terça-feira, 6 de janeiro de 2026

O que faziam 32 seguranças cubanos no círculo mais íntimo de Maduro?

Artigo compartilhado do BLOG DO ORLANDO TAMBOSI, de  6 de janeiro de 2026

O que faziam 32 seguranças cubanos no círculo mais íntimo de Maduro?

Todos foram mortos na operação americana, como reconheceu Miguel Díaz-Canel - obviamente sem assumir a interferência na soberania alheia. Vilma Gryzinski:

“Perderam a vida em ações combativas 32 cubanos, que cumpriam missões de representação das Forças Armadas Revolucionárias e do Ministério do Interior, a pedido de órgãos homólogos do país sul-americano”. A informação foi dada pelo próprio presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel – ele faz questão do hífen, esse sinal gráfico tão burguês.

Na estonteante enxurrada de notícias que jorra na Venezuela, passou batido. Ou talvez haja quem preferisse não dar destaque à presença dos guarda-costas cubanos no chamado primeiro círculo, o jargão de segurança para o mais próximo dos anéis concêntricos que protegem os muito ricos e poderosos.

O que faziam esses seguranças cubanos – apenas uma parte do contingente total – num país oito vezes maior e cinco vezes mais rico, apesar de toda a desgraça desencadeada pelo chavismo? Obviamente, protegiam Maduro de sua própria gente. Os déspotas sempre têm medo de traições e foi exatamente o que acabou acontecendo, com um colaborador da CIA passando informações não só sobre onde ele ia, mas até as roupas que vestia e seus animais de estimação.

Os serviços de inteligência de Cuba, formados na escola da antiga KGB, foram eficientes na repressão a qualquer sopro de oposição na ilha castrista. São mais necessários do que nunca para a sobrevivência do regime, já estremecida pela grave crise econômica que deixa seus oprimidos sem luz e mais sem comida ainda – à exceção de figurões como Díaz-Canel, um dos poucos cubanos a ostentar uma próspera barriga. A falta de comida foi o fator mais determinante para minar o apoio popular que os chavistas tinham no começo do regime bolivariano.

NÃO ERA BLEFE DE TRUMP

O próprio déspota venezuelano fazia piadas paralelas sobre a magreza da sua população, associando os efeitos do “regime de Maduro” a uma palavra de conotação sexual que rima com seu nome. Num estudo feito em 2017, foi constatada a perda média por venezuelano de 11,7 quilos. Entre 20% e 25% dos venezuelanos deixaram o país porque não tinham o que comer. No Brasil, seria equivalente a um êxodo de quase 50 milhões de pessoas. Dá para imaginar?

A volta de pelo menos parte desses exilados da miséria será um sinal de que a era pós-Maduro estará sendo bem encaminhada, embora não haja sinais disso no momento.

José Antonio Kast, que assumirá a presidência do Chile em 11 de março, tendo sido eleito em parte pela revolta dos chilenos com o aumento da criminalidade vindo junto com mais de meio milhão de refugiados venezuelanos, disse que a segurança regional foi desestabilizada pelo crime organizado procedente das quadrilhas baseadas na Venezuela. Maduro o comparou a Hitler – pois é, alemão só pode ser nazista -, mas o fator criminalidade e imigração em massa foi alguns dos motivos que moveram a estarrecedora intervenção americana para capturar Maduro e pôr em marcha um processo de mudança que ainda não sabemos como será.

Isso e as dancinhas de Maduro, segundo uma fonte do governo disse ao New York Times. O déspota achava que estava sendo esperto e que Trump estava blefando ao deslocar uma força naval para o Caribe, levando-o a zombar do presidente americano com as palhaçadas em ambientes públicos extremamente controlados. Também acreditava nos seguranças cubanos. E no sistema de defesa antiaérea vendido pela China. Os radares chineses nem precisaram ser bombardeados, foram neutralizados eletronicamente, entre outras medidas para saturar o sistema. As baterias antiaéreas russas tiveram o mesmo destino. Eram um tigre de papel.

GUERRA DAS NARRATIVAS

As implicações do terremoto na Venezuela são enormes para Cuba, sob risco de ficar sem o combustível subsidiado que mantém, embora muito precariamente, o regime em pé. Díaz-Canel pode perder o poder e o hífen. O secretário de Estado Marco Rubio, filho de cubanos, disse que os líderes da ilha estão diante de “um grande problema”, uma das frases mais contidas de todo esse tsunami político e militar. Trump, ao seu estilo anotou: “Não sei como poderão resistir”.

O medo bateu igualmente em Gustavo Petro, o falastrão que convocou os colombianos “para que defendam o presidente de qualquer ato ilegítimo de violência”. A ordem para as forças de segurança “não é atirar contra o povo, mas sim contra os invasores”, disse, brilhantemente, antecipando que quer dar tiros nos americanos. Também já virou piada o anúncio bombástico do ex-guerrilheiro que voltaria a pegar em armas no caso de uma invasão. Prêmio Einstein de escolha do momento certo para fazer ameaças aos Estados Unidos.

Também estão diante de um problema daqueles todos os enviados por regimes amigos, incluindo, além dos cubanos, russos, chineses, iranianos e integrantes do Hezbollah, contemplados com passaportes venezuelanos para circular livremente pelo mundo e planejar ações terroristas contra Israel.

Membros da oposição venezuelana argumentam que a presença em massa de operadores de forças militares e terroristas estrangeiras representa uma intervenção gravíssima no país que nunca foi denunciada pelos que agora batem no peito e condenam Donald Trump. Onde estava a soberania nacional quando terroristas foram beneficiados com meios para o livre trânsito internacional, inclusive no Brasil?

É um argumento a ser levado em consideração, dentre tantos que circulam constantemente, tentando, cada um dos lados, construir a narrativa favorável a suas posições políticas. Qual dos lados vai ganhar: “Maduro é um desgraçado corrupto que levou miséria e opressão para a Venezuela e merece curtir uma cana eterna nos Estados Unidos” ou “Trump foi longe demais e transgrediu o direito internacional ao agir como um neoimperialista”? Será que o povão vai ficar do lado dos professores de relações internacionais ou verá mais a alegria das comemorações dos venezuelanos no exterior?

São estes apenas alguns dos múltiplos fatores a serem considerados, em toda sua complexidade, inclusive porque eventualmente se sobrepõem.

Texto e imagem reproduzidos do blog: otambosi blogspot com

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