Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de 9 de novembro de 2022
Com Lula, os bolsonaristas furadores de teto agora viram fiscalistas ortodoxos.
Isso, entretanto, será tarefa de gente realmente preocupada com o equilíbrio das contas públicas, e não de bolsonaristas que fizeram duplo twist carpado retórico para agora posarem de ortodoxos empedernidos. Guilherme Macalossi para a Gazeta do Povo:
Os fiscalistas estão de volta. Ficaram sumidos por quatro anos, período em que o governo de Jair Bolsonaro furou reiteradamente o teto de gastos, inclusive pela imposição de necessidades eleitorais. Entre uma palestra e outra, Paulo Guedes subverteu a regra original que foi criada por Henrique Meirelles. Ao invés da despesa caber no teto, o teto é que foi sendo aumentado para caber na despesa. E não uma vez, mas diversas. Na última, com a famigerada PEC Kamikaze, foi inventado até um estado de emergência, de maneira a desviar a Lei Eleitoral e se conceder benefícios na véspera do pleito.
No conjunto da obra bolsonarista, mais de R$ 236 bilhões foram escamoteados da regra fiscal, que foi sendo desmoralizada ao mesmo tempo em que os governistas juravam preservá-la. Basta somar o custo da PEC das Cessões Onerosas, da PEC Emergencial, da PEC dos Precatórios e da já mencionada PEC Kamikaze. Depois de tudo isso, o que sobrou foi um arcabouço mutilado e pronto para ser modificado mediante qualquer necessidade momentânea.
Eis que Lula, eleito presidente, move sua força política para repetir o antecessor. A discussão é apenas se por Emenda Constitucional ou Medida Provisória. O que se sabe é que o furo, agora chamado de waiver, virá, e dessa vez no montante de outros R$ 200 bilhões a serem gastos no início do próximo mandato. A diferença é que a artimanha, outrora aplaudida durante o governo Bolsonaro, agora sofre a contestação de quem ajudou a fazer da lei letra morta.
Em suas redes sociais, Hamilton Mourão postou que “o futuro governo do Lula está negociando com o Congresso um rombo de 200 bilhões no orçamento de 2023, ou seja, zero compromisso com o equilíbrio fiscal”. Segundo o vice-presidente senador eleito pelo Rio Grande do Sul “o resultado será aumento da dívida, inflação e desvalorização do Real”. A argumentação poderia ser legítima não tivesse sido ele um entusiasta dos furos anteriores.
Quando da apresentação da PEC Kamikaze, Mourão a descreveu como uma forma de “mitigar aí a situação das pessoas mais necessitadas”, e de “diminuir o preço dos fretes e o impacto do preço do que você compra no mercado”. E agora? Por que seria diferente? Afinal, o governo eleito alega que os gastos sociais, inclusive para despesas criadas por Bolsonaro, ficaram de fora do orçamento de 2023, e que os recursos pretendidos seriam exatamente para esse fim. As condições sociais mudaram em tão pouco tempo para justificar para tal mudança de posição do vice-presidente?
Nessa semana, o site Poder 360 publicou informação de que, numa versão mais extrema da PEC da Transição, haveria a proposta de, além da revogação do restante da lei do teto de gastos, também se acabar com a regra de ouro e o resultado primário. Com o anúncio de nomes como Pérsio Arida e André Lara Resende na equipe de transição, tal hipótese fica mais distante. Ainda assim, a fiscalização em cima do petismo terá de ser permanente de modo a evitar que repita o estrago econômico que fez no país a partir de 2008. Isso, entretanto, será tarefa de gente realmente preocupada com o equilíbrio das contas públicas, e não de bolsonaristas que fizeram duplo twist carpado retórico para agora posarem de ortodoxos empedernidos.
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TRÊS COMENTÁRIOS:
Maquiavel Messias disse...
Perfeito! Esta é a essência do Bolsopetismo. Aliás, a expressão "bolsopetismo" apoia-se na percepção de que bolsonarismo e petismo têm mais em comum do que seus militantes gostariam de admitir. Os dois movimentos políticos seriam, como no reflexo de um espelho, idênticos, mas com imagens invertidas. Ambos acreditam cegamente na narrativa política de seus líderes de traços messiânicos. Ambos aderiram à política do toma lá dá cá (fisiologismo) na relação com o Congresso Nacional. Ambos são movimentos populistas que nasceram da visão redentora de um líder carismático, sem papas na língua, que se diz amparado pelo povo na luta, seja contra as "elites" seja contra o establishment político. E o populista transforma a política num negócio e, então, para ele, passa a ser natural negociar tudo, mesmo as coisas mais infames e sujas. Vide Mensalão, Petrolão, Bolsolão, Orçamento Secreto, ops, digo Emendas do Relator. Como disse o meu xará, política, ética e religião nem sempre se combinam!
quarta-feira, novembro 09, 2022
Anônimo disse...
Grande Paulo Guedes! Este cidadão deveria ser canonizado pelo papa-pajé Bergoglio, por ter produzido um novo milagre: encolheu a renda da população brasileira. Em reais, renda do brasileiro volta a 2012; Em dólares, ficou abaixo do nível de 2008!
quarta-feira, novembro 09, 2022
Anônimo disse...
João Gustavo diz:
Onde Paulo Guedes encolheu a renda?? Melhor ministro da Economia desde Roberto Campos
quarta-feira, novembro 09, 2022
Artigo, imagem e comentários reproduzidos do blog: otambosi.blogspot.com

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