é
repetí-lo naquele caldeirão de Brasília.
Uma deputada acaba de matar o marido depois de tentar
envenená-lo várias vezes. É tem nome de flor.
Talvez deva-se considerar que a briga de Guedes e Maia
apenas como se Neymar ou Anitta estivessem rompendo com mais um namorado.
Nenhum leva em conta como é supérfluo o poder ou como a vida
é breve. Amanhã tudo isso passa.
Alguém sempre vai se arrepender. Possivelmente, Guedes que
já está isolado.

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