Publicação compartilhada do site CINFORM, em 7 de junho de
2021
Por favor, respeite a Imprensa!
Por Ermerson Porto
Da Redação
A liberdade de pensamento e expressão, são elementos
essenciais no exercício da democracia e para a consolidação do estado
democrático de direito. É através dela que as pessoas conseguem expressar seus
pensamentos, sentimentos e experiências. Enquanto que esta pauta-se na
possibilidade de qualquer cidadã e cidadão manifestar-se, seja através de
ideia, história, trabalho, arte ou protesto. Liberdade de imprensa, por sua
vez, nasce da reivindicação de profissionais da área do jornalismo e suas
pautas.
Hoje, 7 de junho, é um dia nacional pela comemoração da
liberdade de imprensa. É importante que seja lembrado: os meios de comunicação
têm o direito e o dever de manter os cidadãos informados. Entretanto, o ser
livre não pressupõe desrespeitar a liberdade dos outros, pois, a força de uma
afirmação errada, é bem maior que um direito de resposta. Desse modo, à medida
que a imprensa possui a prerrogativa de liberdade, também tem certa obrigação
com a ética.
Caríssimos, diante da data comemorativa e o atual contexto
em nosso país, será que há muito ao que se comemorar diante dos constantes
ataques à mídia e aos profissionais da comunicação? A liberdade de imprensa é
um valor precioso para o regime democrático. É uma importante ferramenta para
estorvar abusos e desmandos de autoridade. Por este motivo, com o passar do
tempo, recebeu um status mais elevado na ordem jurídica: o de natureza de
direito fundamental. Mas isso aqui é outra história!
Voltemos. Imprensa livre, é sobretudo, sinal de que se
caminha rumo ao fortalecimento da vida democrática, ao lado da pluralidade de
pensamentos representada pelos parlamentos. Não obstante, sempre que se
instaura uma ditadura, quem primeiro padece é a imprensa livre e os
parlamentos. Um rápido olhar pela História é o suficiente para comprovar tal
constatação.
Você sabia que a impressão era proibida no Brasil na época
da monarquia? Ela só surgiu com a chegada da família real em 1808. Depois
disso, a primeira assembleia constituinte elaborou a nova lei de imprensa,
dando liberdade à publicação, mas venda e compra de livros com algumas poucas
exceções.
Já durante a ditadura civil-militar, também foi instituída a
chamada Lei de Imprensa, que estabelecia sérias restrições à liberdade de
expressão. Limitou-se o poder de ação da mídia de acordo com interesses
particulares
daqueles que haviam usurpado o poder. Querida leitora e caro
leitor, todo e qualquer tipo de notícia deveria passar pelo crivo de censores,
sendo barrada qualquer hostilidade ao governo. Ainda durante os chamados “anos
de chumbo”, chegou-se a criar um Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP)
para executar essa tarefa. Porém, o período marcado por regimes ditatoriais na
América Latina, serviu para fortalecer o ideal de liberdade e democracia, tão
defendidos pelos agentes da imprensa.
A verdadeira democracia corporifica-se por meio da presença das mais distintas manifestações do povo e se fundamenta no respeito à decisão da maioria, sem que esta não sufoque a minoria divergente, composta de variadas opiniões, visões de mundo e ideologias.
Outrossim, nunca antes tivemos tantos meios e espaços para
expressar nossos pensamentos e nossas crenças. As mídias sociais democratizaram
esse acesso e a disseminação de ideias que, em outros momentos da nossa
história, diga-se de passagem, simplesmente não poderiam ser compartilhados.
Infelizmente há pessoas com alto poder de influência social
e midiática, que utilizam os meios disponíveis, incluindo as famosas redes
sociais, para disseminar discursos intolerantes, agressivos e, até mesmo, de
incitação ao ódio, à discriminação, à violência e à segregação. Muitos tornam o
ambiente fértil para propagação das fake news (notícias fraudulentas).
Acredita-se que a maneira mais eficaz para frear a ameaça à
democracia é reforçando o acesso à informação séria e comprometida. Vivemos
tempos sombrios e é preciso prestigiar o jornalismo criterioso e responsável
por seus atos. Imprensa responsável é fundamental para o fortalecimento de uma
democracia justa e equilibrada, em que os direitos individuais e coletivos
sejam assegurados a todos indistintamente.
Texto e imagem reproduzidos do site: cinformonline.com.br
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